15 de maio de 2008

PAZ PARA VIVER: 08 - A Saga do Anjo Caído

Este tema tratará um assunto de especial interesse e que poderíamos chamar o Grande Conflito, ou o Conflitos dos Séculos. Esta é a designação teológica para nos referirmos à Guerra cósmica entre o bem e o mal.

Este conflito não tem este nome na Bíblia. Fala-se da sua acção e é perfeitamente perceptível. É uma saga que se iniciou no Céu e acabou por ter a Terra como palco principal, com a criação do ser humano.

1- Dois mistérios em acção.

A queda de Lúcifer: “Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; estavas no monte santo de Deus, andavas entre as pedras afogueadas. Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor. ... Pela multidão das tuas iniquidades, pela injustiça do teu comércio profanaste os teus santuários...” Ezequiel 28:14, 17, 18

Esta passagem refere-se a Satanás, que se tornou “o deus deste século.” Era um querubim protector. Tinha uma elevada posição no Céu.

Os seres celestiais são: anjos, serafins e querubins.

Em Isaías 6:2, 3 mencionam-se os serafins: “Os serafins estavam acima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés, e com duas voavam. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, Santo, Santo, é o Senhor dos Exércitos: toda a terra está cheia da sua glória.”

Ezequiel 10:20-22, refere-se aos querubins: “São estes os seres viventes que vi debaixo do Deus de Israel, junto ao rio Quebar, e percebi que eram querubins. Cada um tinha quatro rostos e cada um quatro asas, e a semelhança de mãos de homem debaixo das suas asas. A semelhança dos seus rostos era a dos rostos que eu tinha visto junto ao rio Quebar; tinham o mesmo aspecto, eram os mesmos seres. Cada um andava em linha recta para a frente.”

Lúcifer tinha estes dois títulos: serafim e querubim. Era uma espécie de anjo chefe de todos os anjos. Era o director do coro celestial. Comandante dos anjos, anunciador dos propósitos de Deus a todo o Universo.

Era quem estava mais perto do Trono do Altíssimo, conhecia, como nenhum outro anjo, o carácter, o governo, os métodos e projectos de Deus. Por isso foi grande a perplexidade dos seres celestiais quando, como diz a Bíblia:
– “...foi encontrada iniquidade em ti.”
– “...o teu interior estava cheio de violência, e pecaste.”
– “...elevou-se o teu coração por causa da tua formosura.”
– “...corrompeste a tua sabedoria.”
– “...profanaste o teu santuário.”

Como é isto possível, na presença de Deus?
Na pureza e na santidade do Céu?
No meio das pedras de fogo (anjos)?

Não sabemos, é um mistério. É o mistério da iniquidade. Impossível explicar a origem do pecado e encontrar uma razão para a sua existência. Só podemos compreender a disposição do pecado e as causas.

Ilustração:
Duas da manhã, uma jovem à morte. Sou visto a sair duma casa duvidosa. As pessoas começam a murmurar. Alguém amigo um dia fala comigo, e conta-me o murmúrio.
Fui visto a sair duma casa duvidosa às 2 h da manhã.
É intrigante. Como é possível?
Um homem que fala do Evangelho de Cristo e de moral, visto a sair dum local tão duvidoso?
Por fim, diz:
– Pastor, deve haver uma explicação, um mal entendido. Eu não acredito no que se diz. Conheço-o suficientemente bem para saber que não faria tal coisa.
– Estou muito grato pela sua confiança. E expliquei o que se passou.

Uma jovem foi assistir duas noites à série de conferências que realizei na igreja. Na segunda noite, falou-me da sua vida, e do desejo que tinha de amar e seguir a Jesus. Mas encontrava-se num lamaçal moral de onde seria muito difícil sair. Falei-lhe do amor de Jesus e de como Ele tinha ajudado uma mulher com o mesmo estilo de vida que ela levava: Maria Madalena. Ela agradeceu e prometeu voltar.

Passava da meia-noite quando um carro, em alta velocidade, foi contra ela. Vivia num quarto alugado. Pediu à senhoria para telefonar ao pastor da Igreja Adventista. Precisava de lhe falar, de receber algum conforto e conselho.

Quando lá cheguei, um médico disse-me, em privado, que não havia nada a fazer. Ela ainda estava viva, mas ele não sabia como. Era muito grave. Entrei no quarto onde ela se encontrava. A primeira coisa que me perguntou, com voz cansada:

– Será que Jesus pode ter misericórdia de mim, será que Ele me perdoa?

Expliquei, a quem me pedia explicações, que lhe tinha falado do amor de Jesus na Cruz do Calvário, e que a jovem tinha adormecido no sono da morte, com um sorriso de esperança.

Terminei perguntando: o irmão acha que fiz mal ou bem?

– Fez muito bem, pastor, muito bem! Afirmou.

E vocês o que acham?

Todos dizem que fiz bem, porque eu tenho uma explicação lógica e boa para a aparência do mal. O pecado e a sua origem não têm explicação. Por que razão Lúcifer, o anjo mais poderoso do Céu, se revoltou contra o Deus da misericórdia e da bondade? Porque se revoltou contra o Criador? O seu Criador!

Mas devemos pensar. Talvez não se chegue a uma compreensão total, mas a interrogação é um processo normal em todo o ser inteligente. Os seres celestiais são seres livres. Capazes de interrogar, de fazer juízo de valores. Têm emoções, desejos, personalidade e preferências.

Não era normal que Lúcifer, como ser criado, questionasse os mistérios e a vontade de Deus? Não seria isto normal para todo o ser racional e inteligente?

Creio ser normal que os seres do Universo, nalgum momento, se tenham interrogado sobre a soberana vontade de Deus, sobre a sabedoria, “será que Ele sabe mesmo todas as coisas?”, sobre a justiça de Deus, “será que Ele é justo em tudo?”

Creio que interrogar-se sobre Deus é saudável, é uma afirmação de que Ele existe e que O abordamos como um Ser pessoal.

Mas, há um momento, um espaço, em que as mentes finitas, e Lúcifer ainda que o anjo mais brilhante do Universo tendo uma mente finita, não pode querer entrar no que é uma mente infinita. Aí só resta a confiança. E a confiança é repousar plenamente no ser amado, compreender que há um ponto em que não se pode compreender, e deixar o que não é compreensível nas mãos de Deus, a quem se ama e em cujo amor, justiça e sabedoria se confia plenamente.

Para um fiel filho de Deus, o que não compreende não o perturba. Porque para eles é o princípio da confiança.

“As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus; porém as reveladas pertencem a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei.” Deuteronómio 29:29

A sua felicidade não está em compreender, mas em confiar e deixar a sua vida sob a direcção total de Deus. Nisto consiste a felicidade eterna dos filhos de Deus. E é desta forma que têm permanecido fiéis.

O que se passou com Lúcifer foi que quando chegou ao ponto em que tinha que colocar toda a sua confiança no amor, na justiça, na sabedoria de Deus, não o fez. Pouco a pouco os seus pensamentos desviaram-se da confiança de Deus e nasceu dentro dele a desconfiança. Transferiu a confiança que tinha em Deus para a sua própria sabedoria. O que não podia compreender converteu-o num problema de independência.

E desta forma afastou-se de Deus, para confiar em si próprio. Nisto consiste o pecado. Não querer ser guiado pela vontade de Deus, mas pela sua própria vontade.

O amor por Deus e pelos outros é o que predomina no coração. E como isso é o princípio mestre na conduta do reino de Deus, ele, Satanás, estabeleceu outro princípio orientador da vida. A esse princípio chama-se egoísmo, orgulho. Tem origem exclusiva em Satanás. Não tem equivalência em nenhum outro princípio do Universo de Deus. Não se trata da deformação dos princípios divinos, mas uma invenção original de um ser criado.

Ao deixar de ter no coração o amor por Deus e pelos seus semelhantes, centra-se em si próprio, nos seus interesses, nos seus privilégios, pecou. Esta é a essência do pecado e de muitas doenças do foro psicológico.

Nem sempre as possessões demoníacas se revelam através de cenas de carácter sobrenatural, mas de carácter mental. Não estamos a condenar, nem a acusar, mas a verdade é que em determinado momento da vida, houve uma concentração dos interesses de forma muito intensa no eu. A pessoa torna-se autista.

Sabemos que há casos muito particulares e não queremos generalizar, somos conscientes de uma verdade irrevogável, o pecado teve a sua origem no egoísmo. É uma lei universal que “não se pode ao mesmo tempo procurar a sua própria glória e a glória de Deus.”

O pecado é independência de Deus. O que se afasta da autoridade divina toma o seu destino nas suas mãos. Faz a sua própria vontade, faz-se deus, porque a essência de Deus é ser absolutamente livre, independente de tudo e completamente imparcial. Ama a todos e a todos quer de igual modo.

O amor de Deus pelas Suas criaturas não nasceu depois do pecado, mas Deus é amor. A maior prova do amor de Deus manifesta-se no facto de nos amar tal como somos, com as nossas fragilidades e necessidades. Nenhuma outra razão pode explicar o mistério da Cruz.

Ser filho de Deus não é, primeiro que tudo, assumir uma infinidade de compromissos e obrigações. É, sim, deixar-se amar por Deus.

O amor de Deus para connosco, como nosso Pai, é um amor forte e fiel, um amor cheio de compaixão, um amor que nos possibilita esperar a graça da conversão, depois de termos pecado.

Por isso desde a eternidade Deus fez leis e princípios bem objectivos para tudo e para todos. Por isso pecar é transgredir a lei: “Todo aquele que comete pecado, transgride a lei, pois o pecado é a transgressão da lei.” I João 3:4

Deus fez as Suas leis para Ele e para todos. Deus não é arbitrário, não castiga ou pune ou dá o inferno porque não gosta de um ou de outro. Não dá o céu por preferência. Mas porque o ser que Ele criou ama e se deixa amar.

O que se revolta contra o Senhor do Universo, separa-se de Deus, rompe com a Fonte da vida, peca e morre. Pecado é não amar a Deus. Pecar é não servir Deus. É amar-se e servir-se a si mesmo.

A virtude suprema de Deus é o amor abnegado. Esquecimento de si mesmo em favor das Suas criaturas. E é também o atributo mais importante de todos os seres humanos.

Quem não admirou a madre Teresa de Calcutá?

A lei é o que rege as relações no reino de Deus. O universo funciona em sintonia com os ritmos do coração de Deus.

Lúcifer estabeleceu o seu próprio ritmo. Estabeleceu a sua própria lei. Este é o mistério do pecado. Uma lei que se opõe à lei de Deus.

Aprecio um poema de Victor Hugo que diz:

Há seis milénios que a guerra apraz
Aos povos altercadores,
Enquanto Deus, sem perder tempo, faz
As estrelas e as flores.

É bem a atitude de Satanás que vive há seis milénios altercado: “Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu tono; no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte.
Subirei acima das mais altas nuvens; serei semelhante ao Altíssimo.” Isaías 14:13, 14.

Por isto se chama o Conflito dos Séculos, ou Mistério da Iniquidade ao facto de uma criatura conceber a ideia, de lutar para ser igual a Deus, não na santidade, no amor, no exemplo, mas para Lhe usurpar a Preeminência inerente ao Criador. A criatura quer o lugar do Criador!

Essa ambição do coração de Lúcifer causou controvérsia no Céu. Lúcifer tentou ocupar o trono de Deus e seguramente matar Deus. É um mistério incompreensível. Esse conflito que se iniciou no Céu foi arrastado para a Terra e colocou em perigo a existência do Universo.

Deus, na Sua infinita sabedoria, colocou um plano em acção para resolver o problema causado por este Mistério da Iniquidade. A esse plano podemos chamar o Mistério da Piedade: “E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Aquele (Deus) que se manifestou em carne, foi justificado em espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, e recebido acima na glória.” I Timóteo 3:16

Que Deus, o Criador, por amor, tenha decidido fazer-se homem, encarnar, manifestar-se em carne, é um mistério inefável. E esse sacrifício foi feito para desfazer o ministério da iniquidade. Estamos perante o mais maravilhoso de todos os actos de toda a história da eternidade.

Os seres criados não cessarão de louvar a Deus por toda a eternidade por este tão grande acto de amor, de abnegação e sacrifício.

2- A primeira grande batalha final de Deus.
Deus poderia ter destruído Lúcifer. O amor e a justiça exigiam destruição. Mas a sabedoria não o permitiu.

Lúcifer iniciou uma obra misteriosa. A sua oposição e rebelião a Deus aconteceu porque se corrompeu. Aquela mente ficou dedicada ao engano. Suscitou dúvidas e suspeitas no que diz respeito ao amor, justiça, misericórdia e sabedoria de Deus.

Jesus é a Palavra, Jesus é o Príncipe do Céu. Por Ele foram feitas todas as coisas. Jesus foi ter com esta criatura amada, e falou-lhe ao coração, sem forçar a sua livre vontade. Procurou tocar-lhe nas cordas sensíveis da alma. Sabemos que Lúcifer vacilou, reconheceu que estava errado.

Porém ele tinha uma alta posição. Era o anjo que estava mais próximo do trono da Trindade e isso dava-lhe uma tremenda influência junto de todos os anjos do Céu, que dele recebiam directamente as ordens. Ele exercia um estatuto junto dos anjos. E uma terça parte dos anjos uniu-se a ele na rebelião contra o Soberano do Universo.

“E a sua cauda levou, após si, a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra.” Apocalipse 12:4

O seu objectivo era conquistar todos os anjos e todos os mundos do Universo.

Na verdade, no princípio nem o próprio Satanás compreendeu os seus próprios sentimentos, a natureza dos seus pensamentos. Nem sequer os anjos que não caíram podiam discernir bem o seu carácter, nem ver para onde se encaminhava a sua obra.

Ele colocava em causa os juízos, o fundamento da autoridade e o trono de Deus.

Mas os habitantes do Céu e dos mundos, não estando preparados para compreender a natureza e as consequências do pecado, não podiam discernir a justiça de Deus e a destruição de Satanás.

Era por isso necessário que os seus planos se evidenciassem mais para que a sua natureza e as suas tendências fossem vistas e compreendidas por todos.

Deus, a Trindade, perante isto decidem que se devia dar a oportunidade a Satanás, tempo para que desenvolvesse os princípios que serviriam de fundamento ao sistema do seu governo.

Mas muitas pessoas perguntam: “Porque é que Deus não destruiu logo Satanás e os anjos que se revoltaram?”

Ilustração:
Eu tenho um quintal e todos os anos compro árvores para aí plantar. Compro-as sempre ao mesmo arvicultor.
O ano passado comprei uma tangerineira, mas como já era muito grande e não cabia no meu carro, ele foi muito simpático e levou a tangerineira na sua camioneta.
Quando chegou ao meu quintal, disse:
– Os citrinos dão-se bem aqui. Começou a analisar as árvores. Parou ao pé de uma laranjeira e disse:
– Esta é brava, vai produzir laranjas muito ácidas.
– O senhor está enganado, porque foi transplantada de uma laranjeira que dá laranjas deliciosas, garanto-lhe, já comi dessas laranjas.
– Sou especialista e não é o senhor que me vai ensinar se são doces ou amargas.
Que fazer? Arrancar a árvore? Ficar com a dúvida?
Respondi: – Só há uma forma de saber com toda a certeza. Esperar que a árvore cresça e dê frutos para os poder provar.

Assim, se Lúcifer fosse imediatamente destruído, como o iriam compreender os anjos e os mundos não caídos? Em que base ficaria o trono de Deus? De confiança ou de temor?

Deus sabia que os princípios que estavam em causa precisavam de tempo para revelar-se. Se o tivesse destruído, não haveria oportunidade de provar os propósitos de Satanás e a dúvida, o temor, fariam tremer os alicerces do trono de Deus para toda a eternidade.

Nem anjos, nem outros mundos, seriam mais felizes. Nunca mais!

“E houve batalha no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhava o dragão e os seus anjos; mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus. E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele.” Apocalipse 12:7-9.

Foi a primeira grande batalha final de Deus. Ela pôs fim à rebelião no Céu.

A última grande batalha final de Deus descreve-se em Apocalipse 16:14. Chama-se: “a batalha, naquele grande dia do Deus Todo-Poderoso.”

E porá fim à rebelião na Terra, que ainda envolverá as forças do Céu e de todo o Universo.

3- O conflito na Terra.

Deus lançou Satanás para a Terra porque não teve outro lugar para o lançar. Lançou-o aqui depois de ter criado um palco, para que o conflito fosse à vista de todo o Universo.

Aqui, nesta Terra, todos os seres inteligentes do Universo teriam a oportunidade de ver em acção os princípios de Deus e os princípios de Satanás. Era preciso que o Universo inteiro visse o sedutor desmascarado. Na verdade o nosso pequeno mundo, com a presença de Satanás, passou a ser um livro de texto para todos.

Deus fez as coisas como é Seu princípio, bem e perfeitas. A Terra era um paraíso, não faltava nada de que os seres aqui criados sentissem falta. Deus criou Adão como Seu colaborador, instrumento da Sua graça, o seu representante, o Seu campeão no grande conflito.

Adão era a coroa da Criação. A última obra criadora de Deus na Terra: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme à nossa semelhança: e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o mar, e sobre toda a terra, e sobre o gado, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.” Génesis 1:26, 27

Adão e Eva pertenciam a uma classe especial de seres vivos.

Todo o Céu ficou encantado e com profundo interesse na criação do mundo e do homem. Cantaram aleluias de glória. Porque os seres humanos constituíam uma classe nova, distinta, nobre. Foram feitos à imagem de Deus e era o propósito do Senhor que eles povoassem a terra.

Eva era a colaboradora de Adão. Um apoio especial para ele. Uma ajuda idónea, para que cumprisse um propósito na criação – ser colaboradores de Deus na solução do grande conflito.

Que privilégio extraordinário, vindicar, afirmar o carácter de Deus. Desmentir as acusações de Satanás. Mostrar que o homem é feliz vivendo sob os princípios divinos.

Mostrar que os princípios divinos, a lei de Deus, contribuem para o bem-estar, a felicidade e o desenvolvimento da vida das criaturas.

E isto seria demonstrado numa disposição em obedecer à vontade de Deus.

Tudo isto dava significado especial à árvore do conhecimento do bem e do mal.

“E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: de toda a árvore do jardim comerás livremente. Mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” Génesis 2:16, 17

Qual era o problema da árvore?
Era venenosa?

Quão obscuramente compreendemos os propósitos da misericórdia que se escondem por detrás das ordenanças divinas!

A razão é bem evidente: Satanás não os perseguiria continuamente com as suas tentações; só poderia aproximar-se deles, se eles se aproximassem da árvore.

Essa a razão da proibição. Não deviam aproximar-se da árvore nem tocar nos seus frutos, nem comê-los, porque Satanás estava ali. Se se aproximassem da árvore, estariam sob a influência do Diabo, e Deus queria evitar esse perigo.

Essa é a razão que sobressai de toda a proibição divina. Se são severas como às vezes nos parecem, é porque obedecendo somos protegidos de grande perigo.

É a filosofia divina a obediência. Deus pede-nos que Lhe obedeçamos para nosso bem. Sabe quais são os nossos melhores interesses e quando estes correm perigo.

Satanás estava na árvore, não porque tivesse preferência por esse lugar. Deus tinha-o confinado aí. Era uma cadeia de circunstâncias que o mantinha ali.

Deus não permitiria que o inocente par fosse perseguido por todo o jardim.

Para poderem ser tentados era necessário que Adão e Eva dessem início a um processo de desobediência.

Deus tinha-lhes imposto aquela limitação, ou melhor aquela cooperação. Serem cooperadores do Deus eterno. Cada dia que passava em obediência à vontade divina demonstravam que eram felizes e que as acusações de Satanás eram falsas.

Cada dia que passava eram mais felizes e demonstravam a todo o Universo que se podia viver próximo do Inimigo de Deus, que era uma derrota para Satanás, que as suas acusações eram falsas. Com Deus, obedecendo às normas do Seu governo há delícias de prazer.

E cada dia que passava, Satanás ficava mais irado. Porque o seu tempo estava a passar, e seria destruído, a sua ira aumentava.

E tudo isto acontecia à vista de todo o Universo. Imaginemo-lo na árvore, esperando, 1, 10, 100, 1000 anos. Preso a uma cadeia de circunstâncias. Esperando que Adão e Eva iniciassem o processo da desobediência e se aproximassem da árvore.

Ilustração: Sabemos que a serpente não persegue as suas vítimas: espera.

Já ouvimos histórias de serpentes que engoliram coelhos, pombas, e outros animais. A serpente não os persegue. Espera-os. Hipnotiza-os com o seu olhar. As vítimas vieram sozinhas enfiar a cabeça na sua garganta.

– Que teria acontecido se não tivessem tocado no fruto?

– Quanto tempo teriam vivido debaixo da prova da árvore?

– Toda a eternidade?

– Que teria acontecido se passasse muito tempo sem que eles tivessem tocado nos frutos da árvore?

O mesmo que no fim do milénio!

A Bíblia diz que no final do milénio Satanás confessará o seu pecado e testemunhará que o Carácter de Deus é Fiel.

Satanás, com todos os ímpios, antes de serem destruídos dirão:
“Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei dos santos.” Apocalipse 15:3.

“Porque apregoarei o nome do Senhor: dai grandeza a nosso Deus. Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos juízo são: Deus é a verdade, e não há nele injustiça; justo e recto é.” Deuteronómio 32:3, 4.

Isso era o que teria acontecido junto da árvore. O momento chegaria em que Satanás se daria por vencido. Derrotado pela fidelidade de Adão e Eva.

Teria confessado o seu pecado. Teria dito que nunca teve razão para revoltar-se contra Deus. Teria aconselhado todo o Universo a ser fiel por toda a eternidade.

O Universo ficaria livre da rebelião. Mas não foi assim que aconteceu. Este é um tema importante. A nossa dor, as nossas angústias, não são só do foro psiquiátrico, mas podem ter uma outra dimensão.

Para serem definitivamente curadas, é preciso compreender o impulso exterior que vem do Causador de todo o sofrimento e dor, para realmente ir ao que tem o remédio para todo o sofrimento: Jesus, o Amado Salvador.

Cristo espera-vos! Podemos abrir-Lhe o nosso coração e agarrar-nos a Ele com oração sincera e fé indestrutível.

Nos momentos terríveis em que nos sentimos seduzidos pelo Inimigo, Jesus é a Esperança. Ele é tudo para nós. Ele é a solução para as nossas dúvidas.

Abra-Lhe o coração. Abra o coração de par em par, a Cristo. Não tenha medo! Seja generoso. Quem dá pouco, pouco colherá. Quem dá com generosidade, receberá uma colheita abundante.

Vale a pena seguir Cristo. Ele é o único que não desilude! A cada um de nós Jesus dirige uma palavra que nos leva a meditar e a responder: Sim ou não.

Lúcifer também teve esta oportunidade, mas não aceitou Jesus como o melhor Amigo, o companheiro de viagem. Quem quer fazer de Jesus o Companheiro de viagem nesta vida e a Esperança para a vida eterna?

Louvado seja Deus pela vossa resposta, o Senhor manda aos Seus anjos para escreverem o vosso gesto no livro do Céu.

Deus vos abençoe!
Pr. José Carlos Costa

14 de maio de 2008

PAZ PARA VIVER: 07 - Viver a Salvação

Introdução: Talvez devêssemos chamar ao tema de hoje: Ser ou não Ser. “Ser ou não ser, eis a questão.” Shakespeare

Na nossa relação uns com os outros, isto é, marido com esposa, filhos com pais, empregados com patrões, entre os políticos existe frequentemente uma relação de força ou de disputa de poder.

Relações não normais, mas que tocam com frequência a loucura. A luta por direitos, a luta por um espaço. A luta por poder, leva frequentemente a relações de frustração.

E isto pode acontecer na nossa relação com Deus. Deus é grande, eu sou pequeno. Deus sabe tudo, eu sei muito pouco. Deus tem todo o poder, eu não tenho poder. E, sem me dar conta, a minha relação com Deus é uma relação de tensão. Ora, se já vivo em tensão com toda a gente que me rodeia e se a minha relação com Aquele que quer que eu seja uma pessoa feliz, realizada, em paz, é uma relação de disputa, ou me torno incrédulo, ou entro numa depressão, ou passo a detestar o próprio Deus.

Se olharmos Jesus e as pessoas que O seguiam, encontramos diferentes tipos de relação:

As multidões que O seguiam – a maior parte era por interesse – procuravam os milagres. Eles sofriam fisicamente: eram paralíticos, cegos, com lepra... O que queriam era ser tocados por Jesus. Seguiam-n’O por interesse, portanto.

Outros, apreciavam as Suas boas palavras. Palavras que transportavam paz. Eles desejavam muito essa paz, por isso O seguiam.

Satisfeitas as suas necessidades, a sua vida em pouco ou nada se alterava em termos espirituais.

Um grupo numeroso de pessoas – os discípulos como se designavam – gostavam de O ouvir falar. Sentavam-se nas montanhas, deliciavam-se com as palavras, mas o coração estava longe de aceitar Jesus como Salvador pessoal. Ouvir sim, agir não.

Porém, entre o numeroso grupo de pessoas, algumas destacavam-se. Por exemplo, os setenta participavam directamente na Obra de Jesus. Anunciavam o dia em que o Salvador ia passar e iam lá. – Envolvimento, compromisso. Foram beneficiados por Jesus e agiram para que outros desfrutassem também.

Os doze discípulos, que o Senhor escolheu para os ter sempre consigo chegaram a fazer milagres espantosos, a testemunhar a outros, com poder, que Jesus era o Filho de Deus.

Os três íntimos – Pedro, Tiago e João – viveram momentos especiais e privilegiados com Jesus: a Transfiguração, o Getsémani, a Ressurreição.

João, o “discípulo que Jesus amava”, reclinava-se sobre o peito de Jesus. Sentia que Jesus tinha um amor especial por ele.

Cada um de nós é livre de ter ou não uma relação com Jesus. Cada um tem a liberdade sem que Deus o obrigue a ter a relação que quiser com Ele. Eu quero ter a relação de João. E sei que cada um de vós a quer ter também. Por isso estão aqui. Acontece que uma relação como a que João tinha com Jesus foi fruto de um processo de caminhar, de altos e baixos. Mas João afeiçoou-se a Jesus e no final da sua vida até falava como Jesus: “Meus filhinhos” ou “meus amados”.

Estou certo que vocês também querem, como eu, entrar neste processo. Louvo ao Senhor por esse vosso acariciado desejo. E oro para que cada um pertença à intimidade de Jesus, que O sinta tão próximo que recline a cabeça e sinta que é o “amado(a) de Jesus”. Podem crer que Jesus já vos ama de uma forma muito especial.

O processo a que nos referíamos, refere-se à aprendizagem do conhecimento pessoal de Jesus, e Ele dá-Se a conhecer. Não só através dos sentimentos, das emoções, da Sua presença tão perceptível na vida interior, espiritual, mas podemos conhecê-l’O de uma forma especial, onde Ele Se apresenta em plenitude: na Bíblia.

Os homens e mulheres que pensam sentem a necessidade de se ligar a Jesus de uma forma sólida, firme. Sentem necessidade de ter uma relação de princípios e não exclusivamente filosófica ou sentimental.

É natural que o Criador do Universo Se revele através de multifacetadas formas, como por exemplo: a Consciência, a Natureza, os Milagres, a História, a Arqueologia, a Astronomia, o Genoma Humano e a Bíblia. Cito estes com a certeza plena de que Deus não se limitará a estes.

Nós, porém, não poderemos ir além de dois ou três porque o tempo nos impede de tocar em todos. Como por exemplo: o Sofrimento. Eu creio que o Sofrimento é uma forma sublime de Deus Se revelar. De nos falar e ensinar tantas coisas!

O Sofrimento.

O sofrimento pode ser uma escola onde o Senhor é um Mestre Sublime na forma como Se apresenta diante dos meus olhos e da minha fé. Eu pertenço àquele grupo de pessoas que necessita de passar pelas provas, pelas dificuldades, para se achegar mais e mais ao amado Senhor.

É muito conhecido o pensamento que diz: “Algumas vezes Deus precisa de derrubar-nos de costas para que olhemos para cima.”

Quantas vezes tem acontecido, na minha vida, ver muito mais numa lágrima do que se estivesse a espreitar por um telescópio! A dor e o sofrimento, não são sinais da ira de Deus, como muita gente pensa, mas exactamente o contrário. Deus é o próprio a dizer: “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo. Portanto, sê zeloso, e arrepende-te.” Apocalipse 3:19

“Algumas vezes Deus lava os olhos dos Seus filhos com lágrimas, para que eles possam ver correctamente a Sua providência e os Seus mandamentos.” T.L Cuyler.

Experiência do Emanuel: O meu “único” filho, tinha 24 anos, andava na Faculdade em Biologia. Um dia chegou a casa e queixou-se que tinha dores na parte interior do joelho. Como ele praticava badmington com alguns colegas, pensei que tivesse sido uma torção, um movimento brusco a provocar essa dor. Fiz-lhe uma massagem com um creme e pensei que no outro dia ele já estaria bom.

Mas em catadupa, o sofrimento provocado pelo agravamento do seu estado aumentava. Eram dores no ombro, transpiração nocturna, febre, perda de peso. Alguma coisa de grave se passava. Os médicos tentavam descobrir, mas sem resultados concretos. Faziam-se exames com muita frequência mas não se conseguia determinar a causa exacta.

Um dia, um médico quis ter uma conversa com o meu filho. Ao sair do gabinete, as lágrimas eram reflexo de muito sofrimento na alma. “Paizinho”, disse ele, “o médico suspeita que eu tenho SIDA. Ó, meu Deus, como é isto possível?” gritava ele.

Vivi, com a minha mulher, uma dura prova. Falávamos com Deus e derramávamos a nossa alma perante Ele. Porém a situação continuava cada vez mais ameaçadora. Para complicar a situação um jovem, primo em terceiro grau do meu filho, ficou também doente, com os mesmos sintomas, e foi internado no Hospital de Coimbra.

No dia em que os médicos nos deram poucas esperanças de melhoras, recebi a notícia de que o primo tinha falecido. Sou muito amigo dos pais, e sabendo do seu sofrimento, procurei consolá-los com a minha própria dor. Creio, no entanto, que eles eram dotados duma capacidade de suportar a perda, muito maior do que a minha.

A minha prece consistia praticamente em suplicar: “Senhor, cura o meu filho, por favor! Reclamo esse milagre no poder da Tua Palavra e pelos méritos de Jesus.”

Mas a resposta não chegava. E eu começava a analisar a minha vida e dizia a Deus: “Senhor, tenho procurado anunciar com toda a energia da minha alma o Teu Evangelho. Tenho procurado viver uma vida limpa aos Teus olhos. Por que razão não curas o meu filho?”

Ficava praticamente bloqueado. A minha mulher tinha muito mais confiança do que eu. Ela estava animada, ela sabia que o Senhor é Deus, e que amava mais o nosso filho do que nós próprios. Mas eu ainda não tinha passado pelo processo da compreensão do amor de Deus.

Até que um dia, caminhando junto ao mar, comecei a falar com Deus. E fiz esta oração: “Não desejo nada do que existe na Terra, a não ser o Teu puro amor no meu peito. Isto, e somente isto, eu peço. E entrego tudo, inclusive o meu amado filho ao Teu cuidado.”

Não tenho a menor dúvida de que realmente a partir dali o meu filho começou a melhorar. Hoje ele é um homem saudável e forte. Consagrou a sua vida a servir o Senhor junto das pessoas que sofrem com fome, doenças, guerra. Presentemente está no Malawi, antes esteve em Angola e vários anos em São Tomé e Principe. A sua felicidade e alegria está no Senhor e no sorriso límpido das crianças que ele ajuda.

Nunca como nesta experiência, senti o Senhor Jesus tão perto de mim. Poderão, no entanto, dizer: “Bom, mas é a sua experiência pessoal. Reconheço que é pessoal. É o meu testemunho. Mas o mais importante é o testemunho da própria Bíblia porque ela é a Biografia da Pessoa de Deus.

Não ignoramos que nos últimos séculos foram muitos os intelectuais que quiseram anular a autoridade e veracidade da Bíblia e em especial mostrar que Jesus não é quem a Bíblia afirma ser: O Filho de Deus.

Ora, é muito importante para o crente ter confiança absoluta na Bíblia e em Jesus: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.” João 17:17

“Em nenhum outro há salvação, porque também, debaixo do céu, nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devemos ser salvos.” Actos 4:12.

A fé, para o crente, é o bem mais precioso. É um tesouro que dá não só segurança na vida, mas que dá segurança face à morte. É na Bíblia e em Jesus que se funda a nossa esperança na glória eterna. Por isso somos convidados a aprofundar o nosso conhecimento em Jesus Cristo, e somos avisados por Pedro: “Antes santificai a Cristo, como Senhor, nos vossos corações; e estai sempre preparados para responder, com mansidão e temor, a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós.” I Pedro 3:15

A História

Porém uma pergunta, ao apresentar este assunto, estará na mente dos nossos amigos: Será que Jesus não passa dum personagem mítico, ou simplesmente, um grande Homem?

Este é um direito que têm. Devo, no entanto, afirmar que não foram os Evangelistas a escrever sobre Jesus. Também os historiadores e até os inimigos de Jesus falaram d’Ele, e isso dá uma autoridade incontestável.

Tácito, um dos governadores no ano 70 da nossa era, disse: “Cristo foi executado sob as ordens de Pôncio Pilatos, e os Seus discípulos foram perseguidos...” Annais XV, 44.

Celso, chamado o Voltaire do 2.º Século, sob o reino de Marco Aurélio, estudou a fundo para refutar o cristianismo. Ele orgulhava-se de ter documentos da vida de Jesus que eram únicos. Apesar do escárnio com que fala de Cristo, reconhece a Sua existência e os factos da Sua vida. (Origène, Contra Celsum, II, 13, 33, 59.)

Flavius Josefo, patriota judeu, mais tarde protegido do Império Romano, grande historiador, na sua obra: “Antiguidades Judaicas”, escrita entre o ano 93-94 (ED): “Nesse tempo vivia Jesus, homem sábio, se é que se pode chamar homem. Porque foi protagonista de obras extraordinárias, mestre, daqueles que recebem a verdade com alegria. Arrastou muitos judeus e muitos outros, vindos do helenismo. Era o Cristo. E quando Pilatos o mandou crucificar por denúncia do nosso povo, os que o tinham amado, não o abandonaram. De facto, ao terceiro dia Ele lhes apareceu vivo, tal como lhes tinha dito, fez ainda muitas maravilhas. Até hoje, subsiste o grupo chamado do seu nome, os cristãos.”
Jos. Flavius, Antiquitates XVIII,3,3, édit. B. Niese IV, Berolini, Weidmann 1890, 151 sq.

Suetónio menciona Jesus, de forma breve, na biografia que escreveu do Imperador Cláudio. Vita Claudii, c.25

Tácito, cônsul no ano 97 da nossa era, fala de Cristo crucificado sob autoridade de Pôncio Pilatos, bem como das perseguições aos cristãos. Annales XV, 44.

Plínio, governador da Bitínia, afirma nas suas cartas ao imperador Trajano que os fiéis adoravam o Cristo como Deus e que eram respeitadores de normas estritas e de grande moral. Epístola, X, 96.

Phlégon, libertado por Adriano, fala do eclipse do sol que se seguiu à morte de Cristo, e acrescenta que Jesus durante a Sua vida tinha predito estas coisas, especialmente a morte. Origenes, Contra Celsum II, 13,33,59.

Poderiam ser citadas muitas outras fontes, porém temos consciência que não são elas que nos levam à verdadeira fé. Para mim o mais importante é o testemunho deixado pelos discípulos. Ainda que alguém me venha dizer: “Mas os discípulos não eram pessoas de estudos, não eram historiadores...”

Reconheço que os evangelistas não eram historiadores, como o foram Tucídides ou Tácito, e menos ainda segundo as exigências e a forma de escrever a história. Faltava-lhes o método, a formação científica, o sentido crítico. Aliás, eles podiam dispensar tudo isso de forma evidente. Para eles não se tratava de resolver grandes problemas, nem de fazer escavações, ou pesquisas em bibliotecas poeirentas, cheias de documentos nem sempre fiáveis, para extrair factos passados e credíveis.

Os evangelistas só tinham de escrever, como sabiam, os factos muito concretos que presenciavam. Fizeram-no com uma grande simplicidade, pois tinha sido assim que eles os tinham presenciado na presença de milhares de pessoas ainda vivas quando eles escreveram. Os evangelistas não tinham que julgar o lado miraculoso de Jesus, nem a parte sobrenatural dos Seus ensinos. Eles escreviam o que o Mestre fazia e dizia.

Por exemplo, eles viam, sem a mínima dúvida, que Ele restituía a vista aos cegos, que num instante Ele acalmava o mar, os ventos e as vagas, que Ele ressuscitava os mortos. Que Ele expulsava os demónios, que Ele ressuscitou Lázaro que estava há quatro dias no sepulcro. Os discípulos só tinham que escrever o que se passou.

Outro exemplo, quando Jesus viu, num funeral, uma mãe chorar pelo seu filho que ia a enterrar, Ele mandou parar o cortejo, abriu o caixão, ressuscitou o jovem e restituiu-o à sua querida mãe. Acham que é preciso para isto uma formação crítica, universitária? O que é preciso, é ter discernimento, faculdade destituída de preconceitos, olhos que vêem, e o sentido da inteligência prática.

Ora, os evangelistas possuíam todas estas qualidades em alto grau. Não se nota neles o mais leve traço de fanatismo. Nota-se, isso sim, um modo de ver as coisas de forma tranquila, sóbria e isenta de paixão. Mesmo quando poderíamos esperar uma apologia, uma opinião pessoal, ou como nós dizemos em português “um puxar a brasa à sua sardinha”, o que se encontra é a anotação de factos puros e simples.

Isto mostra que eles estavam particularmente qualificados para anotar fielmente os factos evangélicos, e eles são dignos de crédito. Leiam comigo a forma sublime de Lucas expôr as coisas sagradas: “Tendo muitos empreendido uma narração dos factos que entre nós se cumpriram, segundo nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares, e ministros da palavra, pareceu-me também conveniente descrevê-los a ti, ó excelente Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio, para que tenhas plena certeza das coisas em que foste ensinado.” Lucas 1:1-4

O único objectivo de Lucas é o de ser um fotógrafo ou um pintor que pinta o retrato exacto de Jesus. E isto à luz de factos reais, acontecimentos históricos insuspeitáveis e incontestáveis. Esta concordância de objectivos, entre todos os evangelistas, sem saberem o que o outro tinha exactamente escrito, traça a vida de Jesus.

Só João parece mais enérgico, e mesmo contundente, parece que já se levantavam algumas dúvidas e ele declara: “E aquele que o viu testificou, e o seu testemunho é verdadeiro; e sabe que é verdade o que diz, para que também o creiais.” João 19:35

E na epístola afirma-se como uma testemunha assumida do que escreve: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos, e as nossas mãos tocaram, isto proclamamos com respeito ao Verbo da vida (pois a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificámos dela, e vos anunciámos a vida eterna, que estava com o Pai, e nos foi manifestada). O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão connosco. E a nossa comunhão é com o Pai, e com o seu Filho Jesus Cristo.” I João 1:1-3.

Não toquem em Jesus, porque então João, o filho do trovão, levanta-se e grita: “Este é o discípulo que testifica destas coisas e as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro.” João 21:24.

Desta maneira, os Apóstolos constroem uma obra de história, onde os gestos tão lindos de Jesus sobressaem. Eles não escrevem uma única linha de coisas que eles não tenham presenciado. Não apresentam nenhum episódio do qual tivessem alguma dúvida.

Deixem-me dizer-vos uma coisa, uma coisa muito importante. Eu não quero que fiquem a pensar que os Evangelistas eram pessoas perfeitas. Eram homens com alguma rudez, bem diferentes daquilo em que se tornaram depois da Ressurreição de Jesus. É a ressurreição e a descida do Espírito Santo que os vai transformar, que os levará a nascer de novo.

Especialmente Mateus, Marcos e João, evidenciam os sentimentos dos Apóstolos como homens que ainda não tinham entrado na realidade da paz para viver, da vida que repousa em Cristo. Vemo-los terem as atitudes que tinham os judeus ambiciosos, que esperavam o filho de David como monarca absoluto, a vencer os Romanos que na época os dominavam. Vemos discípulos que, antecipadamente, saboreiam o esplendor de um reino em que ocupariam os primeiros lugares, os lugares de honra. Desejos, caldeados de invejas mesquinhas, apesar dos avisos contínuos do divino Mestre!

Depois da ressurreição, eles juntam-se, cheios de medo, numa velha casa e de repente aparece-lhes Aquele que há três dias tinha sido morto: “Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco.” João 20:19

Tudo muda! A realidade era agora bem contrária ao que eles tinham sonhado. Perceberam que no lugar do reino da vontade própria, dos jogos de poder, eram desafiados a uma dimensão espiritual. No lugar da terra, era um reino celeste. No lugar de um salvador de Israel, era um Salvador Universal para todos os pecadores. No lugar de um herói nacional, era o Filho de Deus ao encontro de cada homem e mulher, não só para aquele tempo, mas para todas as gerações. Jesus tinha-Se tornado, com a Sua morte e ressurreição, o Amigo ao alcance da mão.

Da tua mão. Estende a mão e toca Jesus. Podes deixar-te envolver pelo calor da Sua divina presença!

Jesus é um ser de carne e de sangue, que veio viver entre os homens como um de nós, e apesar da consciência que tem da Sua alta missão, Ele fala e age como homem. Ele senta-Se à mesa do fariseu e do publicano. Ele deixa-Se tocar pela pecadora que vem derramar incenso sobre os Seus pés e enxuga-lhos com os seus cabelos. Ele fala amigavelmente com os Seus discípulos. Ele é tentado pelo Demónio. Opera milagres por pura compaixão e pede para não serem divulgados. No jardim do Getsémani fica triste e o suor transforma-se em grandes gotas de sangue.

Conserva a calma e a dignidade diante dos juízes que O julgam. Deixa-Se injuriar. Na cruz sai da Sua alma um grito que ainda ressoa nos corações daqueles e daquelas que têm necessidade de paz para viver.

A Sua voz ainda ressoa nos corações de muitos que se deixam tocar por Jesus, e o coração fica transformado como ficou o coração dos discípulos, cujo desejo era ter a oportunidade de morrer pronunciando o nome de Jesus.

A Bíblia é a biografia de Jesus. A Bíblia é comparável a um grande projector dirigido sobre o céu e sobre a terra, iluminando um Personagem, uma Pessoa que é o centro das Escrituras.

Ilustração:
Um dia alguém foi visitar um faroleiro e disse-lhe:

– O senhor não sente medo de viver aqui? É terrível, este lugar! Como é possível ficar aqui dia e noite?!

– Eu não tenho medo – respondeu o faroleiro. Neste lugar nunca pensamos em nós mesmos.

– Não estou a perceber! Nunca pensa em si?

– Eu sei que estou perfeitamente seguro, a minha preocupação é manter as lâmpadas acesas e manter os reflectores bem limpos, de modo que aqueles que se encontram em perigo, no mar, possam ser salvos.

É este o sentimento dos escritores sagrados ao reflectirem, com toda a clareza, a luz que sobre eles incidiu.

Experiência:
Conheci uma senhora, em Peniche, por quem tive muita admiração. O marido era pescador e, como sabem, o mar em certas alturas do ano é perigoso. São muitas as pessoas que nele têm perdido a vida. Embora os barcos estejam hoje melhor equipados, e os portos tenham melhores condições de navegabilidade, a verdade é que continuam a morrer pessoas nas costas portuguesas.

O marido entrava no mar, em Peniche, por volta das 3 h da manhã. Estava escuro, o nevoeiro era intenso, e tornava-se difícil encontrar o acesso. Durante o período em que realizei o meu ministério pastoral em Peniche, muitas pessoas morreram e a algumas fui eu que oficiei a cerimónia religiosa.

Um dia, conversando com esta senhora (Albertina) e com o marido, este explicou-me o que fazia a esposa todas as madrugadas. Levantava-se, guiava o carro e colocava-se na parte mais extrema do cabo de Peniche com os faróis acesos, fazendo com frequência sinais de faróis. Ela não via o barco, mas ela sabia que algures, no meio daquele denso nevoeiro, o marido, exausto de uma noite de luta no mar bravio, voltava e precisava de ter um ponto de referência para saber como entrar no porto.

Ela ficava ali, firme, quer chovesse, quer fizesse frio. Ela sabia qual a sua missão para que o seu marido voltasse para casa a salvo.

A Bíblia é este farol que nos ilumina, na noite, o caminho cada vez mais carregado de nevoeiro. Ilumina-nos Jesus, o Porto de Abrigo.

“E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis, em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia esclareça, e a estrela da alva apareça nos vossos corações.” II Pedro 1:19

A Estrela da Manhã é um dos nomes de Jesus Cristo: “Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas. Eu sou a raiz e a geração de David, a resplandecente estrela da manhã.” Apocalipse 22:16

O objectivo real do estudo da Bíblia é projectar luz que ilumine Jesus, de tal maneira que não restem sombras, não fiquem dúvidas, das Suas intenções em relação a cada um dos seres humanos. Que, ao vê-l’O tal como é, compreensivo, terno, amigo, Ele entre nos nossos sentimentos, nas nossas emoções, na nossa vida e nos transforme. Ele tem poder para isso, mas só o usa com o nosso consentimento.

Chamo a vossa atenção para as palavras de Jesus falando com os mestres do Seu tempo e que eram profundos conhecedores das Escrituras: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam. E não quereis vir a mim para terdes vida.” João 5:39, 40

Ter uma Bíblia ou várias não salvará ninguém. A salvação está exclusivamente dependente da permissão para que Jesus entre na vida, de modo a tomarmos o Seu conselho de forma séria e coerente.

Reparem no que Ele diz aos chefes judeus em João 5:39, 40: “Examinais as Escrituras, porque pensais ter nelas a vida eterna. São estas mesmas Escrituras que testificam de mim.”

Quando Jesus disse estas palavras, só o Antigo Testamento existia. O Novo Testamento não tinha ainda sido escrito. Jesus declarou aos Seus discípulos que os escritos do Antigo Testamento falam d’Ele. No Seu tempo o Antigo Testamento estava organizado em três partes:
– A Lei.
– Os Profetas.
– Os Salmos.

“E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse, estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos salmos. Então abriu-lhes o entendimento, para compreenderem as Escrituras.” Lucas 24:44, 45.

O Novo Testamento é a parte da Sagrada Escritura escrita por aqueles que conviveram com Jesus, ou que privaram com eles, como é o caso de Lucas e Marcos.

A Bíblia é a geradora e mantenedora da verdadeira fé. Devemos ter muito cuidado quando afirmamos ter fé, e não lemos nem ouvimos as Santas Escrituras. Porque elas declaram que: “A fé vem pelo ouvir e o ouvir a Palavra de Deus.” Romanos 10:17

Outro aspecto da vida espiritual muito importante, é que Deus nunca prometeu revelar a verdade a quem não está disposto a obedecer-Lhe. Mas Jesus prometeu: “Se alguém quiser fazer a vontade de Deus, descobrirá se o meu ensino vem de Deus, ou se falo de mim mesmo.”

Vou ser extremamente duro no que vou dizer. Ninguém gosta de ouvir isto: – Há pessoas que dizem que têm dificuldade em compreender a Bíblia, como se fosse um problema de inteligência, ou de dificuldade bíblica. A verdade não está aí, está no nosso coração que é duro para obedecer a Deus.

A natureza humana prefere descer pela ladeira mais fácil, do que empreender um caminho que apresenta alguma dificuldade de natureza carnal. Isto é, mudança de hábitos, de estilo de vida, integrar princípios. É muito mais fácil encontrar um sem número de desculpas!

Antes de 1947, era legítimo colocar dúvidas à forma como os textos sagrados tinham sido transmitidos, relativamente à sua autenticidade. Em 1947, foram descobertos os famosos rolos ou fragmentos de rolos de diferentes livros do Antigo Testamento, escondidos no primeiro século da nossa era, nas grutas vizinhas ao Mar Morto.

Estes manuscritos têm mais de mil anos em relação a todos os que se encontram nos Museus. E eles vieram confirmar que a Bíblia é absolutamente fiel.

A Bíblia continua a ser como uma bússola na qual podemos depositar toda a nossa confiança, por isso não devemos modificar nem alterar o sentido dos textos.

Ilustração: Era uma noite de Inverno. Nevava e um homem perdeu-se numa floresta. De repente lembrou-se que tinha uma pequena bússola.

Quando a colocou em posição para que ela lhe indicasse o Norte verificou que ela lhe indicava a direcção oposta àquela em que seguia. Ele estava seguro de ter razão. Convencido que a bússola estava danificada, atirou-a ao chão e esmagou-a com os pés. No dia seguinte o seu corpo foi encontrado completamente congelado, com a bússola toda partida ali ao seu lado.

Certas pessoas acham-se no direito de modificar a bússola de Deus. Disso, podem ter a certeza, resulta a morte espiritual. Quando a bússola de Deus, a Bíblia, indica que estamos a caminhar na direcção errada deveríamos, com humildade, reconhecer e mudar de direcção.

Devemos caminhar na direcção que ela nos indica se queremos chegar ao porto seguro, ou seja, à paz, ao equilíbrio interior. Fazendo-o obteremos saúde física, mental e espiritual. É exactamente o que diz este texto: “Mas, a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais, até ser dia perfeito.” Provérbios 4:18.

Ilustração: O pai e o filho voltavam para casa, uma noite. A lanterna só iluminava uma pequena parte do caminho. O rapaz perguntou ao pai, como iriam chegar a casa com uma luz tão pequenina. A resposta do pai foi cheia de sabedoria e de uma grande lição espiritual: “Se caminharmos com a luz que temos, ela brilhará até ao fim da viagem.”

A Bíblia diz, em I João 1:7: “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.”

Se caminharmos iluminados pela Bíblia, ela nos conduzirá a Jesus Cristo, o Salvador – a Luz do Mundo.

Ilustração: Alguém que não acreditava em Deus, um dia salvou uma criança órfã da morte certa num terrível incêndio. Como tinha perdido a esposa e o filho num acidente, o tribunal colocou algumas dificuldades no seu desejo de querer adoptar a criança. Só que ele conseguiu ganhar a causa ao mostrar as mãos mutiladas pelo fogo, no esforço para salvar aquela criança.

Um dia, pai e filho adoptivo visitaram um museu. Uma pintura em particular chamou a atenção do rapazinho. Ela representava Jesus a falar com o incrédulo Tomé. Jesus mostrava as mãos marcadas pelas cicatrizes.

– Conta-me a história deste quadro – pediu o menino.

– Não, essa não.

– Porquê?

– Porque não creio nessa história.

– Mas tens-me contado a história do lobo mau e eu sei que tu não acreditas nela!

Finalmente o pai adoptivo contou a história de Jesus e Tomé. A criança deu um grito e exclamou:

– Essa história é parecida com a nossa, não é verdade, papá? Não é bom Tomé dizer que não acredita que Jesus morreu por ele. Que dirias se depois de me teres salvo do incêndio, eu dissesse que não acreditava em ti?

Realmente o argumento mais poderoso em favor da Bíblia é a história do Calvário, e a transformação que Jesus continua a operar na vida de milhões de pessoas em todo o mundo.

Quer também que Jesus, esta noite, fique ao alcance da sua mão para lhe dar novo rumo? Não temos nada a perder, só a ganhar com Jesus. Eu sou alguém que encontrou em Jesus o poder maravilhoso da transformação. Sinto as palavras reconfortantes que os discípulos ouviram. Elas são verdade que brilha, poder que opera, santidade que edifica.

Todo o que medita nas palavras do Evangelho, num espírito despojado de preconceitos e com um coração sincero, convence-se a si próprio que Jesus viveu, morreu e ressuscitou para nos salvar, para me salvar. Como poderia eu, como disse o menino, salvo de uma morte certa no incêndio, negar que Jesus me salvou depois de o ter feito?

Como poderia eu negar o meu Senhor? Ainda que o fizesse, eu sei que mesmo assim, Ele Se viraria para mim, como olhou para Pedro, naquela noite em que o Apóstolo, que tinha prometido ir com Ele até à morte, O negou três vezes: “E, virando-se o Senhor, olhou para Pedro, e Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, como lhe tinha dito: Antes que o galo cante hoje, me negarás três vezes.” Lucas 22:61

Rodeado de inimigos cruéis que O escarneciam, esperando ser vítima de ultrajes sem conta, ainda assim, o Misericordioso Jesus pensou no Seu pobre e extraviado discípulo. Esse olhar estranho, único, foi uma mensagem de ternura, de perdão, que tocou no coração de Pedro. Ele jamais pôde esquecer aquele olhar!

Jesus podia ter levantado a mão e apontado Pedro: “Traíste-me”. Poderia ter olhado de forma severa, mas esse olhar silencioso e carregado de pena e ternura atravessou-lhe o coração e abriu uma fonte de lágrimas!

A história militar revela-nos que castelos, considerados inexpugnáveis, como o eram as muralhas de Santarém, por exemplo, foram capturadas, porque os atacantes, usando uma estratégia astuta e matreira, se infiltraram por uma rota aparentemente impossível de ser escalada. Mas era justamente aí que os defensores estavam mais desprevenidos.

Foi também o que aconteceu com a famosa Linha Marginot – considerada pelos franceses como intransponível, aquando da Segunda Guerra Mundial. Os alemães apenas a contornaram, invadindo a Bélgica.

De maneira idêntica procede o inimigo da nossa alma. Ele é muito astuto... Sim, o inimigo das nossas almas procura atacar o homem nos seus pontos mais vulneráveis.

Em muitos, o ponto mais vulnerável pode ser o preconceito. Ou o temor do que possam dizer os familiares, os amigos!

Acham como Pedro, naquela noite, que o importante era estar perto do lugar onde Jesus Se encontrava. Jesus estava a ser julgado, batido, escarnecido, tinham-n’O despido e cuspiam-Lhe na cara. Pedro estava sentado junto à fogueira com os que não se importavam com Jesus!

Onde está você hoje! Será que Jesus pode olhar para si? Será que o olhar de Jesus pode fazer correr dos seus olhos uma lágrima de gratidão?

Pr. José Carlos Costa

PAZ PARA VIVER: 06 - Viver a Nova Vida

Numa igreja, um cristão consciente das suas fraquezas, tinha o hábito de fazer a seguinte prece em público: “Senhor tira da minha vida as teias de aranha, limpa-me destas teias que me fazem sofrer”.

E cada Domingo repetia esta súplica.

Um dia, um cristão da mesma congregação, cansado de ouvir tantas vezes aquela prece, assim que o outro terminou, levantou a sua voz e orou: “Senhor, quero suplicar-te, por favor, ouve a minha voz, mata a aranha que tantos prejuízos causa ao meu irmão”.

Este género de oração é eficaz, porque vai directa à causa do problema, e não aos sintomas.

A questão que se deve colocar é: Por que razão eu tomo uma má atitude quando a minha mulher, o marido, pais, filhos, amigos dizem coisas de que eu não gosto? Começo aos gritos, fico nervoso e saio de casa?

Sou orgulhoso?
Penso que o que faço ou digo deveria ser mais apoiado?

Para Deus, o “porquê” das nossas acções é sempre muito mais importante do que o “porque”.

Porquê sou tímido, agressivo, invejoso?

Quando questiono, estou em busca da aranha que tece a teia dentro de mim.

Quando me lamento do que me sucede, estou a colocar-me como vítima, a quem tudo acontece, todas as aranhas fazem a teia em mim. Eu não sou o culpado, os culpados são os outros, com esta atitude impeço Deus de resolver os meus problemas. Deus só pode resolver os meus problemas com a minha participação e colaboração.

Mais que mudar o meu comportamento, devo procurar a causa do meu comportamento, ir à origem.

Se eu ajo de uma certa maneira é porque na minha vida fui ferido. Foi introduzido um código, uma mensagem de sofrimento, uma ferida que Deus quer curar.

Alguém disse: “Ninguém é responsável pela cara que tem, mas é responsável pela cara que faz”. De que tipo é a sua cara? Há pessoas que vivem com uma cara tão zangada que afastam toda a gente das suas proximidades, até os que o amam.

Todos lhe devem e ninguém lhe paga. Vamos ver uma lista de comportamentos que são teias de aranha que foram fiadas na nossa alma.

Se você se reconhecer numa ou em mais do que uma destas atitudes é porque houve sofrimento, ferida que foi provocada.

Experiência: Conheci um jovem que tinha dinheiro para satisfazer todas as suas necessidades. Não precisava de roubar, mas gostava de o fazer.

Perguntei-lhe: “Tens consciência que não deves fazer isso?”

Respondeu: “Sei perfeitamente. No entanto no momento em que olho uma coisa que me agrada, o primeiro pensamento é: ‘vou tentar roubar sem ser visto’.”

Conversando com ele, durante algum tempo, e de forma natural, contou-me que quando era pequeno, o seu pai tinha uma loja. Naquele tempo, nas mercearias, as batatas, o açúcar, o café eram pesados, não vinham em embalagens previamente pesadas.

O pai dizia-lhe que devia pesar quando o cliente estivesse distraído, e que devia tirar sempre algumas gramas.

Ele recebeu um código, um hábito que se colou a ele. Agora, quase involuntariamente, e sem necessitar, roubava. E apesar de ser um cristão praticante e de saber que o não devia fazer, a mensagem continuava no fundo da sua consciência. Continuava a roubar.

Isto provocava-lhe um sofrimento terrível, ao ponto de pensar que estava perdido e que não valia a pena continuar com Cristo.

Com muitas outras pessoas pode acontecer um outro código que foi impresso.
Fumar às escondidas.
Drogar-se.
Adulterar.
Maldizer.
Criticar.
Dizer palavrões.

Porque é que estas coisas acontecem? Porque foi experimentado uma vez e Satanás colocou a matriz, a sua matriz lá no cérebro e a pessoa pode ir à igreja, pode orar, mas não consegue abandonar. Porquê?

Retirei de um livro de Psicologia, uma lista de atitudes que podem ser a aranha que continua, dentro de nós, a fiar os seus fios e a prender-nos numa teia muito poderosa.

Pensamento inconsciente de si próprio:
– Não consigo mudar, esta é a minha sina.
– Se não fizer isso, serei criticado.
– Ninguém me aprecia.
– Ter pena de si próprio.
– Cansaço de si mesmo.
– Odiar-se.
– Pensamentos de suicídio.
– Desespero.
– Culpabilidade.
– Angústia.
– Apatia.
– Imagem negativa de si próprio.
– Sentimento de fracasso.
– Complexo de inferioridade.

Pensamento face aos outros:
– Espírito de crítica.
– Inveja.
– Espírito possessivo.
– Vontade de controlar.
– Amargura, ressentimento.
– Complexos de superioridade.
– Hostilidade.
– Orgulho.
– Espírito dominador.
– Sentimento de zanga.
– Tensão.
– Incapacidade de aprender.
– Instabilidade de humor.
– Espírito de rivalidade.
– Medo do contacto físico.
– Medo de ter relações sexuais com o marido/mulher.
– Medo do sexo oposto.
– Sentimento de rejeição, abandono.
– Rebelião contra tudo o que é autoridade.
– Agressividade.
– Timidez.

Será que alguém se vê numa destas listas? Não têm necessidade de levantar a mão, a menos que, fazendo-o, queiram afirmar que a partir deste momento e com Jesus ao vosso lado dando-vos poder, ireis matar a aranha!

O importante é ser sincero consigo próprio. Conhecer ainda que seja no silêncio do coração que uma ou mais destas coisas estão dentro da alma e que têm sido fonte de sofrimento e luta. O reconhecimento é o primeiro passo para que Jesus possa operar uma transformação na nossa vida.

Se ousamos dizer: “Realmente reconheço ter algumas das coisas que estão nessa lista”, significa que o Espírito Santo já está a agir em nós e a revelar coisas que sem Ele não reconheceríamos.

Ele revela essas coisas não como pecados que Deus queira castigar, mas como feridas que Deus quer curar. Pode ser que não estejamos conscientes da presença do Espírito Santo na nossa vida, mas ninguém, nenhum de nós, é um verdadeiro cristão se o Espírito estiver ausente da nossa vida.

Ficaremos admirados com o sentimento de liberdade que se desfruta quando se vive na intimidade do Senhor. Quando reconhecemos com sinceridade a escória, os resíduos que estão na nossa alma.

Sabem, Deus dá muita importância a todas as coisas da nossa vida porque deseja o nosso equilíbrio interior e que gozemos a verdadeira paz.

Experiência: Estudei em França. Para pagar os meus estudos, trabalhei como jardineiro. Não percebia muito de jardins, mas a verdade é que fazia o meu trabalho com dedicação e muito interesse. Por isso as pessoas para quem eu trabalhava pensavam que eu era um especialista no assunto. Por exemplo: pensavam que eu sabia podar e que tinha a solução para todos os problemas, não só de trabalhar a terra, mas noutras áreas como por exemplo: trolha ou canalizador, etc.

Um dia, uma senhora para quem eu trabalhava algumas horas por semana, apresentou-me uma situação muito delicada. Apresentou o assunto com tanta convicção de que eu o ia resolver que não tive coragem de lhe dizer que não percebia nada daquilo.

Era Inverno, e de uma parede da sua sala de jantar, escorria água. Quando vi aquilo, fiquei admirado. Pensei que podar as árvores é mais ramo menos ramo, mas água a sair duma parede como se fosse uma nascente, o caso era muito mais sério.

Peguei numa escada e subi para cima do telhado. Não sabia o que ia fazer, mas pelo menos a senhora percebeu que eu estava a fazer alguma coisa. Não havia nenhuma telha partida, estavam todas no lugar. Fiquei ali, mais de uma hora a olhar. De vez em quando ela aparecia e perguntava:

– Já resolveu o problema?

E eu respondia:

– Ainda não, mas está quase.

Algum tempo depois vi que havia muita água nas caleiras, e que o algeroz estava cheio de folhas. Tirei cuidadosamente todas as folhas e a água saiu.

– Sr. Costa, já encontrou o problema?

– Pode ficar descansada, daqui a uma semana a parede já estará completamente seca.

– Muito obrigada, eu sabia que podia confiar!

A verdade é que alguns dias depois a parede ficou seca. Não podem imaginar o que aquela senhora dizia de mim. Eu já não era um especialista, mas um grande especialista.

Nada é insignificante para Jesus. Aquilo que nós consideramos pouco importante, para Ele tem grande importância, porque Ele sabe que pode ser essa pequena folha o impeditivo da nossa felicidade. Ele diz: “Não se vendem dois passarinhos por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento do vosso Pai. E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois; mais valeis vós do que muitos pardais. E portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante do meu Pai que está nos céus.” Mateus 10:29-32

Gilvert Highet diz: “Gravados e arquivados na nossa mente encontram-se milhões de acontecimentos, recordações, hábitos, instintos, desejos e esperanças, temores e sons, memórias brutais, coisas ouvidas, sentidas, vistas há mais de trinta anos. Deleites nunca experimentados mas incessantemente imaginados, como a complexa estrutura de uma ponte, a pressão exacta de um dedo sobre nós, a curva precisa de uns lábios, sombras, rostos, o odor de jardins, orações, poemas, vitórias, o temor do inferno e da morte, a brisa do mar e um céu estrelado.”

O Dr. William James disse: “Na mais completa verdade científica, nada do que entra no cérebro se perde.”

Já o Dr. Alexis Carrell, no seu livro, “A Incógnita do Homem”, p. 159, afirmava: “O homem é um ser histórico, uma síntese da sua família, da sua raça e do género humano.”

Tudo o que vimos, ouvimos e fazemos. Tudo o que viram, ouviram e fizeram os nossos antepassados, está como que registado e activo em nós. A consciência é o depósito da experiência espiritual da raça humana.

Freud disse que é como uma “panela a ferver sem uma válvula por onde o conteúdo possa ser derramado.”

Será que a minha maneira de ser, a minha personalidade, sofre em consequência das coisas que foram sendo depositadas na minha consciência?

As ideias, os impulsos, os desejos, que surgem na minha mente provêm daí?

No livro Manipuladores da Mente de Roland Hegstad, lemos: “Quando pensamos, uma corrente eléctrica desencadeia uma acção nas células... com o passar do tempo somos insensíveis ao que vemos e ouvimos porque esta informação, arquivada no escuro caixote do nosso inconsciente, aí fica e torna-se o centro de informações onde vamos buscar as orientações para os nossos pensamentos e acções, sem nos darmos conta que isso determina as nossas decisões.”

Noutras palavras, o inconsciente determina a nossa conduta. Somos maus não porque queremos, mas porque o não podemos evitar. Somos maus por natureza física, mental e espiritual. Nascemos maus por herança, e tornámo-nos piores por tudo o que vimos, ouvimos e fizemos.

O mal é hereditário e cultivado.

Tudo está arquivado em linguagem no inconsciente. As imagens visuais, auditivas, etc., convertem-se em imagens verbais e desta forma são armazenadas no nosso inconsciente. Por isso se pode dizer que pensamos, sentimos, imaginamos e meditamos com palavras.

Vivi muitos anos na Suíça. A determinada altura as pessoas perguntavam-me: pensas em português ou em francês?

Aristóteles já dizia: “o homem é um ser de palavras.”

E é o que ensina o Senhor Jesus em São Mateus 12:34, 35: “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisa, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca. O homem bom tira boas coisas do seu tesouro, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más.”


No inconsciente está o tesouro, seja bom ou mau. A lei do pecado e da morte de que fala Paulo pode explicar-se por este princípio: Romanos 7:14-25:
- 7:15 “O que faço não o entendo. Pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço.”

- 7:17 “De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim.”

- 7:21 “Acho, então, esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo.”

- 7:23 “Mas vejo nos meus membros outra lei que batalha contra a lei do meu entendimento.”

- 7:24 “Miserável homem que eu sou! Quem me livrará do corpo desta morte?”

- 7:25 “Dou graças a Deus por Jesus Cristo.”

Freud dizia que o inconsciente é intocável e não modificável. Realmente é uma tarefa impossível em termos humanos. A natureza do inconsciente é um tesouro que o homem tem dentro e que determina a sua conduta. O inconsciente é o que aparece no homem mau, os seus impulsos, desejos, ideias, pensamentos, imaginações e actos maus.

Não pode fazer nada contra isto. Gosta do mal, pensa no mal, planeia o mal, e faz mal da mesma maneira que o porco gosta de deitar-se e rebolar-se no esterco, na pocilga.

O que tem um mau tesouro tem uma má herança. Está doente e não tem remédio. Mesmo que chore, lute, queira modificar-se e ser diferente, não consegue.

Ditado: “Mau és, mau serás, mau morrerás, e em cinzas te converterás.”

Foi o que disse Jesus nos textos de Mateus 12:34, 35: “Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca. O homem bom tira boas coisas do seu bom tesouro, e o homem mau do mau tesouro tira as coisas más.”

Lucas 6:44: “Cada árvore é conhecida pelo seu próprio fruto. Não se colhem figos dos espinheiros, nem se vindimam uvas dos abrolhos.”

No Antigo Testamento já era conhecido este princípio vejamos algumas passagens; Job 15:16: O homem “bebe a iniquidade como a água.”

Isaías 57:20: “Mas os ímpios são como o mar agitado que não se pode aquietar, cujas águas lançam de si lama e lodo.”

Jeremias 13:23: “Pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas? Tão pouco podeis vós fazer o bem, acostumados que estais a fazer o mal.”

A situação é de facto desesperadora. Não há remédio humano para o homem. É tão natural fazer o mal como a silveira produzir picos. Ou o cardo produzir espinhos. O problema está na origem. Lá onde nascem os actos, e as atitudes. O problema é no embrião, na fonte, na origem das acções.

Bernard Ramn teve um pensamento que dizia que somos pecadores no nosso “centro de controlo. Desse centro de controlo saem as ordens para a acção.”

Os perfeccionistas e os legalistas aqui debatem-se com um problema, pois o que querem mudar é o exterior, o seu e o dos outros. Fazem esforços além da força humana para agir bem.

Mas depois de limarem a aparência, a conduta exterior, o que é visível fica ainda como disse Jesus: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina e de intemperança.
Fariseu cego! Limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo.” Mateus 23:25, 26

A condição não é animadora. Há esperança? Sim, há!

Um Novo Nascimento.

Jesus disse qual é a solução em João 3:7: “Necessário vos é nascer de novo”.

Sabem a quem é que Jesus disse estas palavras? A um homem religioso, a um guia espiritual, um príncipe em Israel. Um homem que conhecia a Sagrada Escritura desde o primeiro versículo até ao último versículo de Malaquias, de memória.

Um homem que ensinava na Universidade de Teologia. Quem sabe, talvez fosse um dos doutores com quem Jesus falou quando tinha 12 anos. Alguém que ficou admirado com a resposta de Jesus. E que a partir dali O observa. Viu como cresceu, viu como foi baptizado, viu como fazia milagres, viu como perdoava pecados.

E sentia uma necessidade muito grande de ser limpo por Jesus. Mas era um professor, um príncipe da religião judaica. Como tinha vergonha de ir ter com Jesus durante o dia, começou a espiar o Senhor e descobriu que Jesus tinha o hábito de passar muito tempo a orar de noite, num certo lugar.

Uma noite foi ter com o Senhor. Queria falar sobre o sofrimento da sua alma. Como era orgulhoso, tentou argumentar com Jesus. Mas o Salvador amava aquele homem que tinha tanto conhecimento na cabeça mas o coração tão vazio de esperança. E disse-lhe: “Em verdade, em verdade, te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne, é carne, mas o que é nascido do Espírito, é espírito. Não te maravilhes de eu te dizer: Necessário vos é nascer de novo. O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai. Assim é todo aquele que é nascido do Espírito.” João 3:5-8.

Quer dizer que é necessário “tirar o mau tesouro” do coração e introduzir o “bom tesouro”.

Mas isto só é possível mediante a conversão e um novo nascimento. Uma reforma da vida não o pode fazer. É necessário nascer outra vez.

Como?

“Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre.” I Pedro 1:23

“Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus.” Efésios 6:17


“Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.” Hebreus 4:12

Os escritores bíblicos usam as palavras: Juntas, medula, rins, espírito, para se referirem ao inconsciente. Usaram estes termos porque na altura não eram conhecidos outros.

A Bíblia tem poder. A Palavra penetra até ao mais profundo da vida do homem que é o inconsciente, onde está o tesouro da vida e da conduta moral.

O Espírito Santo, usando as palavras da Bíblia, penetra a verdadeira fonte da vida moral, mental e espiritual. Remove o mau tesouro que está estruturado em forma linguística. Tira as más palavras, a má informação, o vocabulário de pecado, a programação da mente. Muda o nosso software.

Corta as más ligações que foram feitas no cérebro pelo inimigo de Deus. E estabelece uma nova rede de ligações no nosso cérebro, uma ligação com Deus, com o trono do Céu. Eu atrever-me-ia a dizer, como forma de ilustração, mas crendo que é verdade, que reestrutura o cérebro.

A Palavra de Deus faz um milagre. Penetra no misterioso depósito, onde está a herança da raça humana, ou seja a sede do pecado original e o limpa. A pessoa torna-se um novo ser. Tem novos dados, novas informações, novos impulsos, novos desejos que o levam a pensar, sentir, desejar e eventualmente, a agir de forma diferente.

A espada do Espírito tira o mau tesouro e informações que produziam os frutos da carne, que são: “As obras da carne são conhecidas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, pelejas, dissensões, facções, invejas, bebedices, orgias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos preveni, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.” Gálatas 5:19-21.

E agora o Espírito, entra no tesouro, “no novo tesouro”, e coloca a informação divina, a acção do próprio Espírito de Deus: “Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.” Gálatas 5:22, 23.

Como é isto possível?

O segredo encontra-se no Salmo 119:9, 11: “Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o segundo a tua palavra. …Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti.”

O que guarda as Palavras do Senhor no coração, elas dão-lhe uma nova vida espiritual. Não significa que terminem as lutas da carne. Mas prevalecem novos impulsos, novas visões, novas esperanças e desejos.

Ao ler a Bíblia diariamente, ao comer o maná celestial, o trigo do Céu, o pão dos anjos, ele fortalece-se e obtém uma mentalidade como a dos anjos. É a cura interior, é o equilíbrio mental e espiritual, é entrar em harmonia com Deus.

A cura interior é uma cidade das cidades fortes que Deus nos manda conquistar.

Quando os Israelitas entraram em Canaã, a luta tinha apenas começado. Deus tinha prometido um país que manava leite e mel, planícies com água abundante para regar a terra e dar de beber aos seus animais.

Mas muitas destas planícies tinham uma cidade no meio, com muralhas à volta e era preciso conquistá-las. Isto significa muitos problemas que tinham que ser resolvidos, feridas que tinham que ser curadas.

Sejamos claros. Não é porque alguém diz: “Eu aceito esta religião, eu aceito Jesus”, que todos os problemas são resolvidos.

O plano de Deus para os Israelitas era de os levar a conquistar todo aquele país que lhes pertencia, mas deviam conquistá-lo até chegar a Jerusalém, a cidade da paz. Foi a última cidade a ser conquistada, séculos mais tarde. O povo de Israel só conquistou Jerusalém anos depois, porque se afastou do plano de Deus, e por essa razão não conquistaram a cidade da paz.

Isto pode passar-se na nossa vida. Aceitamos fazer somente o que achamos que devemos fazer, o que aos nossos olhos parece possível fazer. Não confiamos como o apóstolo Paulo que disse: “Posso todas as coisas n’Aquele que me fortalece.” (Filipenses 4:13) E por essa razão não conquistamos a paz completa, a alegria interior, o equilíbrio da nossa mente.

Sentimentos de culpa, tristezas não explicadas. Porque não estamos prontos a obedecer ao Senhor e prosseguir na conquista de todo o território, o Espírito Santo é impedido de fazer a Sua sede, a Sua capital na nossa mente, que representa Jerusalém.

Talvez seja uma verdade, um princípio bíblico, que nos parece impossível de observar:

– Sentimos que a família pode ser um obstáculo intransponível,

– Talvez o trabalho, pensamos “não posso observar esse princípio, vou perder o meu trabalho”,

– Talvez um vício, que adquirimos há muitos anos, parece impossível de destruir essa fortaleza.

– Talvez uma religião cheia de tradições, ritos e aparato, mas destituída de poder. Sem sentido, sem resposta ao vazio e sofrimento da alma.

Ao olhar para os obstáculos, fixá-los com tanta preocupação, esquecemos que ao nosso lado vai Alguém que disse: “É-me dado todo o poder no céu e na terra.” Mateus 28:18

Jesus um dia foi confrontado com uma triste situação. Um grupo de homens com uma mulher, chamada Maria Madalena. Estes acusavam-na de ter sido apanhada em adultério. Perguntaram a Jesus o que deviam fazer?

De facto, eles não faziam mais do que revelar as feridas não da mulher, mas as suas feridas pessoais. Mostravam a Jesus os seus próprios fracassos, os seus próprios pecados, as muralhas que os impediam de serem homens felizes.

E Jesus quis curá-los. Quis ajudá-los. Jesus não Se afasta de ninguém, nem da adúltera, nem dos acusadores. Ele olha para cada um com sincero e profundo amor.

Mas para curar uns e outros era necessário revelar as feridas, que estas fossem reconhecidas. Jesus daria então, o remédio a cada um segundo a necessidade. Jesus começa a escrever o que eles tinham na alma. Um a um foi-se aproximando, reconhecendo a ferida, mas no lugar de ficarem e aceitarem o Bálsamo que é Cristo, viraram as costas e foram-se embora.

Finalmente só a mulher acusada ficou, prostrada por terra, envergonhada, magoada, triste. As lágrimas saíam-lhe da alma como o pus sai da chaga. Então Jesus olhou para ela e perguntou: “Onde estão os que te acusavam?”

Ela também teve tempo de virar as costas, mas ficou. Então Jesus olhou-a com aqueles olhos que olham direito, para o fundo do coração e disse: “Vai em paz”.

Literalmente, “Entra na paz”.

Há uma progressão, um caminhar, uma entrada como quem entra nas águas do mar. Primeiro molha os pés, depois avança e a água dá pelos joelhos, pela cintura, até que se pode nadar.

Ezequiel 47 mostra de forma clara esta progressão do cristão na plenitude do Espírito Santo, e que inclui a cura:

- a água toca nos tornozelos,
- a água chega aos joelhos,
- à cintura
- depois pode nadar.

Deus age na nossa vida num processo progressivo. Eu fico pasmado com as curas feitas por certas religiões, quando nós consultamos essas pessoas passado algum tempo, vemos que estão piores.

Estamos a falar de um processo que se vai construindo dia a dia com o Espírito Santo. É uma obra progressiva. É pela contemplação de Jesus que o Espírito altera a nossa consciência e nos orienta para uma nova vida aqui e para a certeza de uma vida eterna. Eu conheço isto por experiência própria.

O alimento do novo nascimento é a Palavra de Deus. Ler uma porção cada dia de forma a nutrir a alma. De outra forma o poder que foi introduzido em nós pela Palavra na acção do Espírito Santo, será anulado pelo Diabo.

Ilustração:
Um colega meu conta o seguinte: Dois vizinhos tinham cada um o seu cão. Um tinha um dobermann, o outro tinha um rafeiro pequeno que, apesar de frágil, era muito mau. As suas propriedades estavam separadas por um arame. Todos os dias os cães passeavam no quintal dos seus respectivos donos. O cão pequeno dormia dolentemente no telheiro, barriga ao sol. Mas parece que adivinhava quando o seu cão vizinho saía para desentorpecer as pernas no quintal. Levantava-se agilmente e aí ia ele a correr perto do outro a ladrar. Separados pela rede de arame, o dóberman, nem sequer para ele olhava. Era muito mais forte e achava aquele ladrar despropositado. Um dia o dono do dobermann foi uma semana de férias e pediu a um rapaz amigo para ir, todos os dias, dar de comer ao seu cão. O jovem foi no primeiro dia. E alimentou o cão convenientemente. Este, depois de comer foi passear. O cão vizinho, lá estava a fazer-lhe companhia, com um ladrar irritante. No outro dia o dobermann continuou o seu passeio e o ladrar do cão vizinho não cessava. Mas ao quinto dia, o doberman não saiu a passear. O pequeno achou estranho, esperou impacientemente. A verdade, porém, é que o cão grande não aparecia. E ele ficou frustrado. No sexto dia, a cena repetiu-se. O dobermann não apareceu. O que pensou o pequeno cão? Fazer um buraco por debaixo da rede. Para seu espanto viu que o dobermann continuava a não aparecer. Ele estava sempre de olho atento, porque sabia perfeitamente que não tinha físico para lutar contra o seu vizinho. Terminou a tarefa e passou para o outro lado. Sentiu-se encorajado e foi avançando, viu o dóberman, deitado debaixo do telheiro e parou. Mas o dobermann nem sequer se mexeu. Avançou até se aproximar, estavam agora lado a lado. O dobermann olhou para ele. O cão pequeno recuou. Mas o dobermann deixou cair a cabeça cansada. O rafeiro avançou e, sem hesitação, começou a morder, rasgou o outro todo. O dobermann ficou ali a sangrar e a gemer. No outro dia, chegaram os donos e encontraram aquele terrível espectáculo. Rapidamente se aperceberam do que tinha acontecido. O seu cão não tinha sido alimentado durante vários dias. Sem forças, tinha sido vítima dum cãozito rafeiro.

Esta é a nossa luta. Se nos deixarmos de alimentar diariamente da Palavra de Deus, corremos sério risco que esse “rafeiro” que espreita entre no novo coração e facilmente destrua o que o Espírito de Deus fez pelo novo nascimento, e voltem os velhos hábitos, os velhos vícios.

Feliz é a pessoa que avança diariamente sem considerar o que fez ontem, mas contando com o progresso que pode obter hoje. O cristão que deixa de ler a Bíblia deixa de crescer. Um bebé não cresce, corre perigo de vida.

Ore, leia a Bíblia, faça-o!

Pr. José Carlos Costa

PAZ PARA VIVER: 05 - Viver o Amor

Hoje vou falar da evolução do amor. Não do amor de Deus. Já falámos noutros temas desta série de Paz para Viver. Mas vou falar do nosso amor, de como dirigir os nossos sentimentos num sentido correcto e revitalizador para com as pessoas que são o nosso mundo. Como dar brilho à bondade, como podem as nossas atitudes ter o cunho do altruísmo ou seja, como ter e projectar a estima que sentimos pelos outros.

A Ciência descobriu, não há muito tempo, os efeitos da bondade sobre a saúde. Chamo a vossa atenção para um excerto de um pesquisador Americano: “O dia chegará em que o vosso médico vos aconselhará, exercício físico regular, alimentação sã e um gesto amigo feito a alguém.”

Fazer bem aos outros, ser generosos, aumenta, de forma significativa, a nossa esperança de vida. Imaginem as boas novas que trago para esta noite. Vejo muitas pessoas com mais de sessenta anos. Depois de ouvirem a mensagem que tenho para esta noite, irão desfrutar dez anos a mais na vida. Isto é, se fossem morrer aos setenta, irão morrer depois dos oitenta. Se a sua vitalidade os levasse até aos oitenta, correm o risco de ir viver até aos noventa. Bom, se isto não vos agrada, é melhor saírem agora. Mas eu sei que todos nós queremos viver, especialmente, viver com melhor qualidade de vida.

Estudos feitos pela Universidade Michigão nos E.U, mostram que as pessoas com poucos amigos e que fogem dos familiares, têm uma taxa de mortalidade duas vezes maior que as que vivem bem com elas próprias e com os outros.

Isto quer dizer que pessoas com a mesma doença, mas que evitam as amizades, a estima pelos outros, correm o risco de viver muito menos tempo que as outras. Já Anseiller, o especialista e inventor da palavra Stress, constatou que as pessoas amáveis, compreensivas, que dão atenção aos outros tinham muito menos stress do que os outros. Ele foi o primeiro a descobrir que quando dispensamos calor humano aos outros, há uma descarga no nosso corpo de uma hormona, chamada endorfina (um derivado da morfina) e que é a hormona do bem-estar.

Outros estudos demonstraram que os glóbulos brancos são, no organismo, os responsáveis por limpar do nosso corpo todas as bactérias, o que nos ataca e prejudica a saúde.

Estes glóbulos brancos são muito sensíveis às neuroptativas que são segregadas pelo nosso cérebro quando praticamos uma boa acção. Portanto as acções altruístas estimulam a acção dos glóbulos brancos. Isto pode admirar-vos e de facto é admirável. No entanto não será isto a demonstração do que diz a Bíblia?

“O homem bondoso faz bem à sua própria alma, mas o cruel perturba a sua própria carne.” Provérbios 11:17

O psicólogo de Harvard, David McleLarn, fez uma outra experiência. Antes de projectar um filme sobre a Madre Teresa de Calcutá, ele retirou um pouco de saliva dos jovens que iam assistir ao filme. No final do filme, ele retirou mais um pouco e no segundo exame ele constatou que a “hemoglobina A” tinha aumentado. Esta “hemoglobina A” é a que luta contra os anticorpos das vias respiratórias.

Tudo parece indicar que o nosso corpo foi feito para fazer funcionar ao máximo as suas possibilidades e para lutar contra a doença. E que o carburante é a justiça, a bondade e o amor.

Ilustração: A história mais bonita que eu conheço sobre o amor que cura é a de Elizabeth Barrett e Robert Browning. Neste romance a mulher tinha 39 anos. Estava enclausurada e semi-inválida. Vivia numa casa vulgar, numa rua calma da Londres vitoriana. A sua vida, na prática, era a de uma prisioneira em casa do seu pai.

Amargurado pela perda da mulher, do filho e da fortuna, Edward Barret tornou-se um tirano para os nove filhos restantes: três raparigas e seis rapazes, tendo chegado ao extremo de proibir que qualquer deles casasse.

Elizabeth, para além destas limitações impostas pelo pai, sofria de uma tuberculose óssea que só lhe possibilitava viver num espaço extremamente exíguo. Em 1845, Elizabeth estava há cinco anos confinada a um quarto escuro e fechado, onde permanecia todo o dia deitada, visitada apenas pela família e por alguns amigos permitidos pelo pai.

Os seus companheiros habituais eram a criada Wilson e Flush, o cão de estimação. Excepcionalmente culta, dedicava os seus dias à literatura grega, latina, francesa e alemã, à correspondência com as amigas e, acima de tudo à criação poética.

Robert Browning, também ele poeta, leu dois livros de poesia de Elizabeth. Ao ler estes livros ele declarou: “Eu amo estes livros de todo o meu coração.” Procurou saber a morada da autora e escreveu-lhe, acrescentando “e amo-a a si também”. Nessa altura ainda não se conheciam. Ela respondeu-lhe imediatamente, e assim nasceu um dos mais comoventes e dramáticos romances de todos os tempos.

Inicialmente, ela escrevia-lhe, mas recusava-se a vê-lo. Talvez tivesse receio de que o encantamento que pouco a pouco crescia entre ambos, através das, se desvanecesse quando se encontrassem. Elizabeth era doente e não era bonita. Mas, finalmente, face à persistência de Browning, cedeu e, passados cinco meses, a 20 de Maio de 1845, encontraram-se pela primeira vez.

Ninguém sabe o que se passou nesse primeiro encontro. Mas os receios de Elizabeth provaram ser infundados, pois o amor de Browning saiu fortalecido. E também Elisabeth, pouco a pouco, lhe correspondeu. Mas o namoro tinha de manter-se secreto, pois Elizabeth não conseguia libertar-se do terror do pai. “Caminhamos sobre brasas”, escreveu, “e se, por milagre, ainda não nos queimámos, não devemos contar com o prolongamento desse milagre.” Cautelosamente, não fez qualquer confidência à família, e as visitas de Browning, limitadas a três por semana, chegavam por vezes a ser canceladas.

Com o desabrochar do seu amor, desabrochou também a saúde de Elizabeth. Aventurou-se primeiro a deslocar-se até ao andar de baixo, depois ao exterior. Finalmente, sentiu-se com forças para passear no jardim.

Passou um ano e quatro meses até que Elizabeth ousasse dar o passo irreversível. O casamento realizou-se à pressa, e em segredo, numa igreja vizinha e depois Elizabeth voltou para casa. Uma semana mais tarde, enquanto a família jantava, Elizabeth, com o seu cão o Flush nos braços para que não ladrasse, fugiu de casa acompanhada pela sua criada Wilson. Encontrou-se com o seu marido e juntos atravessaram o Canal da Mancha a caminho de Paris. Mais tarde fixaram-se em Florença na Itália, aos 43 anos deu à luz um saudável rapaz. Este casamento foi um verdadeiro romance.

O amor transformou aquela jovem doente, paralítica, numa pessoa saudável. O amor é poderoso, é uma fonte de saúde e alegria.

Muitas senhoras dirão, que pena o meu marido não estar aqui a ouvir esta mensagem! Esta é uma boa razão para o convidar para vir amanhã.

Há muitas semelhanças entre as leis da Natureza e as leis espirituais. Por exemplo: uma célula saudável tem permanentes contactos com todas as outras células que se encontram à sua volta. Enquanto que uma célula cancerosa fica centrada sobre ela própria.

A mesma coisa acontece com o Mar da Galileia e o Mar Morto. O Mar da Galileia é impressionante pela quantidade de peixe. Ele recebe a água do rio Jordão, e o mais curioso é que ele deixa que o rio Jordão continue a correr, até chegar ao Mar Morto. Este recebe e não dá e como vocês sabem, neste mar não há vestígios de vida. Porque recebe e não dá.

Foi August Aguillar quem escreveu que “O homem está condenado a amar, porque quando não ama essa escolha deixa-o na solidão e destruição.”

É curioso ler a biografia de grandes personalidades da política, do cinema e da música. Constata-se que são pessoas que apesar de serem admiradas, idolatradas, são frustradas e desgostosas. Mesmo que tenham tido muito êxito e dinheiro, se não descobriram a forma de amar, não descobriram o caminho da vida.

“Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos, e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber.” Actos 20:35.

A seguinte história é elucidativa; Havia uma viúva que sofria de todas as doenças que há neste mundo. Por isso ia frequentemente visitar o médico. Aproximava-se o Natal, o Inverno era rigoroso e ela sentia-se a morrer. Uma vez mais, naquele ano, foi visitar o médico. Começou por lhe dizer:

– Sr. doutor é a última vez que o venho ver.

– Porquê? – perguntou o médico.

– Porque já não vou viver muito tempo.

O médico passou-lhe a receita médica normal e depois escreveu algo, numa outra folha, que juntou à prescrição e estendeu-lhas. A senhora leu uma e outra, e viu que o que estava escrito na folha era simplesmente um endereço. O médico confirmou, dizendo:

– Sim, é um endereço. Peço-lhe para ir visitar estas pessoas. São uma família e vivem muito pior do que a senhora. Estou certo que a sua visita lhes fará muito bem.

Ela saiu um pouco zangada mas, quando chegou a casa, leu de novo o endereço, e disse de si para si: Como não tenho nada para fazer, nem nada que perder, vou.

Ela, aliás, estava habituada a fazer tudo o que o seu médico lhe dizia.

Foi e encontrou um casal com dois meninos. A saúde destes era muito frágil. Viviam muito mal. A casa não era mais do que uma pequena cozinha. Ao ver aquilo, ela saiu, dirigiu-se a um supermercado e comprou tudo o que achou necessário para aquele casal e filhos. Mas mais do que isto ela decidiu passar a noite de Natal com eles. Preparou uma excelente refeição e comeram, conversaram. Então ela sentiu que a vida ainda tinha um propósito para ela.

Nos finais de Janeiro voltou ao médico. Este quase não a reconhecia. E perguntou:

– O que se passa com a senhora? Está com um aspecto saudável. Vejo que o Natal lhe fez bem!

– Sim, tem razão, doutor. Devo dizer-lhe que foi o melhor Natal da minha vida. E sinto uma grande vontade de viver.

Eu creio que isto é verdade, que a vida só tem sentido quando nos damos, quando amamos e nos deixamos amar. Porque foi para este propósito que Deus nos criou.

Prezados amigos, se queremos desfrutar da paz, da felicidade plena, devemos alinhar a nossa vida, e orientar a nossa personalidade por aquilo que a Bíblia diz. Isso não só nos ajuda no sentido espiritual, mas também no físico e emocional.

Foi feita uma sondagem em França, há uns anos atrás, sobre qual era a pessoa que mais admiravam e se gostariam de viver como essa pessoa: eram várias personalidades do mundo social, político e religioso.

86% das pessoas disseram que gostariam de ter uma vida como a Madre Teresa de Calcutá. Uma vida consagrada, uma vida com sentido, uma vida cheia de actos nobre.

Na verdade nós vivemos na mesma proporção em que amamos.

No entanto eu devo dizer que, ligado ao amor, está muitas vezes associado o sofrimento. No entanto não é menos verdade que não amar é morrer. Porque pode viver-se mas uma vida como se se estivesse morto.

As pessoas que têm grande êxito profissional, mas que não descobriram a verdadeira dimensão do amor, vivem mas vivem como mortos.

Jean Lacroix, dizia: “O amor impõe uma desarticulação antecipada de si próprio, mas este difícil desenraizar-se é, também, uma nova criação, porque é colocar outro dentro de nós, que se torna mais importante que nós próprios. Amar é morrer para realmente ressuscitar.”

Tudo isto nos leva a uma pergunta: onde encontrar a força para amar assim? Devo dizer também, que este propósito, sem a ajuda de Jesus, é difícil, para não dizer completamente impossível.

Isto é tão verdade que a nossa experiência o prova. E se não acreditamos perguntemos à nossa esposa.

As três etapas no amor.

O livro Cânticos dos Cânticos conta a história do amor de uma jovem pelo seu namorado, ou seja do cristão pelo Senhor.

Devern Fronke coloca em três etapas a evolução do amor autêntico.

1- O amor-reconhecimento (1ª etapa).

Cântico dos Cânticos 2:16 e 3. “O meu amado é meu e eu sou dele.”

Reparem no “EU”, tão frequente no início de todo o livro. A jovem é o centro de tudo, ela é egoísta. É a imagem do cristão egoísta. É o cristão mais consciente daquilo que o Senhor fez por ele, dos dons, dos bens, da saúde, das coisas que tem do que preocupado com o Senhor.

É o cristão que diz: “Eu amo o Senhor porque Ele ouve a minha voz.”

“Nós o amamos porque Ele nos amou primeiro.”

Este amor reconhecimento é bom e legítimo. Deus reconhece-o e aceita-o, mesmo se é a forma mais simples do amor. É o nível da criança. Ela ama porque é amada. Ama porque recebe.

Não há dúvida de que as bênçãos alimentam o meu louvor ao Senhor. Amo o Senhor na medida dos bens e das vantagens que Ele me concede.

Se recebo pouco, amo pouco. É o amor egoísta. O Senhor aceita-nos como estamos, mas quer levar-nos mais longe.

A mulher de Job vivia a este nível. O seu marido sofria, e ela sugere: “Sua mulher lhe disse: Ainda conservas a tua integridade? Amaldiçoa a Deus, e morre.” Job 2:9.

Job declara: “Como fala qualquer doida, assim falas tu. Receberemos o bem de Deus, e não receberemos o mal? Em tudo isso não pecou Job com os seus lábios.” Job 2:10

Numa passagem anterior tinha dito: “Nu saí do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá. O Senhor o deu e o Senhor o tomou, bendito seja o nome do Senhor.” Job 1:21.

No livro Cântico dos Cânticos. O noivo afasta-se, para bem da jovem. Afasta-se com o propósito de a conduzir a uma etapa de amor mais profundo. As circunstâncias que Deus permite na nossa vida, vão purificar o nosso amor por Ele: “Todas as coisas concorrem para o bem dos que amam a Deus.” Romanos 8:28

As pessoas que dão o coração a Jesus, sentem paz, alegria, sentem a graça de Deus e em tudo vêem sinais do Seu amor por eles. Quando, porém, os sinais diminuem, Deus não os ama menos, mas mais!

Deus está com eles, a ensiná-los a amar, não por aquilo que recebem, mas amar Deus por aquilo que Ele é.

2- O amor admiração: 2ª etapa.

A jovem passa a uma segunda fase: Cânticos dos Cânticos 5:10, 16 “O meu amado é alvo e rosado, o primeiro entre dez mil. A sua boca é muitíssimo doce; ele é totalmente desejável. Tal é o meu amado, e tal o meu amigo, ó filhas de Jerusalém.”

O seu egoísmo começou a diminuir. Ele pensa agora no seu noivo e menos nela. Ela começou a inverter a ordem dos valores, dirá mesmo:

“Eu sou do meu amado e o meu amado é meu.” Cântico dos Cânticos 6:3.

Mas há ainda uma noção de dar e receber. O cristão começa a amar a Deus por aquilo que Ele é. E isto é um grande progresso. Os cristãos que permanecem no primeiro estado terão grandes problemas. Quando não receberem a sua dose quotidiana ou semanal de bênçãos, a sua religiosidade começa a diminuir. Ou passa a uma religiosidade fictícia de aparência, de tradição, de costume, fazer para que não pareça mal.

Ou seja, o medo de ser visto a falar de uma religião diferente daquela que herdou dos pais. Vivem a religião numa relação empregado-patrão. Esforçando-se para nada esquecer, a missa das sete, as ofertas para os pobres, as leituras obrigatórias.

Fazem, mas o Seu relacionamento com Deus é o relacionamento do dever e não do prazer.

O que conhece Deus de forma pessoal, sabe quem é Deus, e relaciona-se com os homens e com o Senhor num perfeito equilíbrio.

O crente ouve a pergunta que Jesus fez a Pedro: “Pedro, amas-me?” E a boa resposta é: “Senhor, Tu sabes que eu Te amo.”

Tu conheces o meu coração. Tu conheces o meu jardim secreto. Tu sabes tudo. E então Ele exorta-nos a cuidar do jardim do nosso amor. Naturalmente que em qualquer jardim não existem exclusivamente belas fores. Pode haver legumes (as nossas obras), são com certeza úteis, mas para Jesus, o perfume do nosso amor, essa parte da nossa vida espiritual, é o essencial aos Seus olhos.

Estas duas etapas do amor têm qualquer coisa em comum. Ama-se Deus “porque... ou porque Ele o dá, ou por aquilo que Ele é.

Ora, o amor que necessita de uma justificação, é um sentimento racional e ainda não chegou à sua etapa final, completa.

3- O amor perfeito: 3ª etapa.

“Eu sou do meu amado e...” Cântico dos Cânticos 7:11.

Neste amor, há um elemento que escapa a toda a explicação racional. Não pode, nem tenta justificar a sua existência. O cristão já não diz: “Eu amo porque...”; murmura simplesmente a Deus: “Eu amo-Te”.

O amor perfeito não conhece os “porquês”, quando ao princípio a jovem declarava: “É com razão que te amam...” (1:4). No amor perfeito o crente não procura razões. Não procura o seu próprio interesse, mas o que o Senhor deseja. Ele diz: “Eu amo Deus, estou n’Ele, e Ele em mim. Não sei porque O amo, mas amo-O”.

É assim o amor que Abraão sente por Deus. Não hesita em oferecer-Lhe o seu filho. Ele sabe que o Deus que pede e recebe só pode ser tratado na relação do amor. Por isso Abraão é chamado o “amigo de Deus”, porque ele vive a este nível da amizade, em que o amigo ama em todo o tempo e em qualquer altura.

4- Apoiados sobre o nosso Amado.

“Quem é aquela que sobe do deserto, e vem encostada tão aprazivelmente ao seu amado?” Cântico dos Cânticos 8:5

O deserto são todas as circunstâncias peníveis, dolorosas, adversas (amizades traídas, calúnias, doenças, solidão, incompreensão) que Deus permite, com o objectivo de que nos apoiemos sobre Ele. Para progredirmos nas três etapas do amor.

Digamos ao Senhor: “Amo-te voluntariamente, de forma disponível e com prazer”. Mas se amanhã, para a semana, a prova vier, não fugirei, não me afastarei (como Pedro na hora em que Jesus foi julgado), não me lamentarei, não recuarei no meu amor por Ti, porque sei que és o mesmo ontem, hoje e amanhã, e que o Teu propósito é, através de todas as experiências, fazer com que eu avance um passo mais no caminho do amor perfeito.

Ilustração: Pegadas na Areia

Uma noite eu tive um sonho...
Sonhei que estava a andar na praia com o Senhor e, através do céu, passavam cenas da minha vida.
Para cada cena que passava, percebi que eram deixados dois pares de pegadas na areia:
Um era meu e o outro era do Senhor.

Quando a última cena da minha vida passou diante de nós, olhei para trás, para as pegadas na areia e notei que muitas vezes, no caminho da minha vida, havia apenas um par de pegadas, na areia.

Reparei, também, que isto aconteceu nos momentos mais difíceis e angustiosos do meu viver.
Fiquei deveras aborrecido e perguntei então ao Senhor: Senhor, Tu disseste que, quando eu decidisse seguir-Te, Tu andarias sempre comigo, todo o caminho. Mas vejo que, durante as maiores tribulações do meu viver, havia na areia do caminho da vida apenas um par de pegadas. Não compreendo porque nas horas em que eu mais necessitava de Ti, me deixaste.

O Senhor respondeu-me: Meu precioso filho, eu amo-te, nunca jamais te deixarei, e muito menos, nas horas da tua prova e do teu sofrimento. Quando viste na areia apenas um par de pegadas, foi exactamente aí que Eu te levei nos Meus braços.

Os nossos interesses. A oração.

Naturalmente que temos toda a liberdade de pedir a Deus que cuide dos nossos interesses, que esteja atento às nossas necessidades. Mas quando há amor, verdadeiro amor, nunca se olha para Deus como se Ele fosse como aqueles antigos merceeiros. Temos uma lista de coisas de que necessitamos, e rogamos para nos vender e apontar no livro das dívidas.

Olhamos para o merceeiro com um olhar de dependência, receando que em relação a alguma das nossas necessidades que colocámos na lista, ele diga: “Isto não pode ser, nunca terias possibilidades de me pagar.”

Quando vamos a Deus em oração, falamos com Ele com um coração aberto, como se fala a um amigo.

E é Ele que nos leva a sentir necessidade do que realmente nos faz falta. Porque aprendemos a ir numa relação pessoal, numa relação de amor espontânea e natural. Não estamos permanentemente preocupados em pedir-Lhe que nos abençoe ou que nos conceda tal ou tal coisa.

Não somos como aquele homem que trabalhava a uma grande altura, sobre um andaime, que fez um movimento falso e eis que se precipita no vazio. Na queda, grita a Deus, pedindo: “Senhor, salva-me!”

Uma rede estendida por baixo do andaime, susteve a queda. Sentindo-se em segurança, continuou a gritar: “Senhor, já não tenho necessidade da Tua ajuda!”

O orgulho.

O orgulho faz do ser humano um ser desregulado. Alguém disse: “Há dois tipos de orgulho: um, em que nos aprovamos a nós próprios, o outro, em que não podemos aceitar-nos. Este é, provavelmente, o mais requintado.” Henri-Frédéric Amiel.

Em oposição à justiça própria que é também um obstáculo no caminho da relação com Deus. Jesus coloca o orgulho, no mesmo plano que o adultério ou o crime por morte (o que os judeus orgulhosos Lhe queriam fazer).

Todos temos certamente experimentado que, nos nossos períodos de dificuldade, a humildade nos conduz aos pés de Jesus, muito perto d’Ele. Ao contrário, o orgulho leva-nos a “inchar” como um balão, e Deus fica cada vez mais longe.

“Olhar altivo e coração orgulhoso e até a lavoura dos ímpios é pecado.” Provérbios 21:4.

Esta noite quero dirigir-me ao coração de cada ouvinte. Permitam que o vosso coração se torne sensível. Olhem para Jesus! O Seu amor, Ele está diante de nós e diz: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” Mateus 11:28-30

Ilustração/Apelo: Conta-se a história de um comboio que, certa noite, fazia o seu percurso normal. Tinha chovido torrencialmente durante todo o dia. Com o cair da noite, um intenso nevoeiro descera sobre o vale por onde ele passava. De repente, o maquinista avistou uma pessoa com os braços abertos em desespero. Lentamente, foi travando. Ouve um terrível ruído das rodas contra os carris. Finalmente o comboio parou.

O maquinista saiu para ver o que se passava. Não avistou o homem mas, um pouco mais à frente, viu que a ponte estava caída sobre as tumultuosas águas do rio. Juntamente com alguns passageiros procuram a pessoa que tinha posto a sua vida em perigo para os salvar, mas não encontraram ninguém.

Foi então que o maquinista, examinando os faróis da máquina do comboio, reparou numa cena estranha. Uma grande mariposa de asas abertas estava morta e colada ao farol. Foi o reflexo da sua agonia que serviu de aviso.

Este incidente da mariposa pode ser comparado ao amor de Cristo pela humanidade. Por cada um de vós. O reflexo do corpo de Cristo, de braços abertos sobre a cruz do Calvário, tem salvo a vida de milhares e milhares de almas, através dos séculos. Hoje, Jesus ainda está de braços abertos.

Será que foi por mero acaso que aquela borboleta surgiu no momento certo? Será que foi por mero acaso que aceitou o convite de um amigo, um familiar ou de um colega para ouvir esta mensagem? Há muito tempo que deixei de acreditar em acasos, creio que o Senhor está de braços abertos diante de si, quer aceitar?

Experiência: Bulgária.

Em 1993, realizei uma série de conferências em Sófia, Bulgária. Um dia o pastor que me traduzia do francês para búlgaro foi chamado com urgência para assistir um pastor idoso seu conhecido que estava agonizante. Fomos recebidos pela esposa, que nos conduziu à presença do marido. Era um homem com 67 anos, alto, magro, embora estivesse deitado, percebia-se perfeitamente que deveria ter sido uma figura imponente.

O pastor que agora agonizava fora durante muitos anos, o pastor adventista principal de toda a Bulgária. Naturalmente tinha lutado muito pela defesa da pregação do Evangelho. Tinha-se oposto à confiscação dos templos adventistas. Foi preso, escarnecido e por isso era muito conhecido e amado por todos os crentes.

Quando entrámos, o pastor que me acompanhava tentou cumprimentá-lo, chamando-o pelo nome. Eu sentia nas palavras – apesar de desconhecer a língua búlgara – uma grande emoção e via as lágrimas:

– Como estás, meu querido amigo? – perguntou.

– Quem és tu? Não te conheço! – Afirmou o pastor doente.

– Então, não te lembras de mim? Sou o Tajmisian, o teu amigo!

– Não sei quem és. – Foi a resposta.

Entretanto a esposa desculpava o marido, dizendo que ele estava desmemoriado e que nem dela ele lembrava.

– Quem és tu? – Perguntou o marido à esposa, naquele preciso instante.

– Vê, pastor, ele não se lembra de mim. Debaixo da cama retirou dois recipientes com um líquido escuro que ele tinha vomitado pouco tempo antes de termos chegado.

Então aconteceu aquilo que eu não queria que acontecesse e que não esperava. O pastor Tajmisian olhou para mim e disse:

– Pr. Costa, por favor, diga ou leia alguma passagem da Bíblia que possa animar esta família.

Fiquei em silêncio. Orei em silêncio. Pensei e pedi a Deus que me inspirasse naquele momento tão sensível. Inclinei-me sem saber o que iria dizer ou fazer:
– Pastor, lembra-se de Jesus, do Salvador?

Ainda estas palavras não tinham sido completamente traduzidas, já o velho e doente pastor se erguia sobre o cotovelo e exclamava:

– O quê? Se me lembro de Jesus? Do meu Salvador? Como me poderia esquecer de Quem me salvou? Como poderia esquecer Aquele que levou a minha cruz até ao Calvário? Como poderia esquecer o Filho de Deus que me amou e me ofereceu vida eterna que eu aceitei? Quem é você?

E continuava a falar do amor maravilhoso de Jesus. O seu rosto brilhava, os seus olhos tinham a luz da esperança. A paz que ele sentia no coração doente, é o tipo de paz que não morre, está apoiada em Jesus que disse: “Vou preparar-vos lugar e voltarei outra vez.” João 14:3

Apelo a cada um para olhar a Cruz de Cristo. A cruz é a árvore da vida. É a fonte de toda a alegria e de toda a paz. Foi o único modo pelo qual Jesus alcançou a ressurreição e o triunfo sobre a morte.

É o único modo pelo qual nós participamos na Sua vida, agora e para sempre.

Qual é a sua resposta?

Pr. José Carlos Costa