15 de maio de 2008

PAZ PARA VIVER: 11 - A Arte de Confiar

Introdução: “Desde os níveis mais profundos da Terra, sob os nossos pés, até às mais longínquas estrelas, tudo o que existe faz parte do universo. O universo é tão grande que contém incontáveis biliões de estrelas, e continua a expandir-se a grande velocidade. No entanto, a maior parte do universo é composta apenas por espaço “vazio”. – Texto Editora, Enciclopédia, p. 14.

Segundo uma lenda grega, Orion foi um caçador que provocou a ira de Zeus. Zeus é o principal deus grego. Este, furioso, mandou-o para o universo formar parte das estrelas com os seus cães, que tinham por nome Ursa Maior e Ursa Menor. E ficou ali sempre com o propósito de iluminar a noite para os caçadores.

Orion é uma constelação magnífica; dela fazem parte duas estrelas de primeira grandeza: Beteljauza e Rígel. Muita gente pode encontrar a zona constelada do Caçador. (O Mundo do Homem, Ciência, p. 304).

A famosa nebulosa de Orion tem, no centro, uma estrela no meio da qual se encontra a famosa espada do Caçador. Aqui os astrónomos têm verificado uma actividade pouco vulgar. Um enorme volume de gases e energia radioactiva obrigam a nebulosa a expandir-se a uma velocidade de 21.600 km por hora. No centro da nebulosa vê-se um grupo de quatro estrelas chamado o “Trapézio”, que possui um incrível colorido.

Muitas pessoas crêem que em Orion há uma porta que nos liga ao mundo maravilhoso que está para além das estrelas, que é a passagem entre o Universo e o Céu de Deus. Há quem pense que, por esta porta, virá Jesus na Segunda Vinda à Terra, como Rei dos reis.

Não é recente a fama de Orion. Mais de mil anos antes de Cristo, já o livro de Job interrogava: “Podes atar as cadeias do Sete-estrelo? Podes soltar os laços do Orion?” Job 38:31

E o profeta Amós (785-740 a.C.), em exaltado discurso, exclama: “Procurai o que faz o Sete-Estrelo, e o Orion, e torna a sombra da noite em manhã, e escurece o dia como a noite; o que chama as águas do mar, e as derrama sobre a terra; o Senhor é o seu nome.” Amós 5:8

Um dos meus sonhos é possuir um telescópio. Sempre que passo diante de uma montra onde estão esses magníficos objectos, páro e imagino o que poderia ver para além daquilo que vejo a olho nu. É um espectáculo fantástico que se desfruta especialmente no Verão. Passo alguns dias de férias numa aldeia perto da Figueira da Foz. À noite, vou até ao quintal, olho o céu estrelado e imagino:

· A Cassiopeia: formada por cinco estrelas, com a forma de uma jovem com um véu que caminha de penas semi dobradas.
· O Leão: formado por nove estrelas.
· A Ursa Menor: seis estrelas com a forma de uma cadela.
· A Ursa Maior: com 15 estrelas, um enorme Urso.
E tantas outras formas que podemos imaginar em relação a Cisen, a Lira, os Gémeos, seria um nunca mais parar.

Contemplar o firmamento estrelado é, sem dúvida, uma das melhores terapias para a alma; um exercício no qual podemos colocar-nos na verdadeira perspectiva das coisas. Diminui os problemas meramente humanos e leva-nos a pensar num Ser Supremo e bom: porque Quem deu tanta beleza à noite, de uma forma tão generosa e espectacular, só pode ser bondoso e inefável.

O cantor de Israel olhou o céu, dedilhou as cordas da sua harpa e entoou um maravilhoso hino: “Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos.” Salmo 19:1

Noutro lugar diz: “Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste;, que é o homem mortal, para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites?” Salmo 8:3, 4

Muitas pessoas fazem exactamente como David, ao olharem para o céu. Ficam encantados e cantam louvores a esse maravilhoso Criador. Ficam comovidos com a grandeza do espaço pontilhado de incontáveis biliões de estrelas e que continua a expandir-se a grande velocidade. E pensam: “Não estamos sós. Há Alguém, para além das estrelas. Uma delas é a porta por onde um dia virá – Orion.”

Recentemente a Visão trazia um grande titulo "O Melhor do Milénio", referindo-se à viragem do milénio. Apresentava esse número 100 factos e 100 personalidades que fizeram História nos últimos 1000 anos. Três personagens em destaque:
· Salazar: Ele foi o estadista que mais poder deteve, por mais tempo, ele foi a esperança ... ele foi o senhor do País imobilizado. A grande desilusão.
· Einstein: Num século dominado pela ciência, Albert Einstein (1879-1955) deixou a sua marca indelével nos grandes avanços conhecidos pelo mundo nos últimos 100 anos, desde a física quântica à electrónica, passando pela teoria do Big Bang e até à bomba atómica. A esperança adiada.
· Gutenberg: “Descobriu uma liga de chumbo, estanho e antimónio e um modo de precisão calibrado para receber a mistura. Preparou uma tinta a prova de borrões com negro-de-fumo, óleo de linhaça e terebintina. Cada página da sua Bíblia levou provavelmente um dia para ser montada, mas, uma vez os tipos no lugar, o resto foi relativamente fácil.”

O livro mais vendido de sempre: 2.500.000.000 é o número calculado de Bíblias vendidas ou distribuídas em todo o mundo desde 1815 e traduzida em mais de 2.197 línguas ou dialectos. Este Livro é o Livro da esperança, onde o ser humano pode depositar a confiança, tudo o resto é desilusão!

De facto do ponto de vista humano a nossa civilização não poderá sobreviver por muito mais tempo. Todos sabemos que quando um organismo começa a degradar-se pouco a pouco um cheiro desagradável começa a desprender-se desse mesmo organismo. A verdade é que esta terra adoeceu e infelizmente o ser humano não fez nada para a curar enquanto era tempo. Agora desprende-se um cheiro a morte na terra, no ar e no mar.

Mas ainda há uma esperança. Deus que conhece o fim desde o princípio, revela no Seu livro o que vai acontecer. Elevou um homem, em visão, para ver o que se iria passar nesta Terra até que Deus tenha que intervir de forma clara e irreversível para pôr cobro ao sofrimento. Foi Daniel.

Devo dizer que Daniel é uma daquelas pessoas que conhece bem Deus. Ele sabe que Deus conhece melhor o futuro do que qualquer ser humano conhece o passado. Daniel, de forma humilde, deseja testemunhar da grandeza do seu Deus. Está pronto a testemunhar fielmente mesmo que isso lhe possa custar a vida. Vejam só como ele, que é um prisioneiro de guerra, responde ao rei do maior Império que existia no tempo de Daniel: “Mas há um Deus nos céus, o qual revela os segredos; ele, pois, fez saber ao rei Nabucodonosor o que há-de ser no fim dos dias; o teu sonho e as visões da tua cabeça na tua cama são estas: Estando tu, ó rei, na tua cama, subiram os teus pensamentos ao que há-de ser depois disto. Aquele, pois, que revela os segredos, te fez saber o que há-de ser.” Daniel 2:28, 29

Depois de enumerar os conflitos mundiais que se sucederiam, o profeta faz uma declaração, inspirado por Deus: um reino de paz eterna seria estabelecido. Com o estabelecimento deste reino a guerra não teria mais lugar: “Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, e será estabelecido para sempre.” Daniel 2:44

Não se trata de uma paz “idealista”. Não se trata de uma paz espiritual. Trata-se de uma paz real, autêntica, estabelecida para sempre e para todos.

Quem é que quer esta paz?

Então convém saber quem serão os reis governantes que serão destituídos para que um reino divino seja instaurado. Este capítulo começa com o sonho de um rei. Nesta época de Daniel, as pessoas acreditavam que os sonhos eram revelações de acontecimentos que estariam no futuro. Por esta razão empenhavam-se em conhecer e descodificar todos os sonhos.

Nabucodonosor era adepto da bruxaria, da astrologia. Hoje poderíamos chamar-lhe um ser extremamente esotérico. Assim que teve o sonho mandou chamar os mestres que tinham a chave para abrir a porta por detrás da qual estavam os acontecimentos vistos nos sonhos. E eles eram particularmente necessários porque o rei não se lembrava do sonho.

Os adivinhos, como todos os adivinhos, foram incapazes de dar uma resposta satisfatória ao rei. Tentaram ver se ele se lembrava de alguma coisa a partir da qual eles fariam uma interpretação. Mas nada. Percebendo que eles eram incapazes de o satisfazer, encheu-se de ira e ordenou que os matassem.

Tudo isto chega entretanto aos ouvidos de Daniel, que era muito jovem. O seu saber era de outra ordem, mas ele ousa no entanto pedir ao rei que se acalme e que lhe dê tempo para consultar Aquele que dá os sonhos e a interpretação dos mesmos. O que, de facto, acontece.

Já na presença do rei, Daniel começa por reconhecer a incapacidade humana:

“Mas há um Deus nos céus, o qual revela os segredos; ele, pois, fez saber ao rei Nabucodonosor o que há-de ser no fim dos dias; o teu sonho e as visões da tua cabeça na tua cama são estas: Estando tu, ó rei, na tua cama, subiram os teus pensamentos ao que há-de ser depois disto. Aquele, pois, que revela os segredos, te fez saber o que há-de ser.” Daniel 2:28, 29

Não há dúvida duma coisa, o rei andava preocupado com o futuro do seu reino. É normal que um homem que tem um reino e o destino da vida de tanta gente nas mãos, vá para a cama preocupado. E é maravilhoso que Deus olhe para aquele homem e responda á sua ansiedade, mesmo se ele é um pagão, um idólatra! Mas Nabucodonozor, viu algo de importancia, mas não se lembra do que viu, como recordar-se?

Deus que deu o sonho envia um mensageiro Seu, segundo o Seu coração para discernir e revelar o sonho do rei, esse é Daniel que se torna a boca de Deus e os acontecimentos que terão lugar durante décadas, séculos e milénios saem dos seus lábios como se ele os acompanhasse sucessivamente. Como se ele fosse a par com cada período da História. É formidável!

“Estando tu, ó rei, na tua cama, subiram os teus pensamentos ao que há-de ser depois disto. Aquele que revela mistérios te fez saber o que há-de ser. Quanto a mim me foi revelado este mistério...”

As coisas começam a desfilar uma a uma. Correm como jorrando de uma fonte nascente de toda a sabedoria: “Tu, ó rei, estavas vendo, e eis aqui uma grande estátua: esta estátua, que era grande e cujo esplendor era excelente, estava em pé diante de ti; e a sua vista era terrível. A cabeça daquela estátua era de ouro fino; o seu peito e os seus braços de prata; o seu ventre e as suas coxas de cobre; as pernas de ferro; os seus pés em parte de ferro e em parte de barro. Estavas vendo isto, quando uma pedra foi cortada, sem mão, a qual feriu a estátua nos pés de ferro e de barro, e a esmiuçou.” Daniel 2:31-34

O que representa esta estátua feita de diferentes materiais? E o que significa aquela pedra que foi cortada, sem auxílio de mãos, e que feriu a estátua?

Quantos de nos gostaríamos de começar a especular, a tentar adivinhar? Mas a Bíblia não nos dá esse tempo: “Este é o sonho; também a interpretação dele diremos na presença do rei.” Daniel 2:36

E o profeta começa pela cabeça de ouro: “Tu és a cabeça de ouro...” Daniel 2:38

A cabeça de ouro representava a Império Babilónico governado pelo próprio rei Nabucodonosor e representado pela cabeça de ouro da estátua. Mas este reino ainda que representado pelo metal mais nobre, não é eterno: “Depois de ti se levantará outro reino, inferior ao teu.” (v. 39)

Isto deveria agradar ao rei, mas ao contrário. No capítulo 3 deste mesmo livro, Nabucodonosor lança um desafio ao Deus do Universo. Na planície de Dura, fará construir uma estátua em tudo semelhante à do sonho, com uma diferença, é toda em ouro, com um desafio. O sonho dado pelo teu Deus é que o meu reino não será eterno, mas passa a ser, porque eu o quero!

Deus queria simplesmente descrever a história de Babilónia e das nações que lhe sucederiam. Mas Nabucodosor disse: “O meu reino não terá fim. E serei eu próprio a demonstrá-lo. A estátua será toda em ouro.”

É bem conhecido o dito: “A História repete-se”. Creio que não só os grandes deste mundo querem repetir a História através da construção de grandes impérios, mas até o ser mais comum tem o desejo de eternidade.

Não há muitos anos começou uma grande efervescência um pouco por todo o mundo por causa da Clonagem? A revista Visão trazia este título: “CLONES HUMANOS, Mais Cedo do que se Pensa”.

Randolfe Wicker, 63 anos, dirige uma loja de iluminação em Nova Iorque. É o porta-voz da Fundação para a Clonagem Humana. Wicker tenciona guardar algumas células da sua pele para futura clonagem. E diz ele: “Se não for clonado antes de morrer, os meus bens serão dispostos de modo a poder ser clonado depois.” A revista continua e diz: “Sendo homossexual, há muito que Wicker sente a frustração de não poder ter filhos e à medida que envelhece o seu desejo de descendência acentua-se.” E faz uma afirmação: “Posso encostar o nariz à Sra. Morte e dizer, ‘Podes levar-me, mas não vais levar todos os meus eus’. A fórmula especial, que sou eu, vai viver outra vida. É um triunfo sobre a morte. Deixarei a minha pegada não na areia mas no cimento.”

Deus disse: o teu reino terá um fim. Nabucodonosor diz: “Não terá fim.” Quem tem razão?

“Depois de ti se levantará outro reino, inferior ao teu; e um terceiro reino, de metal, o qual terá domínio sobre toda a terra.” Daniel 2:39

Em 538 a.C., O Império Medo-Persa torna-se o segundo império mundial. Mas este também deveria desaparecer. Seguiu-se o Império da Grécia, no ano 331 a.C. Era o jovem rei Alexandre o Grande que, à frente do seu exército, conquistou o mundo em 10 anos. Infelizmente, Alexandre tornou-se mestre do mundo, mas foi incapaz de ser mestre de si próprio.

Morreu durante uma orgia, com a idade de 33 anos. Dizem alguns historiadores que depois de ter bebido dois vasos de vinho, chamados os vasos de Hércules, caiu em estado de coma. Levantou a cabeça para dizer a um dos seus generais que deixava o reino ao mais forte.

O seu império enfraqueceu quando foi dividido em quezílias por 4 generais, querendo cada um ser mais forte que o outro: “E o quarto reino será forte como ferro; pois, como o ferro esmiuça e quebra tudo, como o ferro quebra todas as coisas, ele esmiuçará e quebrantará. E, quanto ao que viste dos pés e dos dedos, em parte de barro de oleiro, e em parte de ferro, isso será um reino dividido; contudo, haverá nele alguma coisa da firmeza do ferro, pois que viste o ferro misturado com barro de lodo. E como os dedos dos pés eram em parte de ferro e em parte de barro, assim, por uma parte, o reino será forte, e por outra será frágil.” Daniel 2:40-42

O seu império foi substituído pelo império Romano, a monarquia de ferro.

Não nos detivemos em detalhes que enriqueceriam toda esta história, mas que por outro lado poderiam parecer cansativos ou retirar valor àquilo que realmente o tem. é que este excerto já tem muita coisa para nos ensinar.

O profeta, se tivesse unicamente a sabedoria humana, continuaria a dizer que depois do 4.º, viria um 5.º reino, etc. Por que razão ele não continuou a desfiar a história? Porque se limitou a ser a boca de Deus. De facto o Império Romano foi destruído no ano 476 d.C., e não houve quinto império.

Roma dividiu-se em dez partes, representadas pelos dez dedos dos pés da estátua. Deus tinha declarado que alguns destes reinos seriam fortes como o ferro, outros frágeis como o barro, porque estes reinos iriam manter um elemento do 4.º Império, o ferro.

Não é difícil, ainda hoje, reencontrar estas dez partes no mapa da Europa contemporânea. Estes dez reinos tentaram fazer alianças para voltarem a ser um Império mas não formariam mais um 5.º Império.

“Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, e será estabelecido para sempre.” Daniel 2:44

Não pensem que não houve, através dos séculos, tentativas sérias envolvendo guerras e conquistas militares para o conseguir. É exemplo disso:
– Carlos Magno
– Luís XIV
– O Imperador Guilherme II
– Napoleão Bonaparte
– Adolfo Hitler

Todos fracassaram nas suas tentativas de reunificação da Europa incluindo tratados e alianças através de casamentos. Ainda hoje, quando um príncipe da Europa faz anos, toda a nobreza é convidada, porque fazem parte da família.

No palácio de Christianborg, em Copenhaga na Dinamarca, há um enorme quadro que cobre toda a parede. Esse quadro tem por debaixo uma parte do versículo bíblico: “Misturar-se-ão pelo casamento” (Daniel 2:43). No início da Primeira Guerra Mundial, o rei Christian IX e a sua esposa eram descendentes de todas as cabeças coroadas da Europa, como resultado dos casamentos entre os príncipes.

No entanto, apesar de todo o esforço para se unirem através de casamentos, as nações continuaram divididas. Porquê?

Depois sucedeu-se a Sociedade das Nações, que mais tarde deu lugar às Nações Unidas. Hoje fala-se dos Estados Unidos da Europa ou seja a U.E. Mas não passam de tratados económicos e pouco mais. A Europa nunca mais será uma Nação Política.

Mas, o que significa aquele versículo que diz: Uma pedra ... feriu a estátua nos pés de ferro e de barro, e a esmiuçou? ( Daniel 2:34)

Esta pergunta leva-nos à parte mais cativante desta profecia. A Bíblia diz que esta pedra representa a instauração do reino de Deus. O texto diz: “Mas, nos dias destes reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído. Este reino não passará a outro povo, mas esmiuçará e consumirá todos estes reinos, e será estabelecido para sempre.” Daniel 2:44

Como substituirá este reino as nações que actualmente vivem em permanente conflito? Que acontecimento provocará o seu desaparecimento e o estabelecimento do reino eterno? Deve ser um evento que alterará completamente a ordem do nosso Mundo!

Uma coisa é certa, o estabelecimento deste reino é o ponto central de toda a Bíblia. É a história de um reino criado, perdido e reencontrado. No princípio Deus fez este Mundo pleno de harmonia e beleza.

Deu este reino ao homem para o dominar e governar. Em consequência da desobediência às ordens sublimes de Deus, este Mundo entrou numa espiral de perdição, caiu nas mãos do Demónio e as consequências fazem-se sentir nos nossos dias de forma bem dramática.

Pelos méritos de Jesus, o que estava perdido será restaurado. E para que seja restaurado, milhões e milhões de pessoas ao longo dos séculos têm elevado preces a Deus: “Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome, venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dá hoje. Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. Porque teu é o reino e o poder, e a glória, para sempre. Amém.” Mateus 6:9-13.

Está de acordo com esta oração de Jesus? Esta oração é a nossa fonte de esperança!

Meus amigos, nós vivemos nesta época. A cena que se segue, neste livro de Daniel, é a instauração do reino de Cristo, a esperança de todas as esperanças, o retorno em Glória do Príncipe Emanuel e a questão que me comove e desperta toda a minha curiosidade é a de querer saber quanto tempo falta para que, no relógio de Deus, chegue o minuto em que essa pedra será cortada do monte sem auxílio de mãos e virá para esmiuçar os reinos que não têm resposta para as ansiedades e expectativas do ser humano!

Eu penso muito neste assunto. E há um pormenor descrito nos Evangelhos que coloca a Vinda deste Reino eterno num momento preciso: à meia-noite. Creio que a meia-noite é o momento que separa um dia do outro. É o minuto da História do Mundo que separa um Mundo de lágrimas e dor dum começo glorioso em que Jesus “limpará toda a lágrima...” Apocalipse 21:4

Querem saber onde está esse pormenor? Claro que querem!

“Mas, à meia-noite, ouviu-se um grito: Aí vem o noivo, saí ao seu encontro.” Mateus 25:6

Parece que o Senhor Jesus estava sentado no Monte das Oliveiras enquanto contava esta parábola, conhecida como a das Dez Virgens. Vai levantar o véu do tempo e mostrar o relógio que marca o tempo que falta para a Sua vinda. Não mostrou o relógio, mas descreveu, com pormenores, o que aconteceria enquanto Orion se dilataria, para Ele vir, com miríades e miríades de anjos.

Ele afirmou, sem a mínima hesitação que esta esperança era o núcleo de todas as esperanças, a saber, a Sua Segunda Vinda: “Virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós, também.” João 14:3

A Segunda Vinda de Jesus ocupa um lugar proeminente nas Sagradas Escrituras como a Esperança de todas as esperanças. Ela é mencionada 318 vezes no Novo Testamento. Ou seja, em média, 1 versículo em cada 25 falam desta Esperança.

O Senhor falou desta esperança através de parábolas e de profecias. Dedicou a este tema um discurso que se encontra em dois capítulos seguidos: o capítulo 24 e o 25 de Mateus, e que está resumido em Marcos 12 e em Lucas 21.

O livro de Actos dos Apóstolos, que como o seu nome indica, é a história dos Apóstolos, ou também da Igreja Primitiva. Começa com a cena da Ascensão e a promessa da Vinda do Senhor Jesus.

O apóstolo Paulo falou desta esperança em praticamente todas as suas epístolas. Em Hebreus diz mesmo: “Pois ainda um pouco de tempo, e aquele que há-de vir virá, e não tardará.” Hebreus 10:37

Tiago animava os cristãos, seus contemporâneos, a terem paciência: “Sede vós, também, pacientes, fortalecei os vossos corações; porque já a vinda do Senhor está próxima.” Tiago 5:8

A instauração do reino de Cristo porá fim às guerras.

Durante os milhares de anos da História da humanidade, ou seja em cerca de 6.000 anos, a História contabiliza apenas 350 anos de paz. Só no século 20, milhões incontáveis foram mortos em guerras. Estou a falar unicamente de um século:

· 1914-1918 – I Guerra Mundial: Quase 9 milhões de soldados morreram. As metralhadoras matavam, em média, 5.600 jovens por dia. A Primeira Grande Guerra foi a primeira guerra moderna, a pioneira a usar amplamente algumas das terríveis armas de destruição que conhecemos hoje: “Vi árvores grossas como a coxa de um homem literalmente cortadas pela corrente de chumbo.” Disse uma testemunha arquejante, descrevendo o efeito de uma metralhadora que disparava 500 balas por minuto.

· 1939-1945 – II Guerra Mundial: Morreram 17 milhões de combatentes e 60 milhões de civis. Dentro desse horror, um outro aspecto do mal: 6 milhões de judeus e quase outro tanto de “indesejáveis”, ciganos, eslavos, foram sistematicamente trucidados.

· Genocídios do século XX:
– 1915-16: Um milhão de arménios massacrados pelos turcos.
– 1932-33: Cinco milhões de ucranianos morreram à fome durante a colectivização forçada de Estaline.
– 1975-78: Um milhão e meio de cambojanos foram mortos pelos Khmers Vermelhos.
– 1984: Um milhão de tutsis foram assassinados pelos hutus no Ruanda.
– 1975-99: Cerca de 200 mil timorenses foram mortos durante a ocupação indonésia.

Quem é que não deseja que se cumpra o que diz o Apocalipse 11:15?: “E o sétimo anjo tocou a sua trombeta, e houve, no céu, grandes vozes, que diziam: Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre.”

Daniel, quando falava deste reino, dizia: “Não será nunca mais destruído...” (Daniel 2:44).

Quem é que não deseja este reino onde impera a paz? Anelo a paz, ela é uma jóia tão preciosa que eu daria qualquer coisa por ela, só a não trocaria pela verdade.

Quando Cristo vier não virá só instituir a paz, mas virá erradicar para sempre a fome.
Actualmente, metade do mundo sofre de fome. Os subalimentados e os que morrem de fome, se eles se dessem as mãos, formariam uma corrente que daria 26 vezes a volta à Terra. Esta situação é em muito provocada pelo próprio homem.

Foi em 1962 que Rachel Carson, bióloga marinha, escreveu um livro (Silent Spring, Primavera Silenciosa) em que chamou a atenção para o ambiente em consequência não só da poluição da atmosfera, mas especialmente como resultado do uso dos pesticidas.

O próprio Al Gore, vice-presidente e que se candidatou à presidência dos Estados Unidos, declarou: “mudou o curso da História”. O sucesso do uso do DDT na II Guerra Mundial provocara uma corrida a estes produtos nos Estados Unidos para matar os insectos que se alimentavam das searas.

Os insecticidas não matavam só os insectos. Matavam, também, peixes e pássaros, e provocavam doenças nas pessoas. “Todo o ser humano está hoje exposto a produtos químicos perigosos, da concepção até à morte”, advertiu ela. O livro é uma defesa ardente e meticulosa do controlo dos pesticidas. Atingiu o público e derrubou a fé absoluta dos americanos na Ciência e na Indústria.

As mudanças vieram:
1970 – Foi criada a Agência de Protecção Ambiental, Dia da Terra, Lei do Ar Limpo.
1972 – Lei da Água Limpa, proibição do DDT.
1987 – Primeiro acordo ecológico global contra a produção de químicos destruidores da camada de Ozono.
1992 – Os Estados Unidos aderiram à aliança da ONU para travar o aquecimento da Terra, no seguimento da Cimeira do Rio. Não fosse a descrição dramática de Rachel Louise Carson das primaveras “sem cantos de pássaros”, continuaríamos alheios ao facto de que “somos parte do equilíbrio natural” do Planeta.

A Terra está doente. A terra já não produz a não ser alimentos e animais doentes. Sim, há milhões que morrem à fome. O problema é que a outra metade morre com excesso de gordura. Deixem-me ler um extracto da revista Visão de Dezembro de 1999: “É verdade, à medida que nos encaminhamos para o século XXI estamos a ficar cada vez mais anafados. A gordura, alguém teria que acreditar, é o quinto cavaleiro do Apocalipse, cavalgando a par da Guerra, da Fome, da Pestilência e da Morte. E é imensamente lucrativo.” Pág. 160.

Já não é só de gordura que se morre, nem do facto de comer a carne das vacas loucas. Morremos porque o homem continua a ameaçar o Planeta.

Desastres ambientais:
1953 – Quase 70 mortos e centenas de feridos devido à ingestão de peixe com mercúrio em Minamata, Japão.
1957 – Explosão nuclear em Chelyabinsk, Rússia, expõe 270 mil pessoas a elevadas doses de radiação.
1984 – Fuga de gás em Bophal, Índia, mata 10 mil pessoas.
1986 – Desastre na central nuclear de Chernobil, Ucrânia.
1989 – Desastre do Exxon Valdez no Alasca.
Quantos mais até aos dias actuais? A lista seria longa!

Será esta a solução?

Não! Uma tal situação só terminará quando Jesus vier: “Nunca mais terão fome; nunca mais terão sede. Nem sol nem calor algum cairá sobre eles. Pois o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará e os conduzirá às fontes das águas da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda a lágrima.” Apocalipse 7:16, 17

Quando o Senhor Jesus vier é para pôr fim a todo o tipo de mal que nos aflige.

Hoje a doença é a rainha da nossa Terra. Os hospitais, clínicas são insuficientes não só em Angola, ou Moçambique, mas em Portugal, em França ou em qualquer outra parte do Mundo, por mais avançado que esteja esse canto do Planeta.

Consomem-se toneladas de calmantes, mas em breve a esperança dará lugar à paz. Terminará a artrite, o cancro, a Sida: “Nenhum morador de Sião dirá: Estou enfermo; e a iniquidade do povo que aí habitar será perdoada.” Isaías 33:24


“Então os olhos dos cegos se abrirão, e os ouvidos dos surdos se desimpedirão. Então os coxos saltarão como o cervo, e a língua dos mudos cantará. Águas arrebentarão no deserto, e ribeiros no ermo.” Isaías 35: 5, 6

O apóstolo João descreve da seguinte maneira o Mundo restaurado: “E Deus limpará dos seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.” Apocalipse 21:4

Quando Cristo voltar, a morte terminará para sempre.

Actualmente, milhares de crianças, jovens, homens e mulheres morrem em cada hora que passa. Se pudéssemos ver toda a Terra, veríamos milhares de cortejos a caminho dos cemitérios. Realmente o Mundo é um grande hospital e cada pessoa é um doente desenganado.

Quando Jesus vier é para matar a morte. Se não fosse por causa do pecado, a morte nunca teria tido um princípio; se não fosse por causa da morte, o pecado nunca teria fim.

A morte é, como já dissemos, a rainha do medo, mas Jesus é o Rei dos reis: “Porque convém que isto, que é corruptível, se revista da incorruptibilidade, e que isto, que é mortal, se revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória.” I Coríntios 15:53, 54

Quando Cristo voltar a separação terá fim.

As pessoas que se amam, não gostam de se separar. As pessoas que se amam não têm prazer que a morte ameace a cada instante separá-los e levar um para debaixo da terra. Parece que nesta Terra temos que estar sempre com as malas prontas, porque em qualquer momento temos de partir.

“Porque o mesmo Senhor descerá do céu, com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles, nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.” I Tessalonicenses 4:16, 17

Experiência: Fui pastor em Cascais. Enquanto viver, nunca esquecerei aquele dia. Não foi uma despedida comum. Não! A pessoa de quem nos despedíamos tinha só 35 anos. Era uma pessoa amável, um bom cristão, foi das pessoas que mais colaborou para a construção do Templo Adventista desta vila. Tínhamos um encontro, justamente por causa das obras. Nesse dia, o João disse-me:

– Pastor Costa sinto-me fraco. Ando a perder sangue e não tenho apetite.

Não fazia a mínima ideia do seu problema, e argumentei que ele deveria imediatamente começar uma alimentação racional e inclusive a tomar alguns suplementos alimentares.

– Não saio daqui sem irmos os dois a uma ervanária. Fomos, de facto. Pelo caminho fui sabendo um pouco mais do seu problema e tomei consciência de que era necessário ir urgentemente ao médico. O João foi. Infelizmente, a doença de que era prisioneiro era a própria morte, um cancro terrível. Recordo o dia do seu funeral que se realizou, infelizmente, poucos meses mais tarde. Eu tinha uma pequena parte na cerimónia fúnebre.

Naquele dia e antes de me dirigir para Cascais, (vivia então em Lisboa), telefonei para um amigo comum, o Engenheiro Carlos Alberto Lopes, e pedi-lhe para levar para a igreja a Bíblia do João.

Confesso que não sabia a razão de tal pedido. A minha ideia era ler uma ou duas passagens da sua Bíblia e falar do homem, pai e cristão que tinha sido aquele de quem nos separávamos. Abro a Bíblia, e fico surpreendido porque era uma Bíblia nova. Ele tinha nascido num lar Adventista, portanto teria uma Bíblia bem usada. Mas a que eu tinha ali e era do João, era nova.

Levantei-me e aproximei-me do Caixão onde estava aquele amigo do coração. Abri a Bíblia e leio um texto sublinhado. Falava da vinda de Jesus. E pensei ler as passagens que ele tinha sublinhadas. Todas tinham a ver com a Vinda do amado Senhor e com o Seu reino sem dor, sem sofrimento e morte. Certamente quis, durante a doença, deixar uma mensagem da sua fé pessoal. E que mensagem mais poderosa!

Em relação ao ser humano, qualquer ser humano pode ter, sobre o futuro, uma das duas visões:

– Uma, de um Mundo frio, sem esperança, eu diria brutal. Cheio de angústias e medos. Ruínas e desolação.

– Outra, a de um futuro descrito por Deus, que parece aos meus olhos, maravilhosa. A vida eterna num Mundo cheio de beleza onde reinará o Senhor Jesus Cristo.

Qual das duas visões quer ter?

Eu já decidi esperar, como o meu amigo João. Quero morrer como ele, a esperar sem querer fugir por nenhum atalho. Há um pensamento que diz: “Aquele cujo o pensamento está no céu, não precisa de ter medo de colocar os pés no túmulo.”

Podemos, neste momento, decidir não só esperar Jesus como Rei que vem, mas podemos decidir que hoje Ele seja o nosso Redentor. Na cruz do Calvário, Ele sofreu o castigo que nos estava reservado, em consequência dos nossos pecados, o castigo que merecíamos.

Mas, como diz o apóstolo Paulo: “O qual se deu a si mesmo pelos nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus, nosso Pai.” Gálatas1:4

Estas palavras de Paulo são claras. Foram os nossos pecados os responsáveis pela morte de Cristo. Mas se O aceitarmos como Senhor e Salvador, se nos arrependermos perante a Sua face, então, a Sua justiça será colocada sobre a nossa cabeça.

Todos os que morrem na fé são firmemente agarrados pelo amor de Cristo e não terão consciência de qualquer passagem de tempo, até ao momento em que Cristo voltar – o tempo será semelhante ao que se passa entre o momento em que vamos dormir e aquele em que acordamos de manhã.

Meus amigos, isto é maravilhoso! Jesus Cristo, que vos resgatou pelo Seu precioso sangue, voltará muito em breve para restaurar o reino perdido. Tornemo-nos, desde agora e para sempre, Seus servos. Na verdade Seus servidores, filhos do Seu reino eterno.

Pr. José Carlos Costa

PAZ PARA VIVER: 10 - Quem Determina o Destino

Introdução: Recordo a minha infância, especialmente, o período dos 7 aos 12 anos. Era o mais velho de seis irmãos e comecei a ficar cansado com tanta gente a nascer lá em casa.

Um dia em que olhava para a minha mãe, reparei que a parte da frente do vestido estava mais levantada que a parte de trás. Fez-se clique na minha mente. Já tinha notado aquela situação em diferentes ocasiões e o vestido só voltava a estar atrás como à frente depois de ter nascido mais um irmão ou irmã.

Fiquei tão aborrecido que durante dois dias não quis comer. A minha mãe pensava que eu estava doente, e perguntou:
– O que se passa contigo, Carlitos?
– Não me diga nada. Estou zangado com a mãe e não quero comer!
– Mas porquê? – perguntou ela.
– Porque estou cansado de ter tantos irmãos e vem aí outro.
– Mas como é que tu sabes que vais ter outro irmão?
– Repare bem no seu vestido, não é difícil de perceber! – exclamei eu, irritado.
– Não é nada do que estás a pensar, quem traz os meninos é a cegonha.

Pedi desculpa à minha mãe. Passado uns meses, apareceu mais um “estranho” a gritar em casa.
– Carlitos, anda cá depressa, olha o que a cegonha nos trouxe!
– Malditas cegonhas! – respondi.

A partir dali, e durante anos, fiquei com um grande ódio às cegonhas. Mas hoje em Portugal são uma espécie protegida. E é formidável, ir pelas estradas das Beiras, Ribatejo e do Alentejo e ver aqueles grandes ninhos normalmente em cima de postes de electricidade. Podemos até ver os seus filhotes e são bem diferentes daqueles “seres” que apareciam lá em casa de dois em dois anos.

Admiro a Quercus e as associações que protegem o ambiente, os habitats, e todas as espécies em vias de extinção que infelizmente são muitas! Fico impressionado com a luta contra a poluição, por exemplo, quando há derramamentos de petróleo no mar, e vejo aqueles jovens e adultos que arriscam as suas vidas para salvar aves, peixes e animais que dependem tantas vezes dessas pessoas para sobreviver.

A luta pelo domínio da mente.
Se os animais, as aves, os peixes e o habitat têm assim tanto valor e têm-no de facto, com todo o respeito por todos vós, atrever-me-ia a relacionar o ser humano com as espécies de animais em vias de extinção. Se o homem faz tantos esforços para evitar que estas espécies desapareçam e que são, não restam dúvidas, muito importantes – repito – para o equilíbrio do Planeta, quanto mais é importante o ser humano?

Porque cada homem, mulher, jovem, menino, independentemente da raça, da cor da pele ou dos olhos, somos todos da mesma espécie, uma espécie única e insubstituível, uma espécie criada à imagem do Criador. Ninguém é uma cópia, cada um é um original!


Não resisto a partilhar convosco um pensamento de uma autora que muito aprecio: “Todo o ser humano foi criado à imagem de Deus, está dotado da faculdade semelhante à do Criador: a individualidade, a faculdade de pensar e fazer.” Ellen G. White - Educação, p. 17.

A individualidade é uma faculdade preciosa. Significa que cada um é único. Não há ninguém semelhante entre as pessoas que me ouvem esta noite, não importa onde esteja, não importa a idade ou a posição social. Cada um tem uma sensibilidade e sentimentos que o fazem uma pessoa única.

Essa individualidade tem muito valor diante de Deus. A existência de cada pessoa é para Ele extremamente valiosa. A sua perda é de alguma forma irreparável. Deus, quando nos concebeu no Seu pensamento, tinha um plano específico para aquele ser humano, um plano de amor, um plano de paz. O Criador criou o homem com um anseio no coração – a saudade de Deus.

Vocês estão a sentir saudades de Deus. São essas saudades que vos trazem aqui cada noite, porque sentem que o Senhor está presente, sentem que só Ele vos compreende nos mistérios da alma. Sem voz, vocês ouvem, sem O verem vocês sentem que são vistos, a Sua presença não é tangível, mas Ele toca-vos. E cada um sente alegria e paz para viver, ao ter este encontro com o Senhor Jesus cada noite.

Jesus Cristo nunca encontrou uma pessoa que não fosse muito importante. Foi por isso que Deus enviou o seu Filho para morrer por nós. Jesus veio, não porque foi obrigado a vir, mas porque Ele sentia o mesmo amor que o Pai pela raça perdida.

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigénito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” João 3:16

A palavra amor em português é demasiado insignificante para exprimir a profundidade do interesse que exprimem a palavra grega agápë, “amor” (Mateus 5:43). O amor é um atributo permanentemente subjacente ao Criador na relação com as criaturas. É a força predominante do governo divino.

O facto de alguém morrer por alguém, só pode significar que essa pessoa é muito importante. O ser importante não está relacionado com o que se tem mas com o que se é. E nós somos muito importantes para o Senhor Jesus.

João, quando se refere à relação que Jesus tinha com ele, menciona “aquele a quem Jesus amava” João 21:7; (13:23; 19:26; 20:2). Isto quer dizer, que ele se sentia o mais amado.

Experiência: Faz-me pensar naquela senhora em São Tomé. Decorria uma série de conferências no Palácio dos Congressos, com cerca de 2.000 pessoas todas as noites. Na última noite um grupo de amigos preparou uma pequena refeição. Ao meu lado estava sentada uma senhora com quem comecei a conversar:
– Diga-me, quantos filhos tem?
– Tenho doze filhos?
– Doze filhos são muitos filhos. Que idade têm eles?
– O mais velho tem 22 e o mais novo tem dois anos – respondeu ela, tranquilamente.
– Então, diga-me, de qual dos doze gosta mais? – Antecipei a resposta, dizendo: do mais pequeno?
– Não. Não é do mais pequeno nem do mais velho – olhou nos meus olhos e concluiu com a sabedoria africana... ou de mãe – o que eu mais amo é o que chora.

Olhei para ela com profunda admiração e um respeito intraduzível por palavras. Ela amava o que chorava, o que se aproximava dela para receber um carinho. Ela fez-me pensar em Jesus.

“Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.” I João 4:8

As riquezas voam; o conforto desaparece; a esperança fenece; somente o amor permanece para sempre. Deus é amor.

Bastaria dizer o seguinte: se Deus é Deus e o homem foi feito à Sua imagem, cada homem tem um significado especial. E eu creio que o homem ainda conserva a imagem de Deus – distorcida, quebrada, anormal, mas ainda assim é portador da imagem de Deus. E este é o plano que Deus tem para cada um, é que seja portador de Deus.

Fico impressionado com as organizações que lutam pela defesa das espécies em vias de extinção no mundo. Se as pessoas fazem tantos esforços para evitar a perda das espécies animais, quanto mais não se deveria fazer pela preservação da existência digna do ser humano?

Quanto mais não se deveria fazer para que cada pessoa reencontre o caminho do Céu! Quanto mais não se deveria fazer para que cada pessoa compreenda que o lugar para onde Deus quer que vá é muito mais importante que o lugar onde está!

A procura da religião torna evidente que a alma humana instintivamente crê que existe Céu. Esse instinto foi implantado no coração do homem pelo próprio Deus. O Criador dos sentimentos e da sensibilidade marcou cada ser humano com esta evidência.

O problema de muita gente é não compreender que esta caminhada deve iniciar-se hoje, e que se deve encontrar rapidamente o verdadeiro caminho. “Nem todos os caminhos vão dar a Roma”, da mesma forma nem todos os caminhos vão para o Céu.

Estará a perguntar:
– Então, qual é o verdadeiro caminho?

Quer que eu responda? Então eu respondo sem hesitar:

– O verdadeiro caminho, é amar o Céu. Amar o Céu acima de qualquer outra coisa. Amar os que habitam no Céu acima de qualquer outra coisa. Amar a Jesus de todo o coração. Então não se pode ficar de braços cruzados, procuramos conhecê-l’O e amá-l’O.

Quando Jesus chamou os Seus discípulos, não disse “Copiai-me”, mas “Segui-me”. Ao segui-l’O foram impressionados com o valor que Jesus lhes atribuía. Sentiram que Jesus teria deixado o Céu para vir a este abismo, por cada um, individualmente.

Por isso podemos compreender as palavras de Jesus quando diz: “E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois; mais valeis vós do que muitos pardais.” Mateus 10:30, 31

E em Mateus 16:26, o Senhor Jesus faz uma pergunta: “O que dará o homem em troca da sua alma?”

Esta é, sem dúvida, a maior pergunta que Jesus fez em todo o Seu ministério. Quem é que pode responder? Será que há resposta humana para esta pergunta? Não há!

A alma, como já temos dito, é a sede da individualidade que foi colocada por Deus na mente de cada pessoa. É a impressão digital de Deus. É isso que faz a diferença entre cada pessoa, todos iguais mas todos diferentes.

A mente é, desta forma, a sede, a capital de cada pessoa. A mente é o centro da vontade, das decisões, o governo do corpo e da vida.

E isso torna-nos semelhantes a Deus. Não foi a desobediência que nos tornou semelhantes a Deus, ou possuidores de mais conhecimento, ao contrário. A desobediência foi a introdução do mal em nós pelo próprio Diabo. O mal é algo tão profundo que nenhum de nós o pode arrancar de si mesmo sem a ajuda de Deus. Deus, porém, não arranca o mal contra a nossa vontade – a chave para entrar na alma, ou na mente.

Deus deu a chave da mente ao homem. Essa chave está na nossa mão e é a nossa vontade. Ninguém pode entrar dentro dessa fortaleza, sem o consentimento do homem. Nem Deus, nem o Diabo.

É por isso que está escrito em Apocalipse 3:20: “Eis que estou à porta, e bato. Se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.”

Este foi o propósito de Deus ao criar-nos. Que sejamos livres de O deixar entrar ou não entrar.

Deus deu ao homem a capacidade de pensar e de agir. A capacidade de ponderar as consequências e de tomar decisões responsáveis. Ele não força. E é por isso que Deus vai colocar o Céu e a Terra como testemunhas de que estas coisas serão assim: “Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição: escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua casa.” Deuteronómio 30:19

Nesta situação a única coisa que Deus faz, é aconselhar: escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência.

Deus não pode fazer mais nada, fez tudo quanto o Seu amantíssimo coração Lhe inspirava. Agora, espera.

Muitas pessoas me tem perguntado, como é que Deus aconselha? Respondo: O Antigo Testamento, os Profetas, Jesus Cristo, enfim as Sagradas Escrituras.

Ilustração: Um dia dois amigos estavam a falar sobre a existência ou não existência de Deus. Um era crente o outro não. O incrédulo, a certa altura, afirmou:
– Mas eu não creio em Deus.
Já leu o Antigo Testamento? – perguntou o amigo.
Como posso ler o Antigo Testamento se não sou crente?
Mas já leu alguma coisa do Novo Testamento? – insistiu.
Já lhe disse que nunca li nada dessas coisas, porque não tenho fé.
Não me leve a mal a minha franqueza, mas o seu problema não é de fé. É de ignorância.

Todos concordaram, inclusive ele.

Uma pessoa que não lê nem o Antigo Testamento, nem o Novo Testamento, está realmente numa situação de exposição tremenda. É verdade que ainda tem dois meios através dos quais pode ouvir o conselho de Deus: A Natureza e a consciência.

E Deus não hesitará em servir-Se destes dois meios para aconselhar. Mas nunca obrigará, nunca imporá a Sua vontade. Não conheço experiência mais tremenda do que a que assisti na cidade de Praga.

Experiência: Tratava-se de um Seminário de Testemunho Cristão. Foi no ano de 1991. Estavam presentes sessenta e dois pastores e a minha missão era ajudar aqueles pastores que tinham vivido sob um regime que não permitia o testemunho cristão público. Ensinar-lhes como dar esse testemunho.

O seminário estava organizado em duas partes: uma teórica, outra prática. Esta era, sem dúvida, a mais difícil porque a melhor maneira de aprender é fazer. Estivemos juntos todo o Domingo. No final da manhã de Segunda-feira, lancei um desafio de irmos para a rua e testemunhar da Fé Cristã. Isto consistia em bater às portas, cumprimentar as pessoas e fazer uma das seguintes perguntas:
– Crê em Jesus?
– Crê na Virgem Maria?
– Crê em Deus?
– Pensa que há vida depois da morte?
– Tem por hábito rezar antes de se deitar?
– Crê que Jesus voltará outra vez?

Estas perguntas tinham como objectivo iniciar uma conversa sobre a fé bíblica. Quando perguntei quem estava disposto a ir, com excepção de um, todos os outros disseram que estavam prontos a ir.

Ao fim do dia encontrávamo-nos para partilhar as nossas experiências. Isto aconteceu até Quinta-feira. Neste dia à noite, ou Sexta-feira de manhã, os pastores deveriam voltar para as cidades onde eram pastores para pregar o Evangelho.

Na Sexta-feira, por volta do meio-dia, apareceu o pastor que não quis ir. Estava muito eufórico, só que como falava em Checo, eu não percebia nada. Finalmente o irmão que me acompanhava e traduzia (da língua checa para o francês), contou-me o que se tinha passado com aquele pastor.

Não tinha conseguido dormir, sentia na sua consciência que não tinha agido bem. Todos os colegas regressavam às suas igrejas com experiências fantásticas. Alguns tinham encontrado pessoas que oravam para que alguém lhes falasse de Deus, outro tinha encontrado um professor universitário que o tinha convidado a ir à Universidade falar de Cristo aos seus alunos. Havia tantas experiências! Só ele não tinha nada para testemunhar.

Na Sexta-feira de manhã a seguir ao pequeno-almoço saiu e foi sozinho de porta em porta. Bateu em dezenas, mas ninguém o queria ouvir. Já desanimado, pensou regressar. Quando se encontrava pronto para sair do último prédio em que entrara, olhou e viu que havia uma porta na cave. Pensou já não ir bater a essa porta, mas por fim foi.

Bateu à porta. Passados segundos apareceu um homem de enorme estatura e ele perguntou:

– Crê em Deus?

Mal tinha terminado a pergunta, foi arrastado para dentro da casa. Apercebeu-se que aquele homem era um cigano e pensou: “Hoje é o último dia da minha vida. Fui um tonto em vir.”

– Fica aqui, não saias daqui, eu volto já – pediu o cigano.

Ficou encostado a uma parece de uma sala sem móveis. Fechou os olhos e orou: “Senhor de toda a misericórdia. Eu não queria vir e pensei que foste Tu que durante esta noite me disseste para vir. Vim para falar do teu amor, porque senti que era uma tarefa sagrada. Agora estou aqui prisioneiro, é por Ti Jesus.

Nisto ouviu vozes. Ainda mal refeito, sentiu-se rodeado por mais de um dúzia de homens e o que o tinha recebido disse:

– Estes são os meus filhos e genros. Esta manhã, enquanto tomavam o pequeno almoço discutiam sobre a existência ou não existência de Deus. Como vi que a discussão se azedava, ordenei que se calassem e disse:

– Se Deus existe, Ele que venha cá dizer. Calem-se!

– Tu foste enviado por Ele, por isso, fala!

Falei, como nunca antes, da existência de Deus e do Seu amor. Estou tão feliz! Obrigado, pastor Costa, foi maravilhoso. Assim começou o trabalho da pregação do Evangelho entre os ciganos neste país. Agora sei que Deus tocou a minha consciência e eu fui dirigido pelo Espírito de Deus.

Ele poderia ter recusado. E desta forma a decisão final é livre. Cada ser humano é responsável pelas consequências. O que encontrar no final do caminho será da sua exclusiva responsabilidade.

Não poderá culpar ninguém, ele e só ele é responsável. Deus respeita este princípio da liberdade que é a base do Seu governo e direcção. É isto que diz a Bíblia: “Nem por força nem por violência...” Zacarias 4:6

Mesmo quando o Seu coração de Pai amoroso o pressione a intervir, a justiça e o respeito aos Seus próprios princípios não Lho permitem. O governo de Deus é de ordem moral. Deus quer que o Seu poder se exerça unicamente sobre seres livres, que decidam amá-l’O e servi-l’O voluntariamente, porque compreendem que é justo, e santo e bom.

Porque compreendem que um Deus que corre tais riscos ao criar criaturas com tal confiança é digno de amor e de estima. O Senhor deu ao ser humano a capacidade de pensar e fazer. A capacidade de compreender, de considerar as evidências e tomar decisões consequentes.

E é o que quer dizer na Sua Palavra quando diz: “Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição: escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua casa.” Deut. 30:19

O que Deus pode e faz é aconselhar: “Escolhe pois a vida, para que vivas tu e a tua descendência.”


Ele fez o que o Seu amor O inspirava a fazer. Agora aconselha e espera.

Ilustração: Um homem caminha na estrada da vida. Rapidamente aproxima-se duma encruzilhada na qual tem que fazer a sua decisão final e o seu destino ficará decidido. Deus faz todo o possível para iluminá-lo enquanto caminha. Servindo-se de diferentes meios vai procurar que seja elucidado quanto ao seu destino eterno, à vida, à verdade.

Far-lhe-á fervorosos apelos através da Sua Palavra, do Espírito Santo, e até da própria Natureza que inquestionavelmente revelam a Sua Omnipresença.

Mas quando chega o momento em que terá que tomar a decisão final, Deus diz: “Um momento. Fiquem agora em silêncio, deixem-no só. Ele deve decidir sozinho. Na sua mente coloquei a liberdade.”

Desta forma a sua decisão será totalmente livre. Só o homem é responsável pelas consequências. O que encontre no final do caminho será da sua exclusiva responsabilidade. Não poderá culpar ninguém a não ser a si mesmo.

Deus respeita os Seus princípios. Não intervém na vida das pessoas para forçá-las a fazerem o que Ele quer, ou dominando a vontade para que sigam os Seus caminhos eternos. Mesmo quando o Seu coração de Pai amoroso naturalmente se inclina a intervir, a justiça e o respeito pelos Seus princípios eternos não Lho permitem. Deus decidiu desde o princípio que seria assim e assim continuará!

O Inimigo não olha a meios...

Mas, sabem, na vida há sempre um “mas...” e neste caso também o há. E aqui está o grande problema. O inimigo, Satanás, não respeita princípios, não olha a meios para alcançar os seus objectivos.

Satanás vigia continuamente a fim de surpreender a mente num momento de descuido. Através de uma arte refinada tenta continuamente influenciar a mente humana a fazer a sua vontade.

Vigia permanentemente na procura de uma oportunidade pela qual ele se possa introduzir de forma subtil na mente humana. Desde o jardim do Éden, a batalha maior que se tem travado, não é no terreno geográfico, não foi a Primeira Guerra Mundial ou a Segunda, mas, o mais poderoso combate é travado pela posse da mente. Quem será adorado no templo da alma?

A mente é o campo de batalha onde se decide o destino eterno. O grande objectivo de Satanás, a grande vitória que quer ganhar, é apoderar-se das mentes dos seres humanos.

Ao longo da nossa vida cristã somos exortados a não dar muita importância a Satanás:
– Que as nossas reflexões não devem incidir sobre o poder do poderoso inimigo de Deus.
– Que devemos ter um pensamento positivo.
– Que é necessário confiar no poder de Jesus

Não há dúvida de que isto é muito importante. No entanto o apóstolo Paulo, que conhecia o poder e os ardis do adversário da nossa alma, avisa: “...para que Satanás não leve vantagem sobre nós; porque não ignoramos as suas maquinações.” II Coríntios 2:11

Quer dizer, o que ignora a astúcia de Satanás está em desvantagem. O inimigo aproveita essa vantagem juntamente com o facto de que ele é um ser não visível e nós para ele somos visíveis. Conhece-nos e, particularmente, às nossas fragilidades. Ele é um ser que viveu nas cortes celestes, tem um imenso poder.

Desta forma ele domina o espírito das pessoas de modo a influenciá-las a não prestarem atenção à Palavra de Deus, a única arma que o pode combater. Quantas vezes o inimigo usa o mesmo disfarce que usou com Eva, numa contrafacção subtil para que caiamos no seu engodo!

Gosto do conselho do apóstolo Pedro quando diz: “Sede sóbrios, vigiai. O vosso adversário, o diabo, anda em derredor, rugindo como leão, buscando a quem possa tragar. Resisti-lhe firmes na fé.” I Pedro 5:8, 9

Viver como se não existisse esta solene advertência é presunção e grande descuido espiritual. Sem dúvida que Satanás age neste tempo, na sociedade, no coração e mente de multidões, com a intensidade do último combate.

Vemos isso na multiplicação de cartomantes.
– Adivinhos.
– Falsas religiões, que não se firmam por um “assim diz o Senhor”.
– Movimentos da Nova Era.
– Grupos musicais. Ainda há bem pouco tempo, todos ouvimos o que se passou na região de Aveiro. O filho mata os pais. Um jovem e a esposa que pertenciam a um grupo rock, cujos temas eram a adoração satânica. Ele dizia que não foi isso que o levou a matar os pais, mas o facto de eles não lhe darem dinheiro. (ver Jornal). Na verdade o Demónio apossou-se da sua consciência.
– Pessoas intelectualmente bem formadas, mas incautas, e que se deixam dominar pela leitura de livros de cunho espírita.

Chamo a vossa atenção para uma solene passagem bíblica referente aos últimos tempos: “Então vi três espíritos imundos, semelhantes a rãs, saírem da boca do dragão, da boca da besta e da boca do falso profeta. São espíritos de demónios, que operam sinais, e vão ao encontro dos reis de todo o mundo, a fim de congregá-los para a batalha, naquele grande dia do Deus Todo-poderoso.” Apoc. 16:13, 14

Por essa razão dirijo-me, com a veemência de quem ama e conhece os segredos de Deus revelados na Sua Palavra: que Satanás, durante milhares de anos, aprendeu a manipular as propriedades da mente, e que o seu propósito é fazer uma ligação da mente humana com a sua própria mente.

E está, através de muitos meios, introduzindo os seus pensamentos no pensamento humano. Introduzindo mensagens que toquem a própria vontade humana, ele vai confundir de tal modo os seres humanos, que a única voz que ouçam seja a voz do Arqui-enganador. Isto foi o que ele fez no Céu manipulando a terça parte dos anjos. Isto é o que ele está a fazer aqui na Terra!

Ele procura tocar nos neurotransmissores da mente, na sede da alma, de forma a bloquear todos os impulsos de salvação enviados pelo Espírito Santo.

A química, a física e a fisiologia que sustentam a nossa mente é estudada por Satanás com grande afinco.

Quem determinará o nosso destino?

Não posso resistir à convicção de que devo ler um extracto de grande sabedoria: “Satanás, durante milhares de anos, tem estudado as propriedades da mente humana e aprendeu a conhecê-las. Mediante uma obra subtil nos últimos dias procurará ligar a mente humana com a sua própria mente, e então introduzirá os seus próprios pensamentos. Esta obra será feita de tal maneira que os seres humanos farão a vontade do inimigo sem se darem conta disso. O grande enganador espera confundir de tal modo as mentes dos seres humanos, que estes cheguem ao ponto de que a única voz que escutarão será a dele.” – Mensagens Escolhidas, vol. 2, págs. 252,253.

1 - Conhece os mecanismos da mente humana de forma a poder modificar o seu funcionamento.

2 - Está a ligar a sua mente com a mente humana através da arte, do cinema, da cultura, da filosofia, da música, servindo-se inclusive da própria religião.

3 - Esta obra é estudada ao mais ínfimo pormenor. Muitos aceitam sem terem consciência do risco.

4 - Milhares estão sendo selados com o selo da morte, guiados por uma mente superior, orgulhosos da liberdade que pensam ter e do seu poder mental mas, no entanto, estão debaixo da direcção de Satanás, sem terem a mais pequena suspeita.

5 - O objectivo final é chegar ao dia em que as pessoas estejam controladas física, mental e espiritualmente.

Isto quer dizer que a sua principal preocupação é o controlo dos neurotransmissores da mente humana.

Ilustração: A muralha da China tem 3.000 quilómetros de comprido. É tão grande que é a única obra humana que pode ser vista da Lua sem auxílio de meios técnicos. Esta muralha tinha torres de controlo situadas a uma certa distância de forma que as sentinelas podiam ouvir-se e ver-se uns aos outros.
Foi construída para proteger o Império do Sol nascente dos ataques dos inimigos do norte, especialmente, os mongóis. Mas não serviu de grande coisa. Apesar das suas portas de bronze e da espessura das muralhas e de ser inexpugnável pela força das armas, os inimigos subornaram um porteiro, uma sentinela. Ele abriu uma porta e pela calada da noite, o inimigo entrou. Uma noite foi suficiente. Mataram as sentinelas e dominaram por completo o grande Império.

Satanás não pode tocar na mente a menos que lho permitamos, a menos que lhe concedamos a entrada, lhe entreguemos a chave da mente e isso pode ser feito se não estivermos realmente atentos. É verdade que ele não pode entrar sem a nossa autorização, mas também é certo que ele pode subornar para que lhe entreguemos a chave:

– Na estrada, enviando impulsos de que somos grande pilotos: o acidente.
– Beber bebidas alcoólicas é sinónimo de elegância: alcoolismo, dependência.
– Fumar dá um toque chique: cancro dos pulmões.

No final, quem é o culpado?

O mais fácil é culpar Deus. Quando na verdade não foi Deus, mas nós que fomos manipulados pelo Diabo. Num livro da Nova Era, que é lido por milhares e milhares de pessoas, chamado “A Terceira Vaga”, p. 177, diz: “Ao alterar tão profundamente a infosfera, estamos destinados a transformar também a nossa própria mente, a forma como pensamos sobre os nossos próprios problemas, a forma como prevemos as consequências das nossas próprias acções. Pode ser, inclusive, que alteremos a nossa química cerebral.”

A “infosfera”, é o meio ambiente em que vivemos, ou seja é a atmosfera carregada de informações que passam pela música, leitura, cinema, arte etc.

Segundo este autor, isto tem influência na natureza dos nossos pensamentos e controla a mente. Não por influência espiritual, como sempre se ouviu dizer, mas porque modifica a química cerebral e controla as ondas do cérebro e, consequentemente, o pensamento, sem que o possamos evitar, e muitas vezes sem que nos tenhamos dado conta do que se está a passar.

É preciso ter em conta o que se ouve, o que se vê, o que se diz. A revista norte-americana New Yorker trazia esta declaração: “Neste tempo é muito difícil manter a privacidade da alma humana.”

Conclusão: O grande objectivo de Deus.

Queridos amigos, vou fazer uma afirmação de verdade absoluta. Satanás tem planos, mas Deus também os tem e são incomparavelmente melhores.

É o que lemos em João 10:1-5: “Em verdade, em verdade vos digo que aquele que não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e assaltante. Mas aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. A este as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas, e as leva para fora. Quando tira para fora todas as ovelhas que lhe pertencem, vai adiante delas, e elas o seguem, porque conhecem a sua voz. Mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não reconhecem a voz dos estranhos.”

O pastor é Jesus Cristo. Ele é o bom pastor. As ovelhas são os homens e mulheres que acima de tudo querem ouvir a sua voz e não outra voz.

O estranho é o inimigo. É isto que Deus quer que chegue, o dia em que aqueles que são do Senhor Jesus Lhe reconheçam a voz, que não se interessem mais pela voz do inimigo.

Deus quer fazer isto com o nosso consentimento, que segui-l’O seja uma decisão pessoal, com o nosso pleno consentimento. E Deus apela: “Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos observem os meus caminhos.” Provérbios 23:26

Num outro texto das Santas Escrituras está escrito: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração (mente, no original) porque dele procedem as saídas da vida.” Ou as fontes da vida. Provérbios 4:23

Ele quer que a nossa mente se sintonize com a Sua mente, o nosso coração bata em harmonia com o Seu coração. E isto só pode acontecer através da leitura diária da Bíblia. Esse é o ambiente propício para que o Santo Espírito faça as reparações, repare os circuitos que foram danificados pelo inimigo.

A Bíblia é o trigo do Céu que alimenta e fortalece a alma, nos revitaliza, dá vida nova, nova esperança.

Descuidar a leitura da Bíblia é dar oportunidade a que Satanás ganhe terreno no espaço da nossa mente e se apodere da nossa alma.

“Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição. Agora escolhe a vida, para que vivas, tu e os teus filhos.” Deuteronómio 30:19

Só dois caminhos, a vida ou a morte, a tristeza ou alegria, a depressão ou o equilíbrio emocional.

Será que alguém ainda não tomou uma posição clara?

Será que há alguém que ainda não entregou a chave a Jesus?

Então, sem hesitação, apelo em nome de Jesus, do Pai e do Espírito Santo, a que decidam e decidam hoje. Há momentos na vida, oportunidades que não se podem adiar. Há oportunidades que só surgem uma vez na vida.

Se hoje Jesus passou ao alcance da vossa mão, que ela não fique encolhida. Estenda a sua mão e pegue a mão vitoriosa de Jesus e avance com Ele e será vitorioso, porque a vitória é a dois, você e Cristo!


Pr. José Carlos Costa

PAZ PARA VIVER: 09 - Jesus e o Baptismo

“Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos observem os meus caminhos.” Provérbios 23:26

Experiência: Num Sábado de manhã, uma monitora de uma classe infantil, contou a seguinte história às crianças, baseada no versículo que acabámos de le.

Uma das meninas não compreendeu o significado da história por isso quando chegou a casa perguntou ao pai:

– Paizinho, que quer dizer, dar o coração a Jesus?

– Um dia destes explico-te. Entretanto o pai pediu-lhe um pequeno porta-moedas onde ela guardava o dinheiro que o pai lhe dava todos os meses. A menina não tinha muito dinheiro, mesmo assim tinha umas dezenas de euros. Foi a correr buscar o seu tesouro, e entregou-o ao pai, pensando que este iria colocar algumas moedas mais. Mas, para sua surpresa, o pai colocou o porta-moedas no bolso.

O tempo passou, e ela começou a pensar: “Será que o meu pai está a passar por dificuldades e necessita do meu dinheiro.” A verdade, porém, é que em casa não faltava nada, não se podia dizer que o pai fosse um homem muito rico, mas nunca tinha faltado nada de essencial. Até que um dia o pai foi ter com ela e disse:

– Minha querida, porque pensas que pedi o teu velho porta-moedas com todo o teu dinheiro?

– Papá tenho pensado muito sobre esse assunt e cheguei à conclusão, que é para colocares qualquer coisa de valioso lá dentro.

– Tens razão, minha filha – respondeu o pai – aqui tens o teu novo porta-moedas. Não é o mesmo porque aquele já estava muito velho e estragado e não era muito bonito para uma menina como tu. Olha bem e vê o que lhe coloquei lá dentro.

A menina, comovida, abriu a linda carteirinha e, maravilhada, viu que o pai tinha colocado uma nota novinha de cem euros. O pai explicou:

– Perguntaste-me por que razão Jesus pedia o teu coração. E na verdade é a única coisa que nós Lhe podemos dar. É um coração já estragado e nada bonito, um coração que não vale muita coisa. Jesus pede o coração para o limpar e colocar lá dentro um tesouro celestial.

– Compreendeste, agora, minha querida, porque é que a tua monitora falou deste versículo?

– Compreendi, sim, papá, e desejo dar o meu coração a Jesus para que Ele o limpe e o encha da Sua graça.

Jesus falou do baptismo, e Ele próprio foi baptizado e ordenou que este evento fosse o inicio de uma experiência pessoal de aceitação de Jesus como Salvador e Senhor.

Todo o Novo Testamento apresenta o baptismo como uma adesão decidida e corajosa ao serviço do Rei Jesus. É como uma assinatura oficial de compromisso, de alistamento. Há quem diga que é um testemunho público. Um testemunho perante as pessoas e perante o Céu de que se jura ser fiel ao Salvador.

Eu, pessoalmente, gosto da palavra juramento. Ela representava para os cristãos primitivos e para mim hoje, o que faziam os soldados romanos, quando se alistavam ao serviço do Imperador Romano. Eles chamavam-lhe sacramentum.

Então o que significa o baptismo? É um juramento através do qual uma pessoa promete ligar-se a uma pessoa. Neste caso a Pessoa de Jesus. É tornar-se Seu discípulo ou colocar-se sob o Seu poder.

Não é um compromisso com uma igreja, ou uma tradição. Mas unir-se à Pessoa viva e eterna de Jesus. É uma união. Tem o mesmo significado da palavra casamento. O casamento é uma cerimónia entre um rapaz e uma rapariga que se amam, que se estimam e querem unir as suas vidas para sempre.

A doutrina bíblica do baptismo é uma das mais importantes e das mais realçadas pelo próprio Senhor Jesus Cristo. É tão importante que foi o primeiro acto público no Seu ministério e a última ordem dada aos Seus discípulos.

Fico impressionado quando imagino o baptismo de Jesus. Ele tinha 30 anos. Deixou a carpintaria do Seu pai José e aproximou-Se das margens do rio Jordão onde o Seu primo João pregava e baptizava. João era um homem veemente, de grandes apelos ao arrependimento e à mudança de vida. E essa mudança deveria ser selada com o baptismo. De repente entra na água alguém que ele conhece e que lhe pede o baptismo. Primeiro fica perplexo, perplexo porque ele sabe bem que quem está diante dele é “o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Era um ser tão maravilhoso que nunca tinha pecado.

João resiste, mas perante a insistência obedece: “Mas João tentava dissuadi-lo, dizendo: Eu preciso ser baptizado por ti, e vens tu a mim? Mas Jesus lhe respondeu: Deixa por agora, pois assim nos convém cumprir toda a justiça. Então João consentiu”. Mateus 3:14, 15.

É com o baptismo que se inicia oficialmente o ministério de Jesus como o Messias, O Enviado para proclamar as Boas Novas do reino de Deus.

A importância do baptismo é confirmada nas últimas palavras de Jesus dirigidas aos Seus discípulos antes de ascender ao Céu: “Portanto, ide e fazei discípulos de todos os povos, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado. E certamente estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos.” Mateus 28:19, 20

Quando Pedro pregava no dia de Pentecostes, o Espírito de Deus agitava os corações dos ouvintes. E eles foram convencidos do pecado e perguntaram: “Ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos? Disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja baptizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados. E recebereis o dom do Espírito Santo.” Actos 2:37, 38

Numa outra ocasião, estavam Paulo e Silas na prisão, o carcereiro foi impelido a perguntar-lhes: “Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar? Responderam eles: Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo, tu e a tua casa.” Actos 16:30, 31

Logo de seguida foram instruídos em toda a doutrina cristã e o carcereiro e a família foram baptizados: “Então lhe pregaram a palavra do Senhor, e a todos os que estavam em sua casa. Tomando-os o carcereiro consigo naquela mesma hora da noite, lavou-lhes os vergões; então logo foi baptizado, ele e todos os seus.” Actos 16:32, 33

Aceitar o baptismo é, segundo a declaração de Jesus em relação ao que fazia João Baptista, “justificar a justiça de Deus” e não o fazer é rejeitar o conselho de Deus: “Eu vos digo (palavras de Jesus) que, entre os nascidos de mulher, não há maior profeta do que João Baptista; mas o menor no reino de Deus é maior do que ele. Todo o povo que o ouviu, e até os cobradores de impostos, justificaram a Deus, tendo sido baptizados com o baptismo de João. Mas os fariseus e os doutores da lei rejeitaram o conselho de Deus quanto a si mesmos, não tendo sido baptizados por ele.” Lucas 7:28-30.

Nós que vivemos num mundo de pecado, que vivemos com a alma doente, temos todo o interesse em nos submetermos a uma instituição estabelecida para nosso bem, e da qual o Senhor Jesus disse a Nicodemos: “Jesus respondeu: Em verdade, em verdade, te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.” João 3:5

Na epístola aos Romanos, o apóstolo Paulo realça que o baptismo é um memorial da morte, entrada no túmulo e ressurreição de Jesus: “Ou não sabeis que todos quantos fomos baptizados em Cristo Jesus fomos baptizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo baptismo na morte, para que, como Cristo ressurgiu dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.” Romanos 6:3, 4
Aquele que é baptizado testemunha publicamente que morreu para uma vida de pecado, de egoísmo, de crítica, de auto-culpabilização, de remorso, mas aceitou ser lavado na água pelo Espírito Santo, para ser uma nova pessoa. Um novo caminhar, uma nova perspectiva de ver o futuro.

Morreu o velho homem, a velha natureza e saiu da água uma nova vida, um ser que deseja viver em harmonia com a vontade de Deus.

Tenho que reconhecer, publicamente, que há grandes divergências entre os cristãos no que concerne à forma de administrar o baptismo. Uns praticam-no por imersão, outros por aspersão.

Ou seja que o baptismo por aspersão se limita a espalhar algumas gotas de água sobre a cabeça de uma criança, enquanto que no baptismo por imersão a pessoa é mergulhada na água e completamente submersa.

O importante, digo, não será saber quem está certo ou errado! O importante é saber a qual dos dois tipos de baptismo é que Jesus Se submeteu e mandou que se realizasse!

A verdade é muito simples de saber. A própria palavra baptizar (em Grego baptizein) quer dizer exactamente mergulhar, imergir.

Não podemos descurar esta verdade, porque o apóstolo Paulo declara: “Um só Senhor, uma só fé, um só baptismo.” Efésios 4:5

A questão é sagrada. Faz parte do Credo dos apóstolos, da coluna da doutrina: Um só Senhor, uma só fé, e um só baptismo. Quer dizer que só há uma forma de baptizar, uma delas não é correcta, portanto, não aceite por Deus, porque Deus é de uma só palavra.

Que baptismo é este? Leiamos mais algumas palavras da Escritura. O assunto é tão importante que deve ser a Palavra de Deus a falar e não a palavra do homem.

Onde foi Jesus baptizado? “...saiu logo da água...” Mateus 3:16

Por que razão João baptizava em Enom?

“Ora, João também estava baptizando em Enom, perto de Salim, porque havia ali muitas águas, e para lá concorria o povo, para ser baptizado.” João 3:23


Tudo, no Novo Testamento, nos mostra que o “um só baptismo”, que representa a morte, a entrada no túmulo e a ressurreição de Cristo, só pode ser o baptismo por imersão.

Quando um sacerdote ou pastor lança algumas gotas de água na cabeça de uma criança, não tem nada a ver com o que se passou com a morte e ressurreição do Senhor. E portanto não é sancionado pelo Céu.

E eu vou dizer-vos uma coisa, tenho muito receio que aqui esteja uma das causas de tanto sofrimento, de tantas almas doentes. A pessoa não foi, como diz o Apóstolo, revestida de Cristo:

“Pois todos vós que fostes baptizados em Cristo, vos revestistes de Cristo.” Gálatas 3:27

Isto é muito mais sério do que muita gente pensa. Para seguir a Jesus através do baptismo, a pessoa deve ter idade que lhe permita responder às seguintes condições:

a) Ser ensinado: O Senhor Jesus disse que antes que uma pessoa seja baptizada, deve ser ensinada: “Portanto, ide, ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.” Mateus 28:19

Os apóstolos ensinaram o carcereiro. Foram instruídos na doutrina cristã antes de serem baptizados.

b) Crer em Jesus Cristo: “Quem crer e for baptizado será salvo.” Marcos 16:16

“Respondeu-lhe Filipe: É lícito, se crês de todo o coração: Disse ele: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus. Mandou parar o carro, e desceram ambos à água... e o baptizou.” Actos 8:37

Esta é a confissão/juramento cristão: Creio que Jesus é o Filho de Deus.

c) Sentir arrependimento: Sentir tristeza por todo o mal que fez aos outros e a si próprio, por ter magoado o coração maravilhoso de Deus. Arrependimento é sentir o amor de Deus, e perceber que Ele não suporta o mal. É sentir que Deus nos escolhe para sermos amados porque nos escolheu desde o princípio. É ver as coisas com os olhos de Deus. Foi o que Jesus disse a Nicodemos:

“Jesus respondeu: Em verdade, em verdade, te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.” João 3:5

Assim que a pessoa é baptizada ela sente uma afeição terna e carinhosa pelas coisas do Céu. Não há remorso no coração de quem vai em direcção ao Céu, as lágrimas não são de pesar, porque ao lado vai quem consola, não há causas perdidas.

Quanto mais ansiamos pelo Céu, menos da Terra cobiçamos. Só Deus é quem faz o Céu ser Céu.

Apelo: Chegados a este ponto. Uma pergunta urge fazer: Que vai fazer agora? Qual vai ser a sua decisão? Agora que conhece esta Verdade instituída por Cristo. Agora que sabe que Jesus morreu, ressuscitou e intercede por si, será que pode ainda assim adiar a entrega do coração a Jesus, para que Ele o repare, ou melhor, para que lhe dê um coração novo cheio das riquezas do Céu?

A Bíblia contém este apelo: “Se hoje ouvirdes a Sua voz, não endureçais os vossos corações.” Hebreus 3:7, 8.

Ilustração:
Conta-se a história de que na altura em que o Império Romano dominava, um rei da Síria, Antíquo IV, que fazia constantemente guerra ao Egipto. Um dia o Senado Romano enviou embaixadores com o propósito de exigir que o rei da Síria parasse com os ataques ao Egipto.

Antíquo estava muito indeciso, por isso pediu que se adiasse a reunião para ele pensar. Que no outro dia daria a resposta. Um dos embaixadores romanos, Papilus Linas, riscou um círculo no chão à volta do rei e gritou:

– Decide agora, antes de saíres desse círculo.

Esta decisão firme impressionou Antíquo, que decidiu não fazer mais guerra contra o Egipto.

A mensagem que nos é enviada do Céu, através do Evangelho, não é menos firme. Exige, de igual modo, uma resposta agora, imediata, não admite atrasos. Jesus está a dizer: “Se Me confessares diante dos homens, Eu te confessarei diante do Meu Pai que está no Céu.”

Pr. José Carlos Costa

PAZ PARA VIVER: 08 - A Saga do Anjo Caído

Este tema tratará um assunto de especial interesse e que poderíamos chamar o Grande Conflito, ou o Conflitos dos Séculos. Esta é a designação teológica para nos referirmos à Guerra cósmica entre o bem e o mal.

Este conflito não tem este nome na Bíblia. Fala-se da sua acção e é perfeitamente perceptível. É uma saga que se iniciou no Céu e acabou por ter a Terra como palco principal, com a criação do ser humano.

1- Dois mistérios em acção.

A queda de Lúcifer: “Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; estavas no monte santo de Deus, andavas entre as pedras afogueadas. Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor. ... Pela multidão das tuas iniquidades, pela injustiça do teu comércio profanaste os teus santuários...” Ezequiel 28:14, 17, 18

Esta passagem refere-se a Satanás, que se tornou “o deus deste século.” Era um querubim protector. Tinha uma elevada posição no Céu.

Os seres celestiais são: anjos, serafins e querubins.

Em Isaías 6:2, 3 mencionam-se os serafins: “Os serafins estavam acima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés, e com duas voavam. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, Santo, Santo, é o Senhor dos Exércitos: toda a terra está cheia da sua glória.”

Ezequiel 10:20-22, refere-se aos querubins: “São estes os seres viventes que vi debaixo do Deus de Israel, junto ao rio Quebar, e percebi que eram querubins. Cada um tinha quatro rostos e cada um quatro asas, e a semelhança de mãos de homem debaixo das suas asas. A semelhança dos seus rostos era a dos rostos que eu tinha visto junto ao rio Quebar; tinham o mesmo aspecto, eram os mesmos seres. Cada um andava em linha recta para a frente.”

Lúcifer tinha estes dois títulos: serafim e querubim. Era uma espécie de anjo chefe de todos os anjos. Era o director do coro celestial. Comandante dos anjos, anunciador dos propósitos de Deus a todo o Universo.

Era quem estava mais perto do Trono do Altíssimo, conhecia, como nenhum outro anjo, o carácter, o governo, os métodos e projectos de Deus. Por isso foi grande a perplexidade dos seres celestiais quando, como diz a Bíblia:
– “...foi encontrada iniquidade em ti.”
– “...o teu interior estava cheio de violência, e pecaste.”
– “...elevou-se o teu coração por causa da tua formosura.”
– “...corrompeste a tua sabedoria.”
– “...profanaste o teu santuário.”

Como é isto possível, na presença de Deus?
Na pureza e na santidade do Céu?
No meio das pedras de fogo (anjos)?

Não sabemos, é um mistério. É o mistério da iniquidade. Impossível explicar a origem do pecado e encontrar uma razão para a sua existência. Só podemos compreender a disposição do pecado e as causas.

Ilustração:
Duas da manhã, uma jovem à morte. Sou visto a sair duma casa duvidosa. As pessoas começam a murmurar. Alguém amigo um dia fala comigo, e conta-me o murmúrio.
Fui visto a sair duma casa duvidosa às 2 h da manhã.
É intrigante. Como é possível?
Um homem que fala do Evangelho de Cristo e de moral, visto a sair dum local tão duvidoso?
Por fim, diz:
– Pastor, deve haver uma explicação, um mal entendido. Eu não acredito no que se diz. Conheço-o suficientemente bem para saber que não faria tal coisa.
– Estou muito grato pela sua confiança. E expliquei o que se passou.

Uma jovem foi assistir duas noites à série de conferências que realizei na igreja. Na segunda noite, falou-me da sua vida, e do desejo que tinha de amar e seguir a Jesus. Mas encontrava-se num lamaçal moral de onde seria muito difícil sair. Falei-lhe do amor de Jesus e de como Ele tinha ajudado uma mulher com o mesmo estilo de vida que ela levava: Maria Madalena. Ela agradeceu e prometeu voltar.

Passava da meia-noite quando um carro, em alta velocidade, foi contra ela. Vivia num quarto alugado. Pediu à senhoria para telefonar ao pastor da Igreja Adventista. Precisava de lhe falar, de receber algum conforto e conselho.

Quando lá cheguei, um médico disse-me, em privado, que não havia nada a fazer. Ela ainda estava viva, mas ele não sabia como. Era muito grave. Entrei no quarto onde ela se encontrava. A primeira coisa que me perguntou, com voz cansada:

– Será que Jesus pode ter misericórdia de mim, será que Ele me perdoa?

Expliquei, a quem me pedia explicações, que lhe tinha falado do amor de Jesus na Cruz do Calvário, e que a jovem tinha adormecido no sono da morte, com um sorriso de esperança.

Terminei perguntando: o irmão acha que fiz mal ou bem?

– Fez muito bem, pastor, muito bem! Afirmou.

E vocês o que acham?

Todos dizem que fiz bem, porque eu tenho uma explicação lógica e boa para a aparência do mal. O pecado e a sua origem não têm explicação. Por que razão Lúcifer, o anjo mais poderoso do Céu, se revoltou contra o Deus da misericórdia e da bondade? Porque se revoltou contra o Criador? O seu Criador!

Mas devemos pensar. Talvez não se chegue a uma compreensão total, mas a interrogação é um processo normal em todo o ser inteligente. Os seres celestiais são seres livres. Capazes de interrogar, de fazer juízo de valores. Têm emoções, desejos, personalidade e preferências.

Não era normal que Lúcifer, como ser criado, questionasse os mistérios e a vontade de Deus? Não seria isto normal para todo o ser racional e inteligente?

Creio ser normal que os seres do Universo, nalgum momento, se tenham interrogado sobre a soberana vontade de Deus, sobre a sabedoria, “será que Ele sabe mesmo todas as coisas?”, sobre a justiça de Deus, “será que Ele é justo em tudo?”

Creio que interrogar-se sobre Deus é saudável, é uma afirmação de que Ele existe e que O abordamos como um Ser pessoal.

Mas, há um momento, um espaço, em que as mentes finitas, e Lúcifer ainda que o anjo mais brilhante do Universo tendo uma mente finita, não pode querer entrar no que é uma mente infinita. Aí só resta a confiança. E a confiança é repousar plenamente no ser amado, compreender que há um ponto em que não se pode compreender, e deixar o que não é compreensível nas mãos de Deus, a quem se ama e em cujo amor, justiça e sabedoria se confia plenamente.

Para um fiel filho de Deus, o que não compreende não o perturba. Porque para eles é o princípio da confiança.

“As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus; porém as reveladas pertencem a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei.” Deuteronómio 29:29

A sua felicidade não está em compreender, mas em confiar e deixar a sua vida sob a direcção total de Deus. Nisto consiste a felicidade eterna dos filhos de Deus. E é desta forma que têm permanecido fiéis.

O que se passou com Lúcifer foi que quando chegou ao ponto em que tinha que colocar toda a sua confiança no amor, na justiça, na sabedoria de Deus, não o fez. Pouco a pouco os seus pensamentos desviaram-se da confiança de Deus e nasceu dentro dele a desconfiança. Transferiu a confiança que tinha em Deus para a sua própria sabedoria. O que não podia compreender converteu-o num problema de independência.

E desta forma afastou-se de Deus, para confiar em si próprio. Nisto consiste o pecado. Não querer ser guiado pela vontade de Deus, mas pela sua própria vontade.

O amor por Deus e pelos outros é o que predomina no coração. E como isso é o princípio mestre na conduta do reino de Deus, ele, Satanás, estabeleceu outro princípio orientador da vida. A esse princípio chama-se egoísmo, orgulho. Tem origem exclusiva em Satanás. Não tem equivalência em nenhum outro princípio do Universo de Deus. Não se trata da deformação dos princípios divinos, mas uma invenção original de um ser criado.

Ao deixar de ter no coração o amor por Deus e pelos seus semelhantes, centra-se em si próprio, nos seus interesses, nos seus privilégios, pecou. Esta é a essência do pecado e de muitas doenças do foro psicológico.

Nem sempre as possessões demoníacas se revelam através de cenas de carácter sobrenatural, mas de carácter mental. Não estamos a condenar, nem a acusar, mas a verdade é que em determinado momento da vida, houve uma concentração dos interesses de forma muito intensa no eu. A pessoa torna-se autista.

Sabemos que há casos muito particulares e não queremos generalizar, somos conscientes de uma verdade irrevogável, o pecado teve a sua origem no egoísmo. É uma lei universal que “não se pode ao mesmo tempo procurar a sua própria glória e a glória de Deus.”

O pecado é independência de Deus. O que se afasta da autoridade divina toma o seu destino nas suas mãos. Faz a sua própria vontade, faz-se deus, porque a essência de Deus é ser absolutamente livre, independente de tudo e completamente imparcial. Ama a todos e a todos quer de igual modo.

O amor de Deus pelas Suas criaturas não nasceu depois do pecado, mas Deus é amor. A maior prova do amor de Deus manifesta-se no facto de nos amar tal como somos, com as nossas fragilidades e necessidades. Nenhuma outra razão pode explicar o mistério da Cruz.

Ser filho de Deus não é, primeiro que tudo, assumir uma infinidade de compromissos e obrigações. É, sim, deixar-se amar por Deus.

O amor de Deus para connosco, como nosso Pai, é um amor forte e fiel, um amor cheio de compaixão, um amor que nos possibilita esperar a graça da conversão, depois de termos pecado.

Por isso desde a eternidade Deus fez leis e princípios bem objectivos para tudo e para todos. Por isso pecar é transgredir a lei: “Todo aquele que comete pecado, transgride a lei, pois o pecado é a transgressão da lei.” I João 3:4

Deus fez as Suas leis para Ele e para todos. Deus não é arbitrário, não castiga ou pune ou dá o inferno porque não gosta de um ou de outro. Não dá o céu por preferência. Mas porque o ser que Ele criou ama e se deixa amar.

O que se revolta contra o Senhor do Universo, separa-se de Deus, rompe com a Fonte da vida, peca e morre. Pecado é não amar a Deus. Pecar é não servir Deus. É amar-se e servir-se a si mesmo.

A virtude suprema de Deus é o amor abnegado. Esquecimento de si mesmo em favor das Suas criaturas. E é também o atributo mais importante de todos os seres humanos.

Quem não admirou a madre Teresa de Calcutá?

A lei é o que rege as relações no reino de Deus. O universo funciona em sintonia com os ritmos do coração de Deus.

Lúcifer estabeleceu o seu próprio ritmo. Estabeleceu a sua própria lei. Este é o mistério do pecado. Uma lei que se opõe à lei de Deus.

Aprecio um poema de Victor Hugo que diz:

Há seis milénios que a guerra apraz
Aos povos altercadores,
Enquanto Deus, sem perder tempo, faz
As estrelas e as flores.

É bem a atitude de Satanás que vive há seis milénios altercado: “Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu tono; no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte.
Subirei acima das mais altas nuvens; serei semelhante ao Altíssimo.” Isaías 14:13, 14.

Por isto se chama o Conflito dos Séculos, ou Mistério da Iniquidade ao facto de uma criatura conceber a ideia, de lutar para ser igual a Deus, não na santidade, no amor, no exemplo, mas para Lhe usurpar a Preeminência inerente ao Criador. A criatura quer o lugar do Criador!

Essa ambição do coração de Lúcifer causou controvérsia no Céu. Lúcifer tentou ocupar o trono de Deus e seguramente matar Deus. É um mistério incompreensível. Esse conflito que se iniciou no Céu foi arrastado para a Terra e colocou em perigo a existência do Universo.

Deus, na Sua infinita sabedoria, colocou um plano em acção para resolver o problema causado por este Mistério da Iniquidade. A esse plano podemos chamar o Mistério da Piedade: “E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Aquele (Deus) que se manifestou em carne, foi justificado em espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, e recebido acima na glória.” I Timóteo 3:16

Que Deus, o Criador, por amor, tenha decidido fazer-se homem, encarnar, manifestar-se em carne, é um mistério inefável. E esse sacrifício foi feito para desfazer o ministério da iniquidade. Estamos perante o mais maravilhoso de todos os actos de toda a história da eternidade.

Os seres criados não cessarão de louvar a Deus por toda a eternidade por este tão grande acto de amor, de abnegação e sacrifício.

2- A primeira grande batalha final de Deus.
Deus poderia ter destruído Lúcifer. O amor e a justiça exigiam destruição. Mas a sabedoria não o permitiu.

Lúcifer iniciou uma obra misteriosa. A sua oposição e rebelião a Deus aconteceu porque se corrompeu. Aquela mente ficou dedicada ao engano. Suscitou dúvidas e suspeitas no que diz respeito ao amor, justiça, misericórdia e sabedoria de Deus.

Jesus é a Palavra, Jesus é o Príncipe do Céu. Por Ele foram feitas todas as coisas. Jesus foi ter com esta criatura amada, e falou-lhe ao coração, sem forçar a sua livre vontade. Procurou tocar-lhe nas cordas sensíveis da alma. Sabemos que Lúcifer vacilou, reconheceu que estava errado.

Porém ele tinha uma alta posição. Era o anjo que estava mais próximo do trono da Trindade e isso dava-lhe uma tremenda influência junto de todos os anjos do Céu, que dele recebiam directamente as ordens. Ele exercia um estatuto junto dos anjos. E uma terça parte dos anjos uniu-se a ele na rebelião contra o Soberano do Universo.

“E a sua cauda levou, após si, a terça parte das estrelas do céu, e lançou-as sobre a terra.” Apocalipse 12:4

O seu objectivo era conquistar todos os anjos e todos os mundos do Universo.

Na verdade, no princípio nem o próprio Satanás compreendeu os seus próprios sentimentos, a natureza dos seus pensamentos. Nem sequer os anjos que não caíram podiam discernir bem o seu carácter, nem ver para onde se encaminhava a sua obra.

Ele colocava em causa os juízos, o fundamento da autoridade e o trono de Deus.

Mas os habitantes do Céu e dos mundos, não estando preparados para compreender a natureza e as consequências do pecado, não podiam discernir a justiça de Deus e a destruição de Satanás.

Era por isso necessário que os seus planos se evidenciassem mais para que a sua natureza e as suas tendências fossem vistas e compreendidas por todos.

Deus, a Trindade, perante isto decidem que se devia dar a oportunidade a Satanás, tempo para que desenvolvesse os princípios que serviriam de fundamento ao sistema do seu governo.

Mas muitas pessoas perguntam: “Porque é que Deus não destruiu logo Satanás e os anjos que se revoltaram?”

Ilustração:
Eu tenho um quintal e todos os anos compro árvores para aí plantar. Compro-as sempre ao mesmo arvicultor.
O ano passado comprei uma tangerineira, mas como já era muito grande e não cabia no meu carro, ele foi muito simpático e levou a tangerineira na sua camioneta.
Quando chegou ao meu quintal, disse:
– Os citrinos dão-se bem aqui. Começou a analisar as árvores. Parou ao pé de uma laranjeira e disse:
– Esta é brava, vai produzir laranjas muito ácidas.
– O senhor está enganado, porque foi transplantada de uma laranjeira que dá laranjas deliciosas, garanto-lhe, já comi dessas laranjas.
– Sou especialista e não é o senhor que me vai ensinar se são doces ou amargas.
Que fazer? Arrancar a árvore? Ficar com a dúvida?
Respondi: – Só há uma forma de saber com toda a certeza. Esperar que a árvore cresça e dê frutos para os poder provar.

Assim, se Lúcifer fosse imediatamente destruído, como o iriam compreender os anjos e os mundos não caídos? Em que base ficaria o trono de Deus? De confiança ou de temor?

Deus sabia que os princípios que estavam em causa precisavam de tempo para revelar-se. Se o tivesse destruído, não haveria oportunidade de provar os propósitos de Satanás e a dúvida, o temor, fariam tremer os alicerces do trono de Deus para toda a eternidade.

Nem anjos, nem outros mundos, seriam mais felizes. Nunca mais!

“E houve batalha no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhava o dragão e os seus anjos; mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus. E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele.” Apocalipse 12:7-9.

Foi a primeira grande batalha final de Deus. Ela pôs fim à rebelião no Céu.

A última grande batalha final de Deus descreve-se em Apocalipse 16:14. Chama-se: “a batalha, naquele grande dia do Deus Todo-Poderoso.”

E porá fim à rebelião na Terra, que ainda envolverá as forças do Céu e de todo o Universo.

3- O conflito na Terra.

Deus lançou Satanás para a Terra porque não teve outro lugar para o lançar. Lançou-o aqui depois de ter criado um palco, para que o conflito fosse à vista de todo o Universo.

Aqui, nesta Terra, todos os seres inteligentes do Universo teriam a oportunidade de ver em acção os princípios de Deus e os princípios de Satanás. Era preciso que o Universo inteiro visse o sedutor desmascarado. Na verdade o nosso pequeno mundo, com a presença de Satanás, passou a ser um livro de texto para todos.

Deus fez as coisas como é Seu princípio, bem e perfeitas. A Terra era um paraíso, não faltava nada de que os seres aqui criados sentissem falta. Deus criou Adão como Seu colaborador, instrumento da Sua graça, o seu representante, o Seu campeão no grande conflito.

Adão era a coroa da Criação. A última obra criadora de Deus na Terra: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme à nossa semelhança: e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o mar, e sobre toda a terra, e sobre o gado, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.” Génesis 1:26, 27

Adão e Eva pertenciam a uma classe especial de seres vivos.

Todo o Céu ficou encantado e com profundo interesse na criação do mundo e do homem. Cantaram aleluias de glória. Porque os seres humanos constituíam uma classe nova, distinta, nobre. Foram feitos à imagem de Deus e era o propósito do Senhor que eles povoassem a terra.

Eva era a colaboradora de Adão. Um apoio especial para ele. Uma ajuda idónea, para que cumprisse um propósito na criação – ser colaboradores de Deus na solução do grande conflito.

Que privilégio extraordinário, vindicar, afirmar o carácter de Deus. Desmentir as acusações de Satanás. Mostrar que o homem é feliz vivendo sob os princípios divinos.

Mostrar que os princípios divinos, a lei de Deus, contribuem para o bem-estar, a felicidade e o desenvolvimento da vida das criaturas.

E isto seria demonstrado numa disposição em obedecer à vontade de Deus.

Tudo isto dava significado especial à árvore do conhecimento do bem e do mal.

“E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: de toda a árvore do jardim comerás livremente. Mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” Génesis 2:16, 17

Qual era o problema da árvore?
Era venenosa?

Quão obscuramente compreendemos os propósitos da misericórdia que se escondem por detrás das ordenanças divinas!

A razão é bem evidente: Satanás não os perseguiria continuamente com as suas tentações; só poderia aproximar-se deles, se eles se aproximassem da árvore.

Essa a razão da proibição. Não deviam aproximar-se da árvore nem tocar nos seus frutos, nem comê-los, porque Satanás estava ali. Se se aproximassem da árvore, estariam sob a influência do Diabo, e Deus queria evitar esse perigo.

Essa é a razão que sobressai de toda a proibição divina. Se são severas como às vezes nos parecem, é porque obedecendo somos protegidos de grande perigo.

É a filosofia divina a obediência. Deus pede-nos que Lhe obedeçamos para nosso bem. Sabe quais são os nossos melhores interesses e quando estes correm perigo.

Satanás estava na árvore, não porque tivesse preferência por esse lugar. Deus tinha-o confinado aí. Era uma cadeia de circunstâncias que o mantinha ali.

Deus não permitiria que o inocente par fosse perseguido por todo o jardim.

Para poderem ser tentados era necessário que Adão e Eva dessem início a um processo de desobediência.

Deus tinha-lhes imposto aquela limitação, ou melhor aquela cooperação. Serem cooperadores do Deus eterno. Cada dia que passava em obediência à vontade divina demonstravam que eram felizes e que as acusações de Satanás eram falsas.

Cada dia que passava eram mais felizes e demonstravam a todo o Universo que se podia viver próximo do Inimigo de Deus, que era uma derrota para Satanás, que as suas acusações eram falsas. Com Deus, obedecendo às normas do Seu governo há delícias de prazer.

E cada dia que passava, Satanás ficava mais irado. Porque o seu tempo estava a passar, e seria destruído, a sua ira aumentava.

E tudo isto acontecia à vista de todo o Universo. Imaginemo-lo na árvore, esperando, 1, 10, 100, 1000 anos. Preso a uma cadeia de circunstâncias. Esperando que Adão e Eva iniciassem o processo da desobediência e se aproximassem da árvore.

Ilustração: Sabemos que a serpente não persegue as suas vítimas: espera.

Já ouvimos histórias de serpentes que engoliram coelhos, pombas, e outros animais. A serpente não os persegue. Espera-os. Hipnotiza-os com o seu olhar. As vítimas vieram sozinhas enfiar a cabeça na sua garganta.

– Que teria acontecido se não tivessem tocado no fruto?

– Quanto tempo teriam vivido debaixo da prova da árvore?

– Toda a eternidade?

– Que teria acontecido se passasse muito tempo sem que eles tivessem tocado nos frutos da árvore?

O mesmo que no fim do milénio!

A Bíblia diz que no final do milénio Satanás confessará o seu pecado e testemunhará que o Carácter de Deus é Fiel.

Satanás, com todos os ímpios, antes de serem destruídos dirão:
“Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei dos santos.” Apocalipse 15:3.

“Porque apregoarei o nome do Senhor: dai grandeza a nosso Deus. Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos juízo são: Deus é a verdade, e não há nele injustiça; justo e recto é.” Deuteronómio 32:3, 4.

Isso era o que teria acontecido junto da árvore. O momento chegaria em que Satanás se daria por vencido. Derrotado pela fidelidade de Adão e Eva.

Teria confessado o seu pecado. Teria dito que nunca teve razão para revoltar-se contra Deus. Teria aconselhado todo o Universo a ser fiel por toda a eternidade.

O Universo ficaria livre da rebelião. Mas não foi assim que aconteceu. Este é um tema importante. A nossa dor, as nossas angústias, não são só do foro psiquiátrico, mas podem ter uma outra dimensão.

Para serem definitivamente curadas, é preciso compreender o impulso exterior que vem do Causador de todo o sofrimento e dor, para realmente ir ao que tem o remédio para todo o sofrimento: Jesus, o Amado Salvador.

Cristo espera-vos! Podemos abrir-Lhe o nosso coração e agarrar-nos a Ele com oração sincera e fé indestrutível.

Nos momentos terríveis em que nos sentimos seduzidos pelo Inimigo, Jesus é a Esperança. Ele é tudo para nós. Ele é a solução para as nossas dúvidas.

Abra-Lhe o coração. Abra o coração de par em par, a Cristo. Não tenha medo! Seja generoso. Quem dá pouco, pouco colherá. Quem dá com generosidade, receberá uma colheita abundante.

Vale a pena seguir Cristo. Ele é o único que não desilude! A cada um de nós Jesus dirige uma palavra que nos leva a meditar e a responder: Sim ou não.

Lúcifer também teve esta oportunidade, mas não aceitou Jesus como o melhor Amigo, o companheiro de viagem. Quem quer fazer de Jesus o Companheiro de viagem nesta vida e a Esperança para a vida eterna?

Louvado seja Deus pela vossa resposta, o Senhor manda aos Seus anjos para escreverem o vosso gesto no livro do Céu.

Deus vos abençoe!
Pr. José Carlos Costa