13 de julho de 2009

A MORTE DE JESUS A MEIO DA SEPTUAGINTA SEMANA PROFÉTICA

A morte de Jesus foi realmente um acontecimento ímpar na História do Universo, pois o próprio “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (2 Coríntios 5:19). Pelo presente estudo, o leitor pôde vislumbrar um pouco mais da importância desse evento, ao descobrir que a data da crucifixão de Cristo é qual uma âncora que firma todo o esquema cronológico de Daniel.
A comprovação dessa data pela História e pela Astronomia dá a certeza da veracidade da profecia bíblica, da realidade do plano de salvação e do Juízo que ora se realiza no Santuário Celestial.
O próximo estudo tratará da problemática em torno do dia do mês judaico em que Jesus foi morto. Enquanto esta série de estudos defende, com firme evidência bíblica, o dia 15 de Nisan, outros comentadores afirmam ter Cristo morrido no dia 14.
Que a bênção de Deus possa repousar sobre todos que olham para as Sagradas Escrituras para “compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que” seja tomado “de toda a plenitude de Deus.” Efésios 3:18 e 19.

12 de julho de 2009

EM QUE DIA MORREU JESUS: A CRONOLOGIA DE JOÃO

A bem da verdade, a contradição existente entre a cronologia dos Sinópticos e a do Evangelho de João é apenas aparente e pode ser desfeita mediante uma leitura mais atenciosa do texto joanino.
Embora se diga que os judeus não quiseram entrar “no pretório para não se contaminarem, mas poderem comer a Páscoa”, o texto nada diz quanto ao dia exacto em que o cordeiro pascal foi imolado. Além disso, essa afirmação não precisa ser interpretada, necessariamente, como uma indicação de que a ceia pascal ainda não tivesse sido realizada. Ocorre que, na época de Jesus, todo o período dos Pães Asmos já era naturalmente conhecido como a Festa da “Páscoa”. Exemplo desse uso se observa no Evangelho de Lucas: “Estava próxima a Festa dos Pães Asmos, chamada Páscoa.” Lucas 22:1. Os judeus poderiam estar preocupados não com a celebração da ceia pascal, mas com outras refeições cerimoniais que eram realizadas durante aquele período festivo. Outra possibilidade seria a de que os líderes judaicos não teriam celebrado a ceia pascal no tempo determinado pela Lei – que, no caso, teria sido a noite de Quinta-feira – já que estavam empenhados na caçada a Jesus. Por isso, teriam deixado para celebrá-la um dia depois, na noite de 15 para 16 de Nisan. Seja qual for o motivo que determinou o comentário de João, a passagem em análise é insuficiente para destruir a sólida cronologia esboçada em Mateus, Marcos e Lucas.
O mesmo é verdade com respeito a João 19:14, que denomina a Sexta-feira da crucifixão de “preparação da Páscoa”. A palavra “preparação” é tradução de (paraskeue), que no grego bíblico é o termo comummente utilizado para denominar a Sexta-feira como dia de preparação para o Sábado. A base dessa expressão se encontra em Êxodo 16:22-30. Portanto, quando João fala do dia da morte de Jesus como a “parasceve da Páscoa”, sua intenção era simplesmente a de retratar aquele dia como uma Sexta-feira dentro da semana dos Pães Ázimos e não como o dia 14 de Nisan.
Resta analisar ainda o sentido da expressão “Sábado grande” (grego: – megale he hemera ekeinou tou sabbatou; tradução: grande o dia daquele Sábado). Afirmar que aquele Sábado foi chamado de “grande” por causa da combinação de um Sábado semanal com um Sábado cerimonial (no caso, o 15 de Nisan) é extrair do texto mais do que ele pode oferecer. A expressão só ocorre uma vez em toda a Bíblia, impedindo, assim, que se verifique seu real significado; e adoptar como certa uma posição sem considerar outras possibilidades de interpretação é cometer uma arbitrariedade exegética. Poderia ser o caso, por exemplo, daquele Sábado ser chamado de “grande” por estar inserido na semana da Festa dos Pães Ázimos, sem, contudo, ser uma combinação de um sábado semanal com um Sábado cerimonial. Outra interpretação possível seria a de um Sábado cerimonial (Sexta-feira = 15 de Nisan) seguido por um Sábado semanal. Isso faria com que o período de descanso se prolongasse por 48 horas. No estágio actual, não há como determinar o verdadeiro sentido da expressão joanina.
Diante do que foi exposto, seria um contra-senso substituir a clareza e o vigor da cronologia dos Sinópticos pelas expressões incertas e rarefeitas extraídas do Evangelho de João. Como ficou demonstrado, é possível interpretar as declarações joaninas em mais de um sentido, o que não se admite em Mateus, Marcos e Lucas.

EM QUE DIA MORREU JESUS?

Conclusão.
O testemunho bíblico coloca o 15 de Nisan para o dia da morte de Jesus acima de qualquer contestação. Visto que o ano 31 A.D. admite a combinação dessa data com uma Sexta-feira, deve ser considerado o ponto “meio da septuagésima semana”, possibilitando a localização do início e do fim das 2.300 tardes e manhãs. Retornando, a partir desse ponto, 69,5 semanas proféticas, ou 486,5 anos, chega-se ao ano de 457 A.C.. Avançando 2.300 anos, desde essa última data, atinge-se o ano de 1.844 A.D.. Isso confirma a veracidade da profecia bíblica e serve como irrefutável testemunho da realidade do plano de salvação. Que Deus seja louvado pela grandiosidade de Sua revelação e que este estudo possa ser um instrumento “para fortalecer a fé do vacilante e dar a certeza do glorioso futuro” a todo aquele que for atraído pelo incomensurável amor do Salvador.

11 de julho de 2009

A PROFECIA E O INICIO DO MÊS JUDAICO

Conforme o testemunho das Escrituras, o dia da lua nova marcava o início do mês judaico. Depreende-se das seguintes evidências:
A) Quando Moisés estipulou os sacrifícios especiais que deveriam ser oferecidos por ocasião da Festa da Lua Nova, assim se expressou: “Nos princípios dos vossos meses, oferecereis, em holocausto ao SENHOR, dois novilhos e um carneiro, sete cordeiros de um ano, sem defeito, e três décimas de um efa de flor de farinha, amassada com azeite, em oferta de manjares, para um novilho; duas décimas de flor de farinha, amassada com azeite, em oferta de manjares, para um carneiro; e uma décima de um efa de flor de farinha, amassada com azeite, em oferta de manjares, para um cordeiro; é holocausto de aroma agradável, oferta queimada ao SENHOR. As suas libações serão a metade de um him de vinho para um novilho, e a terça parte de um him para um carneiro, e a quarta parte de um him para um cordeiro; este é o holocausto da lua nova de cada mês, por todos os meses do ano. Também se trará um bode como oferta pelo pecado, ao SENHOR, além do holocausto contínuo, com a sua libação.” Números 28:11-15. Desse texto, pode-se concluir que, no calendário judaico, o início do mês era sempre definido pelo dia da lua nova.
B) Em 1ª Samuel 20, a lua nova também aparece como o ponto inicial da contagem dos dias do mês. Assim, quando Davi disse a Jônatas que ficaria escondido no campo “até à terceira tarde”, a sua referência era ao terceiro dia a partir da lua nova (verso 5). O mesmo se aplica às posteriores palavras de Jonatas, em que ele basicamente repete o que já tinha sido dito por Davi (versos 18 e 19). O texto faz menção ainda ao “segundo dia da lua nova”, o que confirma a ideia já apresentada (versos 24, 27 e 34).
Diante dessas claras informações extraídas das Escrituras, demonstra-se que o calendário judaico estava inseparavelmente relacionado ao ciclo lunar. Deve-se, no entanto, distinguir entre a lua nova astronómica e a lua nova eclesiástica. Aquela se refere ao momento exacto da conjunção da Lua com o Sol, enquanto que esta última ocorre um pouco depois, quando o primeiro filete da Lua se torna visível, pouco acima do horizonte oeste, logo após o pôr-do-sol.
O ano judaico, no entanto, não estava vinculado apenas à Lua, pois a Festividade das Primícias, que era celebrada no “dia imediato ao Sábado” (isto é, o Domingo) da semana dos Pães Ázimos, exigia que o primeiro mês do ano não começasse demasiadamente cedo, pois, caso contrário, os primeiros frutos não poderiam ser apresentados.
Segundo Flávio Josefo, escritor judeu do primeiro século, o feixe que o sacerdote agitava, diante do altar dos holocaustos, por ocasião da Festa das Primícias, era constituído dos primeiros grãos amadurecidos da cevada. (Antiquities of the Jews, livro 3, capítulo 10, artigo 5, em The Works of Josephus, Complete and Unabridged, p. 96).
Isso deve-se ao facto de que a cevada era o primeiro cereal a amadurecer na Palestina. Cada planta possui uma época definida para florescer e dar o seu fruto, dependendo da duração do dia e da temperatura ambiente. Esses factores, por sua vez, estão intimamente relacionados às estações do ano. “A razão” para isso “é que as plantas usam o seu relógios para sentir as estações, através do cumprimento do dia, garantindo que as flores nasçam no tempo certo do ano.” (Molecules to Make Plants Tick, New Scientist, n.º 1.967, p. 30, 4 de Marco de 1.995). A Bíblia se refere aos frutos como “aquilo que o Sol amadurece” (Deuteronómio 33:14), o que está em perfeita harmonia com a prática agrícola e com o testemunho da Ciência.
O texto bíblico informa que, por ocasião da sétima praga (chuva de pedras), a cevada e o linho foram afectados, ao passo que o trigo e o centeio não: “O linho e a cevada foram feridos, pois a cevada já estava na espiga, e o linho em flor. Porém o trigo e o centeio não sofreram dano, porque ainda não haviam nascido.” Êxodo 9:31 e 32. Isso demonstra que a cevada floresce e amadurece antes de outras plantas encontradas naquela região.
O mês em que os hebreus deixaram o Egipto e no qual se comemorava a Páscoa é chamado de Abibe, termo hebraico (abib), de origem cananita, cujo significado é “Espiga”. Comparar Êxodo 13:4; 23:15; 34:18; e Deuteronómio 16:1, em que o vocábulo foi apenas transliterado na A.R.A, para indicar o nome do mês, com Êxodo 9:31 e Levítico 2:14, em que o mesmo termo foi traduzido como “espiga” ou “espigas verdes”. Disso se deduz que o mês de Abibe deveria sempre ocorrer no tempo do amadurecimento da cevada. O cuidado para que o primeiro mês não ocorresse em época muito precoce, para que o período das Primícias não chegasse sem que houvesse cevada madura para se oferecer, criava um elo entre o ciclo lunar e o ciclo solar, resultando num calendário luni-solar.
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A prescrição para a Festividade das Primícias e sua estreita conexão com a Festa dos Pães Sem Fermento, encontram-se registradas em Levítico 23:5-14: “No mês primeiro, aos catorze do mês, no crepúsculo da tarde, é a Páscoa do SENHOR. E aos quinze dias deste mês é a Festa dos Pães Asmos do SENHOR; sete dias comereis pães asmos. No primeiro dia, tereis santa convocação; nenhuma obra servil fareis; mas sete dias oferecereis oferta queimada ao SENHOR; ao sétimo dia, haverá santa convocação; nenhuma obra servil fareis. Disse mais o SENHOR a Moisés: Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando entrardes na terra, que vos dou, e segardes a sua messe, então, trareis um molho das primícias da vossa messe ao sacerdote; este moverá o molho perante o SENHOR, para que sejais aceitos; no dia imediato ao sábado, o sacerdote o moverá. No dia em que moverdes o molho, oferecereis um cordeiro sem defeito, de um ano, em holocausto ao SENHOR. A sua oferta de manjares serão duas dízimas de um efa de flor de farinha, amassada com azeite, para oferta queimada de aroma agradável ao SENHOR, e a sua libação será de vinho, a quarta parte de um him. Não comereis pão, nem trigo torrado, nem espigas verdes, até ao dia em que trouxerdes a oferta ao vosso Deus; é estatuto perpétuo por vossas gerações, em todas as vossas moradas.”.
Bibliografia:
FLAVIUS JOSEPHUS, The Works of Josephus, Complete and Unabridged, nova edição atualizada, tradução de William Whiston, A.M., Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, Inc., 1.987.
Molecules to Make Plants Tick, New Scientist, n.º 1.967, 4 de março de 1.995.

10 de julho de 2009

O CALENDÁRIO SEGUNDO OS ANOS DE REINADO

Na Mesopotâmia, no Egipto, na China, entre os hebreus e entre outros povos antigos, adoptou-se o sistema dos anos de reinado. Essa prática não chegou a generalizar-se na Roma Imperial. Tinha o inconveniente de recomeçar a contagem sempre que um novo soberano subisse ao poder. Quaisquer omissões ou erros nas listas reais, como os decorrentes de reinados simultâneos em períodos de instabilidade política, viciavam o cômputo total.
Existiam 2 métodos diferentes para o cálculo dos anos de reinado:
1) Com Ano de Ascensão. Quando um rei morria, o primeiro ano de seu sucessor não era contado a partir do dia imediatamente seguinte ao da morte do antigo rei, mas, sim, a partir do próximo Dia do Ano Novo. O período decorrido nesse intervalo era chamado “ano de ascensão”. Um nítido exemplo desse método pode ser encontrado em 2 Reis 18:1, 9 e 10. Depois de informar que Ezequias subiu ao trono no terceiro ano de Oséias, o autor do livro declara que o cerco de Samaria começou no quarto ano de Ezequias, o sétimo de Oséias, e findou 3 anos depois, no sexto ano de Ezequias, o nono de Oséias. A perfeita harmonia de todas essas informações só é possível mediante a aplicação do sistema do ano de ascensão, como pode ser demonstrado pelo esquema abaixo.


2) Sem Ano de Ascensão. Por esse sistema, empregado no Egipto e também indicado na Bíblia, o período imediatamente seguinte ao da ascensão do novo monarca já era considerado o primeiro ano de reinado. Assim, a primeira parte do ano era calculada em termos do reinado do antigo monarca, enquanto que a última parte era datada em termos do novo soberano. Um claro exemplo desse método é dado em 1 Reis 15:25 e 28. Nadabe de Israel subiu ao poder no segundo ano de Asa de Judá. Nadabe reinou por 2 anos e foi assassinado no terceiro ano de Asa. Obviamente, apenas o sistema que não utiliza o ano de ascensão permite a exacta combinação dessas informações, como pode ser demonstrado pelo esquema abaixo.


Quando um documento antigo estabelece a data de um evento em termos dos anos de reinado de um governante qualquer, torna-se indispensável identificar qual dos 2 sistemas foi utilizado para a exacta localização na escala A.C. – A.D. do ano em consideração.

O CALENDÁRIO NOS PRIMÓRDIOS DA CIVILIZAÇÃO

Após um cuidadoso exame dos principais sistemas de calendário produzidos pelas mais importantes civilizações do mundo antigo, será de inestimável valor também uma investigação acerca dos métodos utilizados por esses mesmos povos para datar os acontecimentos em termos de anos.
Os povos mais antigos desconheciam a contagem do tempo por eras, como é feito actualmente. A prática adoptada pelos sumérios e babilónios era o de baptizar cada ano com um nome, com base no mais notável evento do ano anterior. Dessa maneira, o sétimo ano de Hamurábi, por exemplo, foi chamado de “o ano em que Uruk e Isin foram tomadas”. Os vários registos da época mantinham listas completas dos nomes dos anos, as quais cobriam um longo período de tempo.
Outro método de datação foi criado pelos assírios, segundo o qual um alto oficial era escolhido para ser o “limmu” durante um ano; no período em que ele ocupasse esse posto, o seu nome era usado para identificar o ano. O mesmo método foi seguido pelos gregos, entre os quais o termo correspondente a limmu era o de “epónimo”, e entre os romanos, com a imensa lista de cônsules (2 por ano).
Havia, no entanto, uma diferença entre o archon epónimo de Atenas, os cônsules romanos e o limmu assírio. O archon ateniense e os cônsules romanos eram sempre chefes de Estado, enquanto que o limmu poderia ser escolhido entre os vários oficiais e altas personalidades do Império Assírio.
Dessas listas, a mais importante para a fixação das datas dos acontecimentos relacionados à profecia das 70 semanas é a dos cônsules romanos.

A ERA CRISTÃ

Em 525 A.D., um monge, chamado Dionísio Exíguo (ou, o Pequeno), propôs que todos os eventos fossem datados a partir do nascimento de Jesus, que ele fixou no ano 753 da fundação de Roma. A Era Cristã de Dionísio foi adoptada desde o século 6, mas só foi admitida pela Cúria Romana a partir do século 10.
Para os anos a partir do nascimento de Cristo, a contagem é feita em ordem crescente; para os anteriores a esse acontecimento, em ordem decrescente. Não há um ano zero. Portanto, o dia 31 de Dezembro de 1 A.C. é seguido pelo dia primeiro de Janeiro do ano 1 A.D. (Anno Domini, ou seja, ano do Senhor). Seguindo essa lógica, o ano 1 A.D. é o primeiro ano do século 1 e o ano 100 A.D., o último. Por conseguinte, o ano 2000 A.D. é o último do século 20 e também do terceiro milénio. Assim sendo, o novo milénio só começou de facto no primeiro de Janeiro de 2001 A.D..
A inexistência do zero entre 1 A.C. e 1 A.D. altera em um ano o cálculo de períodos que se iniciam antes de Cristo e que findam durante a Era Cristã. Por exemplo, se houvesse o ano zero, as 69 semanas proféticas (ou 483 dias-anos) terminariam em 26 A.D.; todavia, como tal não existe, a contagem se estende por mais um ano, findando em 27 A.D.. A compreensão desse pormenor é de grande relevância para os períodos proféticos.

9 de julho de 2009

O PROBLEMA CHAMADO "NITSDAQ"

Visto que a palavra (nitsdaq), geralmente traduzida por “purificado” em Daniel 8:14, não possui relação linguística com o (taher) de Levítico 16, alguns poderiam contestar as conclusões obtidas neste estudo com a argumentação de que o final das 2.300 tardes e manhãs não cairia, necessariamente, no Dia da Expiação. Dessa forma, o raciocínio desenvolvido nos itens 1 e 2 ficaria seriamente prejudicado, o que comprometeria também as conclusões dos itens 3 e 4, lançando por terra a exactidão da profecia.
Se as conclusões obtidas até aqui realmente dependessem da tradução da palavra “nitsdaq” como “purificado”, seria forçoso reconhecer a veracidade da objecção. No entanto, tal dependência é apenas aparente, pois o mesmo raciocínio desenvolvido nos itens 1-4, tomando por base o Dia da Expiação no final das 2.300 tardes e manhãs (Item 1), pode ser seguido pelo caminho inverso. De Efésios 5:2 e Hebreus 10:5-10, pode-se extrair um vínculo entre a cessação do “sacrifício e da oferta de manjares” com a morte de Jesus. Do testemunho de Mateus, Marcos e Lucas, conclui-se que Jesus morreu no décimo – quinto dia do primeiro mês. Retrocedendo 486,5 anos a partir dessa data, chega-se ao décimo dia do sétimo mês, efeméride do Dia da Expiação. Tendo essa data como ponto de partida das 2.300 tardes e manhãs, basta avançar 2.300 anos para se obter o fim desse período. Isso conduz, logicamente, ao Dia da Expiação. Portanto, o evento a ser verificado no final das 2.300 tardes e manhãs não poderia ser outro que não fosse o da purificação do Santuário.
Uma comparação entre Daniel 8:14, ponto alto da visão, e Daniel 7:9, 10 e 13, em que o Filho do homem é conduzido ao tribunal, à presença do Ancião de Dias, para participar da obra do julgamento, confirma a ideia de que o evento a realizar-se no final das 2.300 tardes e manhãs é o da purificação do Santuário. Em Apocalipse 5:6, Cristo é retratado no mesmo ambiente em que é descrito o trono de Deus. De Apocalipse 4:1 e 5; e 8:3 e 4, depreende-se que esse seja o primeiro compartimento do Santuário Celestial, pois era nessa divisão do Santuário Terrestre que estavam localizados o candelabro e o altar de incenso (Êxodo 40:2-8). O segundo compartimento só é mencionado em Apocalipse 11:19, em que se diz que o Santuário de Deus foi aberto e que nele foi vista a arca da aliança. Assim, ao ascender ao Céu, no ano 31 A.D., Jesus deu início ao Seu ministério de intercessão no primeiro compartimento do Santuário. Quando Daniel 7:13 descreve Cristo a deslocar-Se para a presença do Ancião de Dias (Deus Pai), a fim de participar activamente do trabalho de julgamento, essa cena não pode estar a retratar outra coisa senão a entrada de Jesus no Lugar Santíssimo do Santuário Celestial. É ali, diante da arca da aliança, onde está guardada a Lei de Deus, que deve ser realizado o julgamento (Eclesiastes 12:13 e 14; e Tiago 2:12). De acordo com Hebreus 9:6 e 7, o sumo-sacerdote judeu só entrava nesse compartimento no Dia da Expiação (Levítico 16:2, 3, 11-17 e 29-34). Logicamente, Daniel 7:13 trata desse acontecimento; e a data do décimo dia do sétimo mês, demonstrada através da relação entre Daniel 8:14 e Daniel 9:25-27, assegura a veracidade desse entendimento.

A PRECISÃO DO PERÍODO PROFÉTICO: CONCLUSÃO

Por meio deste estudo, pôde comprovar a fantástica precisão dos períodos proféticos de Daniel 8 e 9. As 2.300 tardes e manhãs começam num Dia da Expiação e estendem-se até outro Dia da Expiação. Isso é deveras impressionante, tendo em vista que o calendário empregue é o judaico, cujos anos podem ser de 354 ou 383 dias, valores diferentes do ano solar (365,242190 dias). Se o livro de Daniel falasse em 2.299 anos, por exemplo, e o início do período fosse fixado no décimo dia do sétimo mês, a data final não coincidiria com o Dia da Expiação. Deus, na Sua perfeita sabedoria, escolheu um número tal de anos que pudesse estar compreendido entre 2 eventos da purificação do Santuário.
Mais fantástico ainda é descobrir que as 69,5 semanas se estendem até ao dia exacto da morte de Jesus. A morte de Cristo, o acontecimento mais importante do plano da salvação, é também aquele que firma a compreensão de toda a profecia, pois, como se verá mais adiante, através da data da crucifixão de Jesus, todas as outras datas do esquema de Daniel 8 e 9 podem ser localizadas.
Visando a facilitar a compreensão do esquema profético de Daniel, quase todos os gráficos dos itens anteriores foram reunidos num único diagrama, o qual é apresentado a seguir:


Se encontrou alguma dificuldade na compreensão do conteúdo, deste assunto, devido à grande quantidade de cálculos, aconselho que faça a leitura, uma outra vez, tentando concentrar-se em cada etapa do raciocínio. Com toda a certeza, o Espírito Santo, aquele Espírito de verdade, que o próprio Mestre prometeu enviar em auxílio dos Seus seguidores, guiará o pesquisador sincero em toda a verdade, de tal forma que seja tomado de admiração pela inescrutável sabedoria de Deus e tenha a sua fé fortalecida no inesgotável amor do Salvador.

2 de julho de 2009

QUAL A RAZÃO DAS 69 SEMANAS NÃO TERMINAREM NO ANO 27 E NÃO NO ANO 26 DA ERA CRISTÃ

A razão das 69 semanas terminam no ano 27 e não no ano 26 da Era Cristã. Deve-se a cálculos e estudos muito rigorosos.
À primeira vista, se as 69 semanas proféticas, ou 483 dias-anos, têm início no ano 457 A.C., o baptismo de Jesus deveria ocorrer no ano 26 A.D., pois 483 – 457 = 26. No entanto, visto que o ano zero nunca existiu, esse cálculo deve ser efeptuado de outro modo.
Da maneira como são usualmente dispostos, os anos A.C. e A.D. representam uma escala, em que a primeira parte é decrescente (ou regressiva) e a segunda é crescente (ou progressiva). Nessa escala, não existe o ano zero, pois o ano 1 A.C. é seguido pelo ano 1 A.D..
A falta de um ano zero impede a realização de cálculos que utilizem simultaneamente anos A.C. e A.D., como se pode verificar pelo seguinte exemplo:

Se o número cardinal 10 for subtraído pelo número 3, o resultado será 7. A representação gráfica dessa conta pode ser feita de 2 maneiras:
Primeira maneira: 10 – 3 = 7
Segunda maneira: conforme o gráfico abaixo
Isso demonstra que, em qualquer subtração, o número zero é automaticamente utilizado. Visto, porém, que entre os anos A.C. e A.D. não existe um ano zero, sentiu-se a necessidade da criação de uma escala, o mais semelhante possível com a vigente, para a qual fosse possível converter as datas em uso, com a existência de um ano que correspondesse ao zero. Nessa nova escala, tomando-se o ano 1 A.D. como +1, os anos seguintes seguem a progressão indefinidamente. O ano 1 A.C. passa a representar o zero, o ano 2 A.C. torna-se o –1, o ano 3 A.C. torna-se o –2, sendo que tal proporção se repete ininterruptamente. O gráfico abaixo ilustra bem a relação entre essas 2 escalas. Por ser utilizada predominantemente pelos astrónomos, a escala que contém o ano zero é chamada de astronómica (chamaremos "cronológica"). Ela foi idealizada por Jacques Cassini, em meados do século XVIII.
Tabela de Conversão para a Escala Cronológica:

Com tudo isso, percebe-se claramente porque as 69 semanas (483 anos) findam no ano 27. O ano 457 A.C. equivale a – 456 da escala astronômica, de maneira que o cálculo resulta em + 27, que corresponde ao ano 27 da Era Cristã: 483 – 456 = + 27.