16 de julho de 2009

QUEM SÃO OS "MUITOS" DE DANIEL 9:27?

Os “muitos” referidos em Daniel 9:27 são todos aqueles que aceitam o plano de salvação oferecido e o aceitam nas suas vidas. As passagens a seguir sustentam esta compreensão:
“Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacob no reino dos céus.” Mateus 8:11. Ver também Lucas 13:29.
“Tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate por muitos.” Mateus 20:28. Ver também Marcos 10:45.
“Porque isto é o Meu sangue, o sangue da [nova] aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados.” Mateus 26:28. Ver também Marcos 14:24.
“Todavia, não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se, pela ofensa de um só, morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre muitos.” Romanos 5:15.
“Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos.” Romanos 5:19.
“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho, a fim de que Ele seja o primogénito entre muitos irmãos.” Romanos 8:29.
“Porque convinha que Aquele, por cuja causa e por Quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles.” Hebreus 2:10.
“Assim também Cristo, tendo-Se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que O aguardam para a salvação.” Hebreus 9:28.
Em Apocalipse 7:9, esses “muitos” são mencionados como uma grande multidão, que ninguém podia contar, proveniente de todos os povos da terra, que são os resgatados do pecado e de sua terrível consequência, a morte eterna.

15 de julho de 2009

"DESDE A SAÍDA DA ORDEM."

Pelo cálculo retroactivo desde o dia da morte de Jesus (26/27 de Abril de 31 A.D. - “meio da septuagésima semana”), chega-se a 28/29 de Outubro de 457 A.C., data que representa o Dia da Expiação naquele ano e o início dos períodos proféticos de Daniel 8 e 9. Todavia, se Esdras partiu de Babilónia no primeiro dia do primeiro mês (isto é, na primavera do ano), em virtude do decreto de Artaxerxes, e se ele chegou a Jerusalém no primeiro dia do quinto mês (isto é, no verão), por que razão o cômputo profético só teria se iniciado no Dia da Expiação (isto é, no Outono do ano), sendo que Daniel 9:25 claramente estabelece que as 70 semanas deveriam começar com “a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém”?
O grande problema é que a maioria dos autores têm associado a “ordem” de que trata Daniel 9:25 apenas ao decreto de Artaxerxes, sendo que, na verdade, o assunto precisa ser analisado de um ponto de vista mais amplo. Antes de mais nada, é importante perceber que a “ordem” de Daniel 9:25 parte primeiramente de Deus. É o próprio Deus Quem, acima dos governantes humanos, decreta a reconstrução da cidade. Em Daniel 9:23, a palavra “ordem” é aplicada a uma manifestação da vontade de Deus; e Esdras 6:14 claramente atribui a reconstrução do Templo a um mandado divino.
Mas isso ainda não permite iniciar a contagem dos períodos proféticos, pois é preciso que um governante humano atenda à vontade do Céu e baixe um decreto. Em outras palavras, é necessário que a “ordem” vinda do Céu encontre um decreto humano correspondente que lhe dê efectividade. Em Isaías 45:13, está escrito: “Eu, na Minha justiça, suscitei a Ciro e todos os seus caminhos endireitarei; ele edificará a Minha cidade e libertará os Meus exilados, não por preço nem por presentes, diz o SENHOR dos Exércitos.”. O decreto de Ciro traz as seguintes palavras: “Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O SENHOR, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de Lhe edificar uma casa em Jerusalém de Judá.” Esdras 1:2. Ver também 2 Crónicas 36:22 e 23. O decreto de Ciro (538/537 A.C.), permitindo que Zorobabel voltasse a Jerusalém, foi baixado por vontade directa de Deus. Percebe-se aí uma ordem divina somada a um decreto humano. Depois disso, aparece o decreto de Dario I Histaspes, cujo objectivo foi o de confirmar o mandado de Ciro (Esdras 6). Mas, a “ordem” a que Daniel 9:25 se refere só vem a se completar com o decreto de Artaxerxes I, que não somente permitiu que os muros de Jerusalém fossem reconstruídos (Esdras 9:9) como também concedeu certa autonomia política aos judeus (Esdras 7:25 e 26).
Sendo assim, quando, de fato, ocorreu a “saída da ordem”? Essa expressão, quando relacionada a um decreto, só pode se referir ao momento em que este é assinado ou expedido. Quando foi expedida a “ordem” de Daniel 9:25? Bem, quando Deus levantou a Ciro com o propósito de libertar os cativos judeus, houve uma “saída da ordem”, mas esta ainda não estava completa, impedindo que os períodos proféticos pudessem começar. Depois disso, veio o decreto de Dario, o qual apenas confirmou as estipulações do decreto anterior. Em seguida, foi emitido o decreto de Artaxerxes, com o qual a “ordem” se completou. Mesmo assim, a contagem ainda não poderia ter início. Mas, por que não? Porque a “saída da ordem” é apenas um requisito para o início dos períodos proféticos de Daniel 8 e 9. Não basta que apenas esse requisito seja cumprido. Aparentemente, a Bíblia indica apenas a “saída da ordem” para o início do cálculo profético. Mas, quando a passagem de Daniel 8:14, que fala da purificação do santuário, é levada em consideração, percebe-se que os períodos proféticos só poderiam começar num Dia da Expiação. Esse é o segundo requisito. É verdade que ele não é tão ostensivo quanto o primeiro, só podendo ser percebido através do cálculo astronómico mas, ainda assim, é uma condição para o início das 70 semanas e das 2.300 tardes e manhãs.
Reunindo as informações de Daniel 9:25 e Daniel 8:14, entende-se que os períodos proféticos só poderiam começar no Dia da Expiação, depois que a “ordem”, em sua forma completa, fosse promulgada. Quando saiu o decreto de Artaxerxes? Em algum ponto anterior a primeiro de Nisan em de 457 A.C. Quando começaram as 2.300 tardes e manhãs? No primeiro Dia da Expiação após aquele decreto. Isso foi em 29 de Outubro de 457 A.C Assim, para uma compreensão mais abrangente do assunto, é importante que o leitor não fixe seus olhos apenas na palavra “saída” de Daniel 9:25; deve ele notar a existência de um outro requisito que também precisa ser preenchido para o início da contagem dos períodos proféticos: o Dia da Expiação.

13 de julho de 2009

OS ESCRITORES DO NOVO TESTAMENTO SÃO CONSCIENTES DA PROFECIA DE DANIEL 9

Os escritores neotestamentários estavam a par dos períodos proféticos de Daniel 9 e reconheceram Sua aplicabilidade à vida e obra de Jesus, observa-se de várias passagens dos Evangelhos e das Epístolas. Nesses versículos, fica patente que havia um tempo definido para o nascimento de Jesus, pois, segundo o apóstolo Paulo, “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou Seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei.” Gálatas 4:4.
“Depois de João ter sido preso, foi Jesus para a Galileia, pregando o evangelho de Deus, dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho.” Marcos 1:14 e 15. Ver também os versos 12 e 13. Com esse anúncio, Jesus reconheceu que o prazo estipulado para o início de Seu ministério havia expirado.
Cada actividade a ser desenvolvida no ministério do Senhor tinha seu momento certo nos planos de Deus. Exemplo disso se extrai do episódio em que Maria rogou a Jesus que Ele interviesse miraculosamente devido à falta inesperada de vinho nas bodas de Canaã. A resposta de Jesus foi: “Mulher, que tenho Eu contigo? Ainda não é chegada a Minha hora.”João 2:4.
Nos planos de Deus, havia também um momento certo para Jesus Se dirigir a Jerusalém, que seria o palco de Sua paixão e morte:
“Disse-lhes, pois, Jesus: O Meu tempo ainda não chegou, mas o vosso sempre está presente.” João 7:6.
“Subi vós outros à festa; Eu, por enquanto, não subo, porque o Meu tempo ainda não está cumprido.” João 7:8.
A razão pela qual os judeus falharam várias vezes em suas tentativas de prender a Jesus é dada nos seguintes termos:
“Então, procuravam prendê-lO; mas ninguém Lhe pôs a mão, porque ainda não era chegada a Sua hora.” João 7:30.
“Proferiu Ele estas palavras no lugar do gazofilácio, quando ensinava no templo; e ninguém O prendeu, porque não era ainda chegada a Sua hora.” João 8:20.
Ao aproximar-se o tempo de Seu sofrimento, Jesus assim Se expressou: “É chegada a hora de ser glorificado o Filho do Homem.” “Agora, está angustiada a Minha alma, e que direi Eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora.” João 12:23 e 27.
Também havia um prazo para Cristo ascender ao Céu:
“Ora, antes da Festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a Sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os Seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim.” João 13:1.
Por fim, na noite da Última Ceia, ao dirigir-Se ao monte das Oliveiras, no qual deveria passar pelas tenebrosas horas do Getsémani, Jesus “levantou os olhos ao céu e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a Teu Filho, para que o Filho Te glorifique a Ti.” João 17:1.
Sim, tudo na missão de Cristo pertencia a um momento determinado. Cada etapa de Seu ministério se cumpriu em perfeito sincronismo com o relógio de Deus, o que inspirou o autor da epístola aos Hebreus a declarar que, “ao se cumprirem os tempos”, Ele “Se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de Si mesmo, o pecado.” Hebreus 9:26. Quando Jesus expirou no madeiro do Gólgota, Ele venceu a Satanás de uma vez por todas, resgatando, por meio de Seu sangue, este mundo para Deus. Era a isso que Ele Se referia, quando anunciou: “Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso.” João 12:31. Ver Colossenses 2:13-15. Tendo isso em vista, entende-se melhor o protesto dos endemoninhados de Gadara: “Que temos nós contigo, ó Filho de Deus! Vieste aqui atormentar-nos antes de tempo?” Mateus 8:29. Quão preciosa é a Cruz do Calvário para todo filho de Deus! Foi ali que o “Deus feito homem” redimiu a Humanidade do cativeiro do pecado, abrindo-lhe os portais da salvação. No momento certo, Ele interveio; ou, como escreveu Paulo, “Cristo, quando nós ainda éramos fracos, morreu a Seu tempo pelos ímpios.” Romanos 5:6. Tão profundo amor nem toda a eternidade poderá desvendar! Ela inspirará a mais profunda gratidão nos seres redimidos para sempre!
Outras referências relevantes sobre o aspecto cronológico em relação ao ministério de Jesus podem ser encontradas nos seguintes textos: Mateus 26:18 e 45; Marcos 14:35 e 41; Lucas 22:53; João 4:21 e 23; 5:25; 16:21, 25 e 32; Romanos 3:26; 1 Timóteo 2:6; e Tito 1:3.
Os próximos estudos desta série tratarão mais profundamente dos períodos proféticos de Daniel. Também será objeto de análise a tipologia das festas judaicas, que servem como cronograma do plano da redenção. Tal estudo se destina a propiciar sólidas evidências para todo aquele que deseja fundamentar melhor a sua fé. Que a bênção de Deus possa repousar sobre os leitores deste e dos próximos estudos e que a fé em Jesus e em Sua palavra possa ser fortalecida em seus corações!

A MORTE DE JESUS A MEIO DA SEPTUAGINTA SEMANA PROFÉTICA

A morte de Jesus foi realmente um acontecimento ímpar na História do Universo, pois o próprio “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (2 Coríntios 5:19). Pelo presente estudo, o leitor pôde vislumbrar um pouco mais da importância desse evento, ao descobrir que a data da crucifixão de Cristo é qual uma âncora que firma todo o esquema cronológico de Daniel.
A comprovação dessa data pela História e pela Astronomia dá a certeza da veracidade da profecia bíblica, da realidade do plano de salvação e do Juízo que ora se realiza no Santuário Celestial.
O próximo estudo tratará da problemática em torno do dia do mês judaico em que Jesus foi morto. Enquanto esta série de estudos defende, com firme evidência bíblica, o dia 15 de Nisan, outros comentadores afirmam ter Cristo morrido no dia 14.
Que a bênção de Deus possa repousar sobre todos que olham para as Sagradas Escrituras para “compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que” seja tomado “de toda a plenitude de Deus.” Efésios 3:18 e 19.

12 de julho de 2009

EM QUE DIA MORREU JESUS: A CRONOLOGIA DE JOÃO

A bem da verdade, a contradição existente entre a cronologia dos Sinópticos e a do Evangelho de João é apenas aparente e pode ser desfeita mediante uma leitura mais atenciosa do texto joanino.
Embora se diga que os judeus não quiseram entrar “no pretório para não se contaminarem, mas poderem comer a Páscoa”, o texto nada diz quanto ao dia exacto em que o cordeiro pascal foi imolado. Além disso, essa afirmação não precisa ser interpretada, necessariamente, como uma indicação de que a ceia pascal ainda não tivesse sido realizada. Ocorre que, na época de Jesus, todo o período dos Pães Asmos já era naturalmente conhecido como a Festa da “Páscoa”. Exemplo desse uso se observa no Evangelho de Lucas: “Estava próxima a Festa dos Pães Asmos, chamada Páscoa.” Lucas 22:1. Os judeus poderiam estar preocupados não com a celebração da ceia pascal, mas com outras refeições cerimoniais que eram realizadas durante aquele período festivo. Outra possibilidade seria a de que os líderes judaicos não teriam celebrado a ceia pascal no tempo determinado pela Lei – que, no caso, teria sido a noite de Quinta-feira – já que estavam empenhados na caçada a Jesus. Por isso, teriam deixado para celebrá-la um dia depois, na noite de 15 para 16 de Nisan. Seja qual for o motivo que determinou o comentário de João, a passagem em análise é insuficiente para destruir a sólida cronologia esboçada em Mateus, Marcos e Lucas.
O mesmo é verdade com respeito a João 19:14, que denomina a Sexta-feira da crucifixão de “preparação da Páscoa”. A palavra “preparação” é tradução de (paraskeue), que no grego bíblico é o termo comummente utilizado para denominar a Sexta-feira como dia de preparação para o Sábado. A base dessa expressão se encontra em Êxodo 16:22-30. Portanto, quando João fala do dia da morte de Jesus como a “parasceve da Páscoa”, sua intenção era simplesmente a de retratar aquele dia como uma Sexta-feira dentro da semana dos Pães Ázimos e não como o dia 14 de Nisan.
Resta analisar ainda o sentido da expressão “Sábado grande” (grego: – megale he hemera ekeinou tou sabbatou; tradução: grande o dia daquele Sábado). Afirmar que aquele Sábado foi chamado de “grande” por causa da combinação de um Sábado semanal com um Sábado cerimonial (no caso, o 15 de Nisan) é extrair do texto mais do que ele pode oferecer. A expressão só ocorre uma vez em toda a Bíblia, impedindo, assim, que se verifique seu real significado; e adoptar como certa uma posição sem considerar outras possibilidades de interpretação é cometer uma arbitrariedade exegética. Poderia ser o caso, por exemplo, daquele Sábado ser chamado de “grande” por estar inserido na semana da Festa dos Pães Ázimos, sem, contudo, ser uma combinação de um sábado semanal com um Sábado cerimonial. Outra interpretação possível seria a de um Sábado cerimonial (Sexta-feira = 15 de Nisan) seguido por um Sábado semanal. Isso faria com que o período de descanso se prolongasse por 48 horas. No estágio actual, não há como determinar o verdadeiro sentido da expressão joanina.
Diante do que foi exposto, seria um contra-senso substituir a clareza e o vigor da cronologia dos Sinópticos pelas expressões incertas e rarefeitas extraídas do Evangelho de João. Como ficou demonstrado, é possível interpretar as declarações joaninas em mais de um sentido, o que não se admite em Mateus, Marcos e Lucas.

EM QUE DIA MORREU JESUS?

Conclusão.
O testemunho bíblico coloca o 15 de Nisan para o dia da morte de Jesus acima de qualquer contestação. Visto que o ano 31 A.D. admite a combinação dessa data com uma Sexta-feira, deve ser considerado o ponto “meio da septuagésima semana”, possibilitando a localização do início e do fim das 2.300 tardes e manhãs. Retornando, a partir desse ponto, 69,5 semanas proféticas, ou 486,5 anos, chega-se ao ano de 457 A.C.. Avançando 2.300 anos, desde essa última data, atinge-se o ano de 1.844 A.D.. Isso confirma a veracidade da profecia bíblica e serve como irrefutável testemunho da realidade do plano de salvação. Que Deus seja louvado pela grandiosidade de Sua revelação e que este estudo possa ser um instrumento “para fortalecer a fé do vacilante e dar a certeza do glorioso futuro” a todo aquele que for atraído pelo incomensurável amor do Salvador.

11 de julho de 2009

A PROFECIA E O INICIO DO MÊS JUDAICO

Conforme o testemunho das Escrituras, o dia da lua nova marcava o início do mês judaico. Depreende-se das seguintes evidências:
A) Quando Moisés estipulou os sacrifícios especiais que deveriam ser oferecidos por ocasião da Festa da Lua Nova, assim se expressou: “Nos princípios dos vossos meses, oferecereis, em holocausto ao SENHOR, dois novilhos e um carneiro, sete cordeiros de um ano, sem defeito, e três décimas de um efa de flor de farinha, amassada com azeite, em oferta de manjares, para um novilho; duas décimas de flor de farinha, amassada com azeite, em oferta de manjares, para um carneiro; e uma décima de um efa de flor de farinha, amassada com azeite, em oferta de manjares, para um cordeiro; é holocausto de aroma agradável, oferta queimada ao SENHOR. As suas libações serão a metade de um him de vinho para um novilho, e a terça parte de um him para um carneiro, e a quarta parte de um him para um cordeiro; este é o holocausto da lua nova de cada mês, por todos os meses do ano. Também se trará um bode como oferta pelo pecado, ao SENHOR, além do holocausto contínuo, com a sua libação.” Números 28:11-15. Desse texto, pode-se concluir que, no calendário judaico, o início do mês era sempre definido pelo dia da lua nova.
B) Em 1ª Samuel 20, a lua nova também aparece como o ponto inicial da contagem dos dias do mês. Assim, quando Davi disse a Jônatas que ficaria escondido no campo “até à terceira tarde”, a sua referência era ao terceiro dia a partir da lua nova (verso 5). O mesmo se aplica às posteriores palavras de Jonatas, em que ele basicamente repete o que já tinha sido dito por Davi (versos 18 e 19). O texto faz menção ainda ao “segundo dia da lua nova”, o que confirma a ideia já apresentada (versos 24, 27 e 34).
Diante dessas claras informações extraídas das Escrituras, demonstra-se que o calendário judaico estava inseparavelmente relacionado ao ciclo lunar. Deve-se, no entanto, distinguir entre a lua nova astronómica e a lua nova eclesiástica. Aquela se refere ao momento exacto da conjunção da Lua com o Sol, enquanto que esta última ocorre um pouco depois, quando o primeiro filete da Lua se torna visível, pouco acima do horizonte oeste, logo após o pôr-do-sol.
O ano judaico, no entanto, não estava vinculado apenas à Lua, pois a Festividade das Primícias, que era celebrada no “dia imediato ao Sábado” (isto é, o Domingo) da semana dos Pães Ázimos, exigia que o primeiro mês do ano não começasse demasiadamente cedo, pois, caso contrário, os primeiros frutos não poderiam ser apresentados.
Segundo Flávio Josefo, escritor judeu do primeiro século, o feixe que o sacerdote agitava, diante do altar dos holocaustos, por ocasião da Festa das Primícias, era constituído dos primeiros grãos amadurecidos da cevada. (Antiquities of the Jews, livro 3, capítulo 10, artigo 5, em The Works of Josephus, Complete and Unabridged, p. 96).
Isso deve-se ao facto de que a cevada era o primeiro cereal a amadurecer na Palestina. Cada planta possui uma época definida para florescer e dar o seu fruto, dependendo da duração do dia e da temperatura ambiente. Esses factores, por sua vez, estão intimamente relacionados às estações do ano. “A razão” para isso “é que as plantas usam o seu relógios para sentir as estações, através do cumprimento do dia, garantindo que as flores nasçam no tempo certo do ano.” (Molecules to Make Plants Tick, New Scientist, n.º 1.967, p. 30, 4 de Marco de 1.995). A Bíblia se refere aos frutos como “aquilo que o Sol amadurece” (Deuteronómio 33:14), o que está em perfeita harmonia com a prática agrícola e com o testemunho da Ciência.
O texto bíblico informa que, por ocasião da sétima praga (chuva de pedras), a cevada e o linho foram afectados, ao passo que o trigo e o centeio não: “O linho e a cevada foram feridos, pois a cevada já estava na espiga, e o linho em flor. Porém o trigo e o centeio não sofreram dano, porque ainda não haviam nascido.” Êxodo 9:31 e 32. Isso demonstra que a cevada floresce e amadurece antes de outras plantas encontradas naquela região.
O mês em que os hebreus deixaram o Egipto e no qual se comemorava a Páscoa é chamado de Abibe, termo hebraico (abib), de origem cananita, cujo significado é “Espiga”. Comparar Êxodo 13:4; 23:15; 34:18; e Deuteronómio 16:1, em que o vocábulo foi apenas transliterado na A.R.A, para indicar o nome do mês, com Êxodo 9:31 e Levítico 2:14, em que o mesmo termo foi traduzido como “espiga” ou “espigas verdes”. Disso se deduz que o mês de Abibe deveria sempre ocorrer no tempo do amadurecimento da cevada. O cuidado para que o primeiro mês não ocorresse em época muito precoce, para que o período das Primícias não chegasse sem que houvesse cevada madura para se oferecer, criava um elo entre o ciclo lunar e o ciclo solar, resultando num calendário luni-solar.
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A prescrição para a Festividade das Primícias e sua estreita conexão com a Festa dos Pães Sem Fermento, encontram-se registradas em Levítico 23:5-14: “No mês primeiro, aos catorze do mês, no crepúsculo da tarde, é a Páscoa do SENHOR. E aos quinze dias deste mês é a Festa dos Pães Asmos do SENHOR; sete dias comereis pães asmos. No primeiro dia, tereis santa convocação; nenhuma obra servil fareis; mas sete dias oferecereis oferta queimada ao SENHOR; ao sétimo dia, haverá santa convocação; nenhuma obra servil fareis. Disse mais o SENHOR a Moisés: Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando entrardes na terra, que vos dou, e segardes a sua messe, então, trareis um molho das primícias da vossa messe ao sacerdote; este moverá o molho perante o SENHOR, para que sejais aceitos; no dia imediato ao sábado, o sacerdote o moverá. No dia em que moverdes o molho, oferecereis um cordeiro sem defeito, de um ano, em holocausto ao SENHOR. A sua oferta de manjares serão duas dízimas de um efa de flor de farinha, amassada com azeite, para oferta queimada de aroma agradável ao SENHOR, e a sua libação será de vinho, a quarta parte de um him. Não comereis pão, nem trigo torrado, nem espigas verdes, até ao dia em que trouxerdes a oferta ao vosso Deus; é estatuto perpétuo por vossas gerações, em todas as vossas moradas.”.
Bibliografia:
FLAVIUS JOSEPHUS, The Works of Josephus, Complete and Unabridged, nova edição atualizada, tradução de William Whiston, A.M., Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, Inc., 1.987.
Molecules to Make Plants Tick, New Scientist, n.º 1.967, 4 de março de 1.995.

10 de julho de 2009

O CALENDÁRIO SEGUNDO OS ANOS DE REINADO

Na Mesopotâmia, no Egipto, na China, entre os hebreus e entre outros povos antigos, adoptou-se o sistema dos anos de reinado. Essa prática não chegou a generalizar-se na Roma Imperial. Tinha o inconveniente de recomeçar a contagem sempre que um novo soberano subisse ao poder. Quaisquer omissões ou erros nas listas reais, como os decorrentes de reinados simultâneos em períodos de instabilidade política, viciavam o cômputo total.
Existiam 2 métodos diferentes para o cálculo dos anos de reinado:
1) Com Ano de Ascensão. Quando um rei morria, o primeiro ano de seu sucessor não era contado a partir do dia imediatamente seguinte ao da morte do antigo rei, mas, sim, a partir do próximo Dia do Ano Novo. O período decorrido nesse intervalo era chamado “ano de ascensão”. Um nítido exemplo desse método pode ser encontrado em 2 Reis 18:1, 9 e 10. Depois de informar que Ezequias subiu ao trono no terceiro ano de Oséias, o autor do livro declara que o cerco de Samaria começou no quarto ano de Ezequias, o sétimo de Oséias, e findou 3 anos depois, no sexto ano de Ezequias, o nono de Oséias. A perfeita harmonia de todas essas informações só é possível mediante a aplicação do sistema do ano de ascensão, como pode ser demonstrado pelo esquema abaixo.


2) Sem Ano de Ascensão. Por esse sistema, empregado no Egipto e também indicado na Bíblia, o período imediatamente seguinte ao da ascensão do novo monarca já era considerado o primeiro ano de reinado. Assim, a primeira parte do ano era calculada em termos do reinado do antigo monarca, enquanto que a última parte era datada em termos do novo soberano. Um claro exemplo desse método é dado em 1 Reis 15:25 e 28. Nadabe de Israel subiu ao poder no segundo ano de Asa de Judá. Nadabe reinou por 2 anos e foi assassinado no terceiro ano de Asa. Obviamente, apenas o sistema que não utiliza o ano de ascensão permite a exacta combinação dessas informações, como pode ser demonstrado pelo esquema abaixo.


Quando um documento antigo estabelece a data de um evento em termos dos anos de reinado de um governante qualquer, torna-se indispensável identificar qual dos 2 sistemas foi utilizado para a exacta localização na escala A.C. – A.D. do ano em consideração.

O CALENDÁRIO NOS PRIMÓRDIOS DA CIVILIZAÇÃO

Após um cuidadoso exame dos principais sistemas de calendário produzidos pelas mais importantes civilizações do mundo antigo, será de inestimável valor também uma investigação acerca dos métodos utilizados por esses mesmos povos para datar os acontecimentos em termos de anos.
Os povos mais antigos desconheciam a contagem do tempo por eras, como é feito actualmente. A prática adoptada pelos sumérios e babilónios era o de baptizar cada ano com um nome, com base no mais notável evento do ano anterior. Dessa maneira, o sétimo ano de Hamurábi, por exemplo, foi chamado de “o ano em que Uruk e Isin foram tomadas”. Os vários registos da época mantinham listas completas dos nomes dos anos, as quais cobriam um longo período de tempo.
Outro método de datação foi criado pelos assírios, segundo o qual um alto oficial era escolhido para ser o “limmu” durante um ano; no período em que ele ocupasse esse posto, o seu nome era usado para identificar o ano. O mesmo método foi seguido pelos gregos, entre os quais o termo correspondente a limmu era o de “epónimo”, e entre os romanos, com a imensa lista de cônsules (2 por ano).
Havia, no entanto, uma diferença entre o archon epónimo de Atenas, os cônsules romanos e o limmu assírio. O archon ateniense e os cônsules romanos eram sempre chefes de Estado, enquanto que o limmu poderia ser escolhido entre os vários oficiais e altas personalidades do Império Assírio.
Dessas listas, a mais importante para a fixação das datas dos acontecimentos relacionados à profecia das 70 semanas é a dos cônsules romanos.

A ERA CRISTÃ

Em 525 A.D., um monge, chamado Dionísio Exíguo (ou, o Pequeno), propôs que todos os eventos fossem datados a partir do nascimento de Jesus, que ele fixou no ano 753 da fundação de Roma. A Era Cristã de Dionísio foi adoptada desde o século 6, mas só foi admitida pela Cúria Romana a partir do século 10.
Para os anos a partir do nascimento de Cristo, a contagem é feita em ordem crescente; para os anteriores a esse acontecimento, em ordem decrescente. Não há um ano zero. Portanto, o dia 31 de Dezembro de 1 A.C. é seguido pelo dia primeiro de Janeiro do ano 1 A.D. (Anno Domini, ou seja, ano do Senhor). Seguindo essa lógica, o ano 1 A.D. é o primeiro ano do século 1 e o ano 100 A.D., o último. Por conseguinte, o ano 2000 A.D. é o último do século 20 e também do terceiro milénio. Assim sendo, o novo milénio só começou de facto no primeiro de Janeiro de 2001 A.D..
A inexistência do zero entre 1 A.C. e 1 A.D. altera em um ano o cálculo de períodos que se iniciam antes de Cristo e que findam durante a Era Cristã. Por exemplo, se houvesse o ano zero, as 69 semanas proféticas (ou 483 dias-anos) terminariam em 26 A.D.; todavia, como tal não existe, a contagem se estende por mais um ano, findando em 27 A.D.. A compreensão desse pormenor é de grande relevância para os períodos proféticos.