6 de setembro de 2009

APOCALIPSE: ABERTURA DO 5º SELO, ATÉ QUANDO Ó SOBERANO!

APOCALIPSE 6:9-17
"Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que deram. E clamaram com grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano, santo e verdadeiro, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?. E foram dadas a cada um deles compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda por um pouco de tempo, até que se completasse o número de seus conservos, que haviam de ser mortos, como também eles o foram." (Ap. 6:9-11) Os mártires clamavam por julgamento: "até quando... não julgas e vingas o nosso sangue?" (6:9) perguntam eles.
O seu pedido coloca-se antes do julgamento final. A primeira fase desse julgamento começou em 1844 da nossa era, no final dos 2.300 dias-anos de Daniel 8:14. Os mártires não sabiam quando teri início o julgamento e, como acabamos de ver, Deus escolheu decidiu revelar-lhes quando seria esse evento, ou seja, no final da "grande profecia profética" (Dan. 8:14).
Esta revelação divina é feita muitos séculos antes do clamor dos mártires, é feita quando Daniel ele ouviu alguém foumulor a mesma pergunta que os mártires (e Habacuque 1:2,3) fizeram: "Até quando?" Mas a resposta que Daniel ouviu, foi dada em linguagem simbólica, a linguagem dos 2.300 dias, e o profeta foi instruído a deixar o seu livro fechado - não plenamente compreendido - até que chegasse o tempo do fim (ver Daniel 12:4). Este facto ajuda a explicar porque razão os mártires não não tiveram a compreensão e levantam de novo a questão.
Já analisámos que os 1.200 dias-anos têm o seu inicio em 538 com a oficialização do bispo de Roma a papa e percorre todo o perído da idade média até 1798. Portanto, este perído termina um pouco antes de se iniciar o julgamento em 1844. Já apresentamos em estudos anteriores - não nos cansaremos de continuar o estudo sobre este tão importante assunto - a tribulação dos 1.260 dias-anos em relação com outras profecias que se cumpriram neste mesmo período - devemos ter em conta que vários periodos proféticos se cumprem neste espaço de tempo histórico; as 7 igrejas, as 7 trombetas, etc -. Creio ser de interesse relatar uma experência relacionada com os familiares de um dos milhares, quiçá, milhões de mártires e que nos darão uma ideia mais clara do sobrimento padecido pelos genuínos fiéis desta época, aproveito também para melhor compreensão dos nossos leitores a clicarem AQUI e acompanharem este BLOGUE.
W.E.H.Lecky, um historiador muito reputado e ex-membro da Academia Britânica, conta o seguinte:
"É apavorante reflectir sobre o que sofreram a mãe, a esposa, a irmã ou a filha de um herege. ... Ela via o corpo daquele que lhe era mais precioso que a própria vida, deslocar-se, tremer e contorcer-se em dor; ela contemplava o crepitante fogo brando alcançar-lhe membro após membro, até ser transformado numa peça única de agonia; quando, por fim, ... o torturado corpo alcançava o descanso, ela ainda tinha que ouvir que tudo aquilo era aceitável aos olhos de Deus que ela servia, e que a cena que acabara de transcorrer não era mais que uma pálida imagem dos sofrimentos que Ele haveria d infligir ao morto por toda a eternidade."
Abro parêntese para dizer o seguinte: Esta história passou-se em todos os países da Europa, onde a Igreja Católica instituíu o Santo Ofício, esta Europa é também Portugal, isto passou-se neste "jardim à beira mar plantado". Triste realidade! Fecho parênteses.
Com que frequencia terão clamado os familiares dos mártires: "Até quando?" "Porque me desamparaste?" Quantas vezes terão eles sentido , como C.S.Lewis, que os Céus se tinham transformado num deserto, e que a porta estava fechada como aquelas fechaduras que dão várias voltas!
Os verdadeiros mártires não vacilavam. Fixavam o olhar além das vestes com figuras de demónios com que eram vestidos; olhavam para as vestes brancas prometidas por Deus. Que bênçãos é possuir já as vestes (justiça de Cristo) celestiais e poder usá-las! Todos anelamos que os familiares dos mártires também tenham mantido os olhares nas vestes brancas. muitos deles certamente o fizeram, e somos grandemente confortados com esse pensamento.
Nas cenas de tribulação dos últimos dias, que tanto caracterizaram os dias do quinto sêlo, Deus mostrou a João os Seus mártires como estando em pé ao redor do Seu trono - tal como um dia estarão - "vestidos de vestes brancas " (lá estão novamente aquelas vestes gloriosas!), com palmas nas mãos (tal como o povo que, regozijava, na recepção a Jesus no domingo de Ramos -ver João 12:13-), com o seu coração a expressar cânticos de grande louvor (Ap. 7:9).
Enquanto João os contemplava em visão profética, um dos vinte e quatro anciãos assegurou-lhe que eles terão o privilégio de servir a Deus "de dia e de noite" (a exemplo dos quatros seres viventes), e também que eles "jamais terão fome, nunca mais terão sede", "pois o Cordeiro que Se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda a lágrima" (Ap. 7:13-17).
Os seus inimigos intentaram destrí-los, mas Jesus os protegeu da final destruição (destruição eterna). Deu-lhes roupas brancas, permitiu-lhes descansar "o sono da morte" e garantiu-lhes a vida Eterna. Louvado seja o Senhor! diga: Ámem!

3 de setembro de 2009

APOCALIPSE: ABERTURA DO 6º SELO, FIM DA OPRESSÃO

APOCALIPSE 6:9-17
"...e diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos da face daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro." (Ap. 6:16)
Ao grito das vítimas esmagadas que suspiravam pela libertação de Deus faz agora eco o grito de terror dos opressores que tremem sob a cólera de Deus. a abertura do sexto selo revela o outro lado da justiça de Deus. No quinto selo, o julgamento de Deus concerne as vítimas cujo sangue derramado “... clamaram com grande voz, dizendo: Até quando, ó Soberano, santo e verdadeiro, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?” (Ap. 6:10). O julgamento tinha como sentido a salvação e dava realce à cena em que o Deus da graça que dá “as vestes brancas”. Presentemente, o julgamento incide sobre (o Juízo que se inicia sobre a casa de Deus, é também juízo que recai sobre os ímpios) o opressor e põe em cena o Deus da justiça que registou as acções dos habitantes da terra.
As duas faces de Deus são complementares e sobressai a operação da salvação. Para salvar realmente, Deus deve necessariamente passar pela nova criação, com tudo o que isso possa implicar de comoção, a promessa será cumprida, mas também, de aniquilamento da antiga ordem das coisas, o reinado do pecado e do diabo.
O pecado do homem produziu um efeito que ultrapassa a sua própria esfera e repercute-se sobre todo o Universo. Este princípio fundamentalmente bíblico está enunciado desde a Criação. O homem e a natureza foram criados dependentes um do outro. Todo o crime moral ou religioso afecta todo o ambiente. A desobediência de Adão trouxe cardos e espinhos. A iniquidade dos primeiros homens teve como consequência o Dilúvio sobre a terra. A perversidade dos habitantes de Sodoma fez com que fogo e enxofre caíssem sobre a cidade. O país de Canaã engoliu os seus habitantes em consequência dos seus pecados. A mentira de Acã abre no vale onde habitam os israelitas a confusão e os juízos de Deus.
Os profetas de Israel não se cansaram de sublinhar este princípio nos seus avisos ao povo. Desde Moisés, Oseias, Isaías, Jeremias todos eles se voltaram para Israel para lembrar a sua responsabilidade sobre o cosmos. As árvores, ao animais, o próprio tempo (atmosfera), as montanhas e sobretudo os homens e as mulheres que são tocados pelo pecado e por ele afectados no mais profundo do ser.
No Novo Testamento, na morte de Jesus a atmosfera escureceu e a terra estremece, os tremores da mesma respondem ao próprio evento da agonia do Senhor.
Todo o crime contra o homem é um crime contra a humanidade inteira e contra o Universo. É portanto o céu e a terra, todos os homens que são o alvo da cólera de Deus. o Apocalipse revela este principio nas histórias gravadas na Bíblia. O olhar profético ilumina esta responsabilidade até na própria civilização laica e moderna. Os tempos do fim são descritos como sendo de alterações cósmicas em duas fases.
A primeira tem efeitos ou afecta a terra. O seu efeito é limitado ao espaço humano. É ainda o tempo da história: “E vi quando abriu o sexto selo, e houve um grande terramoto; e o sol tornou-se negro como saco de cilício, e a lua toda tornou-se como sangue; e as estrelas do céu caíram sobre a terra, como quando a figueira, sacudida por um vento forte, deixa cair os seus figos verdes.” (Ap. 6:12,13). Não é proibido de reconhecer que nesta quadro as catástrofes que caíram sobre o mundo entre o fim do século XVIII e o século XIX. Pensemos no Terramoto de Lisboa (1º Novembro de 1755) que fez perecer (nesta tempo) mais de 70.000 pessoas, ou seja perto da metade da população. Podemos pensar igualmente nas trevas que surpreenderam os habitantes da América, Canadá, Inglaterra, Holanda, França, Suíça e Itália por volta dos anos 1780 e 1880. Podemos considerar as chuvas meteóricas de intensidade excepcional que marcaram o período de1800 a 1900 na Europa, na América do Norte e do Sul, mas também a África e a Ásia.
Curiosamente, estes acontecimentos coincidem com o tempo identificado pelas profecias de Daniel como fim do tempo da opressão. Este período está sem dúvida marcado no calendário profético. É um momento de acalmia relativamente às perseguições promovidas pelo poder religioso ou eclesiástico. Encontramo-nos no final dos “três tempos e meio” das perseguições que fala o profeta Daniel – neste blogue encontrará estudos sobre estas profecias – (Daniel 7:25). No auge da Revolução francesa, todas as estruturas foram alteradas. A Igreja deixou de constituir uma ameaça como o tinha sido até aí (Inquisição). Os sinais cósmicos acompanham a história, tal como preditos pelas profecias, como para confirmar e investir de um novo sentido que elas iluminaram desde os tempos proféticos os acontecimentos em direcção ao fim da história terrestre do homem. Claramente é evidenciado que, da fase do tempo do fim se passa à fase do fim dos tempos.
A visão do sexto selo segue deste modo o mesmo percurso do quinto selo. Os dois selos são contemporâneos e transportam de facto sobre eles os mesmos acontecimentos, mas a partir de uma perspectiva diferente.
No quinto selo, o olhar profético incidia sobre o povo de Deus, vítimas da opressão daí resulta o grito “até quando”, associado à profecia de Daniel 8, conduziu-nos pela metade do século XIX. Depois a visão atravessou o tempo e transportou-nos para além da história humana, até ao momento em que é ouvido o grito e o julgamento finalmente concluído; os santos recebem as suas vestes brancas.
Da mesma maneira, a visão do sexto selo passa do momento marcado para o fim da opressão entre o século XVIII e o século XIX, momento em que o opressor do mal é submetido. Esta segunda fase afecta particularmente o céu: “E o céu recolheu-se como um livro que se enrola; e todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares. E os reis da terra, e os grandes, e os chefes militares, e os ricos, e os poderosos, e todo escravo, e todo livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas.” (Ap. 6:14,15). Agora, os acontecimentos concernem toda a terra. A linguagem apresentada descreve a sua universalidade desta forma tão hebraica de associar os extremos para exprimir a totalidade: “os montes ... as ilhas; os reis da terra...os chefes militares...todos os escravos e os homens livres” (6:14,15). A cólera de Deus invade os horizontes e invade todo o espaço. É o momento onde Deus tem o controlo de tudo. A partir de agora, ninguém nem nada Lhe pode escapar (6:16). Aqui nasce a perturbadora questão: “Quem poderá subsistir?” (Ap. 6:17).
Portanto, a esperança é refugiar-se no melhor recanto desta questão. É o paradoxo da esperança bíblica, de se encontrar, inesperadamente, no lugar menos esperado. A questão é trazida da linguagem dos profetas Naum e Malaquias, onde de cada vez ela é o prelúdio da segurança dos resgatados quando no auge da angústia: “Quem pode manter-se diante do seu furor? e quem pode subsistir diante do ardor da sua ira? A sua cólera se derramou como um fogo, e por Ele as rochas são fendidas. O Senhor é bom, uma fortaleza no dia da angústia; e conhece os que nele confiam.” (Naum 1:6,7; cf. Malaquias 3:2,3)
Aqui também, no Apocalipse, a questão incide directamente sobre um parêntese, um entreacto que concerne os resgatados da tormenta.
Aceite hoje a mão acolhedora de Deus e refugie-se n´Ela, lá é o melhor lugar do mundo. Eu sei!

2 de setembro de 2009

APOCALIPSE: INTERVALO ENTRE O SEXTO E O SÉTIMO SELO

(Apocalipse 7:1-17)
Para além do dia terrível em que se manifestará a cólera de Deus, o profeta João abre um parêntese e a sua visão para sobre os que “podem subsistir” (Ap. 6:17). A cólera é retida por um instante, o período que leva a marcar de um sinal distintivo os que devem ser poupados, isto na perspectiva da consumação do sétimo selo.
O método faz lembrar a saída do Egipto, quando o anjo da morte poupou os Israelitas graças ao sinal de sangue aspergido no lintel e nas ombreiras das portas (Ex. 12:23), e isto na perspectiva da Terra prometida (Ex. 12:25). Mas desta vez a cena tem uma amplitude que alcança toda a terra. Os quatro ventos dos céus que são portadores da cólera de Deus sopram dos “quatro cantos da terra”, ou seja de todos os lados e para toda a parte (ver Daniel 7:2).
O ritmo do quiasma (em ABA´) que estrutura a ordem dada ao anjo avisa por antecipação a identidade dos resgatados. A primeira ordem (A) poupa a terra, o mar e as árvores (Ap. 7:1). A segunda ordem (B) ameaça a terra e o mar (Ap. 7:2). A terceira ordem (A´) de novo poupa a terra, o mar e as árvores (Ap. 7:3).
O centro do quiasma revela precisamente o elemento da natureza que deve ser poupada pelos ventos. Quando a ordem é dada de destruir, limita-se explicitamente à terra e ao mar (Ap. 7:2) que representam todo o planeta (ver Ap. 10:2,5; Gén.1:1-9; Ex. 20:11; Neemias. 9:6; Salmo 95:5; Mateus 23:15). As árvores estão excluídas da lista de calamidades como se fossem as únicas a sobreviverem na ordem terrestre. Esta observação de estilo é confirmada implicitamente sobre o plano da sintaxe.
Na primeira ordem que anuncia todas as outras, a palavra “árvore” (Ap. 7:1) recebe uma declinação diferente das palavras “terra e mar”. “Arvore” é um acusativo, enquanto a “terra e mar” estão no genitivo. O que se pode dizer relativo à diferença gramatical, é que sugere uma relação diferente por um lado os ventos, a terra e o mar, e por outra parte os ventos e as árvores.
Esta forma de estilo e de sintáctica de distinguir as árvores dos outros elementos traduz em todo o caso a intenção de as colocar à parte ou de lhes dar realce. As árvores representam a persistência. Graça às suas raízes que mergulham na terra, elas poderão resistir ao vento. Assim, nas Escrituras, as árvores com as suas fortes raízes representam os justos (Salmo 1:3; Jer. 17:8), enquanto que a palha levada pelo vento representa os ímpios (Salmo 1:4; Job 21:18).
A preservação das árvores deve portanto ler-se como uma alusão á protecção dos justos. Mas, curiosamente, estes justos/árvores não devem a sua salvação às suas raízes na terra. A sobrevivência vem do alto. As suas frontes estão marcadas com um selo. A operação é conduzida por um outro anjo que vem do Este como o Sol, a vida e a luz – como a esperança, como o jardim do Éden (Gén. 2:8), como o rei salvador Ciro (Isaías 41:2), como o próprio Deus salvador (Ezequiel 43:2).
Contrariamente aos outros selos que levam a mensagem de morte, este é portador do selo do Deus da vida (Ap. 7:2). Em contraste com todos os selos que anunciam o julgamento e a destruição da terra, este selo significa a salvação e a criação. Este selo distingue-se pela sua própria função. Os outros selos são dados para garantir o fecho absoluto do documento, enquanto que este é dado para marcar a propriedade.
Os antigos tinham de facto o hábito de colocar um selo sobre a mercadoria como sinal de pertença. Geralmente, o selo, consistia numa peça de metal ou numa pedra preciosa (Ex. 28:11; Ester 8:8), onde era gravado o nome do proprietário, ou um desenho, por vezes até dois. A marca colocava-se de ordinário na argila (Job 38:14). No caso, o selo é marcado sobre a fronte. A primeira vez que a Bíblia regista uma tal operação, é a propósito de Caim que recebe sobre a fronte um sinal cujo objectivo é de o proteger (Gén. 4:15). Mas é sobretudo o livro de Ezequiel que contém o texto mais próximo da nossa passagem: “E disse-lhe o Senhor: Passa pelo meio da cidade, pelo meio de Jerusalém, e marca com um sinal as testas dos homens que suspiram e que gemem por causa de todas as abominações que se cometem no meio dela. E aos outros: (...). Matai velhos, mancebos e virgens, criancinhas e mulheres, até exterminá-los; mas não vos chegueis a qualquer sobre quem estiver o sinal; e começai pelo meu santuário. Então começaram pelos anciãos que estavam diante da casa.” (Ez. 9:4-6).
Os que recebem a marca sobre a fronte são todos aqueles que permaneceram fiéis a Deus e reagem às “abominações” (Ez. 9:4) dos seus contemporâneos. O mesmo termo “abominações” é empregue alguns versículos antes para designar o pecado da idolatria e de adoração ao sol (Ez. 8:16,17).
A marca sobre a fronte representa portanto a adoração ao verdadeiro Deus, o Deus vivo, o Criador. É o sentido particular que é evidenciado na nossa passagem de Apocalipse, tanto mais que este texto faz referencia à criação. A sequência terra, mar, árvores segue de facto o acto da criação do terceiro dia (Gén. 1:9-13). Se este selo é a marca da adoração do Criador, é por consequência o sinal de pertença a Deus. Porque confessar a pertença a Deus revela a fé no Deus Criador. Esta relação é frequentemente sublinhada nos Salmos, onde Deus é cantado como o proprietário de todas as coisas, precisamente, porque Ele é o Criador de todas as coisas. “Do Senhor é a terra e a sua plenitude; o mundo e aqueles que nele habitam. Porque ele a fundou sobre os mares, e a firmou sobre os rios.” (Salmo 24:1,2 cf Salmo 89:12,13; Salmo 100:3).
Reconhecer Deus como o proprietário de todas as coisas, como seu proprietário, é ao mesmo tempo reconhecê-l´O como o Criador, o seu Criador. É toda a mentalidade religiosa que está aqui em realce pelo selo de Deus. é tão simplesmente reconhecer que tudo o que temos, tudo o que somos, o devemos a Deus. a Bíblia traz esta lição a todas as esferas da existência. Descobrimos o princípio no dízimo que é colocado à parte para Deus na nossa consciência sensível é reconhecer que Ele é o proprietário de todos os bens. É assim que Melquisideque justificará a oferta do dízimo pelo facto que Deus é o “Mestre do céu e da terra” (Gén. 14:19). A mesma associação é confirmada no livro de Leviticos. Antes de entrar na terra prometida, o povo de Israel deve lembrar-se que a terra pertence a Deus: “Também não se venderá a terra em perpetuidade, porque a terra é minha; pois vós estais comigo como estrangeiros e peregrinos.” (Lev. 25:23). Deste principio se conclui que: “Também todos os dízimos da terra, quer dos cereais, quer do fruto das árvores, pertencem (são do Senhor) ao senhor; santos são ao Senhor.” (Lev. 27:30).
Não será por acaso que o Sábado ocupa no Decálogo a parte central e normalmente reservada ao selo nos antigos documentos das alianças. O Sábado, exprime a fé no Criador e o reconhecimento que Lhe é devido em todas as coisas, ele faz parte do selo de Deus. Destaca-se igualmente o selo de pertença a Deus nas coisas alimentares em Daniel e os seus três companheiros, que traduzem a sua intenção de fincar a sua dependência do Criador antes que ao rei (Daniel 1).
O selo de Deus sobre a fronte significa de facto a marca de Deus sobre a própria pessoa, sobre o seu corpo e o seu espírito. É o sinal de que pertencemos a Deus. A imagem que se reflecte na criatura humana, segundo o texto de Génesis (Gén. 1:26), constitui seguramente o selo de Deus. Viver segundo Deus, é ao mesmo tempo afirmar e demonstrar esta verdade. O selo de Deus é portanto muito mais que uma simples tatuagem sobre a fronte, um gesto ritual ou uma observância qualquer. Através desta imagem, o Apocalipse designa de forma mais ampla aqueles que confessam Deus Criador e mestre, na sua religião como na sua vida de todos os dias. O Sábado, o dizimo, uma escolha alimentar, o respeito pela Lei de Deus são só indícios de uma mentalidade; eles podem seguramente atestar a presença do selo de Deus, mas eles não o são de uma forma mágica o selo de Deus. O selo de Deus é ao mesmo tempo invisível e vivo, tal como o Deus Criador em tudo o que Ele significa. O sinal é de natureza espiritual, como o Deus que ele representa.
E isto é aliás, a mesma coisa para os portadores do selo de Deus. Trata-se de uma entidade espiritual. O número 144.000, composto de 12X12, é simbólico. 12, aqui identificado, é o número da aliança entre Deus e o Seu povo (4, número da terra, x 3, número de Deus). É também o nome das doze tribos de Israel, que estão aqui plenamente mencionadas (Ap. 7:4-8). Cada tribo compreende doze mil pessoas. Quanto ao número 1000 que multiplica 12, traduz não somente a ideia de multidão (Juízes 15:15; 1ª Crónicas 12:14; 16:15; Salmo 91:7), mas igualmente e na etimologia hebraica pressupõe, o de tribo em toda a sua plenitude. Em hebreu, a palavra elef (mil) designa igualmente a tribo, a multidão, o clã, ou mesmo o regimento (Êxodo 18:21 Deuteronómio 33:17; Juízes 6:15; Números 1:16; Josué 22:21). O número 12.000 significa portanto tribo em toda a sua plenitude. Ora, na época de João, as tribos tal como elas o eram no passado tinham desaparecido. As que restavam eram Judá, Benjamim e Levi. Isto vale dizer que isto não se aplica a Israel, ou seja a questão não é de ordem literal. E o ritmo regular da lista das tribos reforça esta impressão de plenitude e de perfeição. É um exército em parada.
Aliás, a palavra okhlos traduzida aqui por “multidão” significa igualmente “exército”, e os versículos 9 e 10 (Ap.7) descrevem de facto um exército vitorioso depois da batalha. As vestes brancas com as palmas fazem parte da cerimónia do guerreiro e do ritual da vitória (João 12:13). Na simbologia dos números como no estilo do texto e até na descrição da multidão, o verbo profético transmite a mesma mensagem: os cento e quarenta e quatro mil representam Israel em ordem – quando acampavam – como na plenitude. É “todo o Israel” sonhado pelo Apóstolo Paulo (Rom. 11:26), o número “completo” dos salvos referidos no quinto selo (Ap. 6:11). É também esta grande multidão “de todas as raças, nações, povos e línguas” que João vê, toda ela vestida de vestes brancas (Ap. 7:9; cf. 6:11) sobrevivendo à opressão (Ap. 7:14; cf. 6:9,11).
O número não está ainda completo no quinto selo, os cento e quarenta e quatro mil e a multidão são o mesmo povo. Eles estão finalmente lá enfim, na totalidade, na plenitude, estes desenraizados da história, esta minoria sofrida, perseguida cuja única referencia vinha do Alto, todos eles tinham perdido o sentido de pertença porque estiveram sós, não foram compreendidos, marginalizados, cidadãos de outro reino. Eles reencontram-se e de repente descobrem a sua identidade em Israel. Unidos no espírito, nas mesmas recordações de lutas e de sofrimentos, eles estão agora reunidos com corpos não mais sujeitos à doença, morte, não serão mais perseguidos pela fé. A emoção é tanta que atinge todos os sentimentos que se manifestam numa melodia que ao mesmo tempo parece um grito de vitória, mas é uma liturgia de adoração ao Deus Criador e Redentor (Ap. 7:10).
A esta liturgia de adoração, os anjos, os anciãos e os quatro seres vivos respondem imediatamente por um “Amem” envolto numa adoração em sete tempos: “dizendo: Amém. Louvor, e glória, e sabedoria, e acções de graças, e honra, e poder, e força ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém.” (Ap. 7:12).
A visão situa-se presentemente no céu e transporta-nos para um futuro distante, ao momento em que os seres celestes se juntarão à adoração com os seres humanos; quando Deus habitará enfim verdadeiramente entre o Seu povo. Este O servirá “dia e noite no Seu templo” (Ap. 7:15) como os sacerdotes Levíticos serviam outrora (1ª Crónicas 9:33). A visão explicita-se na imagem da Tenda da Congregação e Deus manifesta-se sobre ela e sobre o povo (Ap. 7:15). A imagem trazida da história de Israel evoca o santuário no deserto.
A língua grega permite-nos (kenosei: levantar a tenda) entender e até a palavra hebraica (shekhina do verbo shakhan, habitar) que designa a nuvem e a coluna de fogo, sinais de Deus “habitando” entre eles (Ex. 40:34-38).
A presença de Deus é efectiva. Deus é presente fisicamente. O texto termina por uma alusão ao Salmo 23. o pastor que conduz as ovelhas às fontes de águas vivas (frescas), é a passagem ao Deus próximo que nos leva até ao toque e a limpar “toda a lágrima dos olhos” (Ap. 7:17). Deus não se contenta de suprir todas as nossas necessidades. Não se contenta em suprir a fome, a sede, o calor, o sofrimento não nos atingirão mais, mas Deus aproxima-Se e a relação torna-se mais intima: Deus consola.
Talvez ainda seja fortuita, mas a imagem do novo mundo e das suas alegrias pode já sentir-se o seu perfume, tal como, quando nos aproximamos do jardim. Seja Deus louvado!

31 de agosto de 2009

APOCALIPSE: ABERTURA DO 7º SELO: SILÊNCIO NO CÉU

Na mão direita d´Aquele que está sentado no trono está um rolo com sete selos, seis já foram abertos. Há um prolongado silêncio no Céu o profeta está em suspenso, não respira, a expectativa é imensa, que mistério tem este 7 selo que não foi aberto? Neste instante o olhar do profeta é atraído para o rolo o sétimo selo está para ser aberto finalmente! Aberto revela-se o conteúdo da sua mensagem. É a única vez em que ele não é envolvido na visão, está simplesmente como um espectador. Até aqui, cada selo aberto exigia a sua participação. Os quatro primeiro selos começam normalmente com as seguintes declarações “eu ouvi”, o quinto e o sexto selo “eu vi”, ou ainda “eu olhei”. Mas o sétimo selo cai-lhe na consciência como um golpe inesperado sem que ele possa dizer eu vi, eu ouvi ou eu olhei.
É também a única vez que o acontecimento não envolve Terra mas exclusivamente o Céu. Os seis outros selos envolviam a Terra e acompanhavam os movimentos da História humana. Em contraste com os outros selos, o texto apresenta o sétimo selo de forma muito sucinta. É apresentado num só versículo: “Quando abriu o sétimo selo, fez-se silêncio no céu, quase por meia hora.” (Ap. 8:1). Enfim, o acontecimento que ele introduz é fundamentalmente diferente. Depois do estrépito, ruídos de guerras, dos gritos das feras selvagens, dos soluços de homens e mulheres, das convulsões das montanhas e das estrelas que se manifestam de todos os lados (Apoc. 6:12-16), de repente, é o silêncio, o silêncio total.
Este acontecimento que não se ouve nem se vê é indescritível. O silêncio exprime o que as palavras, a musica, ou mesmo a pintura não podem revelar. É o silêncio que acompanha a vinda de Deus, a parousia. Porque só o silêncio é adequado para exprimir o inexprimível. Só o silêncio pode dar conta da presença do Deus infinito (Hab. 2.20; Sof. 1:7; Zac. 2:13). Este silêncio dura uma meia hora. Na linguagem profética que apresenta um ano por um dia (este assunto já foi estudado, apresento como exemplo; Números 14:34; Ezequiel 4:5), esta meia hora é equivalente ao tempo de uma semana (sendo um dia de 24 horas equivalente a um ano profético, ou seja a trezentos e sessenta dias reais, uma hora equivale a 3 60:24, seja quinze dias, e meia hora a uma semana).
A História humana termina como ela começou, por um tempo de criação: a semana do silêncio do fim faz eco na semana do começo (Génesis 1). Esta ideia é claramente enraizada na tradição judaica (4 Esdras 6:39; 7:30ss; 2 Baruque 3:7, etc.). a abertura do sétimo selo, podemos finalmente decifrar a mensagem do rolo: é o anúncio da Vinda de Deus e a promessa de uma nova criação, de um novo céu e de uma nova terra; um novo mundo.
A única resposta a todas as questões e a todas as saudades e nostalgias, a única solução para todos sofrimentos.
Estará longe o inicio do SILÊNCIO NO CÉU?
Não anseia pela resposta a todas as perguntas da alma?
Não quer o fim de todos os sofrimentos?
Não quer ver Jesus voltar em glória e majestade e estar preparado para O receber? Agora é a hora!

12 de agosto de 2009

1ª IGREJA DO APOCALIPSE: ÉFESO

A viagem que vamos iniciar começa realmente em Patmos, esta é a primeira etapa que para em Éfeso, provavelmente o porto mais importante da época. As luzes são vistas pelos navios que chegam durante a noite. Por isso não é por acaso que Éfeso foi escolhida para representar a primeira Igreja, portadora da primeira luz. O acento da Carta releva sobre esta qualidade “primeira”: como nos dias de Daniel o ciclo profético teve inicio no seu tempo e identificado o primeiro reino, Babilónia e aos tempos do Éden (Daniel 2:37,38; Génesis 1:28). João começa o ciclo também no seu tempo, que é associado do mesmo ao Jardim do Éden: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus.” (Ap. 2:7).
É de facto o tempo do primeiro amor. Éfeso significa em grego “desejável”. Os amores são ardente e a recordação recente (Ap. 2:5). É a Igreja do tempo dos Apóstolos (Ap. 2:2) e que recentemente tinha recebido a tocha da Verdade. É a Igreja dos primeiros convertidos de origem pagã. O novo cristão está avisado que deve proteger-se do sentimento do orgulho e lembrar-se de onde estava (Ap. 2:5). É também o aviso deixado por Paulo na Carta aos Romanos (Rom. 11:8). Para os cristãos de Éfeso, o alto luar que ocupava a deusa Artémis, a famosa “Diana dos Efésios” (Act. 19:28), deve ser um lembrete, um a priori extremamente pesado de sentido. Os efésios são famosos pela superstição e o seu comércio de amuletos. A imoralidade e o crime tinham feito chorar o filósofo Heraclito (576-4480, a.C.), o que lhe tinha valido o sobrenome de “filósofo chorão”. É a Igreja de todos os começos da primeira era cristã (entre 31-100, d.C.).
Ora, esta Igreja tão perto da das fontes foi sacudida e joeirada pela apostasia. Já o vai e vem, o cuidado d´Aquele que inspira, “isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas” (Ap. 2:1), está vigilante. É a agitação nervosa dos que de forma nervosa se agitam dentro da Igreja. É o mesmo verbo (peripatei) usado por Pedro para descrever o comportamento de Satanás assanhado (1ª Pedro 5:8; cf. Job 1:7). O que é reprovado de facto a esta Igreja, é o seu fogo que não dura mais que o pavio de uma vela: “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor.” (Ap. 2.4). Segue-se um apelo revestido de uma certa angustia a que se arrependa: “pratica as primeiras obras” (Ap. 2:5). É o apelo a voltar ao primeiro estado, fazer retorno, é o apelo do profeta, é sobretudo o apelo de Deus. E esta recomendação condiz com o aviso: “arrepende-te, (...) se não, (...) removerei do seu lugar o teu candeeiro,” (Ap. 2.5). a luz seria confiada a outra “a menos que te arrependas”, repete o profeta. Nada é portanto definitivo.
Tão pura quanto o possa ser, como a Igreja dos primeiros tempos pode perder a sua luz. De facto a Igreja foi suscitada por Deus para que ela caminhe nos passos de Deus, não é suficiente que ela faça os primeiros passos com Deus, ela deve continuar com Ele de outro modo o seu futuro não está garantido. A Igreja pode cambalear, cair e pode mesmo ser-lhe retirada a missão que lhe foi confiada. Tremenda lição para todos os que defendem a instituição a qualquer preço. O risco do erro e da apostasia esboça constantemente sobre a Igreja, porque a Igreja não é Deus. Não chega ser membro para ter assegurado a salvação; “mesmo na Igreja, a salvação não é garantida”.
A Carta à Igreja de Éfeso está sob esta nota ameaçadora. Apesar dos seus passos cambaleantes, a Igreja mantém-se direita e mantém as exigências de Deus: “Tens, porém, isto, que aborreces as obras dos nicolaítas, as quais eu também aborreço.” (Ap. 2:6), e este “aborreces” torna-se uma virtude de reconciliação com Deus, porque Ele também “aborrece”.
Assim, torna-se evidente, que ninguém tem autoridade par criticar a Igreja, a não ser o próprio Deus. Ele reconhece que ela por vezes cambaleia, ela porém é sustida por Ele. O Senhor sabe que há um ser assanhado contra a Igreja do Deus vivo. Há também “um Leão da Tribo de Judá” que está permanentemente vigilante. Tenha cuidado com o que diz, tenha cuidado com o que faz!
O mal que tentou a primeira comunidade cristã tem os traços dos nicolaítas. Trata-se dos discípulos de Nicolau, que encontramos em Actos (6:5) “prosélito de Antioquia”, uma das igrejas vizinhas de Éfeso (chamo a atenção para este Nicolau, foi designado pelos apóstolos e pelo Espírito Santo a ser diácono, no entanto negou a Verdade da Testemunha Fiel e Verdadeira e semeava o joio dentro da Igreja, não é isto actual?). Sabe-se que este Nicolau fez uma má interpretação dos ensinos de Paulo sobre a Lei e a Graça e levava os seus seguidores a renegarem todas as exigências da Lei.
Este argumento era muito convincente aliado a uma visão dualista. O corpo releva da ordem física e do mal, assim, o que o corpo faz não tem nada a ver com o espírito. Pode fazer-se tudo o que o corpo queira. Só o espírito importa. Nesta dialéctica graça/lei, ensinava-se que o corpo é do domínio da lei, por isso desprezível, enquanto que a alma, do domínio da graça, é por isso exaltada. Esta obra era e é aborrecida por Deus.
Tendo em conta o testemunho profético desta Carta, os primeiros fermentos da apostasia relacionam-se com a lei e antropologia. Rejeita-se a lei por causa da graça, e o corpo por causa do espírito. Os primeiros cristãos resistiram a esta tentação dualista. E Deus louva-os. Porque rejeitar a lei era equivalente a rejeitar Deus que se revelou e incarnou na escolha ética da existência. E rejeitar o corpo é como rejeitar o Deus da Criação e da vida.
Aceite o Deus da vida, agora!

10 de agosto de 2009

A MARCA DA BESTA: 666

O que é a marca da besta? A maioria das pessoas diz que a marca da besta é o 666 tatuado na mão ou na testa. Será isso? Vamos ver o que a Bíblia diz em…Apocalipse 13:16,17: “E fez que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, lhes fosse posto um sinal na mão direita, ou na fronte, para que ninguém pudesse comprar ou vender, senão aquele que tivesse a marca, ou o nome da besta, ou o número do seu nome.
Quantas coisas estão referidas que as pessoas devem ter para poder comprar ou vender? Devem ter um destes três itens:
1. A marca;
2. O nome;
3. O número do seu nome.

Qual deles é o 666? É a marca, o nome ou o número do nome? O próximo versículo diz-nos. Vamos ler em Apocalipse 13: 18 (leia na sua Bíblia) “Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento, calcule o número da besta; porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis.”
O 666 é o número do nome da besta. Não é a marca da besta. O nome é uma coisa, o número é outra e a marca da besta é diferente de ambos. Muitos cristãos foram levados a crer que a marca é o 666. Portanto, estão à procura de algo que nem sequer está previsto na Bíblia.

É importante saber o que é a marca da besta. Os avisos mais temíveis na Bíblia são dados àqueles que recebem a marca.
Apocalipse 14:9,10 “Seguiu-os ainda um terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na fronte, ou na mão, também o tal beberá do vinho da ira de Deus, que se acha preparado sem mistura, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro.”
Como é que as pessoas podem evitar a marca da besta se não sabem o que ela é? Se pensam que é o 666, então não saberão o que recusar. É por isso que é tão importante entender este assunto.

Se não é o 666 então o que é exactamente a marca da besta? Hoje vamos estudar o que a Bíblia diz. Vamos rever a identidade da besta. Encontramos em Apocalipse 13:1-3 a descrição desta besta.
Apocalipse 13:1-3 “Então vi subir do mar uma besta que tinha dez chifres e sete cabeças, e sobre os seus chifres dez diademas, e sobre as suas cabeças nomes de blasfémia. E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés como os de urso, e a sua boca como a de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder e o seu trono e grande autoridade. Também vi uma de suas cabeças como se fora ferida de morte, mas a sua ferida mortal foi curada. Toda a terra se maravilhou, seguindo a besta.” (apresentamos os textos bíblicos, apelamos a que confira na sua Bíblia). Num dos nossos estudos anteriores explicamos que a besta e a ponta pequena de Daniel 7 são a mesma coisa.
Lembra-se do que aprendemos em relação ao que eles representam? (Resposta: o papado romano). Não se esqueça que isto não quer dizer que quem pertencer à Igreja Romana é a besta ou tem a marca. Deus tem pessoas verdadeiras em todas as Igrejas. Em vez disso, significa que o sistema de adoração não segue a Bíblia e terá um papel relevante nos últimos dias.

Os números na Bíblia são simbólicos. O sete representa a perfeição ou totalidade. Deus criou o mundo em sete dias e descansou no Sábado. Seis é o número do homem. Ele foi criado no sexto dia. Assim, o 666 representa o papado exaltando-se acima da autoridade de deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Agora vamos ver o contexto em que aparece a marca da besta. Vai dar-nos pistas acerca do que a marca da autoridade do papado quer provar – que é Deus na Terra.

O livro do Apocalipse descreve dois grupos de pessoas nos últimos dias. Um é leal a Deus e o outro é desleal.
Apocalipse 14:9-12 (ler) "Seguiu-os ainda um terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na fronte, ou na mão, também o tal beberá do vinho da ira de Deus, que se acha preparado sem mistura, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro. A fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso nem de dia nem de noite os que adoram a besta e a sua imagem, nem aquele que recebe o sinal do seu nome. Aqui está a perseverança dos santos, daqueles que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus."
Os dois grupos são: de um lado aqueles que adoram a besta e recebem a sua marca e do outro os que são leais a Deus e guardam os Seus mandamentos.

Um adora o Criador; o outro adora a besta.
Apocalipse 14:7
“Dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas.” Nos últimos dias, Deus chama-nos para O adorarmos como Criador.
Apocalipse 14:9 “Seguiu-os ainda um terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na fronte, ou na mão,” E avisa-nos para não seguirmos a besta.

Cada um destes dois grupos tem a sua marca ou selo para os representar.
Acabámos de ler acerca da marca em Apocalipse 13:16. Agora vamos ler acerca do selo que Deus coloca no Seu povo obediente e fiel.

Apocalipse 7:2,3 “E vi outro anjo subir do lado do sol nascente, tendo o selo do Deus vivo; e clamou com grande voz aos quatro anjos, quem fora dado que danificassem a terra e o mar, dizendo: Não danifiques a terra, nem o mar, nem as árvores, até que selemos na sua fronte os servos do nosso Deus.” O povo fiel de Deus, que O adora como Criador, está selado com o selo de Deus na testa. O povo do inimigo que adora a besta está marcado com a marca da besta.

Portanto, temos dois grupos de pessoas que estão definidos pela forma como adoram a Deus. Um adora-O como Criador; o outro segue uma prática de culto estabelecida pelo papado. O povo de Deus está simbolicamente selado por causa da sua lealdade. E o outro grupo está marcado com a autoridade do papado.

O que é exactamente a marca e o selo? Primeiro vamos identificar o selo de Deus e depois vamos ver o que é a marca da besta.

O que é que Deus sela entre o Seu povo?
Isaías 8:16 “Ata o testemunho, sela a lei entre os meus discípulos.” Os selos estão associados aos documentos legais. Para se vender uma propriedade, tem de ser feito um papel oficial com um selo. Portanto, o selo de Deus faz parte de um documento legal – os dez mandamentos. Ele diz: “sela a lei entre os meus discípulos.”

Todos os selos têm de ter três elementos: o nome da pessoas cuja autoridade é representada pelo selo; o título oficial; e o território sobre o qual tem autoridade. Os presidentes dos países têm selos. O selo do Presidente dos Estados Unidos da América tem os três elementos: o nome: (presidente actual); o título: Presidente; e o território: Estados Unidos da América. O selo de um notário público também tem esses três elementos.

O que é o selo de Deus? Sabemos que está relacionado com a Sua lei. Mas que parte da lei de Deus contém os três elementos de um selo? Vamos ler os dez mandamentos para descobrir. Só há um lugar na lei onde encontramos os três elementos. É no quarto mandamento. Vamos lê-lo...Êxodo 20:8-11
“8 Lembra-te do dia do sábado, para o santificar.
9 Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho;
10 mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas.
11 Porque em seis dias fez o Senhor o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia do sábado, e o santificou.” Aqui estão eles. O SEU nome...O SENHOR, O Seu título: Criador e Mantenedor. O Seu território: o Céu e a Terra.

Sem o seu selo no quarto mandamento esta lei seria um documento sem selo e não oficial. Então os mandamentos poderiam ser atribuídos a qualquer deus ou pessoa. Buda podia dizer: “Não tenham outros deuses perante mim, etc.” Mas apenas o Deus verdadeiro podia selar a Sua lei com o Seu nome, título e território. Só Deus poderia dar a razão para obedecermos a estas leis, porque “sou o teu criador e a Terra é o meu domínio.”

A Bíblia deixa bem claro que o Sábado é um sinal ou selo especial de Deus. Podemos ler, acerca disto, em Romanos 4:11 onde nos diz que o selo e o sinal são a mesma coisa. As palavras são usadas de forma intercalada.

Romanos 4:11 “E recebeu o sinal da circuncisão, selo da justiça da fé que teve quando ainda não era circuncidado, para que fosse pai de todos os que crêem, estando eles na incircuncisão, a fim de que a justiça lhes seja imputada.”
A circuncisão era um sinal exterior da fé interior de Abraão. Portanto, um sinal ou selo é a mesma coisa. Vamos a Ezequiel 20:12 para ver como o Sábado é também um sinal exterior, ou selo, do povo de Deus que tem uma fé interior para O seguir como seu Criador.

Ezequiel 20:12 “Demais lhes dei também os meus sábados, para servirem de sinal entre mim e eles; a fim de que soubessem que eu sou o Senhor que os santifica.”
Ezequiel 20:20 “E santificai os meus sábados; e eles servirão de sinal entre mim e vós para que saibais que eu sou o Senhor vosso Deus.”
O Sábado de Deus é um sinal entre Ele e o Seu povo, uma demonstração de que ele adora o verdadeiro Deus criador ao não adorar à sua maneira. Ele adora de acordo com a forma como Deus especificou.

Sendo assim, o selo de Deus é o Sábado, guardado pelo povo de Deus por ter aprendido a confiar n´Ele a amá-l`O e obedecer-Lhe como Deus amoroso e poderoso que é.
Por outro lado, temos a marca da besta. Um sinal representa submissão a Deus; o outro rebelião. O que é a marca da besta?
Repare que a marca da besta tem a ver com a adoração. Apocalipse 14:9,10 “Seguiu-os ainda um terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na fronte, ou na mão, também o tal beberá do vinho da ira de Deus, que se acha preparado sem mistura, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro.” Aqui diz-nos que existe uma forma de NÃO adoração.

Deus pede-nos para O ADORAR...
Apocalipse 14:6,7 “E vi outro anjo voando pelo meio do céu, e tinha um evangelho eterno para proclamar aos que habitam sobre a terra e a toda nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas.”
Na mensagem do primeiro anjo, é-nos dito para adorar o Criador. Como é que o fazemos? Honrar a Deus como o Senhor da nossa vida. Se Ele nos diz na Bíblia para O honrar guardando o Sábado como um memorial a Ele como Criador, então devemos fazê-lo, não para ganhar a salvação, mas porque amamos e respeitamos Deus.

Enquanto a mensagem do primeiro anjo nos pede que adoremos Deus como Criador, o terceiro anjo avisa-nos para não adorarmos a besta. É evidente que existe uma forma de ADORAR e outra forma de NÃO ADORAR. Deus estabeleceu o Sábado como memorial à criação. Apocalipse 14:7 até cita o quarto mandamento.

Portanto, o tema central é a adoração. Vamos adorar o Criador dando-Lhe a nossa vida e santificando o sábado do sétimo dia; ou vamos adorar a besta? Repare na forma como o próximo versículo descreve as pessoas que dão a sua vida a Jesus e O adoram como Criador.
Apocalipse 14:12 “Aqui está a perseverança dos santos, daqueles que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.”
O povo de Deus é descrito como tendo fé em Jesus, consequentemente guardam os Seus mandamentos. Eles guardam o Sábado.

Então a marca da besta é o oposto ao selo de Deus – o Sábado. Sabemos que o poder da besta é o papado. Sendo assim, a marca deve identificar aqueles que seguem as tradições e os ensinos não bíblicos do papado. O que é que o papado diz ser a sua marca de autoridade?

Vamos consultar algumas fontes católicas para ver como é que o papado responde a sua alegação de ter o poder de Deus na Terra.

“O Domingo é a nossa MARCA de autoridade...A Igreja (de Roma) está acima da Bíblia; e esta transferência da observância do Sábado para o Domingo é a prova desse facto” (Catholic Record, 1 de Setembro de 1923) Registo Católico.
Leu? Eu fico impressionado!
“A coisa mais audaz, a mudança mais revolucionária que a Igreja fez aconteceu no primeiro século. O dia santo, o Sábado, foi alterado do Sábado para o Domingo... não a partir de instruções dadas nas Escrituras, mas pela percepção que a Igreja tem do seu próprio poder...aquelas pessoas que pensam que as Escrituras deveriam ser a única autoridade, deveriam logicamente tornar-se Adventistas do Sétimo Dia e guardar o sábado” – Saint Catherine Catholic Church Sentinel (Sentinela da Igreja Católica de Santa Catarina, 21 de Maio de 1995. Jornal de uma igreja católica em Michigan).

Adorar no Domingo não tem qualquer fundamento bíblico. Jesus nunca guardou o domingo. Os discípulos não guardaram o Domingo. A única pessoa no mundo que alegou ter autoridade para alterar o Sábado para o Domingo foi o papa.

Não se confunda com as questões acerca do nosso dever de obedecer a Deus ou não. O assunto é muito simples. A guarda do Sábado está na Bíblia. O Domingo não está. A Igreja Católica entende a simplicidade deste assunto. A guarda do Domingo está baseada na tradição da Igreja Romana. A Bíblia apenas profetiza sobre um poder que iria mudar a lei – o papado romano.

Agora surge a pergunta: Qual vamos escolher? Vamos optar por honrar Deus como nosso Criador? Ou vamos optar por guardar um dia que honra o poder que Deus disse que iria alterar os tempos e a lei?

Vivemos no tempo em que Deus está a selar o Seu povo. Hoje ninguém tem a marca da besta. Ainda está no futuro o dia em que o papado (acompanhe o blogue: http://tempocrise.blogspot.com) se unirá com outras igrejas para pressionar as pessoas a obedecer à marca da sua autoridade. Mas, estamos a preparar-nos para receber o selo ou a marca. Hoje queremos declarar a nossa aliança com Jesus. É seu desejo seguir Jesus e honrá-l`O santificando o Sábado e não o Domingo, o falso Sábado do papado?

Convido/a a orar. Rogue a Deus que confirme no seu coração se este estudo vem da Sua parte. Se Deus o confirmar, implore força para ser fiel. Lembre-se que você não pode ser fiel sem o poder do Espírito Santo e a graça de Jesus. Deus o/a abençoe.

9 de agosto de 2009

A 2ª CARTA DO APOCALIPSE: ESMIRNA

A segunda etapa leva-nos a Esmirna, a uma distância de 50kms de Éfeso. Grande cidade em beleza e pelo seu comércio agitado, portanto, um centro de grande riqueza, tornou-se famosa por ter uma rua pavimentada de ouro. Era uma das raras cidades da Antiguidade a ter sido cuidadosamente planificada e completamente reconstruída. Fundada pelos Gregos no ano 1.000 a.C., ela foi destruída pelos Lídios no ano 600 a.C., e desapareceu completamente do mapa da época. Foi ressuscitada quatro séculos mais tarde por Lísimaco um dos generais de Alexandre o Grande. O prodígio da sua recreação ainda está na memória no tempo em que João escreve a Carta a Esmirna. E não é por acaso que o acento da Carta de Esmirna é sobre a morte e a ressurreição. O autor da Carta define-se como aquele que passou da morte para a vida (Ap. 2:8). Os destinatários da Carta são eles também destinados à morte, mas a promessa que lhes é feita é que receberão a vida (Ap. 2:10,11). O nome de Esmirna, deriva da palavra “mirra”, uma goma que servia para embalsamar os mortos, está carregada de evocações funestas.
Para além da alusão à origem da cidade de Esmirna, a Carta evoca igualmente os tempos conturbados dos mártires cristãos que foram perseguidos e lançados nas prisões, mas que, permanecem fiéis até à morte. E não é só a prisão e a morte que os ameaça. A miséria e a pobreza esmagam-nos de igual modo. O cristianismo ainda não atingiu um estatuto de riqueza que terá num futuro não muito distante, quando enfim, atribuirá às riquezas o favor e as bênçãos divinas. É o tempo onde ser cristão não é sinónimo de bênção e sucesso. É o tempo do fracasso. Os cristãos são originários das classes mais baixas, frequentemente vítimas de assaltos das multidões pagãs, os primeiros cristãos contrastavam com a rica e opulenta cidade de Esmirna. Eles eram atados de todos os lados, do exterior bem como do interior.
É o tempo das perseguições (100 – 313 d.C.), da parte dos pagãos todas as desculpas eram boas, até porque os cristãos eram acusados de canibalismo por causa do rito da Santa Ceia, que eles celebravam em consonância com o que ela representava o corpo e o sangue de Jesus Cristo. Eram suspeitos da prática de orgias nos seus ágapes, estas festas celebradas em ambiente de amor fraternal. Eram ainda acusados do seu ateísmo porque adoravam um Deus invisível. O Estado desconfiava deles e era posta em causa a sua lealdade politica, porque recusavam chamar Senhor a César. Havia quem dissesse que tinha ouvido dizer que eles previam o fim do mundo através do fogo. Eram pois acusados de ser incendiários, e Nero não perdeu a oportunidade de explorar este rumor. Verdadeiros párias, os cristãos tinham tudo para atrair o desprezo e o ódio, tanto mais que eram confundidos com os Judeus. Estes praticavam uma religião impopular e desprezível. Os cristãos eram assim e ao mesmo tempo, vítimas dos pagãos e até os próprios judeus deles desconfiavam.
Os Judeus, viam realmente os cristãos como um grupo desajeitado que proclamavam que o Messias já tinha vindo. Certos Judeus reagiam de forma apaixonada contra esta nova seita. Saul de Tarso, que se tinha aliado aos cristãos e que se tinha tornado Apóstolo Paulo, é disto o exemplo mais completo (ver Actos 7 a 9). A Carta a Ersmirna apenas tem uma reprovação, referindo que eles não são os verdadeiros Judeus: eles “dizem ser judeus” (Ap. 2:9). A afirmação é significativa, porque mostra que os cristãos se consideravam como os Judeus definitivos. Hoje, no meio cristão, acusar-se-ia os irmãos de não serem “verdadeiros cristãos” e falar-se-ia de uma “Igreja de Satanás”. Era o tempo em que os cristãos se sentiam muito mais próximos dos Judeus do que dos pagãos. O anti-semitismo cristão ainda não tinha nascido. Lançados nas prisões e como alimento para os leões pelos pagãos, caluniados pelos irmãos judeus, os cristãos desta época sentiam-se desfeitos e reduzidos a todas as misérias.
A perseguição intensificava-se especialmente sob o reino de Diocleciano, que os historiadores chamam “a era dos Mártires” (P. Auge, “Dioclétien”, dans Larousse universel, 1948, p. 551.). O édito de 303, o Imperador ordena “que as comunidades cristãs sejam completamente dissolvidas, as suas igrejas demolidas e os seus manuscritos bíblicos queimados” (C.Grimberg, Hisoire Universelle, vol. 3: Rome, L´Antiquité en Asie orientale et les grandes invasions – Marabout université -, Verviers, 1963, p. 284). Um enorme número de cristãos pagaram a sua fidelidade com a vida. Muitos foram reduzidos à escravidão. Neste época, conserva-se os nomes de mártires canonizados santos da Igreja Católica Romana. São Sebastião, que foi preso a uma árvore e morto trespassado por uma centena de flechas. Santa Cecília, patrona (ver imagem) da música sacra. Santa Inês (a virgem mártir), que pereceu nas chamas acesas pelo carrasco. A última destas perseguições terminou em 311, e em 313, enfim, o Imperador Constantino promulga um édito que dá aos cristãos o direito de reconstruir as suas igrejas e de praticar o seu culto com toda a liberdade.
É impressionante e deve ser realçado que esta raiva manifestada nas perseguições durou dez anos, tempo previsto pela Carta de Esmirna (Ap. 2:10), aplicando a regra do cômputo profético (um dia = ano).
A linguagem é simbólica e na tradição bíblica e judaica, o número 10 é frequentemente utilizado no sentido espiritual para traduzir a ideia de teste. Lembramo-nos de Daniel obrigado ao teste dos dez dias (Dan. 1:14,15). Este símbolo foi conservado no calendário judaico. Dez dias separam Roch hachanah, a festa das trombetas, do Kipur, o dia do julgamento – o tempo para os Judeus de passar pelo teste e de se preparar na perspectiva da grande festa das expiações. A Michna retoma o mesmo esquema e refere as primeiras dez gerações de Adão a Noé, depois de Noé a Abraão, as dez provas infligidas a Abraão, e as dez pragas no Egipto, consequentemente conclui que o número 10 marca, no tempo, o ritmo da prova (Aboth 5:1-9).
Mas não passa de uma prova. A palavra é em si portadora de esperança. Ela anuncia outra coisa que está no horizonte e supõe uma recompensa. O fracasso e a morte não têm a última palavra. A coroa do vencedor (stephanos) está reservada aos mártires da fé (Ap. 2:10).
Percebe-se um sorriso tranquilo. Vencidos sob a espada dos gladiadores, eles receberão no entanto a coroa do vencedor. Eles são mortos e no entanto eles levam a “coroa da vida” – imagem frequentemente representada em monumentos fúnebres da Antiguidade grego/latina, para representar a vitória da morte. O texto bíblico não permite pensar na promessa da imortalidade da alma tão acariciada pela filosofia grega e que encontrará caminho nas tradições judaico/cristãs. O versículo seguinte explica com cuidado que eles não “sofrerão a segunda morte” (Ap. 2:11). Esta expressão encontra-se na Bíblia para designar que “a segunda morte” é a morte definitiva dos pecadores que não se arrependeram, não reconheceram Jesus como Salvador e Senhor. A morte definitiva, é uma morte sem esperança de ressurreição. Mais adiante, a passagem de Apocalipse 20:6 esclarece este sentido ao falar das duas ressurreições. A primeira ressurreição concerne os justos na Segunda Vinda de Jesus. A segunda ressurreição diz respeito aos pecadores não-justificados. Só a primeira ressurreição abre a porta para a vida eterna. A segunda, em vez, abre-se sobre a morte eterna. Ou seja, todos sofrerão a primeira morte, mas unicamente os não-justificados (só Jesus é justificador e galardoador) conhecerão a segunda morte (veja Daniel 12:2).
Prometer aos mártires de Esmirna que não passarão pela segunda morte, é pois prometer a esperança de uma esperança efectiva, a única que dá acesso à vida eterna. Chamo a atenção que segundo as concepções da época que se baseavam no dualismo (alma boa igual a céu, corpo mau igual a inferno) é completamente barrido nesta promessa ao vencedor. O vencedor é-o em Cristo unicamente!
Para a Bíblia, o além não passa pela imortalidade da alma. Só o milagre da ressurreição que implica a totalidade do indivíduo permitirá o acesso à vida eterna.
Meus Deus, como o tema da Igreja de Esmirna é lindo! Deus seja louvado!!! Seja um vencedor em Jesus e ouvirá a Sua maravilhosa voz chamar: “Vinde benditos de meu Pai, possui por herança a vida que vos está preparada desde a fundação do mundo”, sabe esta é uma decisão que já foi tomada por Deus, agora, precisa ser tomada por si, que fará? Aceite!

6 de agosto de 2009

A 3ª IGREJA DO APOCALIPSE: PÉRGAMO

A viagem continua para norte, estamos a 35kms de Esmirna. A cidade de Pérgamo levantava-se, soberba e majestosa sobre a colina e merecia o seu nome que significava “fortaleza” e “cidade gloriosa”. Situava-se a uma certa distancia das rotas de passagem comercial, mas nem por isso deixava de ser como a maior cidade da Ásia. O geógrafo grego Strabon (58 a.C. – 25 d.C.) chamou-lhe “a cidade ilustre”, e o historiador romano Plínio (23-79 d.C.) considera que “esta cidade é a mais famosa da Ásia”. Pérgamo foi capital política durante 4 séculos e a sua reputação no capítulo da cultura e da religião era sólida.
A sua principal fonte de riqueza era o fabrico do pergaminho cuja palavra deriva justamente do nome de Pérgamo. Com dois mil rolos na sua biblioteca rivalizava na época com Alexandria. A cidade era igualmente célebre pelos seus hospitais e o templo a Esculápio, deus das curas, atraía multidões vindas de todas as proveniências, como é testemunhado pela imensa variedade de moedas descobertas pelos arqueólogos.
A cidade de Pérgamo reflectia a situação da terceira Igreja na história. Contrariamente às igrejas precedentes, Pérgamo caracterizava-se pelo sucesso e a glória. Os cristãos não eram desprezados. A era dos mártires é passada. Esta época é referida como não negando a fé “mesmo nos dias de Antipas” a “minha fiel testemunha, o qual foi morte...” (Ap. 2:13). O tempo, é de estabilidade é a prosperidade do IV século d.C.).
Mas a glória de Pérgamo não foi conquistada sem preço. A Carta denuncia uma pratica que lembra as falsificações de Balaão, o profeta “renegado” ao serviço do rei moabita que tinha arrastado todo o povo de Israel no sincretismo (Números 25:1-5). Balaão cujo nome significa “devorador do povo”, tinha compreendido que o compromisso era o melhor método para “devorar” e neutralizar o povo eleito. Mais eficaz que a perseguição e a morte, a introdução em Israel de elementos estranhos iria ameaçar a existência da mais fiel testemunha de Deus.
O compromisso com o mal torna-se mais perigoso que a pior das iniquidades. Porque é fácil de identificar o inimigo quando ele está fora de portas. Mas quando ele se infiltra e se senta nos bancos (da igreja) a operação torna-se delicada e torna-se mesmo impossível de o distinguir. É esta uma das características desta Igreja. Pela primeira vez, o paganismo e o erro misturam-se com o testemunho da verdade. É evidente que houve uma evolução a partir da Igreja de Éfeso. A primeira Igreja foi elogiada “porque aborreceu as obras dos nicolaítas” (Ap. 2:6). No presente, os Nicolaítas estão com aceitação dentro da Igreja: “Assim tens também alguns que de igual modo seguem a doutrina dos nicolaítas.” (Ap. 2:15) A obra de Balaão, “o devorador do povo”, juntou-se aos Nicolaítas, cujo significado “conquistador do povo” (este é o significado de Nicolaístas). Nestes dois nomes revela-se a mesma apreensão.
A História mostra de facto um tempo de compromisso. Para afirmar os compromissos políticos, a Igreja torna-se branda e aberta; ela alia-se ao poder político. Os decretos imperiais que foram então promulgados reflectem este espírito e esta nova tendência da Igreja. Um exemplo entre tantos, a observância do Domingo, dia do Sol dos Romanos, substitui o dia de repouso dado por Deus, o Sábado, dia observado por Israel, por Jesus e pelos primeiros Cristãos. Isto transparece claramente no Decreto de Constantino no Concílio de Laodicéia: “Que os Cristãos não se comportem como os Judeus descansando no dia de Sábado. Que todos os jovens, as populações das cidades, e toda a sorte de profissões (artesãos) deixem o trabalho no venerável dia do Sol (= domingo).” (Canon 29 do Concilio de Laodicéia; W. Rondorf, Sabbat et dimanche dans l´Église ancienne, p. 49.).
O carácter de compromisso tinha já sido pronunciado pelo profeta Daniel por duas vezes, na visão da estátua e nos quatro animais. Na visão da estátua (Daniel 2), a Igreja era representada por argila, símbolo da dimensão espiritual e religiosa, misturada com ferro, símbolo do poder humano e político. Na visão dos quatro animais, a Igreja aparece sob a forma de um corno, símbolo do poder político, com uma cara humana, símbolo da dimensão espiritual.
No apelo ao arrependimento é apresentada a mesma critica lançado na Carta a Esmirna. A espada com duplo fio de corte que sai da boca do Filho do homem (Ap. 2:16) representa a Palavra de Deus que julga e que separa o erro da verdade. A promessa que recompensa a vitória (salvação), o “maná escondido,” e a “pedra branca” (Ap. 2:17), reflecte a mesma preocupação. A evocação ao maná é associada à lembrança do Êxodo, na perspectiva da terra prometida. Este pão cai do céu e é enviado por Deus (Êxodo 16:15; Salmo 76:25) torna-se sinal de esperança e vida. Nestas palavras Deus lembra; é Ele o Senhor das bênçãos, estas nunca advém dos compromissos e da cedência ao erro!
Segundo uma velha lenda judaica, na queda de Jerusalém e na destruição do Templo no VIº século a.C., o profeta Jeremias apressou-se a esconder o vaso do maná (este vaso estava dentro da Arca juntamente com a Lei de Deus e vara de Arão; Êxodo 16:33,34; Hebreus 9:4); e só na vinda do Messias e do Seu reino se poderia reencontrar e comer de novo (Mekhiita, 16:25; cf. 2 Baruque 29:8; Hagigah 12b.). Segundo esta tradição, só no fim dos tempos a identidade dos eleitos será revelada. Por agora, eles não são identificados na comunidade visível da Igreja.
É a mesma lição que é registada no símbolo da pedra branca “sobre a qual...um novo nome está escrito” (Ap. 2:17), esta referência à pedra branca lembra os processos nos tribunais gregos/romanos. As pedras brancas e negras eram utilizadas para os jurados da época indicarem o seu veredicto. O branco significava declaração de inocência e a negra a de condenação. Receber uma pedra branca equivale portanto a uma declaração de salvação. Quanto ao “novo nome” dado por Deus, representa a marca da recreação (novo nascimento) do alto, o sinal de um novo caminho. Assim, Abrão tornou-se Abraão para anunciar as promessas de um povo que seria numeroso (Génesis 17:5).
Jacob terá o seu nome mudado para Israel significando o novo desígnio que o esperava, de lutar com Deus (Génesis 32:28). Até os lugares/cidades podem ter um desígnio. Jerusalém recebe o novo nome “o Eterno nossa justiça” como aliança da presença eterna de Deus entre o Seu povo (Jeremias 33:28). Da mesma maneira, os eleitos de Pérgamo recebem “um novo nome” que está para além da compreensão humana. É um “nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe.” (Ap. 2:17. a Bíblia e a tradição judaica falam nestes termos do propósito de Deus. Nome que nem sequer é pronunciável e que não se limita a uma qualquer fórmula (ver Êxodo 3:13-15; cf. Génesis 32:29,30; Juízes 13:17,18 – dado que este nome está associado ao nome de Deus é proibido pronunciá-lo). Razão que é dada na Carta seguinte: “...e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, da parte do meu Deus, e também o meu novo nome.” (Ap. 3:12) Este “novo nome” é portanto o nome de Deus, “o meu novo nome” que se confunde com o nome da “nova Jerusalém que desce do céu” (Ap. 3:12), este é o pleno deslumbramento que é apresentado no Apocalipse, o deslumbramento que faz apelo ao coração do crente a viver na intimidade de Deus aqui na terra dos nicolaítas. Na certeza que no manter-se fiel a Jesus viverá com Ele na Nova Jerusalém.
No início da Carta, os pioneiros ainda fiéis tinham sido designados como aqueles que “retém o meu nome e não negaram a minha fé” (Ap. 2:13). No presente, ao chegar ao final da Carta, os resgatados de Pérgamo são recompensados recebendo o nome de Deus. Esta é a responsabilidade do Povo de Deus levar o nome de Deus. O nome de Deus é fundamentalmente o reflexo do Seu carácter, justo, santo e bom. O Povo é chamado a tornar-se um sinal para os outros, um sinal visível do Deus invisível.
O nome de Antipas – “Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita.” (Ap. 2:13) – dá-nos conta da exigência, a que Antipas significa “o representante do pai”. A vocação do filho é de levar o nome do pai e de o representar na sua ausência. É fácil compreender a razão deste nome só ser conhecido daqueles que o recebem. Se o eleito de Pérgamo é o único a conhecer o nome de Deus que está inscrito sobre a pedra branca, é precisamente graças à relação pessoal que ele mantém com Deus.
A Igreja visível desta época, não se extingui, um resto ficou fiel, porém, começou a perder a sua identidade e a sua vocação de mensageira do nome de Deus.
Esta é uma experiência sempre repetida em todas as épocas da história do Povo de Deus, por isso neste tempo de crise, de rumores, de falsidades, de falsos cristos e falsos profetas, de promessas emocionais, somos chamados a olhar para a Nova Jerusalém e a promessa de caminhar nela com Jesus. É isso que quer? Então, seja fiel!

4 de agosto de 2009

A 4ª IGREJA DO APOCALIPSE: TIATIRA

A Carta que temos diante de nós fala de uma cidade que dista de Pérgamo cerca de 45kms. Tiatira é de longe a mais insignificante entre as 7 cidades. Plínio qualificou-a de “cidade medíocre”. No entanto, é ela que recebe o mais inflamado e o maior discurso. Poucos elogios (Ap. 2:19), uma evidente preocupação ressalta no texto que lhe é dirigido (Ap. 2:18-28):
18 Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes a latão reluzente:
19 Conheço as tuas obras, e o teu amor, e a tua fé, e o teu serviço, e a tua perseverança, e sei que as tuas últimas obras são mais numerosas que as primeiras.
20 Mas tenho contra ti que toleras a mulher Jezabel, que se diz profetisa; ela ensina e seduz os meus servos a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas a ídolos;
21 e dei-lhe tempo para que se arrependesse; e ela não quer arrepender-se da sua prostituição.
22 Eis que a lanço num leito de dores, e numa grande tribulação os que cometem adultério com ela, se não se arrependerem das obras dela;
23 e ferirei de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que esquadrinha os rins e os corações; e darei a cada um de vós segundo as suas obras.
24 Digo-vos, porém, a vós os demais que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conhecem as chamadas profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei;
25 mas o que tendes, retende-o até que eu venha.
26 Ao que vencer, e ao que guardar as minhas obras até o fim, eu lhe darei autoridade sobre as nações,
27 e com vara de ferro as regerá, quebrando-as do modo como são quebrados os vasos do oleiro, assim como eu recebi autoridade de meu Pai;
28 também lhe darei a estrela da manhã.
Enquanto as primeiras Igrejas tinham mantido ainda uma certa distância do mal, aqui – e já a começar em Pérgamo – uma tendência é evidenciada: o mal reside com tendência a piorar, toma o seu assento dentro da própria Igreja. Na Igreja de Pérgamo, a apostasia foi representada sob os traços do profeta apóstata, Balaão, cuja a influencia exercia-se a partir do exterior.
Em Tiatira, a apostasia reina. Os traços aqui realçados são comparados com a rainha Jezabel (Ap. 2:20), esposa do rei Acabe. Jezabel é de origem fenícia filha “de Etbaal, rei dos sidónios, e foi e serviu a Baal,” ((1ª Reis 16:31) que segundo a tradição, era sacerdote do culto de Baal e de Astarote (ver F.Josefo, VII, XIII.2.) A Bíblia traz à memória a má influência que ela exerceu sobre o rei de Israel e arrasta o povo ao culto pagão. À sua mesa sentavam-se quatrocentos e cinquenta profetas do deus cananeu. Ela distinguia-se pelo seu zelo contra Elias o profeta e contra todos os que ousassem permanecer fiéis a YHWH. A sua influência transborda para os reinos dos seus filhos e filha, a famosa Atalia (2ª Reis 8:18,26; 10:11).
O esboço que é apresentado de Jezabel revela o carácter da nova Igreja. Agora, a apostasia é oficial e tem assento no trono; confunde-se o poder do Estado com o poder da Igreja. É o tempo em que a Igreja se funda como instituição politica e exerce poder de carácter real (século VIº). Não é por acaso que a cidade de Tiatira é justamente reconhecida pela sua tinta de púrpura, cor da realeza (1 Macabeus 8:14; Homero, Ilíada, 4.141-145,) e sacerdotal (Êxodo 25:4; 28:5,6; 39:29; F.Josefo, Guerras, 5.5:4). Lembremo-nos de Lídia de Tiatira, que ganhava a sua vida no comércio da púrpura (Actos 16:14,15,40).
Mas Tiatira é também a cidade dedicada ao culto a Tyrimnos (deus do sol), que se tornou o deus do culto do Imperador romano. E para juntar a toda esta surpreendente amálgama o remetente da Carta a Tiatira apresenta-se como um personagem do qual flui majestade, os seus olhos “de fogo”, “os pés semelhantes a latão reluzente”, como a demonstrar que na Sua presença o deus sol de Tiatira é pálido, sem brilho.
É um aviso sério. Um aviso que toca a todos os crentes. “Todas as Igrejas” (Ap. 2.23) são interpeladas por esta Carta. Porque a tentação atinge todos. Frequentemente o que e chamado a ser testemunha de Deus esquece Deus e age como se fosse deus. É um risco para a religião assim como o foi para cada profeta. A Tradição, a Instituição tomam lugar de relevância para o qual não foram investidas. Toda a testemunha de Deus corre o risco de pretender o lugar que pertence unicamente a Deus. E cada vez que esse lugar é tomado, resulta em intolerância e em massacres. O regime de Jezabel é particularmente caracterizado pela perseguição e os massacres contra os fiéis de YHWH. É a viagem que faz Tiatira, a Igreja/Instituição da Idade Média, que se instala oficialmente em 538, quando a última ameaça ariana foi eliminada, e termina em 1563 com o Concílio de Trento.
A Inquisição, as Cruzadas, os carrascos: nunca na história da humanidade a intolerância religiosa terá sido tão feroz e tão longa. É compreensível a cólera de Deus e o anúncio de julgamento, “uma grande tribulação” (Ap. 2:22). A Igreja pagará caro a sua intolerância. A este assunto voltaremos.
Devemos realçar que não são os homens e mulheres de Tiatira na qualidade de pessoas que são visadas nesta Carta: é a Igreja que está no poder, a Igreja como instituição usurpadora de Deus. Dentro de Tiatira, há homens e mulheres que permanecem fiéis. Muitos “não conhecem as chamadas profundezas de Satanás” (Ap. 2:24). Trata-se de uma expressão idiomática que está decalcada sobre o seu contrário “as profundezas de Deus.” Tal como está exarado em 1ª Coríntios 2:10 para caracterizar aqueles que fundamentam a sua fidelidade no Espírito do Alto antes que sobre “a sabedoria dos homens” (1ª Cor. 2:5). Como no tempo de Jezabel, houve os que “não dobraram os joelhos a Baal,” (1ª Reis 19:18) e permaneceram fiéis ao Espírito de Deus.
A Carta reconhece estas excepções e exalta-as com profunda ternura. É no entanto uma Igreja paradoxal, ela é considerada a mais virtuosa. Quatro qualidades lhe são atribuídas: o amor, a fé, o fiel serviço e a perseverança (Ap. 2:19).
É a Igreja de são Francisco de Assis, de são Luís, foram eles entre tantos que fundaram escolas, os primeiros hospitais e as primeiras universidades. É também e sobretudo a época dos primeiros apelos à Reforma e ao arrependimento. É bom pensar em Pedro Valdo (1140-1217) na Itália, em John Wyclif (1320-1384) na Inglaterra, em João Hus (1369-1415) na Boémia. Temos que pensar em Lutero (1483-1546) na Alemanha. Todos estes homens e os seus movimentos foram contra a corrente plenos de coragem: “…mas o que tendes, retende-o até que eu venha.” (Ap. 2:25).
Porque, não é fácil de manter-se de pé no meio da multidão que empurra para diante. Não é fácil pensar e amar num tempo de obscurantismo e intolerância. A única consolação, nessas circunstâncias, é a esperança, a confiança que em breve as trevas se dissiparão. É esta a mensagem contida na promessa da “estrela da manhã” (Ap. 2:28), a última estrela da noite que assinala a iminência do amanhecer.
Comprometa-se com Deus, a vinda de Jesus para dar o galardão da eternidade é iminente. O Senhor Jesus o/a abençoe.

2 de agosto de 2009

A 5ª IGREJA DO APOCALIPSE: SARDES

A 45kilómetros para sul de Tiatira fica a cidade de Sardes. O facto da sua extensão se encontrar a dois níveis (planos geográficos) recebeu o nome no plural (Sardeis em grego). Originalmente, a cidade estava construída sobre um planalto a mil e quinhentos metros de altitude, à medida que se foi desenvolvendo, ultrapassou o planalto e casas foram construídas sobre as encostas e nos vales e a velha cidade, torna-se um museu abandonado.
A topografia de Sardes testemunha da sua decadência que marcou a sua história. Sardes é o exemplo perfeito do contraste entre o passado de glória e um presente de miséria. No tempo de João, Sardes já tinha esquecido os seus tempos de glória. Quinhentos anos antes teve lugar entre as cidades mais prestigiadas do mundo. O rico Crésus foi o último rei (560 – 546 a.C.). Foi sob o reinado deste rei, na verdade, que a cidade caiu nas mãos de Ciro.
Cresus foi apanhado de surpresa, os seus sentinelas estavam descuidados. Quando os soldados de Ciro chegaram ao alto da montanha, viram a cidade sem protecção. As portas estavam abertas e sem vigias, era um convite ao inimigo para entrar. Depois que Sardes perdeu a sua soberania tornou-se uma cidade fantasma. A orgulhosa cidade de outrora, que tinha ao principio impressionado e desafiado Ciro, foi reduzida a um monumento antigo.
As exortações encontradas nesta Carta, são um apelo e inspira-se na memória: “Lembra-te, portanto, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te.” (Ap. 3:3). E os numerosos apelos da carta anteriormente feitos à Igreja de Éfeso permitem compreender a ânsia do Apóstolo a que esta Igreja de Sardes retorne à experiência teve início na história do cristianismo. Aquele que envia a Carta identifica-se tal como o fez na Carta de Éfeso “aquele que tem os sete espíritos de Deus, e as estrelas” (Ap. 3:1; cf. 2:1). Esta Igreja é juntamente com a Igreja de Éfeso chamada: “a que tem”.
No centro das tristes acusações e apesar de tudo, apercebemo-nos que estas duas Igrejas “têm” qualquer coisa. A mesma palavra em grego alla (“portanto”, Ap. 2:6; “no entanto”, Ap. 3.4) introduzem nestas duas Cartas a saudação que se mistura com a reprovação.
Ambas recebem a mesma promessa de “comer da árvore da vida” para Efésio (Ap. 2:7) e para Sardes o “livro da vida” (Ap. 3:5).
Ambas antecipam o encontro da festa, um banquete com Deus. Na Carta a Efésio, o banquete é evocado na consumação da árvore da vida (2:7).
Na Carta a Sardes, o banquete é evocado através das vestes brancas (Ap. 3:4,5). É evidente que as vestes brancas simbolizam a pureza, tal como é indicado no contexto: “tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram as suas veste.” (Ap. 3:4) Mas as vestes estão igualmente associadas à festa e à ceia que é celebrada (Eclesiastes 9:8). Revestir-se de vestes brancas, é de alguma maneira assumir o espírito da festa, é por antecipação desfrutar das delícias do banquete do Hóspede divino. A igreja de Sardes marca na história do cristianismo um movimento de retorno à origem.
É o tempo da Reforma. As antigas verdades são redescobertas. É um lembrar-se da mensagem original da Bíblia “do que tens recebido e ouvido,” (Ap. 3:3). A Palavra de Deus torna-se de novo alvo da atenção dos crentes. O espírito abre-se e é reencontrado o sabor dos estudos. Os Reformadores valorizam o acesso directo à fonte da vida.
Este período é marcado pelo abandono da dependência dos padres ou das tradições e é valorizada a aprendizagem do hebreu e do grego. É a época dos primeiros estudiosos das línguas em que a Sagrada Escritura foi escrita.
Depressa porém, o movimento é ruído pela esclerose. A igreja nascente forma a sua própria tradição e o seu próprio credo. Os cuidados em pensar no que é correcto transforma-se numa escolástica protestante e isto toma relevância sobre a relação pessoal e íntima com Deus. Cai-se outra vez na intolerância. Os protestantes formam inquisidores e os seus processos. Calvino condena os sábios como Michel Servet, que ousou pensar de forma diferente da dele. Lutero inflama-se nas argumentações anticatólicas e antijudaicas e condena à exterminação todos os que não o seguem.
As vitimas das guerras religiosas que tiveram inicio na Europa em que envolvem protestantes que pensam diferente uns dos outros mistura-se com o catolicismo, uma disputa não tanto pela Verdade, mas pelo poder ao nível dos Estados. Crimes são cometidos, de novo, em nome de Deus: “Os que se esquecem da história estão condenados a repeti-la.”
A cidade não está vigiada (como a antiga Sardes). E pode compreender-se o tom triste e o apelo da Carta a Sardes: “Sê vigilante,” (Ap. 3:2); “Pois se não vigiares, virei como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei.” (Ap. 3:3). Curioso, também a Sardes espiritual apresenta estes dois planos. Também esta Igreja de algum modo se pode usar o termo no plural (Sardeis).
No entanto, os apelos de Deus sobre esta Igreja que seria objecto de todos os ataques do inimigo são prementes “Sê vigilante”, “não tenho achado as tuas obras perfeitas”, “Lembra-te”, “arrepende-te”. A razão desta linguagem é a consequência da atitude negligente, indiferente dos membros, tal como os antigos habitantes de Sardes, se instalaram numa nova cidade.
Felizmente, o suspiro do autor da Carta, “tens algumas pessoas que não contaminaram as suas vestes e comigo andarão vestidos de branco,” (Ap. 3:4). É uma minoria que persevera. Esta noção de “resto” tem a sua raiz fundada na mais legítima tradição bíblica. Seth, o terceiro depois de Adão até aos construtores do Templo, Esdras e Neemias, passando pelos Patriarcas como Abraão, Isaque e Jacob, os fiéis do Senhor como o profeta Elias e os resistentes ao culto do bezerro de ouro, a história sagrada da Aliança de Deus com o Seu povo desenvolve-se sobre alguns “resgatados” que sobrevivem à infidelidade. “Um resto sobrevirá”.
A mesma promessa é ouvida da parte do Senhor a Isaías:” Então disse o Senhor a Isaías: saí agora, tu e teu filho Sear-Jasube,” (Is. 7:3), para servir de sinal ao povo adormecido.
O profeta João aproveita o nome Sardes para transmitir (no nome do Senhor) um apelo a reanimar (sterison) um resto (Ap. 3:2). No nome de Sardes, compreendemos que sterison/reanimar, dá-nos consciência que os que ouvem são um resto em vias de extinção.
Querido/a seja o resto, escute a voz de Deus a chamar, lembre-se por amor do Seu nome que esse resto é mencionado em Apocalipse 14:12: “Aqui está a perseverança dos santos, daqueles que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.”
Se o seu coração sente o toque do Espírito Santo, não permita que Satanás o/a leve à cidade da mornidão!