29 de fevereiro de 2012

A Perfeição do Amor na 1ª Epístola de João

O apóstolo João, no fim do primeiro século, escreveu contra as influências desmoralizantes do Gnosticismo primitivo na Igreja. Enquanto pretendiam estar na luz, no amor de Cristo, e em perfeição sem pecado, os Gnósticos cristãos defendiam o ódio e a licenciosidade na Igreja. João traçou as falsas reivindicações de tais crentes voltados a uma cristologia herética que separava Cristo da Sua concreta existência histórica e moral no corpo humano. Exaltando, portanto, a Cristo como o santo e justo (1João 2:1, 29; 3:3, 5, 7, 8), João retira uma poderosa conclusão: “Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus.” (1João 3:9).

O apóstolo João evidentemente proclama somente um amor cristão que consome o pecado na vida dos crentes. Quando os cristãos estão realmente em Cristo, e Cristo neles, eles andarão “na luz, como Ele está na luz” (1João 1:7). “Aquele que diz: Eu o conheço e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade. Aquele, entretanto, que guarda a sua palavra, nele, verdadeiramente, tem sido aperfeiçoado o amor de Deus. Nisto sabemos que estamos nele: aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou.” (1João 2:4-6).
Assim, para João, perfeição é mais do que vida sem pecado; perfeição é uma comunhão moral e um relacionamento de amor dinâmico da alma com Cristo, revelando o mesmo carácter de santo amor como Cristo. Então, não haverá nenhum temor no coração para o Dia do Julgamento, ou vergonha quando Cristo aparecer na Sua santa glória: ” Nisto é em nós aperfeiçoado o amor, para que, no Dia do Juízo, mantenhamos confiança; pois, segundo ele é, também nós somos neste mundo. No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor. Nós amamos porque ele nos amou primeiro.” (1João 4:17-19; ver também 2:28).

João enfatiza a verdade de que o amor cristão não é o fluxo natural do coração humano, mas o dom redentor de Cristo no cristão, que só pode amar desinteressadamente porque ele foi amado primeiro num maior amor por Cristo. O perfeito amor do cristão é o conceito que João tem de perfeição em acção. Isso origina-se de uma real união de amor da alma com Deus e Cristo. Portanto, aquele que é nascido de Deus não pode pecar ou odiar. João baseia a impossibilidade de pecar do crente, não no cristão como tal, mas na presença mantenedora de Cristo que, no mais alto sentido, é nascido de Deus (1João 3:9). “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes, Aquele que nasceu de Deus o guarda, e o Maligno não lhe toca.” (1João 5:18).

Conquanto a alma esteja unida com Cristo e o Espírito de Cristo habita nele, esta alma não pode pecar, diz o apóstolo em 1João 3:9. O andar do cristão regenerado na luz não implica, contudo, numa consciência ou sentimento de santidade. Pelo contrário, o andar na luz significa uma contínua dependência da graça mantenedora e perdoadora de Deus.

É interessante que João usou o tempo presente quando ele escreveu aos cristãos baptizados: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1João 1:9). Por outras palavras, a vida vitoriosa do cristão não é o resultado automático de alguma natureza sem pecado nele. Não há justiça inerente no cristão antes da sua glorificação final no dia de Deus. Portanto, ele pode cair em pecado de novo, como aparece na consolação de João: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo.” (1João 2:1).

Longe de estar escrita como uma recusa para pecar ou para andar nas trevas, esta mensagem confortadora revela a consciência de que nos filhos renascidos de Deus a velha e pecaminosa natureza continua a operar, não deixa de lutar pela supremacia. O conhecimento de inerentes concupiscências da carne e dos olhos (1João 2:16) conduzirá o crente a um profundo arrependimento do coração e auto-condenação. Somente a confiança implícita na palavra de absolvição de um Deus que “é maior do que o nosso coração” (1João 3:20), enquanto andando em amorável obediência a Ele, poderá tranquilizar o coração diante d´Ele (1João 3:19).

Quando João distingue entre pecado mortal e pecado não mortal (1João 5:16,17), ele está continuando a doutrina do pecado do velho concerto, que diferenciava distintamente entre deliberado, presunçoso pecado e pecado inconsciente, não intencional que mais tarde motivava o arrependimento (Núm. 15:27-31; Sal.19:13,14). O apóstolo deseja esclarecer finalmente, que o cristão é guardado do pecado mortal ou presunçoso porque ele está a ser liberto desse caminho de pecado pela habitação do Espírito de Cristo. O filho de Deus não está mais sob o poder dominante do mal, como o mundo ainda está (1João 5:18-19). Ele está agora a viver em Cristo (v. 20), participando do amor de Cristo com seus companheiros crentes numa comunhão santa e feliz (1João 1:3-4).

Dr. Hans K. LaRondelle, A Ideia Bíblica de Perfeição.

28 de fevereiro de 2012

OS SEIS SELOS DO APOCALIPSE

Introdução: Quem ainda não ouviu falar dos 7 selos, os 4 cavalos e os 4 cavaleiros do Apocalipse? Todos nós certamente, talvez não saibamos que os três temas fazem parte da mesma janela espiritual. Oramos a Deus para que você, que ama os assuntos espirituais, possa neste estudo encontrar respostas às interrogações que vêm à superfície de toda a consciência sincera.
1- Quais são as características principais do primeiro selo?
Apocalipse 6:1-2.
Nota explicativa: O texto começa por mencionar “o Cordeiro”(São João 1:29) que é o centro da visão e João foi elevado ao centro do céu, ao trono do Deus Altíssimo. É bom o Apocalipse bem como todos os outros livros da Bíblia estarem organizados em capítulos e versículos, podemos desta forma ler as porções referenciadas. No entanto devemos ter em mente que no original não era assim, e que o capítulo 6 que estamos a estudar faz parte de um todo. Assim, em Apocalipse 5:7, vemos que Cristo toma o livro da mão de Deus, que está assentado sobre o trono. Estamos, pois, com São João no centro do Universo, onde tudo se revela.
Este livro ou rolo está fechado com sete selos. O livro é muito importante, leva-nos a pensar que nele estão escritas todas as coisas, certamente a história do Universo antes mesmo dela ter acontecido. Não quer dizer que as coisas tivessem que ter acontecido assim por imposição de Deus. Aconteceram assim porque tudo vai de causa para efeito. O homem foi seduzido pelo Diabo, a consequência foi o pecado, a rebelião e a perdição de um mundo maravilhoso que saiu das mãos de Deus e que se chama Terra com os seus habitantes. Um só, veio viver nela e nunca cometeu pecado. Um só, revelou o perfeito carácter de Deus. Um só, pode abrir cada selo do livro e revelar todas as coisas. O seu nome (Actos 4:12) é Jesus!
Ao abrir cada selo, é uma parte da história que se revela. O primeiro selo fala-nos dos acontecimentos da Igreja Primitiva (1º século – em simultâneo com o primeiro cavalo branco), pura, fiel, a que aceita o evangelho da salvação e o proclama com vigor e entusiasmo. Se queremos conhecer a doutrina de Cristo devemos estudar a Sagrada Escritura, pois nela está escrita pelos apóstolos, na época do cavalo branco e do primeiro selo.
2- Que acontece com a abertura do segundo selo?
Apocalipse 6:3-4.
Nota explicativa: A cor vermelha e os símbolos deste selo falam indiscutivelmente de derramamento de sangue. É o período das perseguições desencadeadas pelo império romano contra os cristãos que preferiram morrer a renunciar à fiel obediência aos princípios bíblicos. Este selo começa com a morte do último dos apóstolos e vai até ao ano 313. É o período da igreja de Esmirna. Deus serve-se do vermelho para descrever a guerra, o sangue derramado, a morte (Ezequiel 32:6,11; Jeremias 46:10; Naum 2:4).
3- O cavalo negro e o terceiro selo.
Apocalipse 6:5,6.
Nota explicativa: O cavalo preto que sai na abertura do terceiro selo fala-nos do período que se situa entre 313 e 538. Pactos entre o Império romano e a Igreja. É o período da Igreja de Pérgamo, milhões de pagãos entraram na igreja com as suas práticas e os seus cultos. Este estado levou á perseguição dos fiéis cristãos que continuavam a ter o Evangelho como regra de vida. Em 538, é oficialmente considerado o bispo de Roma como papa, começa a ser o senhor que gere os assuntos espirituais e temporais. Começa a assumir prerrogativas que só pertencem a Cristo e ao Espírito Santo. É pois tempo de luto!
4- O quarto selo, o cavalo amarelo, o inferno e a Morte.
Apocalipse 6:7-8.
Nota explicativa: Tudo o que se passou até aqui foi a introdução ao drama. O texto bíblico torna-se agora carregado de expressões de horror e aterradoras. De facto foi o que se passou, foi o inicio da Idade Média (538 com o tratado de Justiniano até 1517 inicio da Reforma). Se até aqui era o Estado que perseguia os filhos de Deus, agora é a própria Igreja que os persegue. Tempo de inquisição de tortura, a mais sofisticada. Tempo para queimar velhos, adultos, jovens e crianças. Tempo para queimar as grávidas e tempo de masmorra. Tempo de se acorrentar a Bíblia e queimá-la. Tempo de vergonha que nem o tempo pode apagar!
5- Quando foi aberto o quinto selo que São João viu debaixo do altar?
Apocalipse 6:9-11.
Nota explicativa: No altar de bronze do santuário no Antigo Testamento ofereciam-se os sacrifícios de animais. O sacrifício era queimado e o sangue era derramado na base do altar (Levítico 4:7). A vida ou a alma está no sangue (Levítico 17:11; Deuteronómio 12:23). O símbolo é claro: o sangue dos mártires fiéis que não aceitaram a paganização doutrinária oriunda do paganismo, é derramado como um sacrifício ao pé do altar, este altar representa o trono de Deus, estes mártires não foram e nunca serão esquecidos por Aquele em nome de quem eles ofereceram a vida.
Esse sangue simbolicamente clama a Deus, como o fez o sangue de Abel que foi morto por seu irmão Caim (Génesis 4:10).
As vestes brancas simbolizam a dignidade que lhes confere a justiça de Cristo (Apocalipse 19:8; 3:5; 7:14). Mas, embora tivessem ganho a vitória em Cristo, deviam descansar na tumba um pouco de tempo até que Jesus volte em Glória e lhes dê a recompensa (Hebreus 11:39-40).
6- Que representam os 4 acontecimentos que se passam durante o sexto selo?
Apocalipse 6:12-13.
Nota explicativa: 1- grande tremor de terra, 2- o sol escurece, 3- a lua torna-se em sangue, 4- as estrelas caem do céu. Esta é a sucessão dos acontecimentos na abertura do sexto selo.
• O grande terremoto do dia 1 de Novembro de 1755. Este tem sido identificado por todos os estudiosos bíblicos como o grande terremoto de Lisboa, considerado a pior catástrofe depois do Dilúvio bíblico. Bastaria dizer que, tendo o seu epicentro em Lisboa, foi sentido em toda a Europa, África e América. É um assunto sobejamente conhecido no nosso país, se necessitar de mais informações não hesite em contactar-nos.
• O escurecimento do Sol de 19 de Maio de 1780. Provocou o pânico e milhares de pessoas que o presenciaram consideraram que era o fim do mundo. Começou ao meio da manhã, o dia tornou-se escuro tendo sido necessário acender as candeias nas casas. As trevas cobriram grande parte da América do Norte e motivaram grande número de pessoas a estudar a Bíblia.
• A Lua torna-se em sangue no dia 19 de Maio de 1780. Era meia noite, as trevas inexplicáveis começaram a desaparecer. De um momento para o outro, a lua apareceu com um aspecto espantoso, era vermelha como o sangue.
• A queda das estrelas foi na noite de 13 de Novembro de 1833. Mais parecia o céu sacudido como quando se sacode um figueira carregada de figos maduros que caiem pelo chão, foi o que aconteceu nessa noite, mais de 200 000 estrelas caíram por hora. Estes quatro episódios deram início ao tempo do fim, o relógio profético soou e os sinais apareceram no céu, indicando a proximidade da Segunda Vinda de Cristo.
Saber que vivemos entre o versículo 13 e 14 do sexto selo do Apocalipse 6, leva qualquer pessoa sincera à reflexão e à expectativa de São Mateus 24:30. O sexto selo cobre o período da Igreja de Filadélfia e de Laodiceia. Ou seja meados do século 19 até à volta de Jesus.
1- Será este tempo, um tempo de terror e pavor?
João 3:17-8.
Nota explicativa: A Segunda Vinda de Jesus é o término do sofrimento e o início de um novo tempo (Apocalipse 21:3-4). Aqueles que se ampararem na graça salvadora receberão a vida eterna, isto é a vida de Deus, uma qualidade de vida que não tem comparação com a vida que agora vivemos. Aqueles porém que recusarem o convite de Cristo, têm sem dúvida razão para temer (Apocalipse 6:14-17).
2- Haverá outros Sinais esclarecedores do tempo em que vivemos?
Nota explicativa: Só Deus o Pai conhece o dia e a hora (São Mateus 24:36), podemos no entanto pela Sua Palavra identificar a época:
• Guerras (São Mateus 24:7).
• Lutas sociais (São Tiago 5:1-8).
• O último sinal (São Mateus 24:14).
3- O Sétimo Selo está prestes a abrir-se, quer saber do que trata?
Apocalipse 7:2-3.
Apelo: Para o cristão, a verdade, antes de ser uma doutrina, é uma Pessoa: “Eu sou a Verdade”. Deixe que esta Pessoa o toque com o Seu amor gratuito e suscite pelo Seu amor uma resposta livre mas plena de fé e certeza no futuro. Deus o/a abençoe!
ver 7º selo
Pr. José Carlos Costa

O SÉTIMO SELO ou a GLORIOSA VINDA de CRISTO

Introdução: Entramos por outra janela bíblica e iremos encontrar um conjunto de imagens simbólicas, carregadas, no entanto, de significado e de verdades que nos interessa com urgência descobrir. Estamos no capítulo 8 do Apocalipse que começa com “silêncio no céu”. Algo de solene e tremendo vai acontecer!

1- Porquê esta interrupção entre o sexto e o sétimo selo?
Apocalipse 7:9-17.
Nota explicativa: Antes da abertura do sétimo selo faz-se silêncio no céu para mostrar que Deus tem um povo leal, povo que foi resgatado pelo sangue do Cordeiro. Este povo manter-se-á fiel até ao fim pela graça e poder que vem de Cristo, apesar das torturas e terrores descritos (Apocalipse 6:17). A visão volta de novo à abertura do selo.

2- Apocalipse 8:1.
Nota explicativa: Há pois um grande contraste entre os acontecimentos espectaculares que acompanham a abertura dos seis selos. Agora há um silêncio, antes da abertura do sétimo. Este silêncio pode explicar-se de duas maneiras:
2-1 Alguns teólogos pensam que este silêncio no céu é causado porque antes da abertura do sétimo selo Jesus veio à Terra no cumprimento de São João 14:1-3. Portanto as hostes angélicas vieram com Ele, a esse facto se deve o silêncio.

2-2 Este silêncio no céu é provocado pela solene expectativa do que irá ser revelado na abertura deste selo. Até este momento a revelação não está completa. Há ainda acontecimentos solenes no conflito com o mal (voltaremos a este assunto com as 7 trombetas).

3- Analisaremos a vinda em Majestade de Jesus, como será?
Apocalipse 1:7.
Nota explicativa: Não há dúvida de que a promessa da 2ª Vinda de Jesus é o ponto central da proclamação de todos os Apóstolos e Jesus sublinha esse aspecto na visão que deu ao Seu amado Apóstolo.
4- Na culminação dos sinais da 2ª Vinda de Jesus, que aconteceria?
São Lucas 21:27.
Nota explicativa: No estudo anterior analisámos sinais extremamente importantes apresentados na abertura do sexto selo. Estes sinais são uma sinalética que chama a atenção para o maior acontecimento da História: Jesus volta (São Mateus 24:30).
5- Será que apesar do esforço feito pelos fiéis seguidores de Jesus, todas as pessoas estarão preparadas para se encontrar com Ele?
São Mateus 24:37-39, 48-51; II Coríntios 4:4.
Nota explicativa: Não quer dizer que comer, beber, casar, comprar, vender, plantar e edificar sejam coisas más. O realce está em que a mente que se ocupa exclusivamente com estas coisas, não daria nenhuma importância à vida futura, por isso não se preparam para se encontrar com Jesus.

A sua igreja está preocupada com a Volta Gloriosa de Jesus? Qual é o assunto que tem mais importância para os líderes da sua comunidade? Sabe porque não se fala? Porque o diabo não quer que vejamos essa verdade, pois nada comove mais uma pessoa sincera do que saber que há silêncio no céu, todo o céu, Pai, Filho, Espírito Santo e os Anjos virão para se encontrar com a Família da Terra. Não é isto extraordinário?

6- Que disseram os anjos da forma como viria Jesus?
Actos 1:10-11.
Nota explicativa: É desta forma que ensina a sua igreja, que Jesus virá da mesma maneira como os discípulos o viram ascender ao céu? Isto é de forma visível e palpável? Se alguém lhe disser que a Sua vinda é como um “arrebatamento secreto”, ou com os “olhos da mente”, poderá interrogar: “Podem os anjos de Deus mentir?” Foram anjos que pronunciaram as palavras de consolo aos discípulos quando Jesus os deixou para ir para a dextra do Pai.

7- Como fala São Paulo desta bendita esperança?
Filipenses 3:20; Tito 2:13.
7.1 E São Pedro?
II Pedro 1:16.
7.2 E São João?
I São João 3:2
7.3 O Apóstolo São Paulo não deixa que qualquer resquício de dúvida fique na mente dos seus leitores.
I Tessalonicenses 4:13-17.
7.4 Por que razão virá Jesus?
Apocalipse 22:12 (dar o galardão/recompensa).
7.5 Que dirão os que estão à Sua espera?
Isaías 15:9.
Nota explicativa: Deixámos a Bíblia falar, não quisemos de propósito interromper a sua conversa com a Palavra de Deus, certamente, foi uma conversa agradável e perfeitamente salutar. Então, resta-me despedir-me como sempre. Que Deus o/a abençoe!

Pr. José Carlos Costa

27 de fevereiro de 2012

Como entender a “peleja no Céu” mencionada em Apocalipse 12:7?

Apocalipse 12:7-9 diz: “Houve peleja no Céu. Miguel e os seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e seus anjos; todavia, não prevaleceram; nem mais se achou no Céu o lugar deles. E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a Terra, e, com ele, os seus anjos.” A alusão a “Miguel, o grande príncipe” em Daniel 12:1 (ver também Judas 9) sugere que Miguel seja o próprio Cristo, e não uma mera criatura angelical, como pretendem alguns intérpretes. Já o dragão é identificado, em Apocalipse 12:7, como sendo Satanás. Fica evidente, portanto, que a peleja no Céu ocorreu entre Cristo e Seus anjos, de um lado, e Satanás e seus anjos, do outro.

O conflito foi marcado por fortes acusações de Satanás ao governo de Deus, com referência especial à pessoa de Cristo. Descrevendo a estratégia de Lúcifer para persuadir os anjos celestiais, Ellen White declara: “Lúcifer havia a princípio dirigido suas tentações de tal maneira que ele próprio não pareceu achar-se comprometido. Os anjos que ele não pôde trazer completamente para o seu lado, acusou-os de indiferença aos interesses dos seres celestiais. Da mesma obra que ele próprio estava a fazer, acusou os anjos fiéis. Consistia sua astúcia em perturbar com argumentos sutis, referentes aos propósitos de Deus. Tudo que era simples ele envolvia em mistério, e por meio de artificiosa perversão lançava a dúvida sobre as mais claras declarações de Jeová” (Patriarcas e Profetas, p. 41).

Mas o conflito celestial não se restringiu apenas a uma luta de idéias. Apocalipse 12:7-9 afirma que houve “peleja” entre os seres celestiais, e que Lúcifer foi “expulso” do céu, não se achando mais lá o “lugar” deles. Essas expressões deixam evidente que houve um confronto físico que resultou em uma expulsão física das hostes rebeldes, e não apenas em uma expulsão ideológica do céu.

Ellen White descreve o conflito nos seguintes termos: “Todo o Céu parecia estar em comoção. Os anjos foram dispostos em ordem por companhias, cada divisão com o mais categorizado anjo à sua frente. Satanás estava guerreando contra a lei de Deus, por causa da ambição de exaltar-se a si mesmo, e por não desejar submeter-se à autoridade
do Filho de Deus, o grande comandante celestial.
“Todo o exército celestial foi convocado para comparecer perante o Pai a fim de que cada caso ficasse decidido. Satanás ousadamente fez saber sua insatisfação por ter sido Cristo preferido a ele. Permaneceu orgulhoso e instando que devia ser igual a Deus e introduzido a conferenciar com o Pai e entender Seus propósitos. Deus informou a Satanás que apenas a Seu Filho Ele revelaria Seus propósitos secretos, e que requeria de toda a família celestial, e mesmo de Satanás, que Lhe rendessem implícita e inquestionável obediência; mas que ele (Satanás) tinha provado ser indigno de ter um lugar no Céu. Então Satanás exultantemente apontou aos seus simpatizantes, quase a metade de todos os anjos, e exclamou: ‘Estes estão comigo! Expulsarás também a estes e deixarás tal vazio no Céu?’ Declarou então que estava preparado para resistir à autoridade de Cristo e defender seu lugar no Céu pelo poder da força, força contra força” (História da Redenção, p. 17, 18).

Em realidade, “houve então guerra no Céu. Anjos se emprenharam em batalha; Satanás desejava derrotar o Filho de Deus e os que estavam submissos a Sua vontade. Mas os anjos bons e leais prevaleceram, e Satanás, com seus seguidores, foi expulso do Céu” (Ellen White, Primeiros Escritos, p. 146). Essa batalha e essa expulsão não foram meramente uma questão de discórdia ideológica, como alegam alguns, pois “as batalhas entre os dois exércitos [de anjos bons e anjos maus] são tão reais como as travadas pelos exércitos deste mundo, e do resultado do conflito espiritual dependem destinos eternos” (Ellen White, Profetas e Reis, p. 176).

Artigo de autoria do Dr. Alberto Timm Revista do Ancião (outubro – dezembro de 2007).
Posted on 07/01/2012by Blog Sétimo Dia

24 de fevereiro de 2012

Perfeição de Consciência na Carta aos Hebreus

De todos os escritos do Novo Testamento, a epístola aos Hebreus mais explicitamente faz da perfeição o seu tema, apontando constantemente ao Cristo glorificado como o único Mediador da graça perdoadora e poder santificador. Perfeição cristã constitui a idéia unificadora central de toda carta. Isto significa que o ministério sumo-sacerdotal de Cristo no templo celestial “pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.” (Heb. 7:25).

Desde o começo, o autor tenta provar, com base no Antigo Testamento, que o ministério de Jesus Cristo como o Rei Sacerdote Messiânico é de uma qualidade e eficácia superior ao sacerdócio levítico. Seu argumento se centraliza na mediação da perfeição: “Se, portanto, a perfeição houvera sido mediante o sacerdócio levítico … que necessidade haveria ainda de que se levantasse outro sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque, e que não fosse contado segundo a ordem de Arão?” (Heb. 7:11).

Ele apela repetidamente à significante promessa de Sal. 110:4 (Heb. 5:5-6; 7:17,21), que implicava a ab-rogação do sacerdócio levítico. Acentuando o fato inegável da ineficácia de muitos sacrifícios de culto para afirmar que estes “no tocante à consciência, sejam ineficazes para aperfeiçoar aquele que presta culto” (Heb. 9:9), o autor exalta o todo-suficiente sacrifício de Cristo, feito uma vez por todas, e Sua mediação, que pode aperfeiçoar ou purificar as consciências acusadoras dos crentes (Heb. 9:14).

O autor não queria dizer que o primeiro concerto não conhecia a realidade desta experiência expiatória no coração, mas somente que sacrifícios de animais em si não podem remover pecados (Heb. 10:1,4). Os sacrifícios do culto e sacerdotes do Antigo Testamento, como tais, nunca poderiam aperfeiçoar ou purificar o coração humano do poder contaminador do pecado.

Mas Cristo por Sua única oferta “aperfeiçoou (tem aperfeiçoado) para sempre a quantos estão sendo santificados” (Heb. 10:14). Pelo tempo verbal perfeito (“tem aperfeiçoado”), o autor deseja mostrar a eficácia sempre permanente da única oferta de Cristo de Seu corpo, única e uma vez por todas. Isto estabelece a superioridade, a mais poderosa eficácia do novo concerto (Heb. 7:22). Na base do sacrifício de Cristo, todo adorador pode obter diariamente uma consciência limpa ou perfeita, isto é, uma consciência que tem um perfeito relacionamento com Deus, sendo purificada da culpa e do poder contaminador de pecado não perdoado.

Tal reconciliação torna todos os outros sacrifícios supérfluos (Heb. 10:18), desde que a alma possa achar o repouso da graça, aproximando-se de Jesus com confiança. De Seu trono de graça é dada misericórdia e graça “para ajudar em tempo de necessidade” (Heb. 4:16) a fim de que os cristãos possam render pleno e aceitável serviço a Deus e a seus semelhantes. Contudo, a perfeição final será experimentada somente quando os santos virem o Senhor em Sua glória. Portanto, a expectação do julgamento e aparecimento de Cristo (Heb. 9:28) intensificam a ordem para perseverar no caminho da santificação. “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.” (Heb. 12:14).

Caminhando como peregrinos a uma pátria melhor, os fiéis e perfeitos não serão “duros de ouvidos” ou “tardios”, mas permanecerão receptivos e atentos, crescendo continuamente em conhecimento religioso e teológico, e distinguindo o bem do mal pela vida diária (Heb. 5:11-14; 6:11,12).

Dr. Hans K. LaRondelle, A Idéia Bíblica de Perfeição. Tradução: Pr. Roberto Biagini.

A Escada da Perfeição Cristã de II Pedro

O apóstolo Pedro aponta a necessidade de o cristão frutificar no conhecimento de Deus. Contra as heresias destrutivas dos falsos ensinadores manifestando-se em licenciosidade moral e desprezo de autoridade (2Ped. 2:2,10), Pedro trata especificamente sobre o propósito moral prático da graça e conhecimento de Jesus Cristo. Em particular ele está interessado na necessidade de santificação progressiva no caminho da salvação final. Tal progresso ele vê como o pré-requisito para a entrada no eterno Reino de nosso Senhor Jesus Cristo (2Ped. 1:11).

Em visão da realidade do dia vindouro do julgamento e da destruição dos ímpios, tão certo como aquele que veio ao mudo antediluviano e sobre Sodoma e Gomorra, Pedro veementemente convoca aos cristãos a viverem santa e piedosamente “sem mácula e irrepreensíveis” (2Ped. 3:7,10-11,14). Ele resume a sua epístola em seu apelo sempre desafiador: “Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.” (2Ped. 3:18; ver também 1Ped. 2:2).
Crescimento significa progresso. Mas como pode o crescimento ser cultivado pelos crentes, se isso é basicamente um dom de Deus (1Cor. 3:7)? A resposta é apresentada em 2Ped. 1:3-8, onde o apóstolo desenvolve sua notável escada da perfeição, na qual cada cristão precisa avançar constantemente, a fim de ser um cristão vivo (v. 8), preparado para o Reino eterno de Cristo (v. 11).

Pedro acha a sua escada de santificação no reconhecimento de que de Deus, “pelo Seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude…” (v. 3). Em outras palavras, no reconhecimento de que toda a vida de fé e bondade é um dom do poder e graça divinas. Este poder e graça Deus nos comunica através das “Suas preciosas e mui grandes promessas” (v. 4) como transmitidas pelos profetas de Israel nas Santas Escrituras do Antigo Testamento e confirmadas por Jesus Cristo (v. 19; João 5:39).

O propósito salvador e santificador das promessas do concerto gracioso de Deus é “para que por elas possais escapar da corrupção das paixões que há no mundo e vos torneis co-participantes da natureza divina” (v. 4), uma forte expressão para a perfeição do carácter cristão. Desde que o carácter é formado pelos actos do homem, o homem é chamado a participar ativa e sinceramente na apropriação pessoal da prometida graça, colocando em operação os poderes das promessas do concerto. Isto fará sua fé em Deus e em Cristo moralmente efetiva e frutífera, desde que Deus é santo, justo, misericordioso e fiel.
Sob este fundamento redentor, Pedro exorta a todos os cristãos a prosseguir da fé à virtude, ao conhecimento, ao domínio próprio, à perseverança, à piedade, à fraternidade e ao amor – todos virtudes e atributos divinos. “Por isso mesmo, vós, reunindo toda a vossa diligência, associai com a vossa fé a virtude; com a virtude, o conhecimento; com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança; com a perseverança, a piedade; com a piedade, a fraternidade; com a fraternidade, o amor. Porque estas coisas, existindo em vós e em vós aumentando, fazem com que não sejais nem inativos, nem infrutuosos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.” (2Ped. 1:5-8).

O teor da enumeração desta série de virtudes não se propõe a sugerir uma síntese de virtudes desconexas que possam ser atingidas somente uma após outra. Sua intenção é antes um chamado a cultivar e desenvolver plenamente a graça e o conhecimento de Cristo como Salvador em um caráter cristão maduro (compare com Gál. 55:22-23). Contudo, o perigo de começar a confiar no poder do homem e de perder de vista a Jesus ameaçará sempre o progresso cristão. Pedro, portanto, termina sua carta significativamente com o enfático conselho para crescer “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2Ped. 3:18). Assim, Pedro está lembrando o conselho do Senhor no Antigo Testamento: “O que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o SENHOR e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR.” (Jer. 9:24).
O apóstolo Pedro, portanto, não está estimulando qualquer adição de virtude a virtude em uma disciplina de auto-cultura ou auto-ajuda, mas ele está chamando aos cristãos a seguir os passos de Jesus Cristo como o seu grande Exemplo de caráter (1Ped. 2:21). Em comunhão com Cristo, eles podem e de fato, alcançarão vitória sobre cada pecado e atingirão nesta vida o padrão da perfeição do caráter cristão. Se as virtudes da fé estão faltando em um cristão, Pedro diz, então o crente está ainda cego e míope, tendo perdido a visão da “purificação dos seus pecados de outrora” no batismo (v. 9); sim, até esquecido o propósito do chamado e eleição celestiais. “Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição; porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum. Pois desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.” (2Ped. 1:10-11).

Contemplando estas palavras, Ellen G. White confiantemente, exclama: “Preciosa segurança! Gloriosa é a esperança oferecida ao crente, quando ele avança pela fé em direção às alturas da perfeição cristã!” (Atos dos Apóstolos, p. 33).

Cada cristão é colocado sob o santo privilégio e obrigação da graça de Deus de lutar por santidade, participar da natureza divina e revelar na concreta realidade de sua vida social um constante crescimento na graça e conhecimento de Cristo. Este amadurecimento do caráter cristão na semelhança de Deus é perfeição cristã em ação. Assim, o cristão pode participar na alegria e beleza da santidade, preparando-se a si mesmo para “novos céus e uma nova terra, nos quais habita justiça” (2Ped. 3:13). “A Ele seja a glória, tanto agora como no dia eterno.” (v. 18).

Dr. Hans K. LaRondelle, A Ideia Bíblica de Perfeição, Tradução:Pr. Roberto Biagini

22 de fevereiro de 2012

Os Estados Unidos no Contexto do Apocalipse


Como entender o enorme poder e influência do papado no mundo contemporâneo, o que é uma prova de que já estamos vivendo na segunda fase de sua supremacia. No entanto, o que temos visto até agora é somente a ponta do iceberg, pois os seus planos vão muito além do que imaginamos. A seguinte declaração, feita pouco antes da queda do comunismo pelo ex-sacerdote jesuíta Malachi Martin, nos mostra isso:
“Voluntária ou involuntariamente, prontos ou não, todos estamos envolvidos numa tripla competição global, sem exageros… A competição serve para ver quem estabelecerá o primeiro sistema mundial de governo, que dominará todas nações…”.
“Aqueles de nós que temos menos de 70 anos veremos instaladas pelo menos as estruturas básicas do novo governo mundial. Os que têm menos de 40 anos, com certeza, viverão sob sua autoridade e controle legislativo e judicial…”.
“Este poder possuirá toda a autoridade, detendo o dobro da autoridade e controle sobre cada um de nós como indivíduos e sobre todos como uma comunidade; sobre os seis bilhões de habitantes que os demógrafos prevêem que haverá neste planeta no início do terceiro milénio…”
“Não é exagero dizer que o propósito do pontificado é ser o vencedor desta competição que já está acontecendo”..[a]
Malachi Martin garantiu há mais de uma década que uma Nova Ordem Mundial será instituída em nossos dias. Segundo seu ponto de vista, os mais fortes candidatos para obter o controle mundial soa: o papado, representado por João Paulo II; o comunismo, representado por Mikhail Gorbatchev e o Ocidente capitalista, representado pelos Estados Unidos.[b]
Em 1989, vimos com assombro como os Estados Unidos e o Vaticano fizeram uma “Santa Aliança” para destruir o poder comunista. Em consequência disso, o terceiro competidor havia sido eliminado, ficando somente estas duas “superpotências”.[c]
Qual das duas conseguirá impor a Nova Ordem Mundial? O que a Bíblia diz a respeito?
“E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão. E exerce todo o poder da primeira besta na sua presença, e faz que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta, cuja chaga mortal fora curada” (Ap 13.11-12)
Essa passagem nos assegura que a primeira besta, cuja ferida mortal foi sarada, será adorada pelos habitantes do mundo inteiro, o que nos permite concluir que será o papado que finalmente governará na Nova Ordem Mundial. [d] Como esse poder será conquistado? A profecia diz que isso não será feito solitariamente; existe outra nação igualmente poderosa que a apoia e sustenta. Quem a besta representa? Para essa identificação, faremos uma relação das suas principais características:
É um reino: Assim como a besta de sete cabeças e dez chifres, essa besta deve representar um reino [e]
Surgiu em uma região distante da Europa: Essa besta não surgiu do mar como as outras, o que é um claro indício de que não é uma nação europeia.
Surgiu de forma pacífica: Ao falar do surgimento da besta, a Bíblia não menciona mares tormentosos ou ventos tempestuosos como símbolos das conquistas. Pelo contrário, tanto sua aparência como o modo com que se
levantou difere grandemente das bestas que já estudamos. Ela se apresenta com características tomadas de um cordeiro, animal que se destaca pela sua mansidão e humildade. Deduzimos, portanto, que diferentemente das demais, essa nação não surgiu como resultado de revoluções, guerras ou conquistas.
Surgiu em uma região praticamente despovoada: Essa besta não surgiu do mar, mas “da terra”. Se levarmos em consideração que o mar representa “povos, multidões, nações, e línguas”[f] e que a terra é um local onde há poucas águas, podemos concluir que esse reino foi erguido em uma região que, até então, se encontrava despovoado.
O território onde essa nação se levantou serviu de refúgio para os perseguidos da Idade Média: O capítulo 12 do Apocalipse nos apresenta a perseguição que os filhos fiéis de Deus tiveram de suportar durante os obscuros anos da Idade Média, com as seguintes palavras: “E, quando o dragão viu que fora lançado na terra, perseguiu a mulher que dera à luz o filho homem. E foram dadas à mulher duas asas de grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente. E a serpente lançou da sua boca, atrás da mulher, água como um rio, para que pela corrente a fizesse arrebatar”.[g]
Aqui, o dragão representa Satanás atuando através de Roma; [h] a mulher representa a igreja fiel;[i] tempo, e tempos, e metade de um tempo é o mesmo que os 1260 anos da supremacia papal;[j] e a água simboliza a multidão dos povos que se levantaram para perseguir.[k] Em outras palavras, essa passagem representa a perseguição a que foi submetida à Igreja fiel durante a primeira fase do papado. O que acontecerá depois? Vejamos: “E a terra ajudou a mulher; e a terra abriu a sua boca, e tragou o rio que o dragão lançara da sua boca”[l] A terra (a região despovoada da qual falamos no tópico anterior) ajudou a mulher! Portanto, o mesmo território do qual se levanta a nação representada pela besta de dois chifres, serviu de refúgio aos protestantes que fugiam da perseguição religiosa do papado na Europa.
Era uma nação jovem em 1798: Essa besta tem chifres como um cordeiro. Chamamos de cordeiro a um macho de ovelha que está iniciando sua juventude.[m] João viu essa besta subir da terra bem depois que a primeira recebeu sua ferida mortal,[n] o que significa que, no mesmo instante que o papado sucumbia, a nação aqui representada encontrava-se crescendo e fortalecendo-se.
É uma nação com liberdade civil e religiosa: “Tinha dois chifres tal como um cordeiro…” Quando estudamos Daniel 8 vemos que ali também aparece uma besta com dois chifres. Ali, a besta é um carneiro e os seus chifres representam os medos e os persas que se uniram para formar o Império Medo-persa.[o] Baseado no que foi dito anteriormente, poderíamos concluir que os dois chifres da besta que sobe da terra simbolizariam duas nações que se unem com o objetivo de formar um grande império. Sem dúvida, o Apocalipse revela que neste caso a regra não pode ser aplicada. Antes de qualquer coisa, os dois chifres são semelhantes aos chifres do cordeiro. Apocalipse 5.6 nos diz que o cordeiro que foi imolado tem sete chifres. É evidente que, neste ponto, o cordeiro não simboliza um reino, mas o símbolo de Jesus.[p] Samuel 2.10 falando sobre ele, disse: “SENHOR… dará força ao seu rei, e exaltará o chifre do seu ungido”.[q] A palavra chifre, aqui utilizada, é símbolo do poder e majestade de Jesus. Sete chifres indicariam a plenitude e magnificência desse poder.
Os dois chifres semelhantes aos do cordeiro devem representar os dois princípios referentes ao governo que Jesus Cristo ensinou quando esteve na terra, que são: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.[r] Em outras palavras, os assuntos da Igreja não devem se misturar com os assuntos do Estado. Estes dois chifres devem representar um governo cujos fundamentos sejam a liberdade civil e a liberdade religiosa.
Tornou-se potência durante a segunda fase do papado: “E exerce todo o poder da primeira besta na sua presença, e faz que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta, cuja chaga mortal fora curada”. Essa passagem indica que esse poder deve exercer sua autoridade na presença do papado depois de sua ressurreição em 1929. Essa nação deve ser muito importante nos dias atuais!

Os Estados Unidos no Contexto Profético

Na primeira parte deste tema centramos a nosso atenção na identificação da segunda besta de Apocalipse 13, agora nos deteremos na maneira em que esta nação conseguirá que o mundo entregue o seu poder ao papado. Para conseguir um entendimento claro desta parte, analisaremos detalhadamente cada versículo:

A voz de dragão.
“Depois vi outra besta que subia da terra. Tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro, mas falava como um dragão” (Apocalipse 13:11).

O texto revela que os nobres atributos de cordeiro que caracterizaram aos Estados Unidos durante seus primeiros anos de existência, se verão finalmente opacados quando este comece a falar como dragão. Que significa falar como dragão? O capítulo 12 de Apocalipse nos dá algumas pistas:

“E foi lançado fora o grande dragão, a antiga serpente, que se chama Diabo e Satanás, o qual engana ao mundo inteiro. Foi lançado à terra e seus anjos foram lançados com ele… Quando o dragão viu que tinha sido lançados à terra, perseguiu à mulher que tinha dado a luz ao filho varão… E a serpente lançou de sua boca, após a mulher, água como um rio, para que fosse arrastada pelo rio” (Apocalipse 12:9,13,15).

Esta passagem declara que o dragão é Satanás e que a forma na qual ele fala é lançando água da sua boca. As multidões são representadas aqui pelas águas, [a] aparecem sendo lançadas depois da mulher que como já estudamos, representa à igreja fiel. [b] O significado do texto não deixa dúvida alguma: o falar do dragão representa a perseguição de Satanás na contramão da Igreja de Cristo, por tanto, o fato de que a profecia diz que a segunda besta finalmente falará como dragão, quer dizer que, ao igual que o papado, a nação dos Estados Unidos imporá alguma lei que atrairá a perseguição sobre os filhos fiéis do Deus vivo. [c]
O fogo do céu
“Exerce toda a autoridade da primeira besta em presença dela, e faz que a terra e seus habitantes adorem à primeira besta, cuja ferida mortal foi curada. Também faz grandes sinais, de tal maneira que inclusive faz descer fogo do céu à terra diante dos homens” (Apocalipses 13:12,13).

A profecia afirma que esta nação fará grandes sinais com o fim de conseguir que o mundo inteiro adore ao papado. Estas serão tão grandes que ainda fará descer fogo do céu à terra adiante dos homens. Será literal este fogo? Estará falando aqui de algum bombardeio ou de uma guerra nuclear? O segundo livro dos Reis nos ajudará no entendimento do texto

“Elias respondeu ao capitão de cinquenta: -Se eu sou homem de Deus, que desça fogo do céu e te consuma com teus cinquenta homens. E desceu fogo do céu que o consumiu a ele e a seus cinquenta homens” (2 Reis 1:10).
O profeta Elias fez cair fogo do céu com o fim de demonstrar que era um homem de Deus. O fato de que se diga o mesmo dos Estados Unidos, significa que esta nação afirmará falar no nome de Deus e que grandes sinais de índole sobrenatural aparecerão para apoiar essa pretensão. ¡O mundo inteiro crerá que Estados Unidos estará a cumprir os desígnios divinos quando ordene entregar o poder ao papado! É por esta razão que o Apocalipse lhe chama “o falso profeta”:
“A besta foi lançada, e com ela o falso profeta que tinha feito adiante dela os sinais com as quais tinha enganado aos que receberam a marca da besta e tinham adorado sua imagem…” (Apocalipse 19:20).

Uma imagem da primeira besta

“Engana aos habitantes da terra com os sinais que se lhe permitiu fazer na presença da besta, dizendo aos habitantes da terra que lhe façam uma imagem à besta que foi ferida de espada e reviveu. Se lhe permitiu dar vida à imagem da besta, para que a imagem falasse e fizesse matar a todo o que não a adorasse” (Apocalipse 13:14,15).

Observe que a imagem da besta é uma entidade diferente às duas bestas anteriores e que surge como resultado das concessões da segunda besta com os habitantes da terra. Que representa esta imagem? Se temos em conta que uma imagem é uma cópia tomada de um original, isto quer dizer que como resultado dos acordos conseguidos entre os Estados Unidos e as demais nações da terra, se levantará um movimento com as mesmas características opressivas do papado. Prova disto é encontrada na mesma passagem, o qual diz que a imagem, ao igual que a igreja medieval, fará matar a todo aquele que não se submeta aos seus ditames.

A primeira besta surgiu como resultado da união ilícita entre a Igreja e o Estado. [d] O contexto desta passagem permite ver que esta situação se repetirá, pois mostra à grande nação Norte-americana associando-se com os demais reis da terra com o fim de legislar em assuntos de índole religioso.
Tendo em conta que o poder representado pela imagem da besta é similar à primeira besta (o papado) e que a religião oficial dos Estados Unidos é o protestantismo, podemos concluir que este sistema opressivo mundial se levantará como resultado da união ilícita da Igreja protestante e o governo dos Estados Unidos. É muito triste ter que dizer isto, pois eu mesmo sou protestante, mas é o que o Senhor revelou que sucederá quando os membros das igrejas se associem com o mundo em seu afã de converter à humanidade. No entanto, vale a pena aclarar que neste grupo de protestantes não estarão os sinceros filhos de Deus, pois estes sairão de entre eles e se unirão ao remanente fiel.

Impõe-se a marca da besta
“E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, se lhes pusesse uma marca na mão direita ou na testa, e que nenhum pudesse comprar nem vender, senão o que tivesse a marca ou o nome da besta ou o número de seu nome” (Apocalipse 13:16,17).

Muito se especulou a respeito da marca da besta; alguns pensam que é o código de barras que se implementou para reconhecer mediante laser o preço dos alimentos. Outros, pensam que esta marca ainda está no futuro e que consistirá num microchip inserido na testa ou a mão de cada ser humano.
Quem tem a razão? Primeiro devemos lembrar que o Apocalipse é um livro simbólico e que cada detalhe descrito ali é tão só a representação de algo real e tangível. Também devemos ter em conta que aqui o que se impõe é uma marca pertencente à primeira besta, que é o papado. O que têm os códigos de barras ou microchips a ver com as questões religiosas do papado? Obviamente, nada. O que realmente apresenta a passagem é aos Estados Unidos fazendo que se coloque uma “marca” de origem católica na testa ou na mão de todos os habitantes da terra. Mas, em que consistirá esta marca? Para averiguá-lo devemos pesquisar primeiro em que consiste o selo de Deus, pois este aparece juntamente com a marca da besta, sendo simultaneamente colocado na testa dos que permaneceram fiéis a Deus:

“Vi também outro anjo, que subia da nascente do sol e que tinha o selo do Deus vivo. Clamou com grande voz aos quatro anjos a quem se lhes tinha dado o poder de fazer dano à terra e ao mar, dizendo: `Não danifiqueis à terra nem ao mar nem às árvores até que tenhamos selado em suas frontes aos servos de nosso Deus’. E ouvi o número dos selados: cento quarenta e quatro mil selados de todas as tribos dos filhos de Israel” (Apocalipses 7:2-4).
A seguinte passagem revela com clareza em que consistirá o selo que os 144.000,[e] receberão em suas frontes:
“Depois olhei, e vi que o Cordeiro estava de pé sobre o monte de Sião, e com ele cento quarenta e quatro mil que tinham o nome dele e o de seu Pai escrito na testa” (Apocalipse 14:1).

O nome do Cordeiro e o de seu Pai! O selo de Deus consiste em ter o nome de Deus na testa. Esta figura é uma clara alusão ao selo que, com o nome de Deus, era colocado sobre a testa do sumo-sacerdote sucessivamente no antigo testamento:

Farás ademais uma lâmina de ouro fino, e gravarás nela como gravação de selo , SANTIDADE A JEHOVÁ . E a porás com um cordão de azul, e estará sobre a mitra; pela parte dianteira da mitra estará… e sobre sua frente estará continuamente, para que obtenham graça adiante de Jeová .” (Êxodo 28:36-38. RVR60).
É importante notar que este selo devia estar preso a um “cordão de azul”, este era o único meio mediante o qual o selo podia permanecer na testa do sumo-sacerdote. Que representa este cordão de azul?

21 de fevereiro de 2012

ESTUDO DE APOCALIPSE 15

Podemos ver a crise final no capítulo 14 quando estas uvas se juntam à volta da cidade. Deus derrama sobre eles a Sua ira. E o que é, na verdade, a ira de Deus? Sem dúvida alguma que são as pragas – v.1.
Depois desta crise, quando os justos estão na cidade protegidos por Deus e os injustos do lado de fora, onde estes justos se encontram mais especificamente? A resposta é: - “E vi um como mar de vidro misturado com fogo; e também os que saíram vitoriosos da besta, da sua imagem, do seu sinal e do número do seu nome, que estavam junto ao mar de vidro e tinham as harpas de Deus” – v.2. Estes encontram-se na “montanha”, isto é, no reino eterno, no Céu. Devemos acrescentar um pormenor que não se descreveu anteriormente. O capítulo 14 terminou a falar do grande lagar da ira de Deus. Agora, após os salvos estarem no monte Sião são descritas as pragas “onde são consumadas a ira de Deus”. O relato volta, de novo, atrás para falar do quanto se passou quando a ira de Deus foi derramada.
Como é possível descrever os justos no Céu, que é um evento posterior, quando nada se sabe das pragas – a ira de Deus – que deverá acontecer anteriormente? A seguir, o vidente de Patmos volta atrás para explicar o porquê do quanto foi dito, antecipadamente. Em 1º lugar – João fala do resultado da ocorrência – o efeito das pragas; em 2º lugar – o vidente conta o que, na verdade, aconteceu para explicar o que foi relatado anteriormente. Aqui, neste capítulo, as pragas não são abordadas. Neste capítulo fala-se de um período em que o templo já terminou a sua actividade intercessora a favor dos pecadores, ou seja – o fecho da Porta da Graça – o qual ocorrerá, obviamente, antes da 2ª vinda de Cristo.
No versículo 8 é dito: - “E o templo encheu-se com o fumo da glória de Deus e do seu poder; e ninguém podia entrar no templo, até que se consumasse as sete pragas dos sete anjos”. Este texto refere que o templo se encheu de fumo; mas qual a razão para este facto? Isto significa que, no templo, já não existe mais ministério de intercessão. É o fecho da porta da Graça.