19 de agosto de 2013

4. PROFECIAS EM CUMPRIMENTO

Retratam com fidelidade os dias atuais, embora escritas a 2.000 anos atrás, ou mais, se forem do velho testamento
- Da propagação do evangelho
Isaías 2:2 e 3; 29:18; 52:7; 61:1; Dan. 12:3-10; Miq. 4:1; Mateus 24:14; 28:18-20; Marcos 13:10; 16:15; Lucas 24:14 e 47; Atos 1:8 e 2:17-21 (=Isa. 2:2-3); Colossenses 1:28; Apocalipse 14:6
- Dos últimos dias, suas condições económicas e políticas
II Tim. 3:1 e 13; Mateus 24:6-7; Marcos 13:7-8; Luc. 21:9-11
- Do juízo final
Joel 2:11 e 31; Sofonias 1:14; Malaquias 4:1; Mateus 25:31 – 32; Habacuque 9:27 e 10:25; II Pedro 2:9; 3:7; I João 4:17; Romanos 2:5; II Tim. 1:12;  Judas 6 e 15; Apoc. 6:17 e 20:12.
- Do derramamento do Espírito Santo
Isaías 32:15 e 59:21; Ezequiel 39:29; Joel 2:28; Zacarias 12:10; Mateus 3:11; Lucas 11:13 e 24:49; João 7:39, 14:16 e 16:7; Atos 1:8, 2:38 e 2:17-21; Rom. 5:5; Tito 3:5-6.
- Da perseguição da Igreja
Mateus 10:17 e 24:9; Lucas 21:12; Joel 15:20 e 16:2; II Tim. 3:12; Apoc. 2:10.
- Sinais do fim do mundo
Mateus capítulo 24; Marcos 13:6 a 32; Lucas 21:7 a 19
- Falsos cristos
Mateus 24:5 e 24; Marcos 13:6 e 22
- Contexto social (de corrupção e imoralidade) nos tempos do fim
II Timóteo 3:1-6 e 13; Lucas 17:26 e 28; II Pedro 3:3; Dan 12:9-10; Rom. 1:28-32; 3:10-18
- Angústia no fim dos tempos
S. Lucas 21:11 e 26
- Situação moral e homossexualismo
Rom. 1:18-27
- Sobre os zombadores das profecias, nos últimos tempos
II Pedro 3:3 e 4
- Os pés da estátua
Daniel capítulo 2:44 e 45
- Sobre a aparente “paz e segurança”, antes do fim
I Tes. 5:2 e 3
- Sobre a apostasia antes da vinda de Cristo
II Tes. 2:3 a 6; 11 e 12; I Tim. 1:19; 4:1 a 5; II Tim. 4:1-4; Heb.3:12; II Pedro 3:17; Lucas 18:8; Rom. 1:18-25

Profecias em cumprimento no Apocalipse
- A Igreja de Laodiceia, cap. 3:14-22.
- A Corte do Universo, cap. 4.
- Quatro anjos detendo os ventos, cap. 7:1.
- A Igreja que adora no santuário, cap. 11:1-2.
- A sétima trombeta ou o movimento do advento, cap. 11:15-18.

- As duas primeiras mensagens angélicas, cap. 14:6-8.

18 de agosto de 2013

5. PROFECIAS QUE AINDA SE CUMPRIRÃO

Estas profecias encontram-se todas no livro do Apocalipse.
Profecias que se cumprirão durante a crise final:
- O selamento do povo de Deus, cap. 7:2-8.
- A Lei de Deus vista no santuário, cap. 11:2-8.
- O povo do advento perseguido, cap. 12:17.
- A opressão da segunda besta nos Estados Unidos, cap. 13:12-18.
- A destruição da terra pelo fogo, cap. 14:10; 20:10 e 15; 21:8
- O terceiro anjo e o sinal da besta, cap. 14;9-13.
- A vindima das uvas ímpias, cap. 14:17-20.
- Sobre o fim do tempo de graça (ou de escolha): Cap. 15:1, 5-8;
- As sete pragas: Cap 16;
- Sobre os três últimos impérios, cap. 17:9 e 10
- Sobre a ação final de Satanás, 17:11
- Sobre a organização do mundo para a batalha final, 17:12-14
- Sobre a revolta das nações contra a Besta, 17:16-17
- O alto clamor de terceiro anjo, cap. 18:1-4;
- A queda de babilónia (poder papal): caps 18 e 19;

Profecias que se cumprirão após a crise final:
- A abertura do sétimo selo, cap. 8:1;
    – A segunda vinda de Cristo: Caps. 1:7; 3:3 e 11 14:14-20; 19:11-21;
    – Todo o olho O verá: cap 1:7
- O milénio, após a segunda vinda: cap. 20;
- A prisão milenar de Satanás, cap. 20:1-3.
Profecias que se cumprirão na Nova Jerusalém
- A nova Jerusalém: Cap. 21 e 22;
- Uma multidão incontável vitoriosa, cap. 7:9-17; 14:1-5; 15:2-4;
- Os 144.000 na glória, cap. 14:1-5;
- O regozijo da vitória dos 144.000 contra a besta, cap. 15:2-4;
- A festa das bodas do Cordeiro, cap. 19:1-10;
- O juízo dos ímpios no milénio: Cap 20:4-6.

Profecia a cumprir-se no fim do milénio
- O juízo executivo dos anjos e dos ímpios, cap. 20:7-10.
Profecias a cumprirem-se na restauração
- Novo céu e nova terra: Cap. 21:1-8; 7:13-17
- A metrópole da Nova Terra, cap. 21:9-22.
- Epílogo, cap. 22:6-21.
Profecias que se encontram noutros livros;
- A destruição da terra por fogo (trata-se da execução do juízo final, ou a segunda morte): II Pedro 2:4; 3:7; Malaquias 4:1; Mateus 3:12; 5:22 e 29; 10:28; 13:42; 18:9; 23:15 e 33; Isaías: 33:14; 66:24; I Tes. 1:8 e 9; II Ped. 3:7 e 10-12; marcos 9:43; Lucas 12:5; Tiago 3:6.
- O dia escuro antes da 2a Vinda: Isaías 13:9-11; Jó 34:20; Ezeq. 32: 7-8;
- Haverá um grande julgamento: Mateus 25:31 a 46; Dan. 7:10 e 22;
- A terra será destruída com a vinda de Cristo: II Pedro 3:10
- Os reinos deste mundo serão destruídos com a vinda de Cristo: Dan 7:12-26
- Haverá novo céu e nova terra: II Pedro 3:13; Daniel 7:14 e 18; João 14:3; Isaías 65:17-25 (as características do novo Céu); I Cor. 2:9
 – A segunda vinda de Jesus: Daniel 2:44 e 45; 7:13 e 14; Mat. 24:44; Atos 1:11; II Ped. 3:10
- Aqueles que O traspassaram, o verão: João 19:37 (Zaq. 12:10); Apoc. 1:7 (todos O verão)
- Falsos profetas nos tempos finais: Mateus 24:4-5, 11 e 24; I João 4: 1; II João 7;
- Revelação do Anti-Cristo, no final dos tempos: II Tess. 2:3, 4, 7, 9 e 10 a 12; João 4:3;
- Ministério do engano: Atos 20: 29 a 30; II Tess. 2: 3 a 12;
- Tempos de angústia (apreensão, insegurança): Daniel 12:1; Isaias 13:9 a 11; 34:1 a 4; Ezequiel 32: 8 a 10; Lucas 21:26; Apoc. 6: 15 a 17;
- Fim do sistema Papal: Dan. 7:11 e 26;
- O Reino de Cristo será eterno: Dan 7:18;
- Os santos tomarão parte no julgamento, por 1000 anos: I Corr. 6:2 e 3; Apoc. 20:4.

Bibliografia consultada
BÍBLIA VIDA NOVA. São Paulo – SP, CPB, 1990.
CAIJ, Fernando.  Preparação para a crise final. Santo André, SP. CPB, 1975.
Comentário Bíblico Adventista, Publicaciones Interamericanas, Division Hispana de la Pacific Press Publishing Assiciation (EUA). v. 4, p 206-7 e v. 6, p 766.
DANIEL S.D.A.B.C, FAT, 1979.
GOMES, Edson Pereira. Diagrama histórico religioso da terra. Castro, Paraná. Kugler Artes Gráficas Ltda, 1978.
MELLO, Araceli S. As verdades dobre as profecias do Apocalipse. São Paulo, 1982.
THOMPSON, Frank Charles. Bíblia de referência Thompson. Ed. Vida, 1993.

WITE. E. G. O Grande conflito. Santo André, SP. CPB, 1981.

4 de agosto de 2013

A Grande Babilónia do Apocalipse

Que poder representa a grande Babilônia do Apocalipse

“Um dos sete anjos que tem as sete taças” mostrou ao profeta João o “julgamento da grande meretriz que se acha sentada sobre muitas águas”.


A Bíblia usa o símbolo de uma mulher para representar a igreja. Uma “virgem” representa a igreja de Deus em sua pureza (Jeremias 6:2; 2 Coríntios 11:2). E uma mulher de conduta moral duvidosa (meretriz) simboliza igreja (s) apostatada (s) (Jeremias 3:20; Ezequiel 16).
“Em Apocalipse, capítulo 17, Babilónia é representada por uma mulher – figura que a Bíblia usa como símbolo da igreja, sendo uma mulher virtuosa a igreja pura, e uma mulher abjeta a igreja apóstata”.[2]
O fato de “os reis da terra” haverem se prostituído com a meretriz, significa uma união ilícita que tem havido entre a igreja e o Estado. (Jesus disse: “O meu reino não é deste mundo” João 18:36; “Não sois deste mundo” João 15:19).
A João pareceu-lhe estar no deserto. Ali ele contemplou em visão, uma mulher montada numa besta escarlate, besta repleta de nomes de blasfémias, com sete cabeças e dez chifres.
“Achava-se a mulher vestida de púrpura e de escarlate, adornada de ouro, de pedras preciosas e de pérolas, tendo na mão um cálice de ouro transbordando de abominações e com as imundícies da sua prostituição. Na sua fronte achava-se escrito um nome, mistério: BABILÓNIA, A MÃE DAS MERETRIZES E DAS ABOMINAÇÕES DA TERRA. Então vi a mulher embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus; e, quando a vi, admirei-me com grande espanto”. (Apocalipse 17:3-6).
A meretriz assentada sobre as muitas águas e a mulher cavalgando a besta escarlate, são a mesma coisa; simbolizam a igreja cristã apostatada, em seu estado de união com os povos da terra, ou seja, união da igreja com o poder civil (Apocalipse 17:15).
Nas vestes da mulher predominam as cores púrpura e escarlate; tais cores eram símbolos da realeza (Mateus 27:28), posição que a senhora “Babilónia” se arroga possuir (Apocalipse 18:7). A cor escarlate também é usada na Bíblia como símbolo do pecado (Isaías 1:18) e como referência a Satanás (Apocalipse 12:1-3, o dragão vermelho).
Observe-se o contraste entre as vestes desta mulher (que a Bíblia chama de prostituta) e a “noiva” do Cordeiro, vestida de linho fino, branco e puro (Apocalipse 19:7 e 8).
A mulher tem um cálice de ouro na mão. O ouro na Bíblia é símbolo de fé e amor (Tiago 2:5; Gálatas 5:6); a igreja apostatada professa fé pura, no entanto está cheia de corrupção, como representado pelo “vinho” de prostituições que são as doutrinas falsas como resultado da união ilícita com os reis da terra.
O que é esse vinho? – representa as doutrinas falsas. Ela deu ao mundo um sábado falso em vez do símbolo do quarto mandamento, e tem repetido a mentira que Satanás disse a Eva ainda no Éden de que a alma é naturalmente imortal. Muitos erros semelhantes tem ela propagado por toda parte, “ensinando doutrinas que são preceitos dos homens”. São Mateus 15:9.[3]
A Babilónia tem estado a promover doutrinas venenosas, o vinho do erro. Esse vinho do erro é composto de doutrinas falsas, tais como a imortalidade natural da alma, o tormento eterno dos ímpios, a negação da existência de Cristo antes de Seu nascimento em Belém, a defesa e exaltação do primeiro dia da semana acima do santificado dia de Deus. Esses erros e outros semelhantes são apresentados ao mundo pelas várias igrejas, e assim se cumprem as Escrituras que dizem: “Porque todas as nações beberam do vinho da ira da sua prostituição”. A ira criada por doutrinas falsas, e quando reis e presidentes sorvem esse vinho da ira da sua prostituição, enchem-se de ódio contra os que não concordam com as heresias falsas e satânicas que exaltam o dia santo falso, e levam os homens a pisarem a pés o monumento de Deus[4].
A mulher em consideração tem um nome: “Mistério, Babilónia, a grande, a mãe das meretrizes e das abominações da terra”. Ao tempo do Império Romano, algumas prostitutas costumavam escrever despudoradamente seu nome em suas próprias testas. Eram assim facilmente identificáveis. Assim também acontece com o poder representado pela profecia – o nome identifica o seu possuidor. O nome é “Mistério”, mas ao mesmo tempo indica que é compreensível, pois é desdobrado nas palavras seguintes: “Babilónia, a grande,…” Apocalipse 17:5.
O nome Babilónia deriva de Babel, cidade que foi construída na planície de Sinear, logo após o dilúvio. Pondo em descrédito a palavra de Deus, alguns descendentes de Noé resolveram construir ali uma torre cujo topo alcançasse o céu. Daí o seu nome BABEL, que significa “Porta de Deus”.

1 de agosto de 2013

A DISTINÇÃO ENTRE PROFECIA NO A.T., E PROFECIA APOCALÍPTICA

Os profetas do Antigo Testamento tais como Amós, Isaías, Sofonias, Ezequiel e Jeremias são chamados profetas clássicos. As suas mensagens foram em primeiro lugar pronunciados em voz alta, seja ao reino rebelde do Israel no norte (as 10 tribos) ou à apóstata Jerusalém e Judá (as 2 tribos). Com frequência suas mensagens foram um clamor em favor da justiça social, económica e política para as classes oprimidas. Os profetas convocaram Israel e Judá para que voltassem para a torah ou lei do pacto do Moisés, e para que servissem a Deus com arrependimento verdadeiro. Se os líderes políticos e religiosos do povo eleito originavam justiça social e uma renovação da adoração, o reino de Deus viria sobre a terra em sua história futura. Em realidade, o "dia do Senhor", ou o "dia do Jeová", não viria como Israel o tinha antecipado popularmente.
Profecia Clássica
Amós: Este profeta, como porta-voz de Deus, pronunciou em forma fulminante estas horríveis palavras às 10 tribos:
"Ai de vós que desejais o Dia do Senhor! Para que desejais vós o Dia do Senhor? É dia de trevas e não de luz  ...Não será, pois, o Dia do Senhor trevas e não luz? Não será completa escuridão, sem nenhuma claridade?
"Por isso, vos desterrarei para além de Damasco, diz o Senhor, cujo nome é Deus dos Exércitos" (Amós 5:18, 20, 27).
Amós deu a conhecer dois castigos sobre Israel: Em primeiro lugar, a nação infiel seria levada cativa ao exílio em Assíria ("além de Damasco") como resultado da maldição do pacto do Deus do Israel, em harmonia com suas ameaças do pacto pronunciadas mediante Moisés (Deut. 28; Lev. 26). Esta sentença teve lugar no ano 722 a.C., e se conhece como o desterro assírio das dez tribos. Em segundo lugar, o significado pleno deste juízo nacional chega a compreender-se só quando se vê este acontecimento como um tipo ou prefiguração do juízo cósmico de Deus ao fim da história sobre todas as nações que se rebelem contra Deus.
Amós apontou ao juízo final de Deus quando se referiu aos sinais cósmicos: "Farei que fique o sol ao meio dia, e cobrirei de trevas a terra no dia claro" (Amós 8:9), e: "Não se estremecerá por isso a terra, e fará luto tudo o que nela habita? (v. 8, BJ). Escuridão repentina ao meio-dia ou um terremoto catastrófico podem ser mais que um desastre natural. O fogo apocalíptico consumirá a terra e o mar (7:4) e levará a seu fim a história de Israel!
Na escatologia (a ordem dos acontecimentos finais) que apresenta Amós, o dia do Senhor seria um juízo iminente sobre Israel a mãos de seu inimigo nacional: Assíria (no 722 a.C.). Mas Amós anunciou uma catástrofe ulterior, na qual Deus julgará a uma sociedade mundial apóstata e libertará a seus fiéis em todas as nações. A esta relação do juízo local iminente e do juízo mundial do tempo do fim chamamos "conexão tipológica". Ambos os juízos procedem do mesmo Deus, mas o juízo sobre a nação é um tipo ou modelo profético que garante que Deus julgará finalmente a todo mundo pelos mesmos princípios morais. Só mediante sua retribuição final se cumprirá completamente o propósito redentor de Deus para esta terra. O tipo histórico pode ser local e incompleto, mas o antítipo escatológico será universal e completo em seus resultados.
Sofonías: O duplo foco do juízo de Deus em Amós também o descrevem graficamente os outros profetas. Em geral se considera que Sofonías é o profeta mais grandioso que fala do juízo de Deus. Inclusive começa seu pequeno livro com uma admoestação da destruição universal vindoura:
"De fato, consumirei todas as coisas sobre a face da terra, diz o Senhor. Consumirei os homens e os animais, consumirei as aves do céu, e os peixes do mar, e as ofensas com os perversos; e exterminarei os homens de sobre a face da terra, diz o Senhor" (Sof. 1:2, 3).
Assim como Amós, Sofonías contempla o futuro histórico imediato contra o fundo do juízo final, porque é o mesmo Deus o que visita Israel e o mundo para juízo e salvação. A mensagem principal é que Deus atua, não a duração do período de tempo entre os juízos.
Joel: O profeta Joel estruturou sua perspectiva profética de forma tal que uma praga histórica de lagostas (1:4-12) serve como um tipo profético do juízo escatológico de todo o mundo, que é seu antitipo (2:10, 11; 3:11-15). A história local e a escatologia do tempo do fim estão tão mescladas entre si que não podem ser completamente separadas na descrição profética. O presente corresponde ao futuro porque é o mesmo Deus quem vem agora e no futuro. Este é a mensagem principal do Antigo Testamento. O propósito moral de cada anúncio de um juízo de Deus é levar a seu povo a caminhar em harmonia com sua vontade redentora no presente. O objetivo final da profecia não é a catástrofe e a destruição, a não ser uma nova criação e a restauração do paraíso perdido na terra.
Isaías: Um exemplo de como o juízo de Deus sobre um arquiinimigo histórico do Israel e seu juízo final do mundo estão intimamente misturas, como se ambos fossem um só dia do Senhor, encontra-se no Isaías 13. Isaías anuncia a iminente queda do Império Neobabilónico às mãos dos medos: " Uivai, pois está perto o Dia do SENHOR; vem do Todo-Poderoso... Eis que eu despertarei contra eles os medos" (Isa. 13:6, 17). Neste oráculo profético de guerra, Deus atuará logo como o guerreiro divino para liberar a seu povo oprimido: "O Senhor dos exércitos revista seu exército para o combate" (v. 4, NBE). O resultado será a destruição: "Babilónia, a jóia dos reinos, glória e orgulho dos caldeus, será como Sodoma e Gomorra, quando Deus as transtornou. Nunca jamais será habitada, ninguém morará nela de geração em geração" (vs. 19, 20).
Depois, o profeta acrescenta a dimensão cósmica do dia apocalíptico do Senhor: "As estrelas dos céus e seus luzeiros não darão sua luz; e o sol se obscurecerá ao nascer, e a lua não dará seu resplendor" (V. 10). Deus castigará "ao mundo por sua maldade, e aos ímpios por sua iniquidade" (V. 11). Deus fará "estremecer os céus, e a terra se moverá de seu lugar... no dia do ardor de sua ira" (V. 13).
Esta é uma descrição de um juízo universal. Por isso, a profecia de Isaías de condenação sobre Babilónia contém a estrutura de uma perspectiva tipológica. É claro que o dia apocalíptico do Senhor, com seus sinais cósmicos e seu terremoto universal, não ocorreu durante a queda histórica de Babilónia ante os medo-persas no 539 a.C. Aquele juízo sobre Babilónia serve só como um tipo ou símbolo do juízo final da humanidade; por esta razão se descrevem os dois juízos como se fossem um só dia de retribuição divina. A natureza tipológica da queda de Babilónia da antiguidade não requer que cada rasgo da profecia se cumpra no tipo. Antes, o cumprimento parcial das antigas profecias de condenação e liberação indicam que ainda precisam encontrar sua consumação definitiva. O livro do Apocalipse nos assegura que todas as profecias antigas de condenação e liberação ocorrerão em escala mundial por ocasião da segunda vinda de Cristo. Por definição, o antítipo sempre é maior que o tipo. Por isso encontramos que a característica da profecia clássica é seu duplo foco, sobre o próximo e o longínquo, sem nenhuma diferenciação de tempo. Ensina-nos que o Deus do Israel é o Deus da história. É o rei que vem na história e ao fim da história da humanidade. Sua vinda traz o fim desta era maligna, para restaurar o reino de Deus sobre nosso planeta por meio do Jesus Cristo.
Outra característica vital da profecia clássica trata-se das suas preocupações éticas, seu chamado ao arrependimento e a uma vida santificada. Os profetas de Israel não fizeram predições incondicionais mas sim desafiaram tanto ao Israel como aos gentios com a vontade imediata de Deus. De fato, as predições divinas satisfazem o propósito mais elevado de chamar o povo ao arrependimento e a obedecer a vontade de Deus e dessa forma, evitar o juízo vindouro. O resultado significativo desta preocupação ética dos profetas do Israel é a segurança de que só um remanescente do Israel, fiel e purificado, entrará no reino escatológico de Deus.
Os profetas anunciaram que só um fragmento ou remanescente da nação como um tudo seria salva, assim como o "tronco" que fica de uma árvore (Amós 3:12; 5:14, 15; Ouse. 5:15; 6:1-3; Isa. 4:2-4; 6:13; Jer. 23:3-6). A razão é que só o remanescente restaurado se voltará para Senhor com arrependimento verdadeiro (Isa. 10:20-23; Zac. 12:10-13); só um Israel espiritual dentro do Israel nacional receberá um coração "circuncidado" (Deut. 10:15, 16; 30:6; Jer. 4:4). A distinção no Antigo Testamento entre um verdadeiro o Israel de Deus dentro da nação do Israel não se apoia na relação de raça ou de sangre com Abraão, e sim na fé e na obediência a Deus. O fator decisivo é possuir a relação espiritual de pacto com Deus. De acordo com esta teologia do remanescente do Antigo Testamento, o apóstolo Paulo chegou a esta conclusão: "Porque nem todos os que descendem de Israel são israelitas" (Rom. 9:6). Seu ensino apostólico enfatizou que só quando israelitas reconheçam que Jesus é o Messias da profecia, são os portadores de luz das promessas do novo pacto de Deus. E enquanto os gentios são chamados para serem os herdeiros das mesmas promessas, Paulo insistiu: "Só o remanescente será salvo" (v. 27).

Profecia Apocalíptica
O livro do Daniel forma uma classe de profecia por si mesmo dentro do Antigo Testamento. Aqui nos encontramos com um fenómeno: Não se prediz um só evento ou juízo, e sim uma sequência total de acontecimentos que começam nos próprios dias do Daniel e se estendem adiante sem interrupção até o estabelecimento do reino de glória de Deus. Um contínuo histórico ininterrupto em profecia, como apresenta Daniel, não tem precedentes na profecia clássica. Alguns profetas, como Joel e Ezequiel, revelaram o princípio de uma sucessão de dois períodos em seus esboços proféticos (Joel 2:28; Ezeq. 36-39), mas nenhum havia predito uma história contínua religiosa e política do povo do pacto de Deus terminando com o juízo final do dia do Senhor. Um panorama tão amplo da história da salvação adiantado é a característica específica da profecia apocalíptica. Este contínuo apocalíptico na história está em um marcado contraste com a profecia clássica, com seu dobro foco e sua perspectiva tipológica futura.

O segundo aspecto único no livro apocalíptico do Daniel é que contém uma quantidade de esboços históricos e cada um culmina no juízo universal do Deus de Israel. Podem distinguir-se 4 séries proféticas principais (Dan. 2; 7; 8; 11). Cada uma reitera a mesma ordem básica de acontecimentos, mas todas acrescentam detalhes com respeito ao conflito do povo do pacto de Deus com as forças que se opõem a Deus.
Estas visões paralelas mostram um interesse crescente em enfocar a era do Messias e seu conflito com o antimessias ou o anticristo (especialmente em Dan. 8 e 9). A idéia chave de cada série profética é o triunfo do governo de Deus sobre o mal. Portanto, precisamos compreender que a meta da apocalíptica bíblica não é predizer acontecimentos específicos da história secular do mundo em si. A apocalíptica bíblica não é um exibicionismo da presciência de Deus. Antes, o seu interesse é inspirar esperança entre o oprimido povo de Deus. Anima-os a perseverar até o fim, porque o Deus fiel do pacto estabeleceu ao anticristo limite de tempo e poder. Deus vindicará a seus fiéis na luta entre o bem e o mal. O foco definitivo da apocalíptica bíblica não é o primeiro advento do Messias e sua morte violenta (Dan. 9:26, 27), e sim seu segundo advento quando voltar como o vitorioso Miguel para resgatar o remanescente fiel (Dan. 12:1, 2).
O que forma a culminação de toda a profecia apocalíptica do Antigo Testamento é este evento final da história da humanidade. É este "fim" o que está em vista na singular frase do Daniel: "o tempo do fim" (5 vezes em Dan. 8-12). Este foco notável do tempo do fim também é a razão de por que a profecia apocalíptica enfatiza mais o aspecto incondicional do plano determinado de Deus para a redenção da humanidade. Mas este aspecto distintivo de determinismo não deve ver-se como um contraste fundamental com as profecias clássicas do Israel com seu chamado ao arrependimento.
As profecias apocalípticas de Daniel se centram ao redor da libertação final do fiel remanescente do Israel, o povo espiritual do pacto de Deus, em quem se realizarão finalmente as preocupações éticas de todos os profetas (Dan. 11:32-35; 12:3; Ezeq. 11:17-20; 18:23, 30-32; 33:11; Isa. 26:2, 3).
Em Daniel, a preocupação fundamental, tanto dos capítulos históricos (caps. 1-6) como dos proféticos (caps. 7-12), parece ser a vindicação que Deus faz de seu santos acusados falsamente. Esta soberania de Deus como Rei e Juiz está expressa pelo foco centralizado no Messias que se apresenta em muitos capítulos (Dan. 2; 7; 8; 9; 10-12), e em suas divisões predeterminadas de tempo da história da redenção (Dan. 7:25 [3 ½ tempos]; 8:14, 17 [2.300 dias]; 9:24-27 [70 semanas de anos]; 12:4, 7, 11, 12 ["o tempo do fim", 1.290 e 1.335 dias]).

Em todos os tempos, Deus proporciona um povo remanescente fiel, coloca os limites sobre a história pecaminosa deste mundo, permite tempos especificamente atribuídos para a apostasia e a perseguição, determina "o tempo do fim", ordena o mundo para a hora de seu juízo final e levará a cabo a libertação dos santos na segunda vinda. Estes característicos únicos pertencem à soberania de Deus e constituem a pedra angular da profecia do Daniel.
Pode fazer-se uma observação adicional a respeito da parte histórica do livro de Daniel. Nos capítulos 3 (a liberação do forno de fogo) e 6 (a liberação do fosso dos leões), os relatos da intervenção divina e o resgate sobrenatural têm a finalidade de ser mais que simplesmente um pouco de interesse histórico. O autor do livro chama a atenção a sua inerente perspectiva tipológica, em vista da libertação futura do povo remanescente de Deus ao fim da história da redenção. Isto chega a ser evidente a partir da repetição enfática do verbo chave "libertar" ou "resgatar" que se encontra no Daniel 3:15 e 17 (e 5 vezes no capítulo 6), e que volta a aplicar-se na seção apocalíptica do Daniel 12:1, quando Miguel "libertará" o verdadeiro o Israel de Deus por meio de sua intervenção pessoal.

Além desta conexão literária entre a seção histórica e a apocalíptica de Daniel, também existe uma correspondência temática fundamental entre as duas seções do livro. As narrações que Daniel faz da lealdade religiosa à sagrada lei de Deus por uns poucos fiéis, proporciona os tipos ou as prefigurações essenciais da natureza da crise final para o povo de Deus no tempo do fim. Estes acontecimentos históricos no livro de Daniel servem como o pano de fundo para a crise vindoura do tempo do fim e seu resultado providencial, tal como se descreve no livro de Apocalipse (caps. 13 e 14).
Resumo
O livro apocalíptico de Daniel revela ao menos quatro características únicas:
(1) Uma repetição dos esboços apocalípticos que mostram um contínuo da história da redenção. Cada esboço culmina no estabelecimento do reino de glória (Dan. 2:44, 45; 7:27; 8:25; 12:1, 2);
(2) O foco centrado no Messias de todos seus esboços (Dan. 2:44; 7:13, 14; 8:11, 25; 9:25-27; 10:5, 6; 12:1);
(3) As divisões predeterminadas de tempo, que servem como o calendário sagrado da história progressiva da redenção de Deus (Dan. 7-12). Estas profecias de tempo únicas determinam o começo do famoso "tempo do fim", particularmente a terminação do período de tempo profético dos 2.300 "dias" na visão selada de Daniel 8 (vs. 14, 17, 19);
(4) O aspecto incondicional da história da redenção, o qual recalca uma sessão predeterminada de juízo no céu e a vindicação dos santos fiéis por um Filho do Homem. Isto também está expresso pela imagem de um guerra santa final e o triunfo do Miguel como o guerreiro divino, e a ressurreição de todos os mortos para receber sua recompensa (Dan. 2:7-12).
Em resumo, o livro apocalíptico de Daniel contém o fundamental da profecia clássica (o duplo foco de uma perspectiva tipológica na seção histórica do livro) e o esboço profético de um contínuo histórico em sua seção apocalíptica.
A unidade orgânica da profecia clássica e da apocalíptica pode observar-se na harmoniosa combinação de sua perspectiva do tempo do fim: O juízo universal com a libertação cósmica de um povo remanescente fiel na última guerra entre o bem e o mal, e a restauração do reino de Deus em paz e justiça eternas.

Hans K. LaRondelle

25 de julho de 2013

O que Acontece Depois da Morte

1- Como criou Deus o homem?
“E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego de vida e o homem passou a SER alma vivente”. Génesis 2:7
 
Nota: Para entender o que é Morte você precisa entender o que é a Vida.
A Bíblia diz que nós fomos feitos do pó da terra. A mesma proporção de água que existe na terra também existe no nosso corpo aproximadamente 70%. E também semelhante á água do mar, as nossas lágrimas e o nosso suor são salgados. E todos os elementos minerais e químicos que encontramos no corpo humano encontramos também na terra. Quero citar apenas alguns: oxigénio, carbono, hidrogénio , nitrogénio, cálcio, potássio, enxofre, sódio, magnésio, ferro… fósforo.
 Cada elemento tem uma função, o fósforo é importante para o bom funcionamento do cérebro, e é até comum dizer: “a sua memória está fraca, você está precisando de fósforo!”, segundo os especialistas, por que o fósforo é um ativador das funções cerebrais.
Mas veja, o texto diz que Deus soprou. E soprou o quê? O fôlego de vida, só Deus pode dar Vida, porque Ele é Fonte da Vida, só Ele é Doador e Mantenedor da Vida. Lucas que foi um médico, é o escritor do evangelho de Lucas e também do livro de Atos. Veja o que o Dr. Lucas nos diz no livro de Atos 17:28 “Porque n´Ele vivemos, e nos movemos e existimos…”
A Bíblia diz que Deus soprou o Fôlego de Vida no modelo e este passou a Ser uma Alma e não que passou a Ter uma Alma. Então você não Tem uma Alma, você É uma Alma.
Talvez isso que você está a ler seja uma surpresa, e talvez você até esteja um pouco confuso, mas para facilitar a compreensão eu quero ilustrar.
A flauta é um instrumento de sopro. Bem, se eu pegar um instrumento e soprar o som que vai sair é o que chamamos de música!
Bem a Pergunta que eu quero fazer é para onde foi a música no instante que eu parei de tocar? Ela foi parar em algum lugar? Ou ela simplesmente desapareceu? Deixou de existir?
 A música simplesmente deixou de existir!
Mas para que exista música da flauta, você precisa ter três coisas:
 1º) O Instrumento
 2º) O Músico
 3º) O Fôlego
 Comparando a música com a Vida. Então podemos dizer que:
 O Instrumento é você, o Músico é Deus. Assim como para existir a música são necessárias três partes. O Instrumento, o músico e o fôlego do músico.
Para que exista vida, para que você seja um ser vivente, você precisa de Deus. O fôlego que existe em você é procedente de Deus, o fôlego de vida provém de Deus. Dentro de cada ser vivo existe o fôlego de vida que provém de Deus.
 Bem, então o que é a morte? O que acontece com a alma no momento em que a pessoa morre?
 A morte nada mais é do que o processo contrário da criação. Você sabia?
 Na criação Deus modelou de barro o corpo, ou a matéria. Mas não era um ser vivente. Não tinha vida. Deus então soprou o fôlego de vida e o ser humano passou a ser uma Alma Vivente.
2 – O que é a morte?
“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus”. Romanos 6:23
Não fomos criados para morrer. A morte não foi criada por Deus, a morte é uma intrusa, dentro no universo.
3- O que acontece na morte?
“E o pó volte e terra, como era, e o espírito volte a Deus, que o deu”. Eclesiastes 12:7
Nota: Na morte quando o corpo por algum motivo (Doença, acidente, desastre) sofre um dano físico, e não pode mais ser um instrumento em condições de abrigar o fôlego de vida, simplesmente, o fôlego de vida volta para Deus.
No momento em que alguém morre, o ar continua existindo, mas o Fôlego de Vida voltou para o Doador da Vida e é isto que a Bíblia fala em Eclesiastes.
Você viu como a Bíblia esclarece? A Bíblia diz que, quando alguém morre o corpo volta para a terra e o espírito volta para Deus.
O que volta para Deus não é a Alma, mas o fôlego de vida ou a energia vital de Deus, também chamado aqui de espírito.
4) O que acontece com a Alma?
 “A alma que pecar essa morrerá”. Ezequiel 18:20
Nota: Isso mesmo que você ouviu. A alma morre. No mesmo instante em que a pessoa morre a alma também morre. Por quê? Porque a alma é a pessoa, é o corpo com a vida.
 

18 de julho de 2013

A importância das datas de 508 e 538 d.C. Supremacia Papal (1)

As datas de 508 e 538 d.C. são muito significativas para os adventistas do sétimo dia. A primeira é tradicionalmente reconhecida como o início dos 1.290 e 1.335 dias/anos de Daniel 12:11 e 12, e a segunda, como ponto de partida dos 1.260 dias/anos de Apocalipse 11:3 e 12:6. O presente artigo descreve o contexto histórico dessas datas, bem como o papel exercido por eventos importantes no processo de estabelecimento da supremacia papal.
 
Introdução
Uma das principais características da teologia adventista é a interpretação historicista das profecias apocalípticas das Escrituras fundamentada no assim chamado princípio dia-ano de interpretação profética.2 Baseado na ideia de que cada dia profético representa um ano literal, as 70 semanas de Daniel 9:24-27 devem ser vistas como sendo 490 anos; os 1.260 dias de Apocalipse 11:3 e 12:6 (ver também Dn 7:25; 12:7; Ap 11:2; 12:14; 13:5), como sendo 1.260 anos; os 1.290 dias de Daniel 12:11, como sendo 1.290 anos; os 1.335 dias de Daniel 12:12, como sendo 1.335 anos; e as 2.300 “tardes e manhãs” de Daniel 8:14,3 como sendo 2.300 anos.
Tradicionalmente, os adventistas do sétimo dia apontam o ano 508 d.C. como sendo o início dos 1.290 e dos 1.335 anos, e, 30 anos depois, o ano 538 d.C. como sendo o início dos 1.260 anos.4 A principal data de referência para esses cálculos tem sido o ano de 1798 d.C., quando o papa Pio VI foi capturado e aprisionado na França, vindo a morrer no exílio.5 Subtraindo os 1.260 anos de 1798, os intérpretes adventistas chegaram até o ano de 538. Tirando 1.290 anos de 1798, eles chegaram ao ano de 508. Enquanto os 1.290 e os 1.260 anos tiveram seu término no mesmo ano de 1798, os 1.335 anos são contados como terminando 45 anos depois, entre 1843-1844 (veja o diagrama abaixo).
Embora a data de 1798 esteja bem estabelecida pelo importante evento que foi o aprisionamento do papa, o significado de 508 e 538 tem sido questionado por diversos intérpretes críticos que consideram essas datas como destituídas de um sentido histórico mais relevante.6 Mas, se vistas dentro do amplo contexto de estabelecimento da supremacia papal, as datas tomam sentido como importantes expressões desse processo.
Entre os estudos mais relevantes das fontes históricas que sustentam essas datas figuram os de Uriah Smith, intitulado The Prophecies of Daniel and the Revelation (1944),7 e a dissertação de mestrado de C. Mervyn Maxwell, sob o título “An Exegetical and Historical Examination of the Beginning and Ending of the 1260 Days of Prophecy with Special Attention Given to A.D. 538 and 1798 as Initial and Terminal Dates” (1951).8 Mas parece evidente que essas investigações poderiam ser ampliadas, levando-se em consideração uma perspectiva histórica mais ampla.
Diante disso, a presente investigação visa a prover uma contextualização histórica progressiva, que nos permita ver mais claramente o grau de validade das datas de 508 e 538 no contexto da interpretação profética. Devido às limitações de tempo e espaço, esta investigação se detém apenas nos principais desenvolvimentos históricos relacionados com o assunto em discussão. A pesquisa bibliográfica se limitou basicamente às fontes disponíveis em língua inglesa. Estudos futuros deveriam abranger também as fontes existentes em outras línguas, especialmente em latim, alemão, francês e italiano.
O contexto histórico de 508 d.C.
Eventos históricos não podem ser analisados com propriedade sem que se reconheçam os desenvolvimentos prévios que os geraram. É evidente, portanto, que nenhuma análise crítica séria pode ser feita quanto ao uso dos anos 508 e 538 d.C. sem que se leve em consideração alguns passos significativos, prévios, rumo à união entre a Igreja e o Estado, e o crescimento da autoridade temporal do bispo de Roma. O contexto histórico do ano 508 inclui importantes eventos como a conversão de Constantino, a publicação do livro de Agostinho De Civitate Dei (A Cidade de Deus) e a conversão de Clóvis.
A conversão de Constantino
Analisando-se a história dos primeiros séculos da Igreja Cristã, percebe-se que a conversão do Imperador Constantino, em 312 d.C., não apenas se tornou um importante referencial nas relações entre a Igreja e o Estado, mas também gerou uma mudança radical no status do Cristianismo. Tendo sido perseguido no passado, o Cristianismo conseguiu certa tolerância a partir de 311 por meio de um edito imperial.9 Foi, porém, o Edito de Milão, promulgado em 313 pelos imperadores Constantino e Licínio, que concedeu aos cristãos completa liberdade de culto.10
Durante os anos seguintes, sob a liderança de Constantino, as propriedades eclesiásticas confiscadas foram restauradas à Igreja, e o “Dia do Sol” (domingo) foi imposto “como um dia de descanso e culto”. Além disso, Constantino assumiu “uma posição de liderança teológica no concílio de Nicéia, em 325, quando arbitrou a controvérsia ariana”.11
Depois que Constantino mudou a capital do império de Roma para Constanti-nopla em 330, a liderança do bispo de Roma acabou sendo deixada sozinha “durante muito tempo”, e os romanos passaram a encará-lo naturalmente como o seu legítimo “líder temporal e espiritual” em situações de crise.12
A despeito do fato de Constantino jamais haver resignado sua posição como Pontifex Maximus,

A importância das datas de 508 e 538 d.C. - Supremacia papal (2)

Justiniano I tornou-se em 527 o único imperador do segmento oriental do Império Romano, conhecido como Império Bizantino. Seus ideais políticos e eclesiásticos são bem definidos por Daniel D. McGarry na seguinte declaração: Ele era inspirado por dois grandes projetos: [1] restaurar o Império Romano ao redor do Mediterrâneo Ocidental, e [2] restabelecer a unidade da Igreja Cristã. O primeiro alvo postulava a reconquista do ocidente do Mediterrâneo; o segundo, a erradicação da heresia no Egito e na Síria.1
Mas Justiniano não via esses dois alvos como dissociados um do outro. Em realidade, ele reconhecia que uniformidade em questões seculares só poderia ser bem-sucedida com “a mesma uniformidade em questões de fé.” Portanto, “Justiniano desejava reunificar todas as ramificações da Igreja Cristã e abolir todas as heresias”.2 De acordo com James Bryce: Não apenas orgulhava-se de sua ortodoxia, como vários soberanos anteriores haviam feito, mas tinha também grande confiança em sua própria capacidade como teólogo, e tomou parte ativa em todas as controvérsias da época. Sendo um estudante diligente e uma pessoa de algumas pretensões literárias, ele leu e escreveu consideravelmente sobre assuntos teológicos.3
Algumas decisões eclesiásticas muito significativas foram tomadas por Justiniano.4 Como um “campeão da ortodoxia”, ele “proibiu impiedosamente tanto o paganismo quanto a heresia”.5 R. W. Collins explica que os devotos das divindades pagãs foram privados de todos os direitos civis; assim eles não podiam exercer ofícios públicos, deixar como herança suas propriedades, ou servir como testemunha num julgamento. A pena de morte foi decretada a todos os que secretamente praticassem um culto pagão ou, uma vez convertidos, retornassem à sua antiga fé. Os filhos de pais pagãos deveriam ser tomados destes, batizados e instruídos na religião cristã. Todos os templos restantes eram convertidos em igrejas cristãs ou destruídos. Como um sopro final contra o paganismo, a Academia de Atenas, o último refúgio da filosofia pagã, foi fechada [em 529], seus professores foram dispersos, e suas doações, confiscadas.6
Considerando “a unidade da fé em um estado bem-organizado tão essencial quanto a unidade política”,7 Justiniano realizou um trabalho incomparável como “codificador e consolidador das leis preexistentes”, e como legislador, preparando “novas leis” que foram incorporadas em sua famosa Corpus Juris Civilis.8 Essa obra inclui não apenas leis civis, mas também leis eclesiásticas, por meio das quais a supremacia eclesiástica do papa foi oficialmente legalizada.9
Na segunda edição do seu Codex, publicado no dia 16 de novembro de 534,10 aparece uma carta escrita por Justiniano ao Papa João II, em 533 11, na qual ele reconhece o papa como “o cabeça de todas as Sagradas Igrejas”. Justiniano inicia sua carta com as seguintes palavras:
Justiniano, Vitorioso, Pio, Feliz, Renovado, Triunfante, sempre Augusto, a João, Patriarca, e o mais Santo Arcebispo da justa Cidade de Roma: Com honra à Sé Apostólica, e à Vossa Santidade, que é e sempre tem sido lembrada em Nossas orações, tanto agora como anteriormente, e honrando vossa alegria, como é próprio no caso de alguém que é considerado como um pai, Nós nos apressamos em trazer ao conhecimento de Vossa Santidade tudo o que esteja relacionado com a condição da Igreja, uma vez que sempre tivemos o maior desejo de preservar a unidade da Sé Apostólica, e a condição das Santas Igrejas de Deus, como elas existem no tempo presente, para que permaneçam sem distúrbios ou oposições. Portanto, Nós Nos empenhamos em unir todos os sacerdotes do Oriente e sujeitá-los à Sé de Vossa Santidade, e, em consequência das questões levantadas presentemente, embora elas sejam evidentes e livres de qualquer dúvida, e, de acordo com a doutrina da vossa Sé

14 de julho de 2013

Profetas Menores

JOEL
Jeová é o seu Deus.O segundo dos doze profetas menores. Era filho de Petuel. Da sua história pessoal só é conhecido o que está escrito no seu livro.

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AMÓS
Heb. ‘Amôs, “fardo”, “carregador de um fardo”, de ‘amas, “levantar (um peso)”, “carregar (um peso)”.
Um profeta da cidade de Tecoa, em Judá, a quem Deus enviou com uma mensagem ao reino do norte, Israel. O livro de Amós é um registo dessa mensagem e da sua experiência na sua entrega. Pouco se sabe sobre este profeta e os poucos detalhes são extraídos do seu livro. A sua casa situava-se em Tecoa, uma pequena cidade na orla do desolado deserto de Judá que ficava a cerca de 19 km do Mar Morto. Antes do seu chamamento à profissão profética, Amós era um pastor que dedicava parte do seu tempo a cuidar de plátanos recolhendo os seus frutos, que se assemelham a figos (Am 7:14). Embora fosse um homem de hábitos simples, Amós era um homem de inteligência natural, uma determinação religiosa profunda, e um perspicaz poder de observação. Era modesto, mas ousado e destemido quando chamado a desmascarar os males do seu tempo. A mensagem que ele trazia era gráfica e poderosa. Alguns estudiosos concluem através da sua menção de 5 das nações vizinhas que ele deve ter viajado até tão longe como Damasco e Egipto (Am 1:1-15).
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OBADIAS
Servo de Deus.
Um profeta, o quarto dos profetas menores no Cânone Hebreu e o quinto na LXX. É provável que tenha sido contemporâneo de Jeremias e Ezequiel. Da sua vida pessoal nada se sabe.
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JONAS
Uma pomba.
Filho de Amitai, de Gate-Hefer. Era profeta de Israel e predisse a restauração das antigas fronteiras (2Rs 14:25-27) do reino. Exerceu o seu ministério nos primeiros anos do reinado de Jeroboão II, sendo, assim, contemporâneo de Oséias e Amós; ou talvez os tenha precedido, sendo, consequentemente, o mais velho de todos os profetas de quem possuímos agora os escritos. A sua vida pessoas vem descrita principalmente no livro com o seu nome. É especialmente interessante por causa do seu duplo carácter: 1) como missionário que se dirigiu à idólatra Niníve e 2) como um tipo do “Filho do home.
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MIQUÉIAS
Aquele que é como Yahweh. O nome ocorre em impressões de selos hebraicos.
Um profeta que viveu durante o reinado de Jotão, Acaz e Ezequias (Mq 1:1; Jr 26:18). Foi o autor do livro que tem o seu nome.
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NAÚM
Consolação.
O sétimo dos chamados profetas menores. Era elcosita. Tudo o que sabemos dele, está registado no livro das suas profecias. Era provável que fosse natural da Galileia mas após a deportação, passou a viver em Jerusalém. Outros pensam que Elcós era o nome de uma cidade na margem Este do Tigre e que Naum aí habitava.
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HABACUQUE
“Abraço”.
O oitavo dos doze profetas menores. Não existe informação fidedigna sobre a sua história pessoal. É provável que tenha sido membro do coro dos levitas. Foi contemporâneo de Jeremias e Sofonias.
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SOFONIAS
Jeová tem ocultado, ou Jeová das trevas.
Filho de Cusi e neto de Hezequias. Foi o nono dos profetas menores. Profetizou durante o reinado de Josias, rei de Judá (641-610 AC) e foi contemporâneo de Jeremias, com quem tinha muito em comum. O livro das suas profecias era composto por: a) uma introdução (Sf 1:1-6), anunciando o julgamento do mundo e o castigo que recairia sobre Israel por causa das suas transgressões; b) a descrição do julgamento (Sf 1:7-18); c) Uma exortação para que buscassem a Deus enquanto ainda era tempo (Sf 2:1-3); d) o anúncio do julgamento que recairia sobre os pagãos (Sf 2:4-15); e) a miséria, já sem esperança, de Jerusalém (Sf 3:1-7); f) a promessa de salvação (Sf 3:8-20).
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AGEU
Heb. e Aramaico Chaggai, “nascido num dia festivo”.
Um profeta do período da restauração após o cativeiro na Babilónia, usado por Deus para inspirar os exilados regressados a completar a reconstrução do Templo, sendo também autor do livro com o seu nome. Conclui-se através de Ag 2:3 que Ageu era na altura um homem de idade avançada que tinha visto o primeiro Templo antes da sua destruição em 586 B.C., e pelos versos Ag 2:10-19 que ele era um sacerdote. Além do livro que tem o seu nome ele é mencionado apenas em Ed 5:1; Ed 6:14. Foi contemporâneo do profeta Zacarias (Ed 5:1; cf. Zc 1:1).
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ZACARIAS
O Senhor lembra-se; Deus é afamado ou lembrado.
Um profeta de Judá, o 11º entre os doze profetas menores. Tal como Ezequiel, era de descendência sacerdotal. Descreve-se a si mesmo como (Zc 1:1) “filho de Berequias”. Em Ed 5:1 e Ed 6:14 é chamado “o filho de Ido” que era, mais exactamente, o seu avô. Iniciou a sua missão como profeta no segundo ano de Dario (520 AC), cerca de dezasseis anos depois do regresso do primeiro grupo vindo do exílio. Foi contemporâneo de Ageu (Ed 5.1).
O seu livro está dividido em duas partes distintas: a) capítulos 1 a 8, inclusive e b) desde o capítulo 9 até ao fim. Começa com um prefácio (Ed 1:1-6), no qual ele recorda a história passada do povo de Israel, com o propósito de apresentar um aviso às gerações presentes. Depois segue-se uma série de oito visões (Zc 1:7-6:8), que se sucedem umas às outras numa noite só e que podem ser vistas como a história simbólica de Israel. Destinar-se-iam a servir de consolo àqueles que tinham regressado do exílio e a incutir neles alguma esperança. O acto simbólico aí mencionado – a coroação de Josué (Zc 6:9-15) – descreve a maneira como os reinos do mundo se tornarão no reino de Cristo.
Os capítulos 7 e 8, escritos dois anos mais tarde, são uma resposta à questão que o povo, muitas vezes, colocava sobre se se deveria continuar a lamentar a destruição da cidade, sendo também um discurso de encorajamento ao povo, assegurando-lhes que a presença e as bênçãos de Deus continuavam com eles.
Não se conhece a data da segunda parte do livro, que está dividida em duas secções e é provável que um intervalo considerável a separe da primeira parte.
A primeira secção (cap. 9-11) dá-nos um esboço do modo como Deus lidará com o seu povo por altura do Advento.
A segunda secção (cap. 12-14) aponta para a glória que espera o Israel “dos últimos dias”, para o conflito final e para o triunfo do reino de Deus.
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MALAQUIAS
Mensageiro ou anjo.
O último dos profetas menores e o escritor do último livro do cânone do Velho Testamento (Ml 4:4, 5, 6). Nada se sabe sobre ele, para além do que está escrito no seu livro de profecias. Alguns pensam que o nome é simplesmente um título descritivo do seu carácter como mensageiro de Jeová e não um nome próprio. Há razão, contudo, para acreditar que Malaquias era mesmo o nome do profeta.
Foi contemporâneo de Neemias (comp. Ml 2:8 com Ne 13:15 e Ml 2:10-16 com Ne 13:23). Ele não faz qualquer referência a Esdras, nem menciona a restauração do templo. Por isso se infere que ele profetizou depois de Ageu e Zacarias e quando os serviços do templo ainda existiam (Ml 1:10; Ml 3:1, 10). É possível que tivesse transmitido as suas profecias por volta do ano 420 a.C., após Neemias ter voltado da Pérsia pela segunda vez (Ne 13:6), ou possívelmente, antes do seu regresso.

12 de julho de 2013

A APLICAÇÃO QUE CRISTO FEZ DO ANTIGO TESTAMENTO

O propósito deste livro é triplo: (1) Descobrir como entendeu Cristo os livros de Moisés, os Profetas e os Salmos; (2) formular os princípios hermenêuticos de Cristo para interpretar as profecias da Bíblia; (3) aplicar esses princípios às profecias não cumpridas, especialmente às do Apocalipse.
Como cristãos que acreditam na verdade do evangelho, que Jesus é o Messias prometido, precisamos saber como entendeu Cristo os livros de Moisés, os Profetas e os Salmos. Jesus é o verdadeiro intérprete das Santas Escrituras. Sua mensagem é nossa chave para descobrir o significado correto do Antigo Testamento. Se queremos compreender o Antigo Testamento, devemos compreendê-lo do ponto de vista de Deus. Portanto, nosso ponto de partida é a forma como Jesus explica o Antigo Testamento. A aplicação que Cristo fez das Escrituras de Israel é nosso modelo de interpretação bíblica. Nosso princípio guiador está apoiado sobre a convicção de que a atividade redentora de Deus na história do Israel alcançou seu cumprimento em Cristo. Portanto, trataremos de interpretar o Antigo Testamento à luz da vida e mensagem de Cristo como a Palavra encarnada de Deus, pois só dele se escreveu o seguinte:
"No princípio era o Verbo, e o Verbo era com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus... E o Verbo foi feito carne, e habitou entre nós" (João 1:1, 2, 14).
Jesus e a Palavra de Deus
Deus enviou ao Jesus para revelar plenamente ao Deus do Israel em sua vida e ensino. Cristo afirmou que foi enviado com uma mensagem de Deus e que suas palavras procediam de Deus mesmo:
 
"Porque eu não tenho falado por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, esse me tem prescrito o que dizer e o que anunciar. E sei que o seu mandamento é a vida eterna. As coisas, pois, que eu falo, como o Pai mo tem dito, assim falo" (João 12:49, 50).
"Nada faço por mim mesmo; mas falo como o Pai me ensinou  (João 8:28).
Só Cristo pode revelar o significado e o sentido algumas vezes oculto da Escritura e da história do

4 de julho de 2013

OS SETE SELOS - Apocalipse 6

Os comentadores da Bíblia com frequência equiparam a estrutura paralela dos 7 selos em Apocalipse 6 com o discurso profético de Jesus nos Evangelhos sinópticos. Beasley-Murray fala por muitos quando diz: "Nenhuma passagem no Novo Testamento está mais intimamente relacionado a este elemento [os selos] dentro do livro do Apocalipse que o discurso escatológico dos Evangelhos, Marcos 13 e as passagens paralelos (Mat. 24 e Luc. 21)".1 Colocando as duas sequências proféticas em forma paralela, elas mostram que os 7 selos apresentam as mesmas características e a mesma ordem consecutiva do o discurso do Monte das Oliveiras.
Esta comparação mostra que devemos considerar os selos consecutivos em Apocalipse 6 como a exposição ulterior de Cristo de seu discurso anterior no que tinha resumido a seus discípulos o que lhes aconteceria durante sua missão no mundo. Isto significa que os selos predizem não só os juízos do tempo do fim mas também os juízos messiânicos durante toda a época da igreja. Em Mateus 24 Jesus adotou o estilo apocalíptico de Daniel de repetição e ampliação. Duas vezes Jesus começou seu esboço com sua própria geração e depois passou rapidamente adiante na história até o fim da era da igreja, como se pode ver por Mateus 24:1-4 e 24:15-31. Jesus anunciou que as guerras que viriam, as fomes, as perseguições e a apostasia não precederiam imediatamente a sua volta:
"Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não vos assusteis; pois é necessário que primeiro aconteçam estas coisas... E cairão a fio de espada e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem" (Luc. 21:9, 24).
Jesus lhes advertiu especificamente contra uma expectativa iminente:
"Respondeu ele: Vede que não sejais enganados; porque muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu! E também: Chegou a hora! Não os sigais" (Luc. 21:8).
Se os selos desenvolvem em forma adicional Mateus 24, então os selos igualmente se estendem sobre os séculos do período da era cristã. Esta perspectiva histórica dos selos expressa o fluxo estrutural do livro do Apocalipse da época histórica até o juízo final.
O Significado da Era Cristã
É instrutivo refletir sobre o significado das predições de Cristo de guerras, desastres na natureza, perseguições dos santos e uma crescente apostasia da verdade, o amor e a moral. Os selos de Apocalipse 6 assinalam o significado de toda a história ao colocá-los em uma perspectiva do tempo do fim, isto é, à luz dos destinos eternos. Tanto a igreja como a história mundial recebem seu significado transcendental da soberania e os juízos de Cristo (cap. 5). Ele coloca a história do homem no contexto mais amplo do conflito espiritual entre Deus e Satanás e seus respectivos princípios de governo. O apóstolo Paulo reconheceu isto:
"Porque a mim me parece que Deus nos pôs a nós, os apóstolos, em último lugar, como se fôssemos condenados à morte; porque nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a anjos, como a homens" (1 Cor. 4:9).
O crisol da história humana é o meio pelo qual Cristo santifica os que aceitam seu senhorio e testemunho de verdade sob as circunstâncias mais adversas. Por outro lado, demonstra sobre a terra os amargos frutos da rebelião contra ele, perdoando as vistas de seus inimigos, desde Caim para frente. Ellen White oferece esta profunda revelação:
"Satanás está constantemente em atividade, com intensa energia e sob mil disfarces para representar falsamente o caráter e governo de Deus. Com planos extensos e bem organizados, e com poder maravilhoso está ele a agir para conservar sob seus enganos os habitantes do mundo. Deus, o Ser infinito e todo sabedoria, vê o fim desde o princípio, e, ao tratar com o mal, Seus planos foram de grande alcance e compreensivos. Foi o Seu intuito não somente abater a rebelião, mas demonstrar a todo o Universo a natureza da mesma. O plano de Deus estava a desdobrar-se, mostrando tanto Sua justiça como Sua misericórdia, e amplamente reivindicando Sua sabedoria e justiça em Seu trato com o mal".2
Cada calamidade proporciona uma nova oportunidade para que o homem caído se volte para Deus. Cristo ensinou esta lição a partir dos acontecimentos de seu próprio tempo (ver Luc. 13:1-5; também João 9:2, 3).
No passado do Israel, Deus tinha enviado quatro juízos sobre seu povo do pacto, que era rebelde: guerra, praga, fome e morte (ver Lev. 26:23-26; Deut. 32:23-25, 42 ["minhas setas"]; Ezeq. 14:12-14, 21). Mas esses juízos nunca foram o juízo final de Deus. Serviram como juízos preliminares, para motivar seu povo rebelde a voltar-se para Deus (ver Osé. 5:14, 15; 6:1-3). Quanto a isto também o Antigo Testamento é um livro de lições para a igreja (1 Cor. 10:11 ).
Cristo deseja que a igreja compreenda que os juízos vindouros ainda estão limitados por sua vontade. Deus ainda está no comando mesmo que seus filhos morram como mártires. Também coloca limites ao cavaleiro amarelo sob o quarto selo (Apoc. 6:8). De igual maneira, Apocalipse 12 e 13 afirmam que o anticristo recebe não mais de 3 ½ tempos proféticos, enquanto que à última rebelião é concedida apenas "uma hora" (Apoc. 17:12).
Apocalipse 5 ensina que a responsabilidade pelos juízos de Deus foi transferida a Cristo. Os selos apocalípticos, e por extensão as trombetas e as pragas, todos devem entender-se como juízos messiânicos. O Cristo entronizado é o Senhor da história, ou como Leão de Israel ou como o Cordeiro de Deus (Apoc. 5:5, 6). Isto significa que os que rechaçam o sangue do Cordeiro terão que enfrentar a "ira do Cordeiro" (Apoc. 6:16, 17). Pela fé em Cristo os homens podem confiar que a era cristã tem significado, porque leva a humanidade adiante, a seu destino glorioso.
Desenrolando o Livro da Providência
Em Apocalipse 6, os selos desenvolvem a visão da coroação de Cristo como o Cordeiro imolado que aparece no capítulo 5. O Cordeiro só abre os selos do rolo da escritura da providência. Sempre que Cristo abre um dos 4 primeiros selos, um dos 4 serafins diz "como com voz de trovão": "Vem e vê!" Em resposta aparecem 4 cavalos em forma consecutiva, cada um com uma cor diferente: branco,
vermelho, preto e amarelo. Estes cavalos levam cavaleiros diferentes. São enviados à terra um depois que o outro cumpriu sua missão atribuída. Entendemos que cada cavalo se une aos prévios já enviados, de maneira que finalmente os 4 cavalos cavalgam juntos sobre a terra até o fim da era cristã.
Isto quer dizer que os primeiros 4 selos ainda não estão completos, inclusive no tempo do fim. João está em dívida com o Antigo Testamento para esta linguagem figurada de cavalaria celestial. Em suas visões, Zacarias descreve 4 cavalos com cores diferentes (Zac. 1:8-17 e 6:1-8). Isto indica que devemos considerar o significado dos 4 cavalos simbólicos do Zacarias antes de interpretar os 4 cavaleiros apocalípticos.
Em Zacarias 1 atribuiu-se aos cavaleiros o dever de inspecionar o mundo gentio com o fim de observar qualquer movimento para restaurar Jerusalém e Judá (1:10). Este relatório foi frustrante: nada estava acontecendo (v. 11). Entretanto, Deus assegura ao profeta que apesar das aparências contrárias, ele estava trabalhando por Jerusalém e Sião com grande zelo (v. 14), enquanto ao mesmo tempo estava irado contra as nações (v. 15). O Deus do Israel voltaria para Sião, e seu templo e sua cidade seriam reconstruídos. Seriam estabelecidas paz e prosperidade permanentes (8:12).
No capítulo 6, o profeta apresenta o complemento de sua primeira visão. Esta vez vê 4 cavalos diferentes com carros de guerra [merkaba], cada um enviado pelo Deus do céu em todas as direções da terra, para levar a cabo o plano redentor de Deus para Jerusalém. O anjo que interpreta, explica que os 4 carros significam "os quatro ventos dos céus" que são enviados como ministros do Senhor para cumprir a vontade redentora de Deus em todo mundo hostil (Zac. 6:5; cf. Sal. 104:3, 4; Jer. 49:36; Isa. 66:15).
A "terra do norte", ou Babilónia, é escolhida como um lugar exemplar onde o Deus de Israel deseja governar e estabelecer seu descanso (Zac. 6:8). Isto significa que os 4 carros de guerra da visão foram enviados ao mundo com uma missão dupla: (1) submeter todos os poderes políticos do mundo à vontade do Deus de Israel (ver Ag. 2:7-10, 20-23); (2) reunir a todos os crentes israelitas e gentios em Jerusalém e no monte Sião (Zac. 8:8, 20-23). O propósito fundamental é a realização do plano de redenção de Deus e a restauração da verdadeira adoração (vs. 22, 23).
No Apocalipse, Cristo envia seus cavaleiros apocalípticos à terra, desta vez com uma missão do novo pacto (Apoc. 6:2-8): para conquistar os corações humanos a Cristo com o arco e as flechas do evangelho, e para levar a humanidade à reflexão por meio de alguns juízos limitados como antecipações do castigo final de Deus por sua rebelião contra Cristo.
 
O Primeiro Selo
"Vi, então, e eis um cavalo branco e o seu cavaleiro com um arco; e foi-lhe dada uma coroa; e ele saiu vencendo e para vencer" (Apoc. 6:2).
O cavalo branco leva um cavaleiro com um arco e uma coroa de vencedor, saindo como "vencendo e para vencer". Alguns expositores modernos interpretam este cavaleiro apocalíptico como símbolo da avidez do homem para conseguir poder e domínio mundial. O argumento é que os 4 cavaleiros de Apocalipse 6 iniciam juízos, de modo que parece "inapropriado ao contexto" ver aqui a conquista de Cristo por meio do evangelho. Os cavalos se usavam para liberar a guerra. Entretanto, cada símbolo deve receber seu significado de seu próprio contexto e nele podemos descobrir a natureza dessa guerra.
Os selos desenvolvem mais amplamente a visão do trono de Apocalipse 5, onde Cristo é descrito como o Senhor ressuscitado, simbolizado pelo Leão que tinha triunfado (Apoc. 5:5). Estabeleceu sua vitória por sua morte na cruz, simbolizado pelo Cordeiro imolado (V. 6). Depois enviou os discípulos, dando-lhes autoridade, para ir a todas as nações e fazer discípulos (Mat. 28:19). Deu-lhes o poder do Espírito Santo para conquistar para ele, até os fins da terra (At. 1:8), assim como conquistou a seu "inimigo" Saulo perto da porta de Damasco (cap. 9). Continua conquistando através do poder do evangelho e a "espada de dois fios" de sua Palavra (Heb. 4:12), com o fim de ganhar para seu reino os corações sinceros de homens e mulheres até o fim do tempo de prova.
Além disso, a estrutura quiástica do Apocalipse coloca a Cristo como o Guerreiro em Apocalipse 19:11-16, como a contraparte significativa e como a consumação do tempo do fim de Apocalipse 6:2. As profecias messiânicas do Antigo Testamento representavam ao Rei davídico como conquistando com arco e flechas (ver Sal. 45:4, 5; Deut. 32:23; Hab. 3:8-11; Sal. 7:12; 21:12). Cristo anunciou que veio trazer a "espada" para todos os que rechaçam sua paz (Mat. 10:34; Luc. 12:51-53). Portanto podemos interpretar o cavalo branco do primeiro selo como o cavalo do evangelho que oferece a todos os homens a justiça perfeita de Cristo. Este cavaleiro evangélico ainda conquista homens e mulheres ao redor do globo (1 João 5:4, 5). A última confissão de fé de Paulo ilustra o poder do cavaleiro do cavalo branco: " Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé" (2 Tim. 4:7).
O Segundo Selo
"Quando abriu o segundo selo, ouvi o segundo ser vivente dizendo: Vem! E saiu outro cavalo, vermelho; e ao seu cavaleiro, foi-lhe dado tirar a paz da terra para que os homens se matassem uns aos outros; também lhe foi dada uma grande espada" (Apoc. 6:3, 4).
Os três seguintes cavaleiros apocalípticos têm autoridade para trazer consigo juízos severos sobre a terra. Não devemos considerar estas incursões que produzem morte, fome e praga como os resultados das guerras seculares. Durante séculos houve paz no Império Romano, a "pax romana", desde Armênia até a Espanha.
O cavalo vermelho representa o espírito de oposição ao cavaleiro do evangelho, ou guerra contra o povo de Cristo. Jesus tinha advertido que o testemunho de seus seguidores causaria uma oposição encarniçada: "Não pensem que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, senão espada" (Mat. 10:34; ver a conexão com os vs. 32 e 33 e Luc. 12:51-53). Isto foi o que experimentou a igreja apostólica, como pode ver-se nas cartas de Cristo às igrejas em Esmirna e Pérgamo (Apoc. 2:10, 13).