18 de janeiro de 2010

OS LOUCOS DO APOCALIPSE

“Je n´ai jamais connu une personne qui ait entrepris l´étude des prophéties et qui ait écrit là-dessus qui ne soit devenue folle. »
William Ramsey
« C´est le signe d´un bon équilibre mental que de ne s´être jamais occupé de l´Apocalypse. »
Johann G. von Herder
« Ou bien l´Apocalypse trouve un homme fou, ou bien elle le quitte fou. »
Anonyme



É uma legião de loucos que rodeia o Apocalipse. E nunca foram tão numerosos como nestes últimos anos. Depois da Segunda Guerra Mundial, no amanhecer do Holocausto de Hiroshima, e mais recentemente seguindo os cuidados ecológicos, da epidemia da Sida e da explosão demográfica, o Apocalipse tornou-se uma referência dramática. Não só nos meios das ciências religiosas, mas também na literatura, no cinema, musica e a pintura têm sido os transmissores de exprimir esta febre que exprime a angústia nervosa dos nossos contemporâneos.
E quanto mais avançamos nesta década do século 21, mais o movimento se intensifica. Desde os anos 80, se têm verificado “uma verdadeira explosão do tema apocalíptico” (J.-P.PREVOST, Pour lire l´Apocalypse, 1991, p.7; cf. B. McGINN, Apocalyptic Spiritality, Londres, 1980, p. 141; cf. T.K.FREIMAN, Postscripts, p.157: “À medida que o mundo se aproxima do terceiro milénio e a partir dos anos 80, a referencia ao fim torna-se mais e mais intensa.”). Não se trata simplesmente de um “tema” abstracto dado simplesmente para nos entreter ou no melhor dos casos para nossa inspiração. À boca de cena, mais e mais os loucos tornam-se actores do Apocalipse.
Ainda está na nossa consciência David Koresh, nos Estados Unidos. Na base de uma intensa referencia ao Apocalipse, ele citava capítulos inteiros de memória. Vernon Howell, aliás, David Koresh, apresentava-se como messias-Deus, e arrogava o direito de ter relações sexuais com todas as mulheres do seu grupo (casadas ou não, jovens ou menos jovens). Ele armazenou um enorme arsenal de armas e transformou a sua casa numa verdadeira fortaleza. Ele esperava o fim do mundo e desafiou as forças armadas dos Estados Unidos durante um cerco de cinquenta dias. Os seus propósitos incoerentes e os seus actos imprevisíveis tornaram as negociações difíceis. Terminou, dia 19 de Abril de 1993, arrastando mais de uma centena de pessoas, entre elas crianças, para uma morte horrível que chocou todo o mundo.
Uma tragédia parecida aconteceu algum tempo depois no Japão. Desta vez, o messias Shoko Asahara apresentava-se como um guru cabeludo inspirado nas religiões budistas e hindus. A seita, que tinha começado de forma inocente a partir de escolas de yoga, afirma-se na realidade no tipo apocalíptico. Esta seita esperava o fim do mundo e previa o Apocalipse para 1997. No seu livro intitulado “O Desastre Aproxima-se do País do Sol Nascente” (1995), Asahara anunciava a vinda do Armagedom sob a forma de um gás proveniente dos Estados Unidos, enviado por Judeus e franco-maçons. Tal como David Koresh, o guru dominava os seus discípulos e incitava-os a cometer actos criminosos de toda a espécie. O ataque ao metro de Tóquio, a 20 de Março de 1995, tem a sua assinatura. Um gás mortal, o sarin, produzido por nazis com o objectivo de exterminar pessoas de forma massiva, foi utilizado em cinco lugares diferentes a horas de ponta. O balanço elevou-se a vários milhares de pessoas intoxicadas e uma dezena de mortos. A polícia japonesa relatou ter descoberto nos aposentos da seita material suficiente para destruir 4 a 5 milhões de pessoas.
Na Suíça, arredores de Fribourg e também em Valais, a 27 de Outubro de 1994, os habitantes de Cheiry e de Granges-sur-Salvan viveram a mesma angústia. O fogo onde morreram mais de cinquenta pessoas, entre as quais várias crianças, testemunha da loucura de uma outra seita chamada “Templo Solar” cujo messias, Luc Jouret, médico homeopata, pregava, ele também, sobre o Apocalipse e não cessava de repetir que tinha chegado a hora do Apocalipse.
Na propriedade foram descobertos vários cadáveres vestidos de vestes de culto brancas, vermelhas e negras; dispostos em círculo, eles estavam amarrados e tinham recebido uma bala na cabeça. Nunca se chegou a saber se se tratou de um suicídio colectivo ou de um outro tipo de crime. Também aqui, a polícia que investigou descobriu um importante arsenal de armas que a seita tinha adquirido para a batalha final. No ano seguinte, a 23 de Dezembro de 1995, aconteceu o mesmo cenário de horror atingiu a França. Nos arredores de Grenoble, perto da aldeia de Pierre-de-Chérennes, quinze pessoas da mesma seita do “Templo do Sol”, entre as quais várias crianças, foram encontradas abatidas a revólver em igual dramática circunstância.
Estes três exemplos, entre outros (Lembramo-nos dos acontecimentos na Guyane em Novembro de 1978, onde mais de novecentas pessoas se suicidaram por envenenamento sob a ordem do seu guru, Jim Jones), são incontestavelmente o sintoma da nossa civilização. A análise do fenómeno revela um certo número de circunstâncias:
1- Presença de um profeta-messias-Deus do tipo carismático, que pretende deter a palavra da verdade e move um grupo de pessoas a vê-lo como mestre. Estas fazem tudo para lhe agradar.
2- Rejeição do sistema estabelecido e suspeição sobre todos os que não se conformam com as regras e as ideias do grupo. Esta raiva do tipo xenófoba manifesta-se frequentemente por uma vida comunitária fechada a toda a influência do exterior, esta é julgada maléfica. O grupo pratica actos criminosos às ordens do mestre, considerados actos de “justiça”.
3- Fixação sobre a mensagem apocalíptica em detrimento do amor ao próximo, da razão e da ética.
4- Obsessão em ver cumprir-se o Apocalipse já e aqui, o que conduz frequentemente estas “seitas do Apocalipse” (expressão usada pelo o sociólogo americano J.R.Hall, livro “The Apocalypse at Jonestown”) a tornarem-se os actores da profecia e a produzirem acontecimentos do Apocalipse.
Este carácter pode concentrar-se num só indivíduo, que vive concentrado sobre ele próprio, ele é simultaneamente profeta e seita. Nota-se também que o fenómeno aparece em todas as tendências religiosas. Não só entre os cristãos, mas também, entre os judeus, muçulmanos, nas religiões orientais e na Nova Era.
Apesar de algum paralelismo com certos movimentos isolados na história passada do cristianismo (os Taboristas da Boémia no século XV, ou os “exaltados” de Muntzer no século XVI), este fenómeno é novo pelo seu carácter patológico e violento. A nossa civilização está atingida pelo sindroma Apocalipse.
A Igreja que tem uma mensagem a proclamar (Mateus 24:14) no contexto do Apocalipse, deve, como pessoas e como igreja a ser dirigida pelo Espírito Santo. Todos os fiéis anseiam que “as primeiras coisas passem”. Estou a escrever no contexto da Tragédia do Haiti, o meu coração dói, mas meu dever, meu chamado é a proclamar o amor, a paz que o Homem de Nazaré veio trazer, salvação e esperança. Sou chamado a ser muito zeloso no amor, a buscar os perdidos e a falar de Cristo como o “Príncipe da Paz”.
Amigos e amigas que acompanham este blogue quero dar-vos uma palavra de amor e de amizade em Jesus. Sei, uma ou outra vez ficam estupefactos com uma ou outra afirmação, desejo que percebam que estou falando num contexto de análise bíblica e nunca, Deus me livre, num sentido proselitista, menos ainda catastrofista, tudo será dirigido pelo Senhor que tudo fez bem e tudo fará muito bem, amem!

11 de janeiro de 2010

MENSAGEM DO TERCEIRO ANJO

Uma séria indagação surgiu na mente de alguns que ouviram a mensagem de Justificação Pela Fé, apresentada na Assembléia de Mmneapolis, sobre a relação dessa mensagem com a do terceiro anjo. Em sua perplexidade, alguns escreveram à Sra. E. G. White solicitando-lhe uma manifestação de seu pensamento a respeito.
No que concerne e esta inquirição e sua resposta, temos sua declaração publicada que é a seguinte:
"Várias pessoas me escreveram perguntando se a mensagem de justificação pela fé é a mensagem do terceiro anjo, e respondi-lhes: 'É verdadeiramente a mensagem do terceiro anjo.' "- Review and Herald, 1 de abril de 1890.
Há mais nesta declaração do que uma breve, clara e positiva resposta a uma pergunta. Ela tem sentido profundo e vital. Soa como uma séria vertência, e faz um apelo inteligente e ardente a todo o que crê na mensagem do terceiro anjo. Dediquemos cuidadoso estudo à declaração.
Justificação pela fé, afirma-se, é "a mensagem do terceiro anjo em verdade". As palavras "em verdade" significam, de facto, na realidade, com toda certeza. Isso significa que a mensagem de justificação pela fé e a mensagem do terceiro anjo são idênticas em propósito, objectivo e resultados.
Justificação pela fé é o modo divino de salvar pecadores; a Sua maneira de convencer os pecadores da sua culpa, a sua condenação, e condição inteiramente perdida e sem esperançada. E também a forma divina de cancelar a culpa, livrando os homens da condenação da Sua divina lei, e dando-lhes um novo posicionamento perante Ele e a Sua lei santa. A justificação pela fé é a maneira de Deus transformar homens e mulheres fracos e pecadores em cristãos fortes, vitoriosos e justos.
Agora, se é verdade que a justificação pela fé é a "terceira mensagem angélica em verdade" -de facto, na realidade - deve dar-se que a compreensão e apropriação da terceira mensagem angélica tenha por desígnio realizar naqueles e por aqueles que a recebem a plena obra de justificação pela fé. Que tal é seu propósito, torna-se evidente a partir das seguintes considerações:
1. A grande mensagem tríplice de Apocalipse 14, que designamos pela expressão "a mensagem do terceiro anjo", é tida por "evangelho eterno". Apoc. 14:6.
2. A mensagem traz o solene anúncio de que "é chegada a hora de Seu juízo"
3. Ela admoesta a todos quantos vão encontrar-se com Deus em Seu grande tribunal, para serem julgados por Sua justa lei, a temerem "a Deus" e dar-Lhe "glória," e adorarem "Aquele que fez o céu, e a terra e o mar". Verso 7.
4. 0 resultado, ou fruto, desta mensagem de advertência e recomendação é o desenvolvimento de um povo a respeito do qual é declarado:
"Aquí está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus." Verso 12.
Em tudo isso temos o fato da justificação pela fé. A mensagem é o evangelho de salvação do pecado, condenação, e morte. O juízo traz os homens e mulheres face a face com a lei de justiça, pela qual deverão ser julgados. Devido a sua culpa e condenação, são advertidos a temer a Deus e adorá-Lo. Isto envolve convicção de culpa, arrependimento, confissão e renúncia. Esta é a base do perdão, purificação, e justificação. Aqueles que passam por esta experiência introduziram em seu caráter a doce e bela graça da paciência, numa época de difundida irritabilidade e temperamentos incendiários que têm destruído a paz, a felicidade, e a segurança da raça humana. O que é isto senão justificação pela fé? A Palavra declara que, sendo justificados pela fé, "temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo". Rom. 5:1.
Contudo, há ainda mais, pois esses crentes 'guardam os mandamentos de Deus". Experimentaram a maravilhosa mudança do ódio e transgressão da lei de Deus, para o amor e observância de seus justos preceitos. Sua condição diante da lei foi mudada. Sua culpa foi cancelada; sua condenação removida, e a sentença de morte anulada. Tendo aceito a Cristo como Salvador, receberam Sua justiça e Sua vida.
Essa maravilhosa transformação pode ser operada somente pela graça e poder de Deus, e é operada somente por aqueles que lançam mão de Cristo como seu substituto, penhor e Redentor. Portanto, é declarado que "guardam... a fé de Jesus Isso revela o segredo de sua experiência rica e profunda. Eles lançam mão da fé de Jesus - aquela fé pela qual Ele triunfou sobre os poderes das trevas.
"Quando o pecador crê que Cristo é seu Salvador pessoal, então, segundo Suas infalíveis promessas, Deus perdoa seus pecados e o justifica gratuitamente. A alma arrependida reconhece que sua justificação se dá porque Cristo, como seu substituto e penhor, morreu por ele, como sua expiação e justificação." - Review and Herald, 4 de novembro de 1890.
Como já assinalado, encontramos nas experiências daqueles que triunfam na mensagem do terceiro anjo todos os fatos da justificação pela fé:. Por esta razão, é bem verdade que a justificação pela fé é a "mensagem do terceiro anjo em verdade
Seria de bom alvitre aqui chamar a atenção para o fato de que tanto a justificação pela fé quanto a mensagem do terceiro anjo são o evangelho de Cristo em verdade. Isto é tornado evidente por uma declaração do apóstolo Paulo, que declara que o "evangelho ... é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê. ... visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé". Rom. 1:16, 17.
Os fatos aqui apresentados são:
1. 0 evangelho é uma manifestação do poder de Deus em operação, livrando os pecadores de seus pecados e implantando neles Sua própria justiça.
2. Isto, porém, é feito somente naqueles que crêem.
3. Isto é tornar justo, pela fé.
4. E este é o propósito tanto da mensagem de justificação pela fé quanto da mensagem do terceiro anjo.
Qual, então, é a importante lição a ser obtida da declaração que tivemos para análise? Que advertência ela oferece? Claramente, o seguinte:
Que todos quantos aceitam a mensagem do terceiro anjo devem passar pela experiência da justificação pela fé. Devem ter a Cristo revelado para eles e neles. Devem saber por experiência pessoal a obra de regeneração. Devem ter mais plena garantia de que nasceram de novo, a partir do alto, e que passaram da morte para a vida. Devem saber que sua culpa foi cancelada, que foram livrados da condenação da lei, e assim estão prontos para aparecer perante o trono do juízo de Cristo. Devem saber por experiência vitoriosa que lançaram mão da "fé de Jesus" e são por ela mantidos, e que por esta fé são capacitados a observar os mandamentos de Deus.
Deixar de passar por esta experiência será perder de vista a virtude redentora real e vital da mensagem do terceiro anjo. A menos que tal experiência seja obtida, o crente terá somente a teoria, as doutrinas, as formas e atividades da mensagem. Isso se provará um erro fatal e terrível. A teoria, as doutrinas, mesmo as mais zelosas atividades da mensagem, não podem salvar do pecado, nem preparar o coração para defrontar a Deus em juízo.
É com respeito ao perigo de cometer este erro fatal que somos advertidos. O formalismo - ter " a forma de conhecimento e da verdade na lei'', sem ter uma experiência real em Cristo - é a rocha oculta que tem despedaçado incontáveis milhares de professos seguidores de Cristo. E contra esse perigo que somos seriamente advertidos.
Há, contudo, mais do que advertência nesta declaração. Há um apelo um ardente e insistente apelo para entrar em comunhão com Cristo Jesus, nosso Senhor. Há um apelo às mais elevadas altitudes da experiência cristã. Há a garantia de que, quando justificados pela fé, temos paz com Deus, e seremos capazes de regozijar-nos continuamente na esperança da glória de Deus. Há a promessa de que não seremos envergonhados por derrota em nosso conflito com o pecado, porque o amor de Deus tem sido derramado amplamente em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. Rom. 5:1-5.
Quem dera que todos acatássemos tanto a advertência quanto o apelo que nos advieram de modo aparentemente tão estranho, contudo impressionante, na assembléia de 1888! Quanta incerteza não seria removida, quantos desvios, derrotas e perdas não teriam sido impedidos! Que luz, bênção, triunfo e progresso não nos teriam chegado! Mas graças sejam dadas Aquele que nos ama com amor infinito, que não é demasiado tarde mesmo agora para responder de todo coração à advertência, bem como ao apelo, e receber os grandes benefícios providos.

7 de janeiro de 2010

TERCEIRO ANJO APOCALIPSE: O FILHO DO HOMEM


Estimados amigos antes de entrar no estudo do terceiro anjo, sou obrigado a tratar da conclusão da mensagem deste anjo. Certamente já repararam, estes estudos têm carácter teológico, não tanto pastoral. Estamos a ser fiéis à mensagem original do Apocalipse. Se você é crente Adventista ficará surpreendido, se é evangélico, ficará ainda mais chocado, porque nem um nem outro, alguma vez viram este assunto ser tratado sem fundo partidário. Isto é o que estamos fazendo neste estudo, entendeu?
Também devo pedir desculpa, por tão raras vezes postar temas neste blogue, creio que você entenderá, tenho o meu trabalho pastoral e sustento muitos outros blogues muito menos exigentes que este. Confesso, não sei quantas entradas tem este blogue, desactivei o analitic, comecei a sentir um pouco de presunção, entravam mais de 300 pessoas por dia. Por essa razão desactivei e estou a colocar menos material. Estou convencido que agora entrarão menos pessoas, o que desejo é que entrem só os interessados por estes temas e não curiosos, eu não quero curiosos nestes blog, para isso há muitos outros. Aceite estas palavras com carinho na esperança de nos encontrarmos no Céu. Agiram vamos entrar no tema, vamos lá.
O profeta do Apocalipse começou a sua série de sete sinais sobre as visões no céu com uma mulher vestida do sol … “E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida do sol, tendo a lua debaixo dos seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça.” (Ap. 12:1) de sol e tendo a lua debaixo dos seus pés e tinha na sua cabeça uma corroa com doze estrelas. Presentemente o olhar profético fecha o circulo e para sobre a visão do Filho do Homem no céu... “E olhei, e eis uma nuvem branca, e assentado sobre a nuvem um semelhante a filho de homem, que tinha sobre a cabeça uma coroa de ouro, e na mão uma foice afiada.” (Ap. 14:14) envolvido numa nuvem branca e a Sua cabeça tem uma coroa de ouro. A visão do Filho do homem responde à visão da mulher.
A vinda de Jesus Cristo que surge do fundo das nuvens para, finalmente, tomar posse do governo da terra, como numa resposta ao suspiro da mulher exilada no deserto e que tem como sonho e por este sonho vive a vinda do Esposo.
Esta última visão concentra de facto todas as esperanças cristãs. Não foi por acaso que os primeiros cristãos se saudavam Maran Atha, “O Senhor vem”. O verbo em aramaico atha é precisamente o verbo que no texto de Daniel 7 descreve a vinda do Filho do homem (Daniel 7:13).
É o fim. Este último evento marca o fim de todas as esperas. Para compreender esta mensagem do “fim”, o profeta Amos tinha no seu tempo recebido a visão de um cesto com frutos maduros (Amos 8:2). E a ideia de maturidade e de fim da estação passava por um jogo de palavras. Em hebraico, a palavra “fim” (qetz) mistura-se nos sons da palavra “fruto” (qaytz).
Para os profetas do Antigo Testamento, o fim não trata unicamente de uma paragem trágica, depois da qual não há mais nada. O fim é também portador de novos horizontes. O fim é também esperança. Para ilustrar esta ambivalência do fim, os profetas utilizaram a metáfora da colheita (Joel 4:13). Porque a ceifa implica ao mesmo tempo na violência do corte e a recolha da ceara. Ela sugere simultaneamente a morte e a vida.
O profeta do Apocalipse retoma esta imagem da colheita para evocar o fim (Apocalipse 14:14-19). Mas para tornar mais rica a ideia de ambivalência do fim, o Apocalipse descreve-a sob a forma de duas colheitas que eram comuns na vida agrícola da Palestina na época: a colheita dos grãos na Primavera e as vindimas no Outono.
A colheita do grão representa o “ajuntar” (v.18) dos fiéis (Ap. 14:12-16). A imagem situa-se na linha das primícias. Trata-se “das primícias de Deus” (Ap. 14:4). Esta colheita está directamente associada ao Filho do homem. Porque é a Sua obra, e é do Seu reino que se trata.
A visão do Apocalipse alia-se aqui à visão do profeta Daniel. Também, neste caso, o julgamento é dado como o último acontecimento da história humana na perspectiva da vinda do Filho do homem. No capítulo 7 de Daniel, o Filho do homem estava directamente implicado no processo do julgamento. Ele surge e intervém juntamente com o “Anciãos de Dias”, antes de receber o reino e o domínio (Daniel 7:13,14; cf. 7:26,27).
O texto do Apocalipse segue o mesmo desenvolvimento. Antes de significar a parousia, a volta de Cristo, a vinda do Filho do homem concerne em primeiro lugar o julgamento que separa e une todos aqueles que foram considerados justos. É aqui um julgamento positivo pronunciado em favor dos acusados de (Daniel 7:22, quando tratarmos o livro de Daniel, falaremos com mais detalhes deste assunto). A ceifa traz uma mensagem de vida. A escolha do termo grego para traduzir a ideia de colheita (therismos, therizô) é muito significativo. Esta palavra aplica-se especificamente à recolha ao ajuntar as espigas e não a cortá-las como seria o caso se se quisesse evocar o castigo dos inimigos ou a perdição eterna. Estes grãos recolhidos são grãos da promessa de pão, significa a segurança que finalmente chegou o fim e o destino eterno.
Por outro lado, a colheita das uvas representa o castigo dos infiéis. Neste caso, o ceifeiro é associado ao fogo (Apocalipse 14:18) que, como em Daniel 7, é o instrumento do julgamento negativo (Daniel 7:11). No suporte desta ideia, está o anjo que executa o julgamento saindo do altar onde se tinha ouvido a voz dos mártires de Deus (Ap. 6:9; cf. 8:3-5). Este julgamento dá-se também como um acto de justiça que vinga as vítimas; é a manifestação da cólera de Deus (Ap. 14:19). A ceifa traz em si mesma uma mensagem de morte. Os cachos esmagados de forma violenta provocam que o sumo (suco) ou vinho vermelho saia com a cor do sangue que corre (veja Isaías 63:1-6; Lam. 1:15). O profeta interpreta ao receber a visão ele próprio faz esta interpretação. É o sangue que ele vê correr do lagar (Ap. 14:20), a imagem prolonga-se ao ponto de evocar o campo de batalha com os cavalos caídos no sangue.
O objectivo desta imagem não é a de provocar medo, mas antes de tudo de trazer confiança. É a boa nova da vitória final que é aqui proclamada. A imagem motiva fortes esperanças.
A violência que fará tremer os últimos momentos da história é incrível. Para salvar, Deus é obrigado a confrontar-se com o Seu inimigo. É obrigado de combater e de bater para resgatar as suas ovelhas das garras do leão feroz, e, por fim, redireccionar a história na boa direcção, a direcção da vida e da justiça.
Termino esta reflexão com um AMÉM.

31 de dezembro de 2009

O SEGUNDO ANJO DO APOCALIPSE

“Um segundo anjo o seguiu, dizendo: Caiu, caiu a grande Babilónia, que a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua prostituição.” (Ap. 14:8)
Depois do primeiro anjo, surge o segundo com uma mensagem e um tom diferente. O segundo anjo é portador de uma mensagem que lemos e notamos uma forma negativa e contrária da precedente. Em vez de uma boa nova de esperança que alegre e conforte, lemos sobre o julgamento num sentido profundamente negativo. É o anúncio da queda de Babilónia (leia Ap. 14:8).
O verbo está conjugado no passado para bem marcar o carácter definitivo da sentença. É no estilo dos oráculos dos profetas hebraicos. Assim o profeta Isaías, por exemplo, afirmava: “E eis aqui agora vem uma tropa de homens, cavaleiros de dois a dois. Então ele respondeu e disse: Caiu, caiu Babilónia; e todas as imagens esculpidas de seus deuses são despedaçadas até o chão.” (Is. 21:9).
Da mesma maneira, o profeta Jeremias declara: “Na mão do Senhor a Babilónia era um copo de ouro, o qual embriagava a toda a terra; do seu vinho beberam as nações; por isso as nações estão fora de si. Repentinamente caiu Babilónia, e ficou arruinada; uivai sobre ela; tomai bálsamo para a sua dor, talvez sare.” (Jer. 51:7,8).
É aqui representado o campo onde agiu Babel (Babilónia) a ilusão e o sonho. Os seus seguidores embriagados com o vinho (falsas doutrinas) perderam o sentido da realidade. Eles foram enganados. Babel fez-se passar por cidade de Deus. E eles acreditaram, e por fim, uniram-se a ela numa relação de adultério. Segundo o livro de Provérbios, é o inevitável desfecho do embriagado:
“31 Não olhes para o vinho quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente.
32 No seu fim morderá como a cobra, e como o basilisco picará.
33 Os teus olhos verão coisas estranhas, e tu falarás perversidades.
34 e serás como o que se deita no meio do mar, e como o que dorme no topo do mastro.” Provérbios 23:31-34.
Em contraste com os cento e quarenta e quatro mil que permanecem virgens esperando a cidade que vem do Alto, estes os de Babel são neste contexto descritos como beberrões e possuídos pelo desejo do adultério.
Os que pertencem ao campo do Cordeiro são caracterizados pelo temor de Deus vivida como uma relação de amor e de fidelidade. Em vez, no campo de Babel, Deus é substituído pela instituição de inspiração terrena e a religião vive-se como uma relação de adultério. A missão do segundo anjo consiste precisamente a revelar esta mistificação para que os habitantes da terra sejam advertidos. A máscara é denunciada. Graças ao estudo do livro de Daniel e do Apocalipse realizados durante os séculos XIX, estamos à altura presentemente de compreender que este poder religioso não tem inspiração do Alto. o pequeno chifre com rosto humano que se eleva até Deus (Daniel 7:24,25; 8:9-11,25), onde a besta se apresenta como Deus (Ap. 13:4), representa uma instituição intrinsecamente humana. Esta descoberta à luz das Escrituras, é em si mesma a queda de Babilónia.
A mensagem foi projectada para todos os horizontes. Não se trata de acusar para entreter sentimentos da sua própria superioridade, antes e acima de tudo, para que os que querem discernir saiam dessa “taberna” e aqueles que conhecem o Deus Criador não se deixem cair na armadilha. A queda de Babilónia torna-se assim o paradigma de todas as quedas. A partir do exemplo de Babilónia histórica que caiu sob o golpe de Ciro em 536 a.C., a profecia bíblica cria uma forma de ilustrar, ou seja, uma lição universal, uma lição que deve entender-se para além de todas as fronteiras, seja no plano politico, religioso e mesmo psicológico.
Todo o orgulho e toda a pretensão à infalibilidade e ao estatuto divino acaba inevitavelmente sobre a confusão em que caiu Babel e conhece o mesmo destino de queda. Não há ideal político, Igreja, homem ou mulher, que esteja ao abrigo deste perigo. Babilónia é também uma mentalidade, um traço de espírito que encontramos para além da torre do rei Nabucodonosor, ou mesmo da Igreja Católica. A queda de todas estas Babilónias constitui um alerta solene contra o nosso próprio orgulho e anuncia a nossa própria queda.
Entre muitas outras lições que se podem tirar desta mensagem, retenhamos firme a Palavra da Verdade com zelo e humildade, olhando para Jesus e tendo-O como Único exemplo, Ele não caiu. Deus vos abençoe em Jesus. Amém!
Espero encontrar-vos no ano 2010. Esta mensagem foi escrita no dia 31 de Dezembro de 2009.

30 de dezembro de 2009

O CLAMOR DO PRIMEIRO ANJO III

E vi outro anjo voando pelo meio do céu, e tinha um evangelho eterno para proclamar aos que habitam sobre a terra e a toda nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas.” Apoc. 14:6,7.

DO Deus Juiz que provoca temor, o primeiro anjo passa para o Deus Criador que deve ser adorado. Da obediência da lei em que o adorador reconhece a justiça e a bondade de Deus, passa-se à adoração motivada exclusivamente pelo amor que se extasia diante da grandeza da obra.

Impressionado pela infinita bondade manifestada no Universo, a criatura humana é impelida adorar o seu Criador. É muito interessante notar que os Salmos e as orações que estão no centro do culto de Israel, associam directamente a criação à adoração (Salmo 95:6; 102:19; Neemias 9:6). Porque em criando, Deus demonstrou ao mesmo tempo poder e graça. A Sua grandeza infinita constrange à adoração e fundamentalmente à reverência, e Deus torna-se tão próximo pelas Suas obras que esta proximidade permite o encontro e o amor. Deus é antes de tudo e sobretudo e de tudo, absolutamente independente e único, mas Ele está também na origem de tudo e de todos. Nós só temos existência na dependência d´Ele. Esta é a principal lição que se deve retirar da criação e o que justifica a adoração. Porque a adoração é feita desta tensão entre o sentido da distância de Deus e a experiencia íntima da Sua presença.

Logo nas primeiras páginas da Bíblia, as duas apresentações da criação testemunham desta exigência. Na primeira temos o texto (Génesis 1-2:4), Deus, Elohim, é Um presente transcendente, Deus poderoso e Mestre do Universo. Na segunda parte do texto (Génesis 2:4-24), Deus, YHWH, é presente na imanência, pessoal, Deus da existência e da história, Deus da relação.

A Bíblia abre-se sobre a Criação, não somente pelas razoes históricas e cronológicas evidentes, porque tudo começa aqui, mas para que desde o começo o ser humano que recebe esta palavra de Deus possa situar-se em relação a Deus.

Começando pela Criação, a Bíblia coloca as bases da adoração. Mas o texto do Apocalipse visa mais que uma simples evocação do evento da Criação. A menção inesperada das “fontes das águas” (Ap. 14:7), centrada no contexto de mais três elementos relacionados, o céu, a terra e o mar, traduz uma intenção especial. No contexto do Antigo Israel, rodeado por desertos onde a vida depende da água, as fontes das águas contrastam com o deserto, lugar de morte e do mal (Ap. 12:6,14; 17:3).

Este versículo das fontes das águas ao qual o Cordeiro conduz o Seu povo (Ap. 7:17; 12:6; 22:17). Da mesma maneira no livro de Ezequiel, a Jerusalém da esperança é imaginada fluindo fonte de água (Ezeq. 47:1-12); e nisto, encontramos uma ligação na forma como é apresentado o Jardim do Éden (Gén. 2:10-14; cf. Joel 3:18; Zac. 13:1; Salmo 46:4; Ap. 22:1,2).

Evocando as fontes de água, o nosso teto sugere, portanto, uma visão de futuro onde a Jerusalém ideal é descrita sob os traços do Jardim do Éden. Não pode ser por acaso que o apelo à adoração do Criador seja dada na perspectiva do julgamento: “porque é chegada a hora do seu juízo;” (Ap. 14:7). Esta associação traz uma carga de esperança. O julgamento que marca o fim da história humana traz o anúncio da recriação. É o anúncio: “Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.” (Ap. 21:4). Deseja que os seus olhos sejam limpos das lágrimas, está cansado de ver o cortejo da morte? Deixe que esta promessa do Autor da nossa vida encha o seu coração da esperança. Ámen!

26 de dezembro de 2009

O CLAMOR DO PRIMEIRO ANJO - II

O TEMOR de Deus não tem nada de supersticioso que paralise ou obrigue a viver uma religião de forma mecânica ou magica. Na Bíblia, o temor de Deus é associado frequentemente ao amor. Logo depois do apelo a temer a Deus pela obediência à Sua lei, o texto de Deuteronómio (Deut. 6:1-3) termina com o principio subentendido: “Estes, pois, são os mandamentos, os estatutos e os preceitos que o Senhor teu Deus mandou ensinar-te, a fim de que os cumprisses na terra a que estás passando: para a possuíres; para que temas ao Senhor teu Deus, e guardes todos os seus estatutos e mandamentos, que eu te ordeno, tu, e teu filho, e o filho de teu filho, todos os dias da tua vida, e para que se prolonguem os teus dias. Ouve, pois, ó Israel, e atenta em que os guardes, para que te vá bem, e muito te multipliques na terra que mana leite e mel, como te prometeu o Senhor Deus de teus pais. “
De seguida vem: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças.” (Deut. 6:5).
Temer a Deus significa amá-Lo e saber-se que se é amado por Ele. É esta convicção do amor de Deus que nos segue onde quer que possamos ir, o Seu olhar está sobre nós, não com a intenção de nos surpreender em falta e de no fazer pagar por isso, mas no cuidado do Protector que nos guarda de todo o mal. “Eis que os olhos do Senhor estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua benignidade.” (Salmo 33:18).
A obediência e a referência à lei do Altíssimo a cada momento da existência, procedem precisamente desta dimensão do amor recíproco. A vida sob o olhar de Deus é uma vida com Deus. O contrário, e porque vivemos com Deus, vivemos sob o seu controlo. A verdadeira religião é consequente. Deus é tomado a sério.
É a lição que se deduz do texto de Apocalipse: o apelo a temer Deus é seguido do apelo render-Lhe glória: “dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas.” (Apocalipse 14:7). A palavra hebraica kabod, traduz por “glória”, retém a ideia de peso. Deus tem peso. Ele é respeitado. A mensagem do Apocalipse é claramente contra a hipocrisia das religiões fáceis e superficiais que não souberam inspirar respeito por Deus, precisamente porque a referencia a Deus é frequentemente dada sem o temor de Deus. Fala-se de Deus, constrói-se-lhe catedrais e sinagogas, Deus é evocado dentro desses lugares sem calor, sem entusiasmo, debates teológicos ou da politica eclesiástica, mas o coração do homem não muda; continua carregado das suas mentiras e crimes. Em pleno século XX, e no coração da nossa civilização cristã, o holocausto gritou o fracasso da religião e especialmente da religião cristã.
E isto porque a religião não é coerente, Deus não é tomado a sério, e Deus tornou-se para multidões um Deus inofensivo que é manipulável, ou um lindo pequeno Jesus “muito querido” que apazigua as almas sensíveis e que as deixa insensíveis.
Para outros, Deus está morto. E esta tese espalhou-se mesmo dentro dos círculos religiosos. A religião quando ela existe, não passa de uma experiencia espiritual, um código moral, ou simplesmente uma tradição cultural. Já não é inteligente – pensam alguns – crer num Deus do céu e menos ainda esperar o Seu reino.
Porque se perdeu o sentido do que é temer a Deus, não se ousa mais imaginar e desejá-Lo na Sua glória. Para que imaginar? Para quê desejar? Um leva ao outro. Esta palavra do Apocalipse no coração do século XXI é por isso mesmo muito actual. Ela apela ao temor a Deus, para voltar a dar o gosto de Deus, para despertar nos corações dos homens e das mulheres a ocuparem-se na obra que se realiza na Cidade de Deus e a sentir necessidade da vinda de Jesus em toda a glória, é preciso gritar a todos os cantos da terra, gritar de tal modo que faça eco no coração dos homens e desperte o desejo pela esperança.

22 de dezembro de 2009

O CLAMOR DO PRIMEIRO ANJO - I

“E vi outro anjo voando pelo meio do céu, e tinha um evangelho eterno para proclamar aos que habitam sobre a terra e a toda nação, e tribo, e língua, e povo.” (Apoc. 14:6)
Este clamor dirige-se em primeiro lugar ao campo dos que estão sensíveis à voz do Cordeiro, é uma mensagem de interpelação. O primeiro anjo recebe como missão de anunciar o “Evangelho Eterno” (Apoc. 14:6). O termo grego euanggelion, traduzido aqui por Evangelho, significa literalmente a “boa nova”. Esta expressão é utilizada na literatura grega clássica para pronunciar a nova da vitória alcançada no campo de batalha. Ela concerne seja à morte do inimigo, seja a aparecimento do imperador romano (F.JOSEFO, Antiguidades 18.228,229) que chega para salvar as nações das invasões e trazer-lhes a pax romana (a paz romana).

A mensagem do primeiro anjo é pois uma mensagem de esperança. O anjo anuncia que a tragédia humana está a chegar ao fim. Para aqueles que escolheram seguir o Cordeiro, esta boa nova ouve-se no interior da existência humana ao mesmo tempo como um apelo a temer Deus como Juiz, e à adoração do Criador. “Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas.” (Apoc. 14:7)
Temer o Juiz.
No antigo Médio Oriente, o rei é também o juiz supremo. Deste modo a Bíblia associa as duas funções (Êxodo 18:13; 2 Reis 15:5; 2 Crónicas 1:10; Salmo 72:2). É no contexto desta gloriosa visão de Deus como rei e como juiz que se tona necessário compreender o apelo do anjo a temer Deus.
Esta noção de temer a Deus é impopular e muitas vezes mal compreendida. Quando analisarmos Apocalipse 11:8, debruçar-nos-emos um pouco mais sobre este assunto. Devemos, no entanto, ter consciência do olhar do Omnipresente de Deus. a palavra hebraica traduz esta noção (yra) é seguramente a mesma com que o grego apresenta a ideia de ver (raah). Temer Deus, é saber que Deus nos olha onde quer que estejamos, como somos, façamos o que fizermos.
A Bíblia interliga o temer a Deus à lei, vejamos: “para que temas ao Senhor teu Deus, e guardes todos os seus estatutos e mandamentos, que eu te ordeno, tu, e teu filho, e o filho de teu filho, todos os dias da tua vida, e para que se prolonguem os teus dias.” (Deut. 6:2)
O temor a Deus coloca-se deste modo como uma garantia da ética, “teme a Deus e observa os Seus mandamentos” (Ecl. 12:13). Nesta passagem, a sintaxe da frase hebraica sugere que a conjunção de coordenação “e” deve ser compreendida, não como uma indicação de adição, mas de explicação. Seria necessário traduzir “teme a Deus, ou seja, observa os seus mandamentos”. Para Eclesiastes, “todo o homem” (kol haadam) está implícito um compromisso, precisamente por causa do julgamento, na perspectiva que este julgamento implica o que é sabido só pela pessoa, mas tudo o que é do conhecimento de Deus. “Porque Deus há de trazer a juízo toda obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau.” (Ecl. 12:14).
Temer Deus significa estar atento ao bem, ao direito, ao justo; é observar os mandamentos de Deus , não só aparentemente, aos olhares da sociedade, mas igualmente em família e na intimidade. Encontra-se neste texto toda uma concepção de existência. A religião não é relegada a algumas horas do Domingo ou do Sábado, ou a um momento sagrado de oração. Todo o movimento, toda a decisão, toda a obra e todo o pensamento estão colocados sob o controlo do Alto. É esta a razão porque constitui o temor a Deus algo tão importante na literatura bíblica.
O temor a Deus abraça as preocupações existenciais que estão no quotidiano da vida, e no centro das reflexões profundas provadas e sentidas no fogo da dúvida e da inteligência critica, o temor a Deus recebe o primeiro lugar: “O temor do Senhor é o princípio sabedoria; e o conhecimento do Santo é o entendimento.” (Provérbios 9:10; cf. 1:7ss).
Hoje, vamos ficar aqui sobre este assunto tão rico de vida espiritual. Você que lê estas reflexões só pode ser uma pessoa de grande exigência espiritual, estes temas não são para toda a gente, assim, oro que Deus vos abençoe em Cristo. Amem!