8 de Setembro de 2010

DANIEL 4: A LOUCURA DO REI NABUCODONOSOR

“Ao cabo de doze meses, quando passeava sobre o palácio real de Babilônia,
falou o rei, e disse: Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a morada real, pela força do meu poder, e para a glória da minha majestade?
Ainda estava a palavra na boca do rei, quando caiu uma voz do céu: A ti se diz, ó rei Nabucodonozor: Passou de ti o reino.
E serás expulso do meio dos homens, e a tua morada será com os animais do campo; far-te-ão comer erva como os bois, e passar-se-ão sete tempos sobre ti, até que conheças que o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer.
Na mesma hora a palavra se cumpriu sobre Nabucodonozor, e foi expulso do meio dos homens, e comia erva como os bois, e o seu corpo foi molhado do orvalho do céu, até que lhe cresceu o cabelo como as penas da águia, e as suas unhas como as das aves.” Daniel 4:29-33

Os sintomas – A doença com que o rei foi acometido em plena crise do seu orgulho, apresenta-se com raros sintomas. O rei comporta-se como um animal. Come, dorme e age como um boi. Paradoxalmente é o orgulho de Nabucodonosor que é a causa da sua degenerescência. Porque ele quis elevar-se acima de todos os homens, Nabucodonosor torna-se inferior a todos os seres humanos. A história está carregada de significados. Ela deveria fazer reflectir a todos os candidatos à grandeza, e todos aqueles que se embalam na ilusão da sua superioridade. O que os espera depois da colina, é a descida precipitada até ultrapassarem o pondo de partida.
A aventura de Nabucodonosor reproduz-se frequentemente a níveis diferentes. Um dos casos mais conhecidos é a fábula de La Fontaine, “A rã que quer fazer-se passar por um boi” e engorda até rebentar. Mas a história confirma casos parecidos com a experiência de Nabucodonosor.
Os psiquiatras conhecem este tipo de doença que diagnosticaram como uma condição paranóica de carácter esquizofrénico. O psiquiatra Zilboorg relata numerosos casos deste comportamento entre o século III século e o século XVII (M. Benezech, Annales médico-psychologiques, vol. 147, nº 4, 1989, p.468.)
Muito rara e muito estranha esta doença, não deixa de ser conhecida mundialmente. Nos nossos dias, ela praticamente desapareceu nos países industrializados onde ela recebe um tratamento adequado e eficaz, são no entanto, encontrados casos na China, Índia, África e América do Sul. Recentemente foi registada alguns casos em hospitais de Paris e Bordéus (J.P. Boulhaut, Lycantropie et pathologie mentale, Thèse, Université de Bordeuaux II, 1988.).
Os sintomas são sempre os mesmos. O doente imagina ver e ser um lobo (licantropia), ou um boanthropie), ou um outro animal (cão, leopardo, leão, serpente, crocodilo) e comporta-se como tal até nas situações mais íntimas. A ilusão do doente é tão poderosa que afecta a sua psicologia. Os psiquiatras têm relatado um caso recente de uma mulher de quarenta e nove anos que se comportava já de forma crónica como um lobo. Quando se olhava ao espelho, afirmava ver “a cabeça de um lobo no lugar do seu próprio rosto, arrotava e grunhia como um lobo, gemia e rugia como um animal.” (H.A. Rosentock, “A case of Lycanthropy”, in American Journal of Psychiatry, 1977, vol. 134, nº 10, p.1148.).
A crer no testemunho dos historiadores de psiquiatria, esta doença estranha sempre existiu e pode ainda ser observada nos nossos dias. No que concerne a Nabucodonosor, era que as crónicas oficias não transbordassem os muros do palácio. De qualquer modo o texto de Daniel foi corroborado por um certo números de fontes extra-bíblicas.
Três séculos depois da morte de Nabucodonosor, o sacerdote de Babilónia Bérose conta que no final de 43 anos de reinado “Nabucodonosor ficou doente enquanto estava ocupado na construção de um muro (...) depois morreu.” (Flábio Josefo, Contra Apion I, 20). Esta associação da doença do rei e da construção lembra a narração bíblico. Por outro lado, esta menção da doença antes da morte deixa perceber que se tratou de uma doença invulgar; de outro modo não seria referenciada, porque é normal que a morte seja precedida pela doença.
Por fim, uma descoberta recente de um texto em cuneiforme veio confirmar o relato bíblico. Em 1975, o arqueólogo A.K. Grayson descobriu na Assíria um texto em cuneiforme que se encontra no Museu Britânico (BM 34113=sp213), este faz alusão às perturbações mentais de Nabucodonosor. É aí relatado que durante um certo período de tempo a “sua vida lhe pareceu sem valor” ...”ele dava ordens contraditórias e confusas” ...e perdeu a capacidade de manifestar afeição por seu filho e filha, nem sequer reconhecia os que o rodeavam ou de dirigir.” (A.K. Grayson, Babylonian Hitorical-Literary texts, Toronto/Buffalo, 1975, pp. 87-92.
A considerar o testemunho da história e os diagnósticos em psiquiatria, o texto de Daniel é pois incontestável.
O tempo – segundo o texto bíblico Nabucodonosor permaneceu “sete tempos” neste estado. Esta precisão ao fixar o período dá a entender que é intenção do autor sublinhar o carácter histórico deste acontecimento. A doença do rei não tem só um carácter simbólico, ela existiu no tempo. O texto situa o acontecimento na história, porque está directamente associado com o término da construção de Babilónia. A linguagem do profeta é certamente profética, porque utiliza a retórica do oráculo, mas não invoca um tempo real. A palavra aramaica îdan traduzido pelo termo vago “tempo” deve ser de facto compreendido no sentido de “anos” como o indica um grande número de elementos:
1. De uma forma significativa a doença do rei começa no tempo do rei, precisamente “ao cabo de doze meses”, como para sugerir desde o começo que o “ano” constitui a unidade de base a partir da qual os tempos proféticos de Nabucodonosor devem ser calculados.
2. A relação entre estes dois períodos (doze anos e sete tempos) é colocada em evidência numa linguagem de estilo. As duas frases “doze anos” e “sete tempos” fazem eco mutuo: empregam igualmente o termo “ao fim de” (liqtsath), verso 29 (cf.34).
3. A etimologia da palavra îdan (tempo) aparentado com a palavra od (repetir, retornar, refazer) deixa perceber uma repetição do mesmo tempo, ou seja a mesma estação (2:21), o que implica por consequência um novo ano.
4. A mesma palavra îdan é empregue em Daniel 7:25 no sentido de ano, como o indica explicitamente a passagem paralela de Apocalipse 12:14.
Nabucodonosor experimenta esta prova durante sete anos. Se a palavra “tempo” é aqui preferida à palavra mais explicita “anos”, é para chamar a atenção sobre o ritmo de sete e sugerir neste contexto sagrado quando Deus age. O tempo do fim da prova é “marcado” (v. 34). Deus controla esta história e ninguém pode fazer nada contra.

2 comentários:

maria da gloria lima disse...

PASTOR GOSTO MUITOS DOS CONTEUDO QUE O SENHOR MANDA PARA O FEC.DE 1º QUALIDADE

maria da gloria lima disse...

sou Adeventista e estou aguardando o SENHOR da vitoria.